Politicamente correto

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O politicamente correto (ou correção política) se refere a uma suposta política que consiste em tornar a linguagem neutra em termos de discriminação e evitar que possa ser ofensiva para certas pessoas ou grupos sociais, como a linguagem e o imaginário racista ou sexista. O politicamente incorreto, por outro lado, é uma forma de expressão que procura externalizar os preconceitos sociais sem receios de nenhuma ordem[1] , funcionando muitas vezes como um eufemismo para discurso de ódio.[2] [3] É normalmente associado a um tipo de humor que envolve anti-semitismo[4] , homofobia, estupro[5] , racismo[6] , machismo e outras formas de degradação da dignidade humana. A expressão "politicamente correto" costuma aparecer em contextos editoriais e satíricos, e dessa forma, é usada de forma pejorativa por grupos políticos conservadores, muitos dos quais se auto-denominam "politicamente incorretos" (o que não ocorre inversamente), em especial para atacar os críticos de discriminação e discursos de ódio. Por este motivo, o termo é entendido pelos acadêmicos como um instrumento retórico de grupos conservadores que procuram deslegitimar críticas a algumas posturas discriminatórias, além de uma forma de justificar a apresentação de narrativas políticas polêmicas e não consensuais do ponto de vista científico.[7] [8] [9] [10] [11] [12] [13] [14] Na Europa ocidental, o "politicamente incorreto" pode configurar discurso de ódio.

Características[editar | editar código-fonte]

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Segundo aqueles que se autodenominam "politicamente incorretos", os defensores do "politicamente correcto" têm como objectivo tornar a linguagem mais neutra, ou seja, querem estabelecer regras a ser obedecidas por todos. Para isso censuram os "politicamente incorretos" como preconceituosos. Em diversas áreas é típica a utilização de termos neutros para situações que se aplicam tanto a homens como mulheres. Um exemplo do politicamente correto[carece de fontes?] é a substituição do comum "Tribunal Europeu dos Direitos do Homem" pela frase neutra em termos de género de "Tribunal Europeu dos Direitos Humanos" (como acontece em inglês, por exemplo). O conceito filosófico do politicamente correcto é que ao evitar a utilização destes termos discriminatórios estaremos a trabalhar para uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

Apesar de muitos conservadores católicos brasileiros e portugueses criticarem o uso do termo na atualidade, o fato é que ele tem a sua origem na religião, mais especificamente na religião católica. Um dos critérios para inclusão no Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica era o de “incorrecção política”. A diferença é que, no caso católico, “incorrecção política” significa estar em desacordo com as ideias políticas da Igreja Católica, já no presente caso, “politicamente incorrecto” é aquilo que gera exclusão. O primeiro, representa uma ideia de sociedade fechada; o segundo, uma ideia de sociedade aberta. E, justamente por se tratar de uma sociedade aberta, o conteúdo do que é “politicamente correcto” está sujeito a mudanças por meios democráticos. Já no caso católico, a mudança só pode ocorrer por meio do Vaticano.[15]

Conforme Gilberto Freyre no seu livroOrdem e Progresso”, não é senão à presença de padres na tribuna parlamentar, nas universidades, na imprensa, na literatura, durante o império, que se deve atribuir a sobrevivência no Brasil contemporâneo de formas demasiadamente oratórias ou excessivamente clássicas de expressão, quer parlamentar, quer literária, com todas as vantagens e, sobretudo, desvantagens decorrentes de tais excessos.[16]

Politicamente incorreto[editar | editar código-fonte]

O discurso politicamente incorreto é, em oposição ao chamado politicamente correto, uma forma de expressão que procura banalizar os preconceitos sociais sem receios de nenhuma ordem.[17] Em geral, confunde-se com opiniões de direita.[18] , mas pode ser também expressão de simples preconceitos cotidianos.[19] Está normalmente associado a um tipo de humor que envolve anti-semitismo[20] , homofobia, estupro[21] , racismo[22] , machismo e outras formas de degradação da preocupação com ofensas alheias. O "politicamente incorreto" é liberal quanto ao julgamento e classificação de indivíduos ou grupos. Segundo os que aderem a este estilo, os indivíduos devem ter o direito de expressar livremente sentenças de amor ou ódio sem perturbação alheia. Os que são ofendidos por essa frente devem apenas aceitar uma opinião sem manifestar tendências contra ela, podendo validar réplicas, mas sem repressões.

Características[editar | editar código-fonte]

Segundo os defensores do politicamente incorreto, há uma conspiração do politicamente correto que impede um exercício efetivo da liberdade de expressão.[23] Em geral, os defensores do politicamente incorreto defendem que suas opiniões são minoritárias, e que não geram efeitos nocivos na sociedade. Seus críticos dizem que "politicamente incorreto" é apenas um sinônimo para fascismo e que tais preconceitos são oriundos de discriminações atávicas contra minorias. Além disso, indicam que não há real patrulhamento dessas opiniões, que são amplamente reproduzidas nas sociedades contemporâneas.[24] Como qualquer discurso de ódio, o humor politicamente incorreto não deve necessariamente ser entendido como compatível com os direitos do homem.[25] O discurso politicamente incorreto é tido, também, como uma forma de vigiar e controlar a liberdade de expressão de grupos não conservadores.[26]

A expressão também foi utilizada, no Brasil e no resto do mundo, por grupos conservadores (em especial das extremas-direitas) para se referir a um suposto patrulhamento ideológico por parte de liberais e marxistas. Nos Estados Unidos, a expressão foi empregada na publicação do Guia Politicamente Incorreto, de matriz conservadora[27] . No Brasil, duas publicações de título semelhante foram divulgados recentemente: o Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e o Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina. Em um desses livros alega-se que Evita Perón detinham bens roubados pelos nazistas.[28] Segundo resenhas do O Estado de São Paulo e da Folha de São Paulo, os guias buscam denegrir a imagem de figuras liberais e da esquerda, pois acreditam que toda a história anterior é uma invenção de marxistas politicamente comprometidos, e reproduzem dados que não são precisos em sua tentativa de deslegitimar a historiografia acadêmica.[29] [30]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. John K. Wilson. The myth of political correctness: the conservative attack on higher education.
  2. Dr. Jack R. Weinstein. Hate Speech and Political Correct.
  3. William A. Kaplin,Barbara A. Lee. The Law of Higher Education.
  4. Piada de Danilo Gentili sobre judeus de Higienópolis causa reação.
  5. Rafinha Bastos pode ser investigado por piada sobre estupro. Folha de São Paulo.
  6. Danilo Gentili chama negro de macaco.
  7. John Karl Wilson (1995). Myth of Political Correctness. Duke University Press.
  8. Valerie L. Scatamburlo. Soldiers of misfortune: the New Right's culture war and the politics of political correctness.
  9. Messer–Davidow. Disciplining feminism: from social activism to academic discourse.
  10. Barry Glassner. The culture of fear: why Americans are afraid of the wrong things. "ao invés de debater honestamente com progressistas e liberais da academia, os conservadores os denominaram "politicamente corretos"".
  11. Tony Bennett,Lawrence Grossberg,Meaghan Morris,Raymond Williams. New keywords: a revised vocabulary of culture and society. "Em todo o canto, o pânico do politicamente correto continuava criava um folclore de casos de vitimização baseados em anedotas e rumores; e eles continuavam a circular amplamente, mesmo quando refutado.".
  12. Religion must be removed from all functions of state.
  13. P. Lauter. 1995. "'Political correctness' and the attack on American colleges."
  14. Christopher Newfield, Ronald Strickland. After political correctness:the humanities and society in the 1990s.
  15. HAGSTROM, Aurelie. The Catholic Church and Censorship in Literature, Books, Drama, and Film. In: Analytic Teaching, vol. 23, n. 2.
    2. Cultural Sensitivity and Political Correctness: The Linguistic Problem of Naming, Edna Andrews, American Speech, Vol. 71, No. 4 (Winter, 1996), pp.389-404.
    3. Ruth Perry, (1992), “A short history of the term ‘politically correct’ ”, in Beyond PC: Toward a Politics of Understanding, by Patricia Aufderheide, 1992
    4. Chang-tu Hu, International Review of Education / Internationale Zeitschrift für Erziehungswissenschaft / Revue Internationale de l'Education, Vol. 10, No. 1. (1964), pp.12–21.
    5. Kahneman, D. and Amos Tversky. 1981. “The Framing of Decisions and the Psychology of Choice”. Science, 211, pp.453-8
  16. FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso. 6ª ed. São Paulo: Global, 2004, p. 780.
  17. John K. Wilson. The myth of political correctness: the conservative attack on higher education.
  18. Joseph Weisenthal. The Right Wing And Its Political Correctness Problem.
  19. Marcelo Coelho. Politicamente fascista.
  20. Piada de Danilo Gentili sobre judeus de Higienópolis causa reação.
  21. Rafinha Bastos pode ser investigado por piada sobre estupro. Folha de São Paulo.
  22. Danilo Gentili chama negro de macaco.
  23. Richard Feldstein. Political correctness: a response from the cultural Left.
  24. Politicamente fascista. Conteúdo Livre.
  25. Joseph Paul Cortese. Opposing Hate-Speech.
  26. John K. Wilson. Patriotic Correctness.
  27. The politically incorrect guide to American history.
  28. El Clarín. Un libro brasileño sostiene que Evita tenía bienes robados por los nazis a los judíos.
  29. Maria L. Prado. Lombroso oculto Livro sobre 'falsos heróis latino-americanos' usa simplificações oportunas, omissões e interpretações discutíveis, avalia professora. Estadão.
  30. Sylvia Colombo. Livro reflete ignorância brasileira sobre a América Latina.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

http://politicamenteincorreto.com

  1. US Domestic extremist groups.
  2. William Lind. A Tea Party Defense Budget.
  3. Oklahoma City 11 Years Later.
  4. The Widening Gap Between Military and Society.
  5. Chip Berlet. Into the Mainstream.