Igreja de Jesus (Roma)

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Igreja de Jesus (Il Gesù)
Fachada da igreja
Fachada da igreja
Região Roma
País Itália
Religião Igreja Católica
Ano de consagração 1584
Arquiteto Giacomo Vignola
Estilo arquitetónico Barroco
Início da construção 1568
Fim da construção 1584
Página web Site oficial

A Igreja de Jesus ou Il Gesù é uma igreja de Roma pertence à Ordem dos Jesuítas. O nobre espanhol Inácio de Loiola (1491 - 1556), que se dedicou à vida religiosa depois dos 30 anos, foi o fundador da Sociedade de Jesus ("jesuítas"), reconhecida em 1540 pelo Papa Paulo III (r. 1534-1549), como religiosa.

A comunidade se espalhou logo de Roma pela Itália e aos países católicos da Europa e, a pedido dos reis da Espanha e Portugal, foram fundadas missões nas Índias Ocidentais, Brasil, Congo Português e Etiópia. Na Europa os jesuítas foram o sustentáculo da Contra-Reforma, tentando reformar a Igreja a partir de seu âmago.

História[editar | editar código-fonte]

A decisão de construir a igreja nasceu em 1550, para substituir a pequena igreja contígua ao edifício da Ordem e que hoje ainda é o colégio internacional dos jesuítas. Em 1568, Giacomo Vignola recebeu do cardeal Alessandro Farnese o encargo de iniciar o trabalho. Trata-se de um dos edifício dos quais se diz que deram início a uma nova tendência na arquitetura ocidental.

A ideia inovadora de Vignola foi fundir a nave da basílica medieval com o desenho de um edifício planificado típico da Alta Renascença, criando uma estrutura com uma cúpula sobre o cruzamento, tornando-se o modelo de futuras igrejas barrocas. Após a morte do arquiteto, os membros da Ordem completaram o edifício que foi consagrado em 1584.

A fachada (1575) reúne elementos da Renascença e do Barroco e se deve a Giacomo della Porta. A divisão da estrutura por pilastras reflete a parte interna. A maneira pela qual a ordem arquitetônica se ergue para o centro é enfatizada pelo relevo poderoso das superfícies das paredes, com aberturas, pilastras que se adiantam, colunas e cornijas.

Interior[editar | editar código-fonte]

O interior é espetacular. O arquiteto Vignola, no interior cruciforme, criou, sem talvez o desejar, o protótipo das igrejas romanas. A ênfase especial está posta na nave, que pode acomodar enorme quantidade de fiéis. Com a interseção e a abside, cria impressão de uma área única, unificada e as capelas laterais para prece privada, confissão ou recordação dos mortos tem função subsidiária. O altar é visível de todas as partes da igreja, para que os fiéis possam seguir a missa. A ornamentação barroca, com jogo de mármores variados, estuques, douramentos, afrescos e esculturas, pouco deixa ver da simples decoração original do Cinquecento. As paredes da nave se dividem por estruturas semelhantes a pilastras, iluminadas por lunetas com janelas. Arcadas entre elas dão acesso às capelas laterais. Os arcos da interseção suportam o peso do cilindro que se alça para a cúpula, que conclui numa calota hemisférica.

As capelas são numerosas: dedicadas a Santo André, à Paixão, aos Anjos, a São Francisco de Borja, com afrescos maravilhosos por Andrea Pozzo (1588), à Sagrada Família, à Santíssima Trindade, a Santa Maria da Estrada, ao Sagrado Coração de Jesus. Além do altar principal, central, há um altar à direita por Antônio Sarti (1834-1843) e à esquerda outro altar a Santo Inácio de Loyola, o fundador da ordem dos jesuítas.

Altar[editar | editar código-fonte]

O altar de 1699-1700 que se deve a Andrea Pozzo (1642-1709), sobre o túmulo de Santo Inácio de Loiola no transepto esquerdo, é uma das obras primas da igreja, pois nele se dissolvem os limites entre pintura e escultura, realidade e ilusão. O grupo da Santíssima Trindade aparece como visão experimentada pelo santo. A estátua em prata, colossal, de Santo Inácio, executada por Pierre Legros, fica entre quatro colunas de lápis-lazúli, mas é apenas uma cópia pois o Papa Pio VI (pontificado de 1775 a 1799) viu-se obrigado a fazer derreter a original, para pagar reparações de guerra a Napoleão depois do Tratado de Tolentino. O grupo à esquerda do altar, que mostra o Triunfo da Fé sobre a Heresia, se deve também a Pierre Legros e é um dos mais expressivos conjuntos da arte barroca. Durante a Contra-Reforma, a Igreja encarava a vitória sobre a heresia como requisito essencial para o triunfo do Bem contra o Mal. A Vitória é a personificação da Fé à direita do grupo, e se deve a Giovanni Théodon, que joga a heresia nas profundezas. A criança, ou putto, que aponta um livro aberto indica a Doutrina Verdadeira.

Afrescos[editar | editar código-fonte]

Os afrescos foram encomendados pelo superior geral dos Jesuítas, Padre Olivia, na segunda metade do século XVII, e pediu um efeito tal que os fiéis se familiarizassem com as glórias do Céu por meio da contemplação da historia da salvação. Foi encarregado Giovanni Battista Gaulli, conhecido como Il Baciccia, que demonstrou grande arte. Os afrescos são notáveis sobretudo por seu ilusionismo habilidoso, os efeitos trompe-l´oeil. As cenas escolhidas foram a «Adoração dos Pastores» na abside, o «Triunfo do Nome de Jesus» na nave e o ciclo dos anjos na cúpula]].

Galeria[editar | editar código-fonte]

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