Materialismo dialético

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Materialismo dialético é uma concepção filosófica que defende que o ambiente, o organismo e fenômenos físicos tanto modelam os animais e os seres humanos, sua sociedade e sua cultura quanto são modelados por eles. Ou seja, que a matéria está em uma relação dialética com o psicológico e social. Se opõe ao idealismo, que acredita que o ambiente e a sociedade com base no mundo das ideias, como criações divinas seguindo as vontades das divindades ou por outra força sobrenatural.[1]

No século XIX, houve a efetivação da sociedade burguesa e a implantação do capitalismo industrial. Porém, da crítica a sociedade capitalista destacam-se dois pensadores: Karl Marx e Friedrich Engels. Ambos elaboram uma nova concepção filosófica do mundo, o “materialismo histórico e dialético”, e ao fazerem a crítica da sociedade em que vivem, apresentam propostas para sua transformação: o socialismo científico. Seu método de explicação da sociedade, aplicado à história é o “materialismo histórico e dialético”.

Definição de Materialismo Marxista[editar | editar código-fonte]

“As relações sociais são inteiramente interligadas às forças produtivas. Adquirindo novas forças produtivas, os homens modificam o seu modo de produção, a maneira de ganhar a vida, modificam todas as relações sociais. O moinho a braço vos dará a sociedade com o suserano; o moinho a vapor, a sociedade com o capitalismo industrial.” Afirma que o modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época. Assim, a base material ou econômica constitui a "infraestrutura" da sociedade, que exerce influência direta na "super-estrutura", ou seja, nas instituições jurídicas, políticas (as leis, o Estado) e ideológicas (as artes, a religião, a moral) da época. Porém, devem ser interpretados como uma dialética. Não se pode analisar um separado do outro (o material separado do ideal), no caso, a infraestrutura separada da superestrutura. A super-estrutura só existe tal como existe por relacionar-se com a infraestrutura e vice versa. Então, por serem uma relação, um só existe tal como é por existir o outro, um, no plano material é o outro no plano ideal. Segundo Marx, a base material é formada por forças produtivas (que são as ferramentas, as máquinas, as técnicas, tudo aquilo que permite a produção) e por relações de produção (relações entre os que são proprietários dos meios de produção, as terras, as matérias primas, as máquinas e aqueles que possuem apenas a força de trabalho).

Definição de Dialética[editar | editar código-fonte]

A dialética marxista postula que as leis do pensamento correspondem às leis da realidade. A dialética não é só pensamento: é pensamento e realidade a um só tempo. Mas, a matéria e seu conteúdo histórico ditam a dialética do marxismo: a realidade é contraditória com o pensamento dialético. A contradição dialética não é apenas contradição externa, mas unidade das contradições, identidade: "a dialética é ciência que mostra como as contradições podem ser concretamente idênticas, como passam uma na outra, mostrando também porque a razão não deve tomar essas contradições como coisas mortas, petrificadas, mas como coisas vivas, móveis, lutando uma contra a outra em e através de sua luta." (Henri Lefebvre, Lógica formal/ Lógica dialética, trad. Carlos N. Coutinho, 1979, p. 192). Os momentos contraditórios são situados na história com sua parcela de verdade, mas também de erro; não se misturam, mas o conteúdo, considerado como unilateral é recaptado e elevado a nível superior.

A dinâmica HIPÓTESE+DESENVOLVIMENTO+TESE+ANTÍTESE+DIALÉTICA=SÍNTESE, expressa a contundência deste ensinamento, afirmando que tudo é fruto da luta de ideias e forças, que na sua oposição geram a realidade concreta, que uma vez sendo síntese da disputa, torna-se novamente tese, que já carrega consigo o seu oposto, a sua antítese, que numa nova luta de um ciclo infinito gerará o novo, a nova síntese.

A hipótese fundamental da dialética é de que não existe nada eterno, fixo, pois tudo está em perpétua transformação, tudo está sujeito ao contexto histórico do dinâmico e da transformação. Este texto está impreciso. COM RELAÇÃO AO PENSAMENTO MARXISTA, O TEXTO apresentado está impreciso e mesmo incorreto. A dialética de Heigel é diferente da dialética de Marx. A primeira é idealista (das idéias) e a segunda, é materialista. Para Marx o mundo material é que determina o mundo das idéias. Foi, contudo, de Heigel que Marx retomou e aprimorou o conceito de dialética, caracterizada, segundo este, principalmente pela transformação das coisas sociais. Marx nega a "síntese" de Hegel, que viria da "tese" e da "antítese". No pensamento marxista, não há uma transformação para a síntese de contrários, mas uma transformação essencial do objeto, uma mudança de qualidade. Coisas velhas, anciãs, num dado momento histórico tornam-se insustentáveis e transformam-se em outras coisas, novas, qualitativamente diferentes do que lhe deu origem, ainda que contenham traços daquilo que foi a origem antiga. O novo sempre nasce do velho, nada nasce do nada, do abstrato. Mas a transformação do velho dá numa coisa que a ultrapassou, mostrando-se num estágio avançado, de qualidade diferente. O melhor exemplo para entender rudimentarmente como acontecem essas transformações, talvez esteja no caso da água (H2O) que, colocada no fogo, vai se transformando em quantidade de calorias (graus centígrados, por exemplo) sai da temperatura ambiente e segue se aquecendo, mais 1 grau, mais 5, mais e mais.... até atingir 100 graus que é seu ponto de fervura (ebulição). Neste estágio, pela acumulação dos graus, um aumento de quantidade de calor, ela alcança um determinado limite material que lhe é específico. Neste instante, água, que continua sendo H2O, MUDA DE QUALIDADE, PASSA DO ESTADO LÍQUIDO PARA O ESTADO GASOSO, O VAPOR, uma nova condição que é qualitativamente diferente da anterior. Em sentido oposto, com a perda de calorias, por resfriamento, a mesma água, a zero graus centígrados, torna-se SÓLIDA, o gelo. O que se destaca nos processos? É a transformação QUALITATIVA. Água é água (H2O)mas o líquido não é diferente do vapor? Claro que sim. Assim é na natureza (ENGELS, F. Dialética da natureza. (Obra clássica.) e na sociedade. As forças produtivas da sociedade transformam-se ao longo da história, passando, por exemplo, da forma escravagista antiga para a forma servil do feudalismo. Mas o impulso das mudanças está sempre na base, na organização produtiva, material, interpretada pelo modo de produção juntamente com a política. segundo o pensamento marxista, é o modo de produção material e a política, melhor dizendo, a ECONOMIA POLÍTICA, que é a INFRA-ESTRUTURA social que determina a SUPER-ESTRUTURA social. Assim, a ideologia dominante, as formas institucionais, o direito, a ética e as leis, assim como a cultura, as artes, etc. que são formas do pensamento, são produzidas pela raiz material da produção social. A matéria é objetiva. A idéia, subjetiva. A observação do fenômeno material objetivo é que fornece a massa para a idealização, não o contrário, como achava Heigel. Outro aspecto relevante, é que as transformações político-econômicas que historicamente se sucedem, ocorrem pelas contradições sociais, pelos interesses contrários das classes sociais, daí a chamada luta de classes, considerada por Marx, o motor da História. Na revolução francesa,lutaram os burgueses contra os nobres. Os interesses contrários chegaram ao ápice e a burguesia venceu e mudou a sociedade e o modelo de produção, que era servil para comercial e industrial; mudou também a forma de exploração do homem pelo homem: o nobre explorava o servo; depois o burguês passou a explorar o proletário. As contradições que levam à essas mudanças, são de natureza igual ao que acontece com as contradições que ocorrem com com a água numa temperatura x é agredida por uma caloria que a leva para uma temperatura y. O princípio é o mesmo.

Outro elemento é a ideia de totalidade, a percepção da realidade social como um todo que está relacionado entre si. Há também as contradições internas da realidade, em relação ao valor e não valor, lucro ou não lucro, por exemplo, dentro da produção, seja essa positiva ou negativa. Essas idéias são imprecisas. Não existem essas afirmações positivas contra negativas, cenários alternativos como assim ou assado. Na dialética marxista há o que se chama de UNIDADE DE CONTRÁRIOS. Uma moeda, pelo fato de ter duas faces diferentes, continua sendo a mesma. Uma folha de papel, tem a página 1 e a página 2, mas continua sendo mesma folha. Os contrários existem nas coisas na sociedade de igual maneira. São como as contradições. Estão sempre juntas, num mesmo evento. Isto é o que o marxismo chama de UNIDADE DE CONTRÁRIOS. A tradição filosófica idealista (que nasce das idéias) considera normalmente o sujeito e o objeto, dois seres epistemológicos. No marxismo, esses seres são uma unidade inseparável. Objeto não existe sem o sujeito e vice-versa.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Marx utilizou o método dialético para explicar as mudanças importantes ocorridas na história da humanidade através dos tempos. Ao estudar determinado fato histórico, ele procurava seus elementos contraditórios, buscando encontrar aquele elemento responsável pela sua transformação num novo fato, dando continuidade ao processo histórico.

No Prefácio do livro "Contribuição à crítica da economia política", Marx identificou na História, de maneira geral, os seguintes estágios de desenvolvimento das forças produtivas, ou modos de produção: comunismo primitivo, o asiático, o escravista (da Grécia e de Roma), o feudal e o burguês. Ou seja, dividiu a história em períodos conforme a organização do trabalho humano e quem beneficiasse dele.

Marx desenvolveu uma concepção materialista da História, afirmando que o modo pelo qual a produção material de uma sociedade é realizada constitui o fator determinante da organização política e das representações intelectuais de uma época. Se realidade não é estática, mas dialética e está em transformação pelas suas contradições internas.

Assim, a base material ou econômica constitui a "infra-estrutura" da sociedade, que exerce influência direta na "superestrutura", ou seja, nas instituições jurídicas, políticas (as leis, o Estado) e ideológicas (as artes, a religião, a moral) da época. No processo histórico, essas contradições são geradas pelas lutas entre as diferentes classes sociais. Ao chamar a atenção para a sociedade como um todo, para sua organização em classes, para o condicionamento dos indivíduos à classe a que pertencem, esses autores também exercem uma influência decisiva nas formas posteriores de se escrever a história. A evolução de um modo de produção para o outro ocorreu a partir do desenvolvimento das forças produtivas e da luta entre as classes sociais predominantes em cada período. Assim, o movimento da História possui uma base material, econômica e obedece a um movimento dialético. E conforme muda esta relação, mudam-se as leis, a cultura, a literatura, a educação, as artes...

Proposta[editar | editar código-fonte]

O materialismo dialético propõe uma disputa que não mais seja baseada em coletividade, mas sim nos indivíduos e nos interesses que têm. Bem como a relação destas faz gerar de forma dialética a destruição dos atuais modelos de sociedade, de produção, de pensamento, e de poder econômico e político.

Fazer-nos pensar em como estas relações fazem com que pequenos homens possam ser considerados grandes objetos da história e da luta entre pessoas, ao invés do contrário.

Críticas[editar | editar código-fonte]

Karl Popper um dos maiores críticos da dialética, identifica o marxismo e sua dialética como pseudociência primeiro devido a seu caráter especulativo, depois devido a seu caráter metafisico, segundo Karl Popper e outros, criticam a dialética que não é ciência, nem corresponde ao método cientifico. O modelo científico visa atestar ideias através da experimentação. A dialética visa contrapor ideias com ideias, sem a necessidade de nenhuma evidencia. A dialética, como arma retórica reduz os objetos observados ao antagonismo da antítese, descartando dados significativos, obliterados pela advocacia de sua perspectiva. O método científico não se valida de antítese. A ciência visa examinar o objeto, sem que exista interferência critica ou especulação. Um físico interessado em examinar as propriedades dos átomos não necessita duvidar de sua constituição, nem precisa construir uma tese ou antítese antes da experimentação, mesmo porque a contradição de uma ideia não sugere seu irredutível aperfeiçoamento teórico. Do contrario; a antítese rompe o ciclo evolutivo da tese, ao propor uma contraposição, como irredutível elemento dissertativo, mesmo que não exista parâmetro para este antagonismo.[2]

Resumo[editar | editar código-fonte]

  • É a teoria que defende que a sociedade é definida por fatores materiais, como economia, biologia, geografia e desenvolvimento científico. Se opõe a ideia de que a sociedade seja definida por forças sobrenaturais, divindades ou pelo pensamento.
  • Marx se opõe ao controle do Estado por religiosos, defendendo o poder nas mãos das classes trabalhadoras.
  • Para o marxismo, no lugar da ideias estão os fatos materiais, no lugar dos grandes heróis, a luta de classes.
  • Para Marx, a sociedade estrutura-se em níveis:
    • PRIMEIRO NÍVEL: infraestrutura, constitui a base fundamental da economia, e é determinante, segundo à concepção materialista. Relação do proprietário e não-proprietário, e entre o não-proprietário e os meios e objetos do trabalho.
    • SEGUNDO NÍVEL: político-ideológica, é chamada de superestrutura. É constituído:
  1. - Estrutura jurídico-política, representada pelo Estado e pelo direito.
  2. - Estrutura ideológica, referente Às formas de consciência social, tais como a religião, a educação, a filosofia, a ciência, a arte, as leis.

Referências

  1. Introdução ao materialismo dialético. http://dce.unifesp.br/textos/materialismo.pdf
  2. A lógica da pesquisa científica - 1934 - Karl Popper