Quinto Cecílio Metelo Pio

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Denário de Quinto Cecílio Metelo Pio

Quinto Cecílio Metelo Pio (latim: Quintus Caecilius Metellus Pius; Roma, 130 a.C. - Ibidem, 64 a.C.) foi um destacado político e militar romano à época final da República, pertencente à facção dos optimates. Foi cônsul em 83 a.C. Combateu na guerra civil contra os partidários de Caio Mário e em favor de Sula, e triunfantemente na Hispânia contra Quinto Sertório e Perpena (Guerras Sertorianas, 79-72 a.C.).

Vida[editar | editar código-fonte]

Filho de Quinto Cecílio Metelo Numídico,[1] recebeu o seu cognome pela sua piedade filial e as gestões para procurar o regresso do seu pai, exilado pelo tribuno da plebe Lúcio Saturnino[2] em 99 a.C. Sendo pretor em 89 a.C., foi um dos comandantes que dirigiram os exércitos romanos durante a Guerra Social (91–88 a.C.), destacando-se nas suas campanha contra os Samnitas.

O Senado chamou-o para Roma para defender a cidade do ataque de Caio Mário e Lúcio Cornélio Cina, aos que, porém, não pôde deter na Batalha da Porta Colina, fugindo primeiro para a Ligúria e depois para a África, onde permaneceria três anos.

Em 83 a.C. uniu-se a Sula quando este desembarcou na Itália, sendo um dos seus mais destacados chefes militares na guerra contra Mário; obteve nela importantes triunfos tanto na Umbria, onde rejeitou a Cneu Papírio Carbão, quanto na Gália Cisalpina, derrotando as forças de Mário em Favência (Faenza) em 82 a.C. Como reconhecimento pelos seus serviços, Metelo compartilhou o consulado com o próprio Sula em 80 a.C. Além disso, Metelo Pio foi designado Pontífice máximo. Contudo, Metelo Pio teve poucas oportunidades de exercer o cargo, pois foi quase imediatamente destinado fora de Roma.

Em 79 a.C. chegou à Hispânia como procônsul da Ulterior para reprimir o movimento democrata de Sertório, seguidor do infortunado Mário, permanecendo na península por mais de oito anos. Tinha no seu comando duas legiões, comandadas por Servílio e Licínio, as quais estacionou na Lusitânia. Aproximadamente durante o período de 79-78 a.C. foram construídos os acampamentos de Metelino ( Medellín) e Castra Cecília prolongando a Via Lata, a pista romana do rio Tejo até a Serra de Gredos, onde fundaria “Vicus C a.C.ilius” (Puerto de Béjar).

Conhecedor dessas agrestes terras, Sertório aprendera dos povos celtiberos a tática da guerrilha, e os seus esforços centrar-se-iam em impedir o exército de Metelo encontrar-se com o do governador da Citerior ou com o da Narbonense. O tenente de Sertório, Hirtuleu, conseguiu derrotar os exércitos destas duas províncias. Sertório dispôs-se a neutralizar Metelo, o qual, privado de apoios, retirou-se para zona segura. Metelo Pio ideou uma guerra de desgaste, mas os sucessos que obteve a curto prazo foram muito discretos.

Após dois anos de guerra os resultados eram favoráveis para Sertório. Ocupara à Lusitânia e neutralizara as armas consulares. Os sucessos de Hirtuleu abriam o caminho para a Hispânia Citerior. Sertório mandou-lhe regressar para a Lusitânia, com a ordem de se limitar à defesa, e ele partiu para o vale do Ebro. Sertório conseguiu tomar toda a Citerior exceto umas poucas praças na costa. Agora os seus esforços dirigiam-se nomeadamente a organizar o seu território e dar instituições que conferiram a impressão de um Estado de direito e estável ao mesmo tempo que formava um exército romano com a sua tática e armamento. Estabeleceu a capital da "nova Roma" em Osca, a ibera Bolscan, atual Huesca.

Após tanto batalhar contra Sertório, a falta de progressos após três anos de campanha implicou o envio na sua ajuda de Cneu Pompeu Magno, ao que o Senado concedeu sem muito entusiasmo o cargo proconsular cum imperium extraordinarium e novo exército. Esta personagem utilizaria a guerra sertoriana para fortalecer e ampliar as suas clientelas na Península Ibérica. Assentou-se na costa mediterrânica, onde soube travar amizade com os indígenas locais e em cujo território se preparou para a campanha. Sertório, pela sua vez, preparou-se para uma guerra de desgaste evitando um choque com a conjunção dos exércitos de Pompeu e Metelo. O plano de Pompeu, que consistia em libertar a costa oriental, fracassou. Por outro lado, Metelo obteve uma brilhantíssima vitória sobre Hirtuleu à beira do rio Sucro, e acudiu no auxílio de Pompeu, ajudando-o a triunfar sobre o primo de Caio Mário.

Com a conjunção entre os exércitos de Metelo e Pompeu, Sertório teve de retirar-se para norte e entrincheirar-se em Sagunto. Tendo perdido a iniciativa, tratou de ganhar tempo recorrendo à guerra de guerrilhas e alianças desesperadas, enquanto Pompeu tomou o controle. Seguiriam uns anos de intenso conflito em que as tropas consulares adquiriram cada vez maior vantagem sobre as de Sertório, o qual acaba sendo assassinado em Osca o ano de 72 a.C.

Em 77 a.C. Metelo realizou uma emissão de denários ao seu nome, com a inscrição Q(uintus) C(æcilius) M(etellus) P(ius) I(mperator) ou simplesmente IMPER, com uma cabeça de Pietas (piedade) no anverso aludindo ao seu cognome, "pio".

Finalmente voltou para Roma, em onde se celebrou, com Pompeu, um triunfo pelas suas vitórias na Hispânia.[3]

Morreu por volta de 63 a.C. Ganhou o respeito dos historiadores militares, em especial de Frontino, graças às suas campanhas nas Guerras Sertorianas. As fontes aludem à sua afeição às letras e à sua amizade com Arquias.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Álvarez Rojas, A. "La Colonia Norba y los campamentos de Servilio y Metelo". Servicio de Publicaciones de la Universidad de Extremadura.
  • Roldán Hervás, José Manuel. Historia de Roma I: la República Romana. Cátedra, Madrid, 1987. ISBN 84-376-0307-2
  • La crisis de la República : de los Gracos a Sila. Liceus, Servicios de Gestión y Comunicación, S.L. ISBN 84-96359-29-8

Referências

  1. Marco Veleio Patérculo, Compêndio da História romana, ii. 15. § 3
  2. Marco Veleio Patérculo, Compêndio da História romana, ii. 15. § 4
  3. Marco Veleio Patérculo, Compêndio da História romana, ii. 30. § 1
Precedido por
Quinto Múcio Cévola
Pontífice máximo
82 - 64 a.C.
Sucedido por
Caio Júlio César
Precedido por
Cneu Cornélio Dolabela e Marco Túlio Decula
Cônsul da República Romana
junto com Lúcio Cornélio Sula

80 a.C.
Sucedido por
Ápio Cláudio Pulquério e Públio Servílio Vácia Isáurico