Quinto Cecílio Metelo Numídico

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Quinto Cecílio Metelo Numídico (latim: Quintus Caecilius Metellus Numidicus; 150 a.C.? – 91 a.C.) foi um político e militar romano do século II a.C., irmão de Lúcio Cecílio Metelo Dalmático, sobrinho de Quinto Cecílio Metelo Macedônico, pai de Quinto Cecílio Metelo Pio e avô de Quinto Cecílio Metelo Pio Cipião Nasica. Ocupou o consulado romano em 109 a.C., foi censor em 102 a.C., e o líder da facção política dos Optimates no senado romano e, como tal, fiel partidário da ortodoxia republicana romana.

Vida[editar | editar código-fonte]

Na sua juventude adquiriu uma vasta cultura, sendo discípulo do filósofo Carnéades em Atenas. Cícero cita-o como um brilhante orador, e segundo Frontão, alguns dos seus discursos foram recolhidos por Élio Estilão, embora por desgraça não se conservem.

Tribuno em 120 a.C., edil em 117 e pretor em 113 na Sicília e na Sardenha, apoiou o seu cliente Caio Mário para que ganhasse as eleições a tribuno da plebe e entrasse no senado. Mário, apesar do apoio de Metelo, efetuou uma política popular e oposta aos interesses dos optimates. A partir de então, Metelo converteu-se no mais duro opositor político do seu antigo cliente Caio Mário. Unido ao príncipe do senado, Marco Emílio Escauro, fez todo o possível para evitar que Mário ocupara o posto curul de pretor.

Guerra contra Jugurta[editar | editar código-fonte]

Não são conhecidas as circunstâncias nas quais Metelo se reconciliou com Mário, nem se se tratava de um perdão sincero ou obrigado pelas circunstâncias. Contudo, quando obteve em 109 a.C. o consulado e o comando da guerra contra Jugurta (que continuaria possuindo como procônsul em 108-107), Metelo levou Caio Mário e Públio Rutílio Rufo como legados.

Metelo e Marco Júnio Silano foram eleitos cônsules após a derrota dos romanos, comandados por Aulo Postúmio Albino Magno.[1]

O exército romano da África, comandado por Spurius Postumius Albinus, irmão de Aulus, estava em péssimo estado, fraco, acorvardado, incapaz de encarar perigo ou severidades, mais rápido com a língua do que com a mão, pilhando os aliados e uma presa ao inimigo, sem respeito à disciplina ou ordem.[2] Na Numídia reorganizou as tropas romanas, impondo uma severa disciplina no até então abúlico e corrupto exército.[3] Tomou a cidade de Vacca [4] e derrotou Jugurta em Mutul. Contudo, a excessiva prudência de Metelo e a habilidade do númida provocaram o estancamento das ações militares. Enquanto Metelo obtinha notáveis, mas não decisivos, resultados, Mário utilizou em proveito próprio a impaciência e frustração dos grupos de poder que, em Roma, consideravam já longa demais a guerra e suspeitavam das intenções de Metelo, que prorrogava o seu imperium proconsular na África.

Após uma campanha de intrigas e sistemático desprestígio da gestão de Metelo, em 108 a.C. Mário acedeu ao consulado frente ao desprezo e as burlas de Metelo,[carece de fontes?] que ambicionava o consulado para o seu próprio filho, então com vinte anos de idade e servindo com o pai na África,[5] e acusava a Mário de ser um palurdo itálico que nem sequer falava grego.

Gauda, filho de Mastanabal, filho de Massinissa, que era um dos herdeiros de Micipsa,[Nota 1] [6] pediu a Metelo que ele tivesse uma guarda de honra, mas Metelo recusou;[7] mas Mário, o bajulando, convenceu-o a se vingar do general e ajudá-lo a se tornar cônsul.[8]

A cidade de Vaga, através da traição, libertou-se da guarda romana, massacrando os soldados exceto seu comandante, Tito Turpílio Silano;[9] Metelo retomou a cidade dois dias depois, entregando-a à pilhagem e vingança, e executou Titus Turpilius Silanos, um latino, pois este não conseguiu se justificar.[10]

Metelo enviou Mário de volta a Roma; lá, foram feitas acusações de traição contra Metelo, ao mesmo tempo em que Mário era exaltado, assim, o consulado foi dado a um "homem novo", Mário.[11] O novo cônsul relevou Metelo do comando.[12] Contudo, o senado decidiu recompensar a Metelo, apesar da sua má imagem após a campanha de Mário, com o reconhecimento dos seus méritos na África, materializado num esplêndido triunfo e o apelido de Numidicus (o Numídico).

Carreira após a Guerra contra Jugurta[editar | editar código-fonte]

Censor em 99 a.C., destacou-se pela sua enérgica atuação, enfrentando-se ele só a uma multitude reunida pelo radical tribuno da plebe Lúcio Apuleio Saturnino.

Quando Saturnino obrigou os senadores a jurarem uma lei agrária no prazo de cinco dias, ou em caso contrário pagar uma multa, Metelo preferiu desterrar-se para Rodas antes de submeter-se a tal cousa, sendo por isso expulso do senado e perdendo a cidadania.

Depois de passada a ameaça germânica e do revolto causado por Saturnino, Quinto Cecílio Metelo Pio, filho do Numídico, conseguiu que o seu pai regressasse para Roma por sugestão do tribuno Calídio, recuperando a cidadania romana e a sua fortuna. Morreu pouco depois do seu retorno.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Guerra de Yugurta. J. García Álvarez. Madrid, Gredos bilingüe, 1985.
  • Salústio: Catilina e Yugurta. Texto e tradução por José Manuel Pabón. Madrid, Alma Mater, Vol. I 1954, Vol. II 1956.

Notas e referências

Notas

  1. A Guerra de Jugurta começou com a morte do rei Micipsa, que dividiu o reino entre seus dois filhos, Aderbal e Hiempsal I, e seu sobrinho Jugurta, mas Jugurta queria o reino só para si, e matou Hiempsal e Aderbal.

Referências

  1. Salústio, Guerra contra Jugurta, 43.1
  2. Salústio, Guerra contra Jugurta, 44.1
  3. Salústio, Guerra contra Jugurta, 45.1-3
  4. Salústio, Guerra contra Jugurta, 47.1-3
  5. Salústio, Guerra contra Jugurta, 64.4
  6. Salústio, Guerra contra Jugurta, 65.1
  7. Salústio, Guerra contra Jugurta, 65.2
  8. Salústio, Guerra contra Jugurta, 65.3
  9. Salústio, Guerra contra Jugurta, 66.1-3
  10. Salústio, Guerra contra Jugurta, 69.1-3
  11. Salústio, Guerra contra Jugurta, 73.1-7
  12. Salústio, Guerra contra Jugurta, 73.7
Precedido por:
Espúrio Postúmio Albino e Marco Minúcio Rufo
Cônsul da República Romana com Marco Júnio Silano
109 a.C.
Sucedido por:
Sérvio Sulpício Galba e Quinto ou Lúcio Horténsio