Marco Licínio Crasso

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Marco Licínio Crasso
Busto de Marco Licínio Crasso no Museu do Louvre em Paris
Nome completo Marco Licínio Crasso
Marcus Licinius Crassus
Nascimento 115 a.C. Roma
Morte 53 a.C. (62 anos) Carras (atual Harã, na Turquia)

Marco Licínio Crasso (latim: Marcus Licinius Crassus Dives;[nota 1] c. 115 a.C.53 a.C.) foi um patrício, general e político romano do fim da República Romana, mais conhecido como Crasso o Triúnviro. Comandou a vitória decisiva de Lúcio Cornélio Sula na Batalha da Porta Colina, e esmagou a revolta dos escravos liderada por Espártaco.

A importância de Crasso na história provém, porém, do apoio financeiro e político que brindou ao jovem nobre empobrecido Júlio César, apoio que lhe permitiria o sucesso na carreira política.

Chegou a um pacto secreto com Júlio César e Cneu Pompeu Magno, o chamado primeiro triunvirato, para ficarem com o poder em Roma. Apesar da sua proverbial riqueza, ansiava a glória militar, e por isso liderou uma campanha contra o Império Parta, na qual encontrou a morte, junto ao seu filho e várias legiões, na Batalha de Carras.

Vida[editar | editar código-fonte]

Marco Licínio Crasso era o terceiro e menor dos filhos de Públio Licínio Crasso Dives, cônsul em 97 a.C., a cujas ordens lutou no exército. O maior dos seus irmãos, Públio, faleceu durante a Guerra Social, enquanto que o seu pai e o seu outro irmão, Lúcio, foram vítimas da sangrenta repressão de Caio Mário e de Lúcio Cornélio Cina quando Marco Crasso era ainda jovem. Para escapar da morte, buscou refúgio na Hispânia (85 a.C.), onde, aproveitando as clientelas que o seu pai estendera durante o seu governo na Hispânia Ulterior, recrutou um pequeno exército, pondo-se às ordens de Sula quando este voltou para a Itália como legado ou prefeito.

Destacou-se na Primeira Guerra Civil, e especialmente na conhecida Batalha da Porta Collina (1 de novembro de 82 a.C.). As proscrições que se seguiram ao estabelecimento da ditadura de Sula enriqueceram-no extraordinariamente. A partir de então ficou de manifesto a sua habilidade para os negócios. Negociando, especulando e extorquindo, reuniu uma enorme fortuna com atividades que incluíam de casas de prostituição até brigadas de bombeiros.[nota 2] Quando o processaram por se deitar com uma virgem vestal, um crime brutal, absolveram-no por justificar que o fizera para lhe arrebatar a sua propriedade e o jurado, obviamente no seu caso, creu-o. Boa parte da sua fortuna foi investida com fins políticos, estendendo as clientelas populares, facilitando empréstimos para famílias nobres em difícil situação econômica e mantendo boas relações com os núcleos capitalistas da ordem equestre. Não arriscava a deixar rasto em nenhum assunto, mas empregava intermediários para que comprovassem por ele até onde se podia chegar, especialmente homens com boas perspectivas de futuro, utilizando-os como cabeça de turco, saindo sempre indene de qualquer problema. Segundo Plutarco, passou dos 300 talentos[nota 3] a um capital de 7.100 talentos [nota 4] antes de partir para a sua campanha contra os Partos.

Pretor em 73 a.C., recebeu no ano seguinte o imperium proconsular do senado para pôr fim à revolta de escravos encabeçada pelo célebre Espártaco. Após seis meses de preparativos e algumas derrotas iniciais, Crasso conseguiu vencer o exército de escravos em Apúlia, ordenando a crucifixão de seis mil deles ao longo da via Ápia. Seu sucesso compartilhou-o com Pompeu Magno em 71 a.C. Como fruto desta aliança, ambos compartiriam o consulado de 70 a.C. O mais destacado deste exercício foi, sem dúvida, a promulgação de uma lex Licinia Pompeia que restituiu as competências do tribunado da plebe, esvaziada de poder durante a ditadura de Sula. Ambos os políticos distanciar-se-iam, porém, nos anos seguintes.

Em 65 a.C. revestiu a censura junto a Quinto Lutácio Catulo. Tratou então de obter poderes extraordinários para transformar o reino do Egito, aliado de Roma, numa província, bem como de inscrever em bloco os cidadãos latinos da Gália Transpadana nas listagens dos cidadãos romanos (o que lhe proporcionaria uma considerável clientela política). Ambos os projetos foram detidos pelo seu colega, Catulo, que interpôs o seu veto paralisando a atividade da magistratura. Durante estes anos Crasso protegeu Lúcio Sérgio Catilina, apoiando a sua candidatura às eleições consulares de 64 a.C., se bem que seria ele quem pouco depois poria em conhecimento de Cícero a preparação da conjura.

Por volta de 59 a.C. aconteceu a aliança segreda entre Crasso e os dois políticos mais importantes do momento, Pompeu e César, aliança conhecida como Primeiro Triunvirato. Cada um dos seus integrantes tinha os seus próprios interesses e os de Crasso centravam-se em que fora aprovada uma lei que rebaixara o montante de arrendamento do cobro de impostos na Província da Ásia bem como que se criara uma comissão encarregada de efetuar as repartições de terra aos veteranos. De acordo com estes objetivos, em 59 Crasso formava já parte de uma comissão para a execução das repartições de terra entre os veteranos.

Em 56 a.C., pelos chamados Acordos de Luca, aconteceu a renovação do Triunvirato, e em consequência Pompeu e Crasso foram eleitos para o consulado em 55 a.C. Durante o exercício da sua magistratura estava previsto que ambos se criaram poderes proconsulares durante cinco anos, semelhantes aos que possuía César na Gália. O projeto de lei apresentado à assembleia transferia por um período de cinco anos as províncias da Hispânia a Pompeu e da Síria a Crasso, com prerrogativas tais como realizar recrutamentos e tomar decisões próprias.

Em novembro do 55, Crasso abandonou a Itália para se dirigir à sua nova província, onde prepararia uma grandiosa expedição contra o Império Parta (Inverno de 55–54 a.C.) No mês de junho de 53 a.C., o exército de Crasso (composto por sete legiões, 4.000 ginetes e tropas auxiliares) seria massacrado na Batalha de Carras — frente da superioridade da cavalaria inimiga — nas proximidades de Carras (atual Harã). Mais de 20.000 soldados perderam a vida e cerca de 10.000 foram feitos prisioneiros (veja-se Legião perdida); a cabeça e a mão direita de Crasso foram levadas ao rei parta, Orodes II.

Nesta batalha Crasso cometeu uma série de falhas grosseiras. Confiou demais na superioridade numérica de suas tropas, abandonou as tradicionais táticas militares romanas e, na ânsia de chegar logo ao inimigo, atacou cortando caminho por um vale estreito, de pouca visibilidade. As saídas do vale, então, foram ocupadas pelos partos e o exército romano foi dizimado. Estes equívocos passaram à história através da expressão erro crasso, que remete a uma falha grosseira de planejamento com consequências trágicas e fatais.

Notas

  1. Epigraficamente: M·LICINIVS·P·F·P·N·CRASSVS ("Marco Licínio Crasso, filho de Públio, neto de Públio"). O cognome Dives provém de "o rico".
  2. Que inventou e que somente apagavam um incêndio se o proprietário acedia a vender a propriedade em chamas a preço de saldo.
  3. 7,2 milhões de sestércios.
  4. 170,4 milhões de sestércios, o qual não é muito em comparação, por exemplo, com os 350 que acumulara o filósofo estoico Séneca o Jovem graças ao imoral exercício da usura.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes clássicas[editar | editar código-fonte]

Fontes modernas[editar | editar código-fonte]

  • Grimal, Pierre. El mundo mediterráneo en la edad antigua III. La formación del Imperio Romano. Siglo XXI, Madrid, 1990. ISBN 84-323-0168-X
  • Le Glay, Marcel. Grandeza y decadência de la República Romana. Cátedra, Madrid, 2001. ISBN 84-376-1895-9
  • Roldán Hervás, José Manuel. La República Romana Historia de Roma, Tomo I, pp. 625–643. Cátedra, Madrid, 1987. ISBN 84-376-0307-2
  • Roldán Hervás, José Manuel; Blázquez Martínez, José María; Castillo, Antonio del. El Imperio Romano (Siglos I–III). Historia de Roma, Tomo II. Cátedra, Madrid, 1989. Pp. 9–37.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por:
Públio Cornélio Léntulo Sura e Cneu Aufidio Orestes
Cônsul da República Romana
com Cneu Pompeu Magno

70 a.C.
Sucedido por:
Quinto Cecílio Metelo Caprário Crético e Quinto Horténsio
Precedido por:
Cneu Cornélio Léntulo Marcelino e Lúcio Márcio Filipo
Cônsul da República Romana
com Cneu Pompeu Magno

55 a.C.
Sucedido por:
Ápio Cláudio Pulcro e Lúcio Domício Enobarbo
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