Sula

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Busto de Sula (Gliptoteca de Munique)

Lúcio Cornélio Sula ou Sila ou ainda Silas (em latim Lucius Cornelius Sulla; ca. 138 a.C.78 a.C.) foi um general e estadista romano.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sula nasceu numa família empobrecida da aristocracia romana, os patrícios Cornelii. Os seus primeiros anos foram passados na obscuridade e só conseguiu fundos para ingressar no senado romano, através de duas heranças, que Plutarco na sua biografia considera suspeitas. Sula foi questor ao serviço de Caio Mário na campanha da Numídia e destacou-se sobre o seu comando ao capturar o rei Jugurta. Sula continuou sob o comando de Mário na campanha contra as tribos germânicas que terminou com sucesso em 101 a.C.. Depois disso tentou progredir na sua carreira política mas falhou devido a um caso escandaloso com Cecília Dalmática, mulher de Marco Emílio Escauro, o político mais poderoso de então.

Em 99 a.C., ele tenta ser eleito pretor, mas não consegue, se elegendo então edil, durante este mandato, realizou as primeiras lutas de leões nos anfiteatros de Roma, ganhando prestígio. Com a sua sorte mudada, em 94 a.C. é eleito pretor urbano e subsequentemente governador da Cilícia na Ásia. No regresso a Roma, distingue-se como general nas Guerras Sociais (91 - 88 a.C.) e é eleito cônsul no fim deste conflito, graças às vitórias alcançadas.

Durante o consulado, Sula obteve o comando principal na Primeira Guerra Mitridática (contra Mitrídates VI do Ponto), que acabava de começar. Mas o seu antigo aliado Caio Mário manobrou politicamente e retirou-lhe o comando através do suborno de um tribuno da plebe. Sula não se deixou ficar e tomou a decisão de invadir Roma com o seu exército. Nesta altura, era considerado sacrilégio para um exército atravessar o pomério, a fronteira simbólica da cidade. A sua atitude foi tão grave e inédita, que Sula nem repreendeu alguns dos seus legados que se recusaram a embarcar na aventura. Talvez devido ao efeito surpresa, Sula conquistou Roma e conseguiu assegurar o seu comando. No ano seguinte, partiu para o Oriente e deixou Roma nas mãos de dois cônsules, um aristocrata, Cneu Otávio e um plebeu, Cornélio Cina, que após sua partida, guerrearam entre si, criando uma guerra civil, que fez com que Mário voltasse da África, onde se refugiara, a Roma e se unisse a Cina. Os revoltosos de Cina pilharam e saquearam a cidade em demasia, obrigando-o a restabelecer a ordem por meio de um exército de gauleses, morrendo Mário nesta revolta.

Aparentemente indiferente à devastação política que se vivia em Roma, Sula arrecadou inúmeras vitórias contra Mitrídates, que se aliara a Atenas. Em 82 a.C. regressa a Itália para encontrar um exército à sua espera. Na breve guerra civil que se seguiu, a qualidade dos veteranos das suas legiões provou ser decisiva. Sula invade Roma uma vez mais e em 81 a.C. com a batalha da Porta Colina torna-se ditador romano vitalício. Com essa vitória, ele foi homenageado pelo povo com a construção de uma estátua de bronze e ainda instituiu no calendário, mais uma festa, a da vitória de Sula.

Com Roma na bancarrota, Sula recorreu à proscrição dos seus inimigos políticos para arranjar os fundos necessários às reformas que pretendia realizar. Estas centraram-se essencialmente na concentração do poder no senado e na limitação da actividade legislativa da Assembleia do Povo. Sula foi essencialmente um conservador que se dedicou a eliminar todas as medidas progressistas tomadas nos últimos anos, valorizando a tradição do mos maiorum. Ele perseguiu e matou diversos seguidores de Mário, até mesmo expulsou um grande jovem, sobrinho de Mário (por parte de sua esposa), chamado, Caio Júlio César, que se tornaria o maior nome da história de Roma.

Em 79 a.C., no pico do seu poder, Sula tomou a decisão de abdicar de todos os seus cargos e de se retirar da vida política. Este ato deu origem à expressão abdicação de Sula ou abdicação de Sila, que se refere a uma resolução espontânea e inesperada.[1] Com o objectivo de escrever as suas memórias, das quais sobrevivem alguns excertos, exilou-se na sua villa acompanhado por dançarinos, prostitutas e o seu amante Metróbio. Foi nesta companhia que morreu provavelmente de cirrose, no ano seguinte. Durante os anos subsequentes da República Romana, seu nome sempre foi lembrado como o primeiro transgressor das leis sagradas da república.

Sula teve três filhos.[carece de fontes?] Com Metela, ele teve filhos gêmeos, chamados de Fausto e Fausta, pois os romanos chamavam os bons auspícios de faustum.[2] Com Valéria Messala, ele teve uma filha, Postúmia, que nasceu após a morte do pai.[3]

Referências

  1. Dicionário Universal Ilustrado, Ed. João Romano Torres & Cª.1911
  2. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Sula, 34.3 [em linha]
  3. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Sula, 37.4
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