Beijo de Judas

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O Beijo de Judas.
1304-06. Por Giotto, na Capela Scrovegni, em Pádua, na Itália.

O Beijo de Judas foi, de acordo como os evangelhos sinóticos, a forma que Judas Iscariotes identificou Jesus aos soldados que vieram prendê-lo. O evento, principalmente na arte cristã, passou a significar a traição a Jesus, que ocorreu no Getsêmani após a Última Ceia e que levará diretamente à prisão de Jesus pela força policial do Sinédrio[1] . Na teologia cristã, os eventos iniciados na Última Ceia até a ressurreição de Jesus são conhecidos como Paixão.

De forma mais ampla, um "beijo de Judas" pode se referir a "um ato que aparentemente é de amizade, mas que na realidade é prejudicial a que o recebe"[2] .

O beijo está relatado em Mateus 26:47-50, Marcos 14:43-45 e Lucas 22:47-48. Em João 18:2-9 aparece o evento da traição, mas sem menção a um beijo de Judas.

Narrativa bíblica[editar | editar código-fonte]

Tanto o Evangelho de Mateus quanto o de Marcos se utilizam do verbo grego kataphilein, que significa "beijar firmemente, intensamente, com paixão, ternamente ou calorosamente". É o mesmo verbo que Plutarco usa para descrever um beijo famoso que Alexandre, o Grande, deu em Bagoas[3] . De acordo com o Evangelho de Mateus, Jesus respondeu dizendo "Amigo, a que vieste?". Esta frase provocou muita especulação sobre se Jesus e Judas estariam em acordo entre si e que não houve de fato uma traição, pois Judas estaria fazendo algo que lhe fora pedido[4] . O Evangelho de Lucas apresenta uma história bem diferente: Jesus vê Judas vindo e o interpela perguntando: "Judas, com um beijo entregas o Filho do homem?" E, aparentemente, nenhum beijo foi dado. Geza Vermes, porém, em seu livro Jesus the Jew ("Jesus, o judeu"), apresenta outra hipótese: a palavra aramaica barnasha - literalmente "filho do homem", mas que significa "esta pessoa" - é utilizada na literatura rabínica como uma forma humilde de alguém se referir a si mesmo para um interlocutor. Ela corresponde exatamente, em português, ao tratamento "este que vos fala". Segundo Geza, Jesus estaria dizendo "Judas, com um beijo me trais?".

No Evangelho de João, absolutamente nada se diz sobre um "beijo de Judas".

Na arte[editar | editar código-fonte]

A Captura de Cristo, mostrando, a partir da esquerda, João, Jesus, Judas, dois soldados, um homem e outro soldado.
1602. Por Caravaggio ou um de seus discípulos, atualmente na National Gallery of Ireland, em Dublin, na Irlanda.

A cena da "traição a Jesus" é quase sempre representada com o beijo propriamente ou o momento seguinte, a prisão de Jesus, ou ainda uma combinação dos dois nos ciclos da vida de Jesus ou da Paixão de Jesus.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kilgallen 271
  2. Thefreedictionary.com
  3. Plutarco, Vidas Paralelas, Alexandre, 67
  4. Pagels, Elaine at Karen L. King. (...) "O Evangelho de João sugere que o próprio Jesus era cúmplice da traição e que, momentos antes de Judas sair, Jesus disse-lhe O que fazes, faze-o depressa. (João 13:27)" -- Reading Judas, The Gospel of Judas and the Shaping of Christianity, Penguin Books, New York, 2007, pages 3–4, ISBN 9780143113164.
  5. Para uma discussão do beijo de Judas nesta obra (atualmente na National Gallery of Ireland, em Dublin), juntamente com um sumário das interpretações eclesiásticas tradicionais do gesto, repare nas armaduras medievais e veja Franco Mormando, "Just as your lips approach the lips of your brothers: Judas Iscariot and the Kiss of Betrayal" in Saints and Sinners: Caravaggio and the Baroque Image, ed. F. Mormando, Chestnut Hill, MA: The McMullen Museum of Art of Boston College, 1999, 179–90.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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