Críticas ao marxismo

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Vários aspectos do marxismo são alvos de críticas. Diversos autores levantaram objeções ao pensamento político e filosófico de Karl Marx.

A maior crítica feita ao Marxismo na atualidade alega que o mesmo possui um caráter simplista, seja na organização da sociedade em classes (capitalista e proletariado)[1] e nas diversas interpretações da abordagem que Marx faz da inter-relação direta entre os fatores sociais de consciência (como cultura, religião e política) com os econômicos.[2] A posição dos críticos é que Karl Marx e Friedrich Engels levavam a análise de todas as ações humanas para o campo da luta de classes, desconsiderando que há diversas ações humanas que não podem ser explicadas tão-somente por uma busca por melhores meios de produção ou por vantagens econômicas.[carece de fontes?]

Segundo alguns destes críticos as razões de caráter econômico também são insuficientes para explicar fenômenos modernos como a busca do homem pelo status ainda que este não venha a representar qualquer vantagem econômica, ou o crescimento da cultura das celebridades. [carece de fontes?] Também depõem contra as ideias de Karl Marx o resultado histórico dos diversos regimes que foram influenciados o ideário político-ideológico do Marxismo, como a União Soviética, o regime castrista de Cuba e as chamadas "repúblicas vermelhas" do Sudeste Asiático.[3] [4] [5] [6]

Peter Singer[editar | editar código-fonte]

Peter Singer, é um filósofo e professor australiano. É professor na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Atua na área de ética prática, tratando questões de Ética de uma perspectiva utilitarista. Singer, assim como muitos cientistas cognitivos como Steven Pinker, criticam Marx pois este, para construir suas ideias, parte da premissa segundo a qual a mente seria uma tábula rasa, uma lousa em branco, algo totalmente e infinitamente plástico. Nas Teses sobre Feuerbach (IV), Marx escreveu: "... A essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo único. Na sua realidade ela é o conjunto das relações sociais." Como Peter Singer observou: "Decorre dessa crença que se você mudar totalmente o conjunto das relações sociais, você pode mudar totalmente a natureza humana. [basicamente, diz que a consciência individual é determinada pelo contexto de produção e histórico assim como o grupo no qual o indivíduo está inserido] Esta afirmação vai ao cerne do Marxismo e, de forma mais ampla, aos pensamentos marxistas. Como resultado, isso afeta muito do pensamento de toda a esquerda." "O modo de produção da vida material condiciona os processos da vida política, social e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas, pelo contrário, seu ser social que determina sua consciência." (Marx, Contribuição à Crítica da Economia Política). A citação acima de Marx é claramente uma declaração de reducionismo econômico, que, novamente, parece servir como a fundação do materialismo histórico. Até mesmo a mais reducionista visão da genética irá reconhecer que o modo de produção influencia o comportamento humano em certa medida, mas nenhum estudioso da mente humana contemporâneo envolvido no debate inatismo versus criação diria que a totalidade da consciência é determinada pelo modo de produção sob o qual as pessoas vivem. O indivíduo não é totalmente moldado pela sociedade e nenhum estudo contemporâneo na área das ciências cognitivas e neurociência dá embasamento à afirmação de que a mente humana é totalmente moldada pela cultura ou grupo ao qual o indivíduo pertence. Esse tipo de afirmação pode ser chamado de "reducionismo cultural"

Raymond Aron[editar | editar código-fonte]

O intelectual francês Raymond Aron em sua obra O ópio dos intelectuais afirma que nenhuma outra doutrina criou no homem, como o marxismo, uma "ilusão da onipotência". Acreditava que o marxismo havia se tornado uma ideologia e, por isso, considerava-o "o ópio dos intelectuais".

Afirma no livro que "as sociedades ocidentais não têm o equivalente ao marxismo-leninismo, seja como base para o regime, seja como fundamento de uma síntese, ou pseudo-síntese, intelectual". Ideologia, segundo Aron, era "uma concepção mais ou menos sistemática da realidade política e histórica de mistura de fatos e valores".

Aron considerava o Comunismo "uma versão aviltada da mensagem cristã". Afirma que o comunismo retém do cristianismo "a ambição de conquistar a natureza, de melhorar a sorte dos humildes". Porém, segundo Aron, o comunismo "sacrifica o que foi e continua sendo a alma da aventura definitiva: a liberdade de pesquisa, a liberdade de controvérsia, a liberdade de crítica e de voto do cidadão. Submete o desenvolvimento da economia a um planejamento rigoroso e a edificação socialista a uma ortodoxia de Estado".

Ainda sobre a questão cristã, Aron entendia que "o cristão nunca poderá ser um autêntico comunista, do mesmo modo que o comunista não pode crer em Deus ou no Cristo, porque a religião secular, animada por um ateísmo fundamental, declara que o destino do homem cumpre-se todo inteiro nesta terra. O cristão progressista esconde de si mesmo essa incompatibilidade".

Leslie Page[editar | editar código-fonte]

O historiador britânico Leslie Page publicou em 1987 o livro "Karl Marx e o exame crítico de suas obras".[7] A obra cobre um período de quarenta anos, de 1844-1894, e é baseada nas edições inglesas das "Marx/Engels Collected Works" [1] (Obras Reunidas de Marx/Engels) e "Marx/Engels Selected Works" [2] (Obras Selecionadas de Marx/Engels). Um segundo volume com o mesmo título foi publicado no ano 2000.[8]

Page pretendeu destacar as opiniões geralmente desconhecidas ou omitidas de Marx e Engels sobre diversos assuntos como: a revolução, o terror revolucionário, o uso da força e o terrorismo. As obras de Page contribuíram para o debate que se desenvolveu sobre até que ponto Marx poderia ser responsabilizado pelas experiências do socialismo real.

Inicialmente Page destaca o Manifesto Comunista, a Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas (1850), e as publicações do Die Neue Rheinische Zeitung (Nova Gazeta Renana), publicado em Colônia a partir de 1 de junho de 1848 a 19 de maio de 1849. Marx e Engels dirigiram o jornal, Marx sendo o seu redator-chefe. No artigo "Marx e a Nova Gazeta Renana" publicado em 1884 Engels declara "A composição editorial era simplesmente a ditadura de Marx".[9] Lênin descreveu o jornal como "o mais belo e insuperável órgão do proletariado revolucionário". [3]

Revolução[editar | editar código-fonte]

Engels declarou que 1873 que "Uma revolução é certamente a coisa mais autoritária que existe; é o ato pelo qual uma parte da população impõe a sua vontade sobre a outra parte por meio de fuzis, baionetas e canhões [...]; e se o partido vitorioso não deseja ter lutado em vão, deve manter esta prática por meio do terror que suas armas exercem nos reacionários."[10]

Terrorismo[editar | editar código-fonte]

Engels publicou na Nova Gazeta Renana dois artigos intitulados "The Magyar Struggle" (A luta Húngara) [4] e "Democratic Pan-Slavism" (Pan-eslavismo Democrático). [5]

Engels prescreveu em "Democratic Pan-Slavism" que: "Somente pelo mais determinado terrorismo contra os povos Eslavos nós poderemos, juntamente com os poloneses e húngaros, assegurar a Revolução". E na mesma página escreve ele: Então haverá uma luta, uma luta de vida-e-morte inexorável com o Eslavismo que trai a revolução; uma batalha de aniquilação e terrorismo cruel - não nos interesses da Alemanha, mas nos interesses da Revolução!"

Em "The Magyar Struggle" Engels afirma: "... Entre todas as grandes e pequenas nações da Áustria, somente três lideranças do progresso tiveram uma parte ativa na história e retêm ainda sua vitalidade – Alemães, Poloneses e Húngaros. Por isso eles são revolucionários.

Todas as outras grandes e pequenas nacionalidades e povos estão destinados a perecer num futuro próximo na tempestade revolucionária mundial. Por esta razão eles são contra-revolucionários.

[...] A próxima guerra mundial resultará no desaparecimento da face da terra não somente das classes e das dinastias reacionárias, mas também de todos os povos reacionários. E isso, também, é um passo adiante."

Terror revolucionário e uso da Força[editar | editar código-fonte]

No Manifesto Comunista Marx e Engels afirmam que "Os Comunistas" proclamam "abertamente que os seus objetivos só podem ser alcançados derrubando pela violência toda a ordem social existente".

Segundo Marx, (Nova Gazeta Renana, 11 de julho de 1848), "só existe um modo pelo qual as agonias assassinas de morte da velha sociedade e o nascimento sangrento da nova sociedade pode ser encurtado, simplificado e concentrado, e esse modo é o terror revolucionário."[11]

"A força", diz Marx em O Capital, "é a parteira de toda velha sociedade em trabalho de parto de uma nova".[12]

O "Plano de guerra contra a democracia"[editar | editar código-fonte]

Na página 50 de "Karl Marx and Critical Examination of his Works" (1987) Leslie Page refere-se a obra "The Red Prussian: The Life and Legend of Karl Marx" do autor Leopold Schwarzschild publicado em 1947 nos Estados unidos e em 1948 na Grã-bretanha. Schwarzschild faz uma citação da Mensagem do Comitê Central à Liga dos Comunistas – 1850 ("Mensagem") . Este documento, escrito por Marx e Engels, era, como Marx disse numa carta para Engels (13 de Julho, 1851), "no fundo nada mais do que um plano de guerra contra a democracia".[13]

Uma nota na página 674 do Volume 10 (1978) das "Marx/Engels Collected Works" (Obras Reunidas de Marx/Engels) diz que a "Mensagem" "continha as proposições fundamentais do programa e das táticas marxistas".

Segundo Robert Payne , (Marx, p. 239), "Embora pouco conhecido e raramente estudado", a "Mensagem" é "um dos mais importantes e seminais do século XIX", ela "agiu como uma bomba que possuía um fusível atrasado, explodindo somente no século XX".[14]

O programa e das táticas recomendas por Marx e Engels incluíam: "a organização secreta e pública do partido dos trabalhadores" – com o "armamento de todo o proletariado, com fuzis, carabinas, canhões e munições" – assumindo a direção "aos chamados excessos, aos atos de vingança popular contra indivíduos odiados ou contra edifícios públicos que o povo só relembre com ódio" - montando - "conselhos municipais revolucionários" - estabelecendo "governos dos trabalhadores revolucionários… ao lado dos novos governos oficiais".

"Durante o conflito e imediatamente após o combate, os operários, antes de tudo e tanto quanto possível, têm de agir contra a pacificação burguesa e obrigar os democratas a executar as suas atuais frases terroristas."

Os trabalhadores deveriam: "Obrigar os democratas a intervir em tantos lados quanto possível da organização social até hoje existente, a perturbar o curso regular desta, a comprometerem-se a concentrar nas mãos do Estado o mais possível de forças produtivas, de meios de transporte, de fábricas, de caminhos-de-ferro, etc." – se esforçar para garantir "a mais decidida centralização do poder nas mãos do Estado""levar ao extremo as propostas dos democratas" e "ditar-lhes condições tais que a dominação dos democratas burgueses contenha em si desde o início o germe da queda".

Eric Voegelin[editar | editar código-fonte]

Eric Voegelin talvez seja um dos críticos mais severos de Karl Marx. No seu livro "Reflexões Autobiográficas" relata que, induzido pela onda de interesse sobre a Revolução Russa de 1917, estudou "O Capital" de Marx e foi marxista entre agosto e dezembro de 1919. Porém, durante seu curso universitário, ao estudar disciplinas de teoria econômica e história da teoria econômica aprendera o que estava errado em Marx.

Voegelin afirma que Marx comete uma grave distorção ao escrever sobre Hegel. Como prova de sua afirmação cita os editores dos Frühschiften [Escritos de Juventude] de Karl Marx (Kröner, 1955), especialmente Siegfried Landshut, que dizem o seguinte sobre o estudo feito por Marx da "Filosofia do Direito" de Hegel:

"Ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, se nos é dado falar desta maneira, Marx transforma todos os conceitos que Hegel concebeu como predicados da ideia em anunciados sobre fatos".

Para Voegelin, ao equivocar-se deliberadamente sobre Hegel, Marx pretendia sustentar uma ideologia que lhe permitisse apoiar a violência contra seres humanos afetando indignação moral e, por isso, Voegelin considera Karl Marx um mistificador deliberado. Afirma que o charlatanismo de Marx reside também na terminante recusa de dialogar com o argumento etiológico de Aristóteles. Argumenta que, embora tenha recebido uma excelente formação filosófica, Marx sabia que o problema da etiologia na existência humana era central para uma filosofia do homem e que, se quisesse destruir a humanidade do homem fazendo dele um "homem socialista", Marx precisava repelir a todo custo o argumento etiológico.

Segundo Voegelin, Marx e Engels enunciam um disparate ao iniciarem o Manifesto Comunista com a afirmação categórica de que toda a história social até o presente foi a história da luta de classes. Eles sabiam, desde o colégio, que outras lutas existiram na história, como as Guerras Médicas, as conquistas de Alexandre, a Guerra do Peloponeso, as Guerras Púnicas e a expansão do Império Romano, as quais decididamente nada tiveram de luta de classes.

Voegelin diz que Marx levanta questões que são impossíveis de serem resolvidas pelo "homem socialista". Também alega que Marx conduz a uma realidade alternativa, a qual não tem necessariamente nenhum vínculo com a realidade objetiva do sujeito. Segundo Voeglin, quando a realidade entra em conflito com Marx, ele descarta a realidade.

Referências

  1. Lawrence H., Simon, Hackett Publishing Company, Inc, Selected Writings/Karl Marx, xxxiv, Indianapolis: 1994. ISBN 0-84220-218-6
  2. Marx, Karl. Preface to a Critique of Political Economy. London: The Electric Book Company, 2001. 7–8 pp.
  3. Besançon, Alain; A infelicidade do século: sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade de Shoah. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2000.
  4. Koba the Dread - Laghter and the Twenty Million" - Vintage - 2002 - p.85-86
  5. Courtois, Stéphane [et al.]; O Livro Negro do Comunismo: crimes, terror e repressão. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005.
  6. Courtois, Stéphane [et al.]; Cortar o mal pela raiz!: história e memória do comunismo na Europa. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006.
  7. PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987.
  8. PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works – Part 2. Londres: Sentinel Publishing, 2000.
  9. Marx-Engels, Selected Works, (Moscou, 1958), Vol. 2, p. 300.
  10. Marx-Engels, Selected Works, (Moscou, 1977), Vol. 2, p. 379
  11. Marx-Engels, Collected Works, Vol. 7, (Londres, 1975), p.506
  12. K. Marx, Capital, Vol. 1, Part VIII, Chap. XXXI (1983) p.703
  13. Selected Correspondence (1941), p. 39; Marx-Engels, Werke, Vol. 27 (1963), p.278. Apud PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987. p. 50
  14. PAYNE, Robert; Marx. Londres: W. H. ALLEN & COMPANY, 1968.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • PAYNE, Robert; Marx. Londres: W. H. ALLEN & COMPANY, 1968.
  • ARON, Raymond; O Ópio dos Intelectuais. Tradução de Yvonne Jean. Brasília: Ed. UNB, 1980.
  • PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works. Londres: Freedom Association, 1987.
  • PAGE, Leslie R.; Karl Marx and Critical Examination of his Works - Part 2. Londres: Sentinel Publishing, 2000.
  • JOHNSON, Paul; Os Intelectuais. Rio de Janeiro: Imago, 1990.
  • MISES, Ludwig von; Marxism Unmasked: From Delusion to Destruction. Nova York: Foundation for Economic Education, 2006.
  • VOEGELIN, Eric; Reflexões Autobiográficas. Rio de Janeiro: É Realizações, 2008.
  • SINGER, Peter; A Darwinian Left: Politics, Evolution, and Cooperation. Yale University Press, 2000.
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