Pirâmide de Céstio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa


Pirâmide de Céstio
A Pirâmide de Cestius
Local Regione XIII Aventinus
Construído em entre 18 a.C. e [12 a.C.
Construído por/para Gaius Cestius
Tipo de estrutura Pirâmide
Artigos relacionados Nenhum.
Pirâmide de Céstio está localizado em: Roma
Pirâmide de Céstio

A Pirâmide de Céstio (em italiano: Piramide di Caio Cestio ou Piramide Cestia) é uma pirâmide da Antiguidade em Roma, Itália, próxima à Porta São Paulo e ao Cemitério Protestante. Localiza-se em uma junção entre duas estradas antigas, a Via Ostiense e outra que corre a oeste do Rio Tibre ao longo da linha aproximada da moderna Via della Marmorata. devido à sua incorporação às fortificações da cidade, é hoje uma das mais bem preservadas construções da Roma Antiga

Atributos Físicos[editar | editar código-fonte]

A pirâmide foi construida entre 18 a.C. e 12 a.C. como túmulo para Gaius Cestius Epulo, um magistrado e membro de um dos quatro grandes corpos religiosos de Roma, o Septemviri Epulonum. É de concreto tijolado coberto com lajes de mármore branco sobre uma base de travertino, medindo 100 pés romanos (29,6 m) na base quadrada e 125 pés romanos (37 m) de altura.[1]

No interior fica a câmara funerária, uma simples abóbada de berço retangular medindo 5,95 metros de comprimento, 4,10 m de largura e 4,80 m de altura. Quando foi (re)descoberto em 1660, a câmara foi encontrada decorada com afrescos, que foram gravadas por Pietro Santi Bartoli, mas apenas os vestígios destes permanecem. Não havia vestígios de qualquer outro conteúdo no sepulcro, que tinha sido saqueado na Antiguidade. O túmulo foi selado quando foi construído, sem entrada exterior; não é possível para os visitantes a acessar o interior,[1] exceto com permissão especial normalmente só concedido aos estudiosos.

Inscrições[editar | editar código-fonte]

Visão noturna da Porta São Paulo

Uma inscrição dedicatória está esculpida nos flancos leste e oeste da pirâmide, de modo a ser visível de ambos os lados. Lê-se:

C · CESTIVS · L · F · POB · EPULO · PR · TR · PL
VII · VIR · EPOLONVM
Caius Cestius, filho de Lucius, do gens Pobilia, membro do Colégio dos Epulones, Pretor, Tribuno da plebe, septemvir dos Epulones [1] [2]

Abaixo da incrição do lado leste há uma segunda inscrição recordando as circunstâncias da construção da tumba. Lê-se:

OPVS · APSOLVTVM · EX · TESTAMENTO · DIEBVS · CCCXXX
ARBITRATV
PONTI · P · F · CLA · MELAE · HEREDIS · ET · POTHI · L
O trabalho foi completo, de acordo com o testamento, em 330 dias, por decisão do herdeiro [Lucius] Pontus Mela, filho de Publius dos Cláudios, e Pothus, liberto[1]

Outra incrição na face leste tem origens modernas, tendo sido gravado por ordens do Papa Alexandre VII em 1663. Lê-se INSTAVRATVM · AN · DOMINI · MDCLXIII, comemora os trabalhos de excavação e restauração na tumba e arredores entre 1660-62[1]

Na época de sua construção, a Pirâmide de Cestius estava em campo aberto pois tumbas eram proibidas dentro dos muros da cidade. Roma cresceu enormemente durante o período imperial e por volta do séc. III a pirâmide teria sido cercada por construções. Ela originalmente ficou rodeada por uma mureta baixa, flanqueada por estátuas, colunas e outras tumbas.[3] Duas bases de mármore foram encontradas perto da pirâmide durante as escavações cerca de 1660, completas com fragmentos das estátuas de bronze que ficavam originalmente em seus topos. As bases tinham uma inscrição recordada por Bartoli em uma gravação de 1967:

A pirâmide foi incorporada na Muralhas Aureliana e é próxima à Porta São Paulo (na direita)
M · VALERIVS · MESSALLA · CORVINVS ·
P · RVTILIVS · LVPVS · L · IVNIVS · SILANVS ·
L · PONTIVS · MELA · D · MARIVS ·
NIGER · HEREDES · C · CESTI · ET ·
L · CESTIVS · QVAE · EX · PARTE · AD ·
EVM · FRATRIS · HEREDITAS ·
M · AGRIPPAE · MVNERE · PER ·
VENIT · EX · EA · PECVNIA · QVAM ·
PRO · SVIS · PARTIEVS · RECEPER ·
EX · VENDITIONE · ATTALICOR ·
QVAE · EIS · PER · EDICTVM ·
AEDILIS · IN · SEPVLCRVM ·
C · CESTI · EX · TESTAMENTO ·
EIVS · INFERRE · NON · LICVIT ·

Identifica os herdeiros de Céstio como Marcus Valerius Messala Corvinus, um general famoso; Publius Rutilius Lupus, um orador cujo pai de mesmo nome havia sido cônsul em 90 a.C.; e Lucius Junius Silanus, um membro da gens Junia. Os herdeiros colocaram as bases e estátuas usando dinheiro da venda de roupas (attalici). Céstio tinha dito em seu testamento que roupas deveriam ser depositadas na tumba, mas esta prática havia sido proibida por um édito recente dos aediles.

História[editar | editar código-fonte]

Translation Latin Alphabet.svg
Esta secção está a ser traduzida (desde junho de 2010). Ajude e colabore com a tradução.
Pirâmide de Céstio por Giovanni Battista Piranesi (séc. XVIII).
Pirâmide de Céstio e ambiente por Giuseppe Vasi (séc. XVIII).

A forma acentuadamente pontuda da pirâmide lembra muito o pirâmides núbias, em particular do reino de Meroé, que tinha sido atacada por Roma em 23 a.C. A semelhança sugere que Céstio possivelmente serviu nessa campanha e talvez tenha tida a intenção que a pirâmide servisse como uma comemoração. Sua pirâmide não era a única em Roma; um maior - a chamada "pirâmide de Rômulo" - de forma semelhante, mas origens desconhecidas ficava entre o Vaticano e o Mausoléu de Adriano mas foi demolida no século XVI. [1]

Alguns autores têm questionado se as pirâmides romanas foram modeladas nas pirâmides egípcias, de inclinação muito menos acentuada, como as famosas pirâmides de Gizé. No entanto, o tipo de pirâmide relativamente rasa de Gizé não foi utilizado exclusivamente pelos egípcios; pirâmides mais íngremes do tipo núbio foram favorecidas pela dinastia ptolomaica do Egito que findou com a conquista romana de 30 aC. De qualquer modo, a pirâmide foi construída durante um período em que Roma estava passando por uma moda de tudo que fosse egípcio. O Circo Máximo foi adornado por Augusto com um obelisco egípcio, e pirâmides foram construídas em outras partes do Império Romano por volta dessa época; alguns suspeitavam que as pirâmides de Falicon perto de Nice na França tinham sido construídas por legionários romanos que seguiam um culto egípcio, [4] mas pesquisas mais recentes indicam que elas foram na verdade construídas entre 1803 e 1812.[5]


Comparação dos perfis aproximados da Pirâmide de Céstio com algumas construções piramidais ou quase-piramidais notáveis. Linhas pontilhadas indicam alturas originais, onde o dado for disponível.

Referências

  1. a b c d e f Claridge, Amanda. Rome: An Oxford Archaeological Guide (em inglês). 1ª ed. Oxford: Oxford University Press, 1998. p. 59, 364–366. ISBN 0-19-288003-9
  2. Di Meo, Chiara. La piramide di Caio Cestio e il cimitero acattolico del Testaccio: trasformazione di un'immagine tra vedutismo e genius loci (em italiano). Roma: Palombi Fratelli, 2008.
  3. Lawrence, J. F Keppie. Understanding Roman Inscriptions (em inglês). [S.l.]: Routledge, 1991. p. 104-105. ISBN 0-415-15143-0
  4. Curl, James Stevens. The Egyptian Revival: Ancient Egypt as the Inspiration for Design Motifs in the West (em inglês). [S.l.]: Routledge, 2005. p. 39-40. ISBN 0-415-36118-4
  5. La pyramide de Falicon et la grotte des Ratapignata (em francês) (2007). Arquivado do original em 06-09-2008. Página visitada em 27-03-2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui multimídias sobre Pirâmide de Céstio