Slavoj Žižek

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Slavoj Žižek
Slavoj Žižek, em Liverpool, 2008.
Nascimento 21 de Março de 1949 (65 anos)
Nacionalidade  Eslovênia
Cônjuge Renata Salecl
Analia Hounie
Influências
Influenciados

Slavoj Žižek (esloveno AFI[ˈslavoj ˈʒiʒɛk] Ltspkr.png ouça, Liubliana, 21 de março de 1949) é um filósofo e teórico crítico e cientista social esloveno.[1] É professor da European Graduate School e pesquisador sénior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. É também professor visitante em várias universidades estadunidenses, entre as quais estão a Universidade de Columbia, Princeton, a New School for Social Research, de Nova Iorque, e a Universidade de Michigan.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Slavoj Žižek nasceu na antiga Iugoslávia, em Liubliana, capital da Eslovênia), doutorou-se em Filosofia na sua cidade natal e estudou Psicanálise na Universidade de Paris. Žižek é conhecido por seu uso de Jacques Lacan numa nova leitura da cultura popular, abordando temas como o cinema de Alfred Hitchcock e David Lynch, o leninismo e tópicos como fundamentalismo e tolerância, correção política, subjetividade nos tempos pós-modernos e outros.

Em 1990, candidatou-se à presidência da República da Eslovênia.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Žižek é um pesquisador do Instituto de Sociologia, na Universidade de Liubliania, Eslovênia, e professor-visitante em diversas universidades americanas (Columbia, Princeton, New School for Social Research, New York University, University of Michigan). Slavoj Žižek recebeu seu Ph.D. em Filosofia em Liubliana estudando psicanálise. Ele também estudou na Universidade de Paris. Slavoj Žižek é um crítico cultural e filósofo conhecido internacionalmente por suas interpretações inovadoras de Jacques Lacan. Slavoj Žižek tem sido chamado de o ‘Elvis Presley’ da filosofia e também como 'rock star intelectual'. O trabalho de Slavoj Žižek é considerado como vibrante, cheio de humor, deixando de lado diferenças entre formas altas e baixas de cultura, e seu trabalho e presença lhe renderam críticas que o apontam como o superstar no mundo da teoria contemporânea.

Slavoj Žižek nasceu numa família de classe média. Seu pai, Jože Žižek, cresceu na parte leste da Eslovênia e trabalhou com economia. A mãe de Slavoj Žižek, Vesna, era uma contadora. Ambos são ateus.

Aos 15 anos, Slavoj Žižek queria ser um diretor de cinema. Mas, depois de assistir alguns bons filmes europeus e chegar a conclusão de que não seria capaz de produzir filmes como aqueles, decidiu, aos 17 anos, que queria ser filósofo.

Slavoj Žižek foi para a Universidade de Liubliana em 1967 para estudar sociologia e filosofia, doutorando-se. Mais tarde, Slavoj Žižek foi estudar psicoanálise na Universidade de Paris, com François Regnault e Jacques-Alain Miller (genro de Jacques Lacan).

O filósofo marxista esloveno Božidar Debenjak foi uma das primeiras influências de Slavoj Žižek. Foi com Debenjak que Slavoj conheceu o idealismo alemão e que começou a ser influenciado pela Escola de Frankfurt. Foi no curso de Božidar Debenjak na Universidade de Liubliana que Slavoj Žižek leu "O capital", de Karl Marx, com a Fenomenologia do Espírito, de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, perspectiva essa que influenciou muito - e ainda influencia - seus estudos posteriores.

Em 1979, Slavoj Žižek começou a trabalhar no Instituto de Sociologia de Liubliana. Pouco depois, em 1980, começou a publicar livros que examinavam as teorias Hegelianas e Marxistas a partir do ponto de vista da teoria psicanalítica Lacaniana. Além disso, editou certo número de traduções de Louis Althusser, Jacques Lacan e Sigmund Freud para o Esloveno. Slavoj Žižek se candidatou a presidente da Eslovênia em 1990, mas perdeu.

Slavoj Žižek tornou-se largamente reconhecido como teórico contemporâneo a partir da publicação de O Sublime Objeto da Ideologia, seu primeiro livro escrito em Inglês, em 1989. O trabalho de Slavoj Žižek não pode ser facilmente categorizado. Ele retorna ao sujeito cartesiano e à Ideologia Alemã, especialmente aos trabalhos de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, Immanuel Kant e Friedrich Wilhelm Joseph Schelling.

Slavoj Žižek é ateu e suas teorias frequentemente vão contra as análises teóricas tradicionais. Ele costuma ser politicamente incorreto e já causou diversas polêmicas em vários círculos intelectuais. Slavoj Žižek ressalta com frequência que, para entender a política de hoje, nós precisamos de uma noção diferente de ideologia.

Pensamento[editar | editar código-fonte]

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Teoria: o Real, o Simbólico e o Imaginário[editar | editar código-fonte]

O Real

Segundo Žižek, o "Real" é um termo que corresponde a um conceito bastante enigmático, e não deve ser equiparado com a realidade, uma vez que a nossa realidade está construída simbolicamente; o real, pelo contrário, é um núcleo duro, algo traumático que não pode ser simbolizado (isto é, expressado com palavras). O real não tem existência positiva; só existe como abstrato. Porém, não consiste em algo externo à realidade: é o próprio núcleo da realidade que nossa capacidade de simbolização não consegue alcançar. É o que irrompe por entre as brechas da malha simbólica.

Para Žižek, a realidade tem a estrutura de uma ficção. Ou seja, sendo construída a partir da simbolização limitada de um determinado ponto do Real, acaba sendo apenas uma espécie de interpretação da "coisa em si". Sendo assim, o real irrompe em situações as quais tradicionalmente consideramos serem fictícias, como em sonhos e na realidade virtual. No primeiro caso, o sonho permite que entremos em contato com o que há de mais próximo do Real individualmente. No segundo caso, a realidade virtual nos permite que nos manifestemos sem a pressão exercida pelas regras do Simbólico, de modo que um homem tímido pode ser, em um jogo virtual, uma mulher atraente e sedutora.[2]

O Simbólico

Žižek afirma que o simbólico inaugura-se com a aquisição da linguagem. Assim, sucede aquilo de que "um homem só é rei porque os seus súbditos se comportam perante ele como um rei". É a lei que estrutura toda nossa sociedade, ainda que não seja homogênea e, desse modo, igual para cada um dos indivíduos.[2]

O Imaginário

O Imaginário, segundo Žižek, é algo muito semelhante ao Simbólico. Porém, enquanto o Simbólico relaciona-se de forma mais próxima às leis e regras que estruturam a realidade, o Imaginário se liga à questão da imagem, tanto visual, sonora, olfativa, etc. É aquilo que faz com que eu sinta o cheiro de uma rosa e imediatamente traga à minha mente o conceito de rosa, sem, no entanto, ser relacionado aos outros conceitos ideológicos que emergem conjuntamente com essa ideia (o fato de rosas representarem romantismo, de terem conotação sexual, a lembrança de ter ganhado uma rosa etc.) [3]

Todos os níveis estão interligados, de acordo com Jacques Lacan (desde o seminário XX), numa forma de borromeano, como três anéis enlaçados juntos de maneira tal que, se um deles se desenlaça, o resto também cai.

Obras[editar | editar código-fonte]

No Brasil, possui vários livros publicados pela editora Boitempo.

  • 2014 -Violência.
  • 2013 -Menos que nada
  • 2013 -Alguém disse totalitarismo?
  • 2012 -O ano em que sonhamos perigosamente
  • 2012 -Vivendo no fim dos tempos
  • 2011 -Primeiro como tragédia, depois como farsa
  • 2011 -Em defesa das causas perdidas
  • 2009 -Lacrimae Rerum - ensaios sobre cinema moderno
  • 2008 -A visão em paralaxe
  • 2005 -Às portas da revolução
  • 2003 -Bem-vindo ao deserto do Real!

Žižek também contribuiu para diversas edições da Revista Margem Esquerda, da mesma editora.

Os livros (títulos originais) publicados de Slavoj Žižek incluem:

  • 1972 -Bolečina razlike
  • 1976 -Znak, označitelj, pismo
  • 1980 -Hegel in označevalec
  • 1982 -Gospostvo, Vzgoja, Analiza: Zbornik tekstov Lacanove šole psihoanalize (editor, translator)
  • 1982 -Zgodovina in nezavedno
  • 1984 -Birokratija i uživanje
  • 1984 -Filozofija skozi psihoanalizo
  • 1985 -Hegel in objekt
  • 1985 -Problemi teorije fetišizma: Filozofija skoz psihoanalizo II
  • 1987 -Jezik, ideologija, Slovenci
  • 1988 -Pogled s strani
  • 1989 -Druga smrt Josipa Broza Tita
  • 1989 -The Sublime Object of Ideology
  • 1990 -The Ticklish Subject
  • 1990 -Beseda, dejanje svoboda: Filozofija skoz psihoanalizo V
  • 1990 -Beyond Discourse Analysis (a part in Ernesto Laclau's New Reflections on the Revolution of Our Time)
  • 1991 -For They Know Not What They Do
  • 1991 -Hitchcock II.
  • 1991 -Looking Awry
  • 1992 -Enjoy Your Symptom!
  • 1993 -Everything You Always Wanted to Know About Lacan... But Were Afraid to Ask Hitchcock
  • 1993 -Filozofija skoz psihoanalizo VII
  • 1993 -Tarrying With the Negative
  • 1994 -Problemi: Eseji 4-5
  • 1994 -The Metastases of Enjoyment
  • 1996 -Slovenska smer
  • 1997 -Argument za strpnost
  • 1997 -The Abyss of Freedom
  • 1997 -The Indivisible Remainder: Essays on Schelling and Related Matters
  • 1997 -The Plague of Fantasies
  • 1998 -Alain Badiou, Sveti Pavel: Utemeljitev Univerzalnosti
  • 2000 -Contingency, Hegemony, Universality
  • 2000 -Krhki absolut: Enajst tez o krščanstvu in marksizmu danes
  • 2000 -The Art of the Ridiculous Sublime: On David Lynch's Lost Highway
  • 2000 -The Fragile Absolute: Or, Why is the Christian Legacy Worth Fighting For?
  • 2001 -Did Somebody Say Totalitarianism?
  • 2001 -On Belief
  • 2001 -Opera's Second Death
  • 2001 -Repeating Lenin
  • 2001 -Strah pred pravimi solzami: Krzysztof Kieslowski in šiv
  • 2001 -The Fright of Real Tears
  • 2002 -Revolution at the Gates: Žižek on Lenin, the 1917 Writings
  • 2002 -Welcome to the Desert of the Real
  • 2003 -Kuga Fantazem
  • 2003 -Organs Without Bodies
  • 2003 -Paralaksa: za politični suspenz etičnega
  • 2003 -The Puppet and the Dwarf: The Perverse Core of Christianity
  • 2004 -Iraq: The Borrowed Kettle
  • 2005 -Interrogating the Real
  • 2005 -Kako biti nihče
  • 2006 -How to Read Lacan
  • 2006 -Lacan: The Silent Partners
  • 2006 -Neighbors and Other Monsters (in The Neighbor: Three Inquiries in Political Theology)
  • 2006 -The Parallax View
  • 2006 -The Universal Exception
  • 2007 -En defensa de la intolerancia
  • 2007 -On Practice and Contradiction
  • 2007 -Terrorism and Communism
  • 2007 -Virtue and Terror
  • 2008 -In Defense of Lost Causes
  • 2008 -Violence: Big Ideas/Small Books
  • 2009 -First As Tragedy, Then As Farce
  • 2009 -In Search of Wagner
  • 2009 -Monstrosity of Christ: Paradox or Dialectic?
  • 2009 -Mythology, Madness and Laughter: Subjectivity in German Idealism
  • 2010 -Badiou & Žižek: Hvalnica Ljubezni (Love and Terror)
  • 2010 -Društvo za teoretsko psihoanalizo
  • 2010 -Living in the End Times
  • 2010 -Paul's New Moment: Continental Philosophy and the Future of Christian Theology
  • 2010 -Philosophy in the Present Polity (com Alain Badiou)
  • 2010 -The Idea of Communism
  • 2011 -Hegel and the Infinite: Religion, Politics, and Dialectic
  • 2011 -Začeti od začetka, Ljubljana: Cankarjeva založba

Referências

  1. Hilton Japiassú, Danilo Marcondes (1993). 'Dicionário básico de filosofia, Zahar. p. 285. ISBN 978-85-378-0341-7.
  2. a b ZIZEK, Slavoj. Como ler Lacan. Tradução Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2010.
  3. ZIZEK, Slavoj. Como ler Lacan. Tradução Maria Luísa X. de A. Borges. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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