Samnitas
Os samnitas eram um povo indo-europeu seminômade que habitava o centro da península Itálica nos idos de 1000 a.C. aproximadamente.
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História [editar]
A história samnita é marcada pelos confrontos com gregos e romanos, os dois maiores centros de poder na região naquela época. A confederação samnita tentou se tornar a mais poderosa da península Itálica e tomar as excelentes pastagens das planícies. Para isso, deu início a uma série de guerras contra seus vizinhos. A primeira Guerra Samnita (343 a.c.-341 a.c.) resultou na derrota samnita e na anexação da Campânia por Roma. A segunda guerra samnita terminou em 304 a.C. com a derrota samnita. Os romanos, entretanto, no período de 298 a.C. a 290 a.C., iniciaram a terceira guerra samnita e conseguiram a esmagadora vitória sobre Sentino, reunindo uma coligação com os principais inimigos do povo samnita. Terminou assim a independência samnita e todo o centro da Itália ficou sob domínio de Roma.
Roma, o inimigo [editar]
No século VIII a.C., duas grandes civilizações haviam lançado suas bases na península Itálica: nas terras onde posteriormente se localizaria a Toscana, as avançadas cidades etruscas se aproximavam do auge de seu esplendor; no sul da península e na Sicília, a chamada Magna Grécia implantava uma cultura semelhante à da Hélade, em cidades como Tarento e Siracusa. De acordo com as fontes tradicionais, sete reis governaram Roma ao longo de dois séculos e meio, período durante o qual o território dominado pelos romanos passou por uma gradual expansão. Os quatro primeiros monarcas, Rômulo, que segundo a lenda, descendia do herói troiano Eneias e foi amamentado, junto com seu irmão Remo, por uma loba, que se converteu no símbolo da cidade, Numa Pompílio, Túlio Hostílio e Anco Márcio, parecem ser totalmente lendários, e acredita-se que tanto seus nomes quanto seus feitos foram imaginados e narrados muitos séculos após a fundação da cidade. Os três últimos soberanos foram os etruscos Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio, o Soberbo, de existência mais documentada, cujos governos se estenderam pela maior parte do século VI.
Nos primeiros tempos da República, só os membros das famílias mais poderosas habilitavam-se a participar do governo da cidade. Seu poder era exercido pelo senado, uma assembleia integrada pelos chefes das principais famílias, que exerciam o cargo a título vitalício. As tensões entre patrícios e plebeus fizeram com que estes últimos recorressem, por duas vezes, a movimentos de secessão, mediante a retirada para fora dos muros de Roma e a recusa de cumprir obrigações militares. Obrigado a aceitar suas condições, o senado acabou por autorizar a criação de assembleias de plebeus. Por volta de 450 a.C., o direito consuetudinário romano foi codificado pelos Decênviros (magistrados especialmente designados para essa missão) e promulgada a Lei das Doze Tábuas, embrião do vasto corpo jurídico que Roma legou ao mundo e que haveria de constituir a base dos sistemas jurídicos modernos.
A Roma monárquica havia integrado uma federação de cidades latinas. Quando caíram os reis etruscos, as populações vizinhas deram início a um movimento para exigir maior autonomia, o que obrigou Roma a intensificar suas ações militares até reconstruir a antiga Liga Latina, dessa vez sob seu predomínio. Ao longo do século V a.C., Roma dominou diversos povos. A vizinha cidade etrusca de Veios, principal rival de Roma, foi destruída em 396 a.C., ao fim de dez anos de guerra. No início do século IV, povos celtas procedentes da planície da Europa central invadiram o norte da Itália e venceram os etruscos. Prosseguindo seu avanço pela península, chocaram-se com as forças romanas junto ao rio Ália e as derrotaram em 390 a.C.. Os celtas apoderaram-se então de Roma e a incendiaram ao abandoná-la, depois de reunir um grande saque. Roma se recuperou rapidamente e em poucos anos se transformou na maior potência da Itália central, ao mesmo tempo em que as cidades etruscas entravam em decadência, vítimas dos constantes ataques gauleses, que contribuíram para arruinar sua civilização.
O império samnita [editar]
A cidade de Cápua, situada na Campânia, a sudeste de Roma, solicitou com êxito a ajuda dos romanos para enfrentar os samnitas, seus inimigos. Os Romanos ajudaram a resgatar Cápua. Iniciando assim a República Romana na península Itálica com a conquista em 359 a.C. de Cápua, Cumas e Posidonia. E a expansão samnita para Corfinum, o Piceno e Apúlia.
As guerras contra Roma [editar]
- I Guerra Samnita (343/341 a.C.)
- II Guerra Samnita (326/304 a.C.)
- III Guerra Samnita (298/290 a.C.)
O grande herói samnita [editar]
Caio Pôncio Herénio, general e comandante da segunda Guerra Samnita contra os Romanos. Os fazendo passar temporariamente pelo jugo Samnita.
A queda dos samnitas [editar]
Escravos [editar]
Os samnitas sobreviventes foram transformados em gladiadores para os espetáculos romanos. As armaduras restantes dos samnitas são até hoje chamadas de "samnitas".
Cronologia Histórica [editar]
359 a.C.- Roma cônsules: C. Fabius Ambustus e C. Plautius Proculus. Ditador: C. Sulpicius Peticus.
Derrotados, os latinos são obrigados a aceitar o foedus Cassianum. A renovação do tratado de aliança entre romanos, latinos e hérnicos ante a ameaça celta. Expansão samnita para Corfinum, o Piceno e Apulia. Conquista samnita de Cápua, Cumas e Posidonia.
357 a.C.- Roma cônsules: C. Marcius Rutilus e Cn. Manlius Capitolinus Imperiosus.
356 a.C.- Roma cônsules: M. Fabius Ambustus e M. Popillius Laenas. Ditador: C. Marcius Rutilus.
Rebelião de escravos na Lucânia (Basilicata), ficam com as cidades de Terina, Hipponium, Thurii e outras cidades do chamado Ager Brutii, estes são os que depois serão conhecidos como brutios. Primeiro ditador plebeu.
355 a.C.- Roma cônsules: C. Sulpicius Peticus e M. Valerius Poplicola.
354 a.C.- Roma cônsules: F. Fabius Ambustus e T. Quinctius Poenus Capitolinus Crispinus.
Aliança romano-samnita frente aos gauleses e para controlar aos povos circundantes como volscos, auruncos e campanos que ameaçam com sublevar-se, Roma faz alianças com Sora, Satricum, Fabrateria e Lucca (dos volscos) e os samnitas com Interamna, Casinum, Arpinum e destroem Fregellae. Romanos e samnitas se repartem áreas de influência no centro de Itália.
352 a.C.- Roma cônsules: P. Valerius Poplicola e C. Marcius Rutilus. Ditador: C. Iulius.
Reggio di Calabria se libera da tutela siracusana.
351 a.C.- Roma cônsules: C. Sulpicius Peticus e T. Quinctius Poenus Capitolinus Crispinus. Ditador: M. Fabius Ambustus. Primeiro censor plebeu.
345 a.C.- Roma cônsules: M. Fabius Dorsuo e Ser. Sulpicius Camerinus Rufus. Ditador: L. Furius Camillus.
Submissão dos auruncos por Roma. Os sidicineos se unem aos samnitas. Roma se refaz com Sora, dos volcos. Locri se livra da tutela siracusana.
344 a.C.- Roma cônsules: M. Valerius Corvus e A. Cornelius Cossus Arvina.
Derrota dos campanos ante os samnitas, os campanos pedem ajuda a Roma. O tratado de aliança (foedus aequum) entre Roma e Cápua precipita o começo da I Guerra Samnita (343/341). Terceira secessão da plebe. Decius derrota aos samnitas ante Saticula e Suessula.
341 a.C.- Roma cônsules: C. Plautius Venno e L. Aemilius Mamercinus Privernas.
Fim da guerra samnita, os romanos ocupam o norte de Campânia junto com Cápua e os samnitas os territórios sidicinos. Os samnitas renunciam à sua expansão pela Campânia.
340 a.C.- Roma cônsules: T. Manlius Imperiosus Torquatus e P. Decius Mus. Ditador: L. Papirius Crassus.
Guerra latina (341/338), Roma aliada aos samnitas contra a renovada Liga Latina (latinos, campanos, aurinci, volsci e sicidineos). Batalha de Suessa Aurunca e vitória romano-samnita. Conquista por Roma do porto de Antium: as proas dos barcos capturados no porto enfeitaram a assembleia.
338 a.C.- Roma cônsules: L. Furius Camillus e C. Maenius.
Os Samnitas submetem os Sidicineos. Dissolução da Liga Latina, as cidades da liga entram na órbita romana com um direito de cidadania limitado. Arquidamo III de Esparta morre a mãos da coligação itálica, batalha de Manduria. Cápua se converte, sendo melhor tratada por Roma. Igualdade de direitos civis entre Cápua e Roma. Cápua mantêm o direito a cunhar moeda e manter suas próprias tropas.
326 a.C.- Roma cônsules: C. Poetilius Libo *Visolus e L. Papirius Cursor.
Por causa da ajuda prestada por Roma a Nápoles, acontece a II Guerra Samnita (326/304). Lex Poetelia-Papiria sobre a escravização por dívidas ou nexum.
324 a.C.Ditador: L. Papirius Cursor.
Uma tentativa de invasão do Sâmnio repelida pelos samnitas.
321 a.C.- Roma cônsules: T. Veturius Calvinus e Sp. Postumius Albinus. Ditador: Q. Fabius Ambustus.
Derrota romana nas Forcas Caudinas, o exército romano de Postumius e Veturius rendem-se aos samnitas que lhes fazem passar pelo jugo. Os samnitas conquistam Fregellae e obrigam aos romanos a abandonar as colônias situados cerca da fronteira com o Samnio.
316 a.C.- Roma cônsules:Sp. Nautius Rutilus e M. Popillius Laenas. Ditador: L. Aemilius Mamercinus Privernas.
Alfaterni alia-se aos Samnitas.
315 a.C.- Roma cônsules: L. Papirius Cursor e Q. Publilius Philo. Ditador: Q. Fabius Maximus Rullianus.
Vitória Samnita em Lautulae. Revolta em Cápua, intervenção Samnita. Luceria cai em poder romano.
314 a.C.- Roma cônsules: M. Poetelius Libo e C. Sulpicius Longus. Ditador: C. Maenias.
Colônia romana em Luceria depois de sua conquista pelos romanos e seus aliados de Apúlia. Os romanos recuperam Satricum. Invasão do Lácio pelos samnitas, vitória samnita em Lautulae, rebelião dos aurinci e os campanos contra Roma. Sora e outras vagas sobre o rio Liris caem em mãos Samnitas.
309 a.C. Ditador: L. Papirius Cursor.
Pacificação de Etrúria pelos romanos. Nova invasão do território samnita.
308 a.C.- Roma cônsules: P. Decius Mus e Q. Fabius Maximus Rullianus.
Os romanos são derrotados e expulsados do Samnio depois da batalha de Cluviae. Campanha samnita na Itália Central, em consequência do ataque, os Marsos, Pelignos e Aequos se levantam contra Roma mas são rapidamente derrotados por esta.
307 a.C. cônsules: Ap. Claudius Caecus e L. Volumnius Flamma Violens.
Os samnitas invadem Apúlia conquistando Silvium.
306 a.C.- Roma cônsules: Q. Marcius Tremulus e P. Cornelius Arvina. Ditador: P. Cornelius Scipio Barbatus.
Os romanos recuperam Silvium das mãos samnitas. Os samnitas invadem a Campânia capturando Calatia e Sora. Revolta dos hernicii que se unem aos samnitas. Anagnia conquistada por Roma recebe um direito de cidadania limitado. Terceiro tratado romano/cartaginês, partilha de zonas de influência.
305 a.C.- Roma cônsules:L. Postumius Megellus e Ti. Minucius Augurinus.
Nova invasão do Lácio pelos samnitas, batalha final e derrota aamnita nos Campus Stellatis, contra-ataque romano, conquista de Bovienum, capital inimiga.
304 a.C.- Roma cônsules: P. Sempronius Sophus e L. Sulpicius Saverrio.
Os aequi derrotados por Fabio Maximus Rullianus, colonos são enviados para repovoar o território. Fim da guerra com os samnitas, estes são obrigados por Roma a renunciar a qualquer expansão territorial e a ceder a Roma o controle do vale do Liris. Os marsi, paeligni, marrucini e sabelian frentani são obrigados a aliar-se com Roma. Cleônimo de Esparta intervém em Tarento (que lidera ações contra os povos itálicos entre 304 e 302). Cneo Flavio, edil, publica as legis actiones.
299 a.C.- Roma cônsules: M. Fulvius Paetinus e T. Manlius Torcuatus.
Roma conquista a cidade de Nequinum, na Úmbria, colonizada posteriormente. Os samnitas atacam aos Lucanos, estes apelam a Roma. Raid gaulês em território romano. Lisímaco cruza o Danúbio em sua primeira campanha contra os getas.
298 a.C.- Roma cônsules: L. Cornelius Scipio e Cn. Fulvius Centumalus.
Começo da III Guerra Samnita: Roma em guerra com samnitas, etruscos e lucanos . Derrota dos etruscos em Volterra. O romano Barbatus em Apúlia, conquista de Cisauna e Taurasia. Roma conquista as cidades samnitas de Bovianum Vetus e Aufidena. Colônia romana em Carsioli. Fulvius Centumalus saqueia Aufidena (no Samnio).
297 a.C.- Roma cônsules: Q. Fabius Maximus Rullianus e P. Decius Mus.
Os samnitas, sob Gelius Egnatus, abrem-se passo para o norte e se unem a seus aliados etruscos. Invasão samnita de Campânia rechaçada.
295 a.C.- Roma cônsules: Q. Fabius Maximus Rullianus e P. Decius Mus.
Os umbros, os gauleses senones e os sabelios se unem à coligação anti-romana. Vitória dos snones em Camerinum sobre os romanos. Roma derrota em Sentinum a coligação inimiga. Paz com os etruscos. Fundação da colônia samnita de Venusium (atual Venosa), 20 000 colonos. Os samnitas se retiram ao Samnio e os senones voltam a seus territórios. Os etruscos e os umbros se rendem aos romanos.
294 a.C.- Roma cônsules: L. Postumius Megellus e M. Atilius Regulus.
Vitória samnita em Luceria. A campanha romana no vale do Liris fracassa.
293 a.C.- Roma cônsules: L. Papirius Cursor e Sp. Carvilius Maximus.
Vitória romana em Aquilonia em onde os cónsules derrotam decisivamente o exêrcito samnita. Conquista romana de Cominium.
290 a.C.- Roma cônsules: P. Cornelius Rufinus e M. Curius Dentatus.
Os sabinos se submetem aos romanos, recebem o direito de cidadania com certas limitações. Derrota dos últimos focos de resistência samnita. Paz com os samnitas, que são obrigados a fornecer tropas ao ser requeridas. Agatocles conclui a submissão de Bruttium (Calábria), conquista de Crotona e Hiponio.
284 a.C.- Roma cônsules: C. Servilius Tucca e L. Caecilius Metellus Denter.
Os Senones derrotam aos romanos em Arretium (atual Arezzo, revolta samnita contra os romanos.
279 a.C.- Roma cônsules: C. Servilius Tucca e L. Caecilius Metellus Denter. Pirro, aliado aos samnitas, assédio de Venusium, resposta romana e nova derrota romana em Ausculum. Roma e Cartago assinam um tratado, uma frota cartaginesa de 120 unidades frente a Óstia.
277 a.C.- Roma cônsules: P. Cornelius Rufinus e C. Iunius Bubulcus Brutus.
Derrota romana nas mãos dos samnitas nos Morros Cranites.
276 a.C.- Roma cônsules: Q. Fabius Maximus Gurges e C. Genucius Clepsina.
Os romanos dedicam todos seus esforços a preparar o novo confronto com Pirro.
275 a.C.- Roma cônsules: M. Curius Dentatus e L. Cornelius Lentulus Caudinus.
Pirro volta à Itália desde a Sicília, derrota de Pirro nas mãos dos romanos em Benevento. Pirro volta à Grécia. Os romanos capturam Caudium. Heleno (filho de Pirro) e Milòn ficam a cargo da cabeça de ponte de Tarento.
267 a.C. Ptolomeo II decidiu pôr a seu filho e herdeiro, chamado também Ptolomeo, à frente do governo de Canaán.
Roma estava acabando de pôr em ordem a península Itálica. Uma vez dominado o sul de Itália, voltou-se para os aamnitas, que tinham apoiado Pirro. Não precisou mais de uma campanha (às vezes chamada a Quarta Guerra Samnita) para destruir tudo o que ficava sob a independência aamnita. Depois se voltou contra Etrúria.
265 a.C. Foi tomada a última cidade etrusca independente. Agora unicamente os gauleses do norte e (nominalmente) algumas cidades gregas do sul escapavam ao governo direto de Roma. Cada cidade italiana estava sujeita a Roma por um tratado cujas condições eram mais ou menos duras em função da resistência do que a cidade tinha oferecido à conquista.
264 a.C.- Roma cônsules: Ap. Claudius Caudex e M. Fulvius Flaccus.
Introdução em Roma do espetáculo dos gladiadores samnitas. Captura da cidade etrusca de Volsinii. Os Mamerinos vão a romanos e cartagineses em procura de ajuda, guarnição cartaginesa em Mesina. Roma alarmada pela presença púnica ante Reggio di Calabria também intervém. Roma aceita a aliança com os mamertinos. Começo da Primeira Guerra Púnica.
Os exércitos [editar]
O princípio utilizado nesta época para armar o exército samnita é bem simples: couraça (espécie de pequena armadura feita de couro), escudo e espada ou pilum. Os aliados dos samnitas utilizavam seus próprios desenhos destes três elementos, sobretudo da couraça.
Sendo a couraça de placas samnita utilizada no sul da Itália, e muito mais sofisticada comparada à singela placa de peito ou romana diferenciada também pelos seus muitos enfeites, sendo ela uma simplificação destes desenhos.
Na realidade, o armamento de um samnita e de um romano era praticamente o mesmo, pois ambos usavam a mesma couraça, a mesma espada ou pilum e o mesmo escudo.
Roma aproveita-se disto nas Guerras Púnicas com um sistema de combate homogêneo e uniforme.