Especiaria

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Especiarias num mercado de Goa, Índia.
Loja de especiarias no Marrocos.

O termo especiaria ou espécie (do latim species[1] ), a partir dos séculos XIV e XV na Europa, designou diversos produtos de origem vegetal (flor, fruto, semente, casca, caule, raiz), de aroma ou sabor acentuados.[2] Isto deve-se à presença de óleos essenciais. O seu uso distingue-as das ervas aromáticas, das quais são utilizadas principalmente as folhas.

Além de utilizadas na culinária, com fins de tempero e de conservação de alimentos, as especiarias são utilizadas em farmácia, na preparação de óleos, unguentos, cosméticos, incensos e medicamentos. Historicamente, esses múltiplos usos deram lugar a disputas entre as corporações - notadamente entre os especieiros e os boticários. [3]

História[editar | editar código-fonte]

Embora cada região do planeta possua as suas próprias especiarias, na Europa, a partir das Cruzadas, desenvolveu-se o consumo das variedades oriundas das regiões tropicais. Para atender a essa demanda, ampliou-se o comércio entre o Ocidente e o Oriente, através de várias rotas terrestres e marítimas, que uniam não apenas a Europa internamente (pontilhando-a de feiras), mas esta e a China (rota da seda) e a Índia (rota das especiarias). A dinâmica dessas rotas variou ao sabor das guerras e conflitos ao longo dos séculos. A partir da criação do Império Mongol, entre os séculos XIII e XIV, com a instauração da pax mongolica, o comércio entre a Europa e o Oriente conheceu um período de prosperidade. Utilizadas não só para conservar os alimentos e melhorar seu sabor, mas também como medicamentos, afrodisíacos, perfumes, incensos etc., as especiarias [...] eram compradas secas e dessa forma utilizadas. Sua grande durabilidade, resistência a mofos e pragas nos longos tempos de estocagem, tornara possível e próspero seu comércio: suportavam por meses e até anos as travessias por mar ou terra sem perder as qualidades aromáticas e medicinais. As mais procuradas, no século XV, eram a pimenta-do-reino, o cravo, a canela e a noz-moscada. Nativas da Ásia, eram difíceis de obter e, portanto, extremamente caras. Eram usadas até mesmo como moeda e, segundo Nepomuceno, constituíam "dotes, heranças, reservas de capital e divisas de um reino. Pagavam serviços, impostos, dívidas, acordos e obrigações religiosas".[4] Também era costume presentear (ou subornar) os magistrados com especiarias.[3] Em 29 de Maio de 1453, a tomada de Constantinopla pelos otomanos dificultou ainda mais o acesso a esses produtos, pois as rotas de comércio dos principais condimentos passaram ao controle turco, ficando, assim, bloqueadas as atividades dos mercadores cristãos.

Na tentativa de contornar o problema, Portugal e Espanha organizaram expedições para a exploração de rotas alternativas - um caminho marítimo para o Oriente. O projeto português previa um ciclo oriental, contornando a África, enquanto que o projeto espanhol apostou no ciclo ocidental, que culminou no descobrimento da América. O estabelecimento de nova rota com o caminho descoberto por Vasco da Gama reduziu de imediato os preços das especiarias - os venezianos começaram a comprar pimenta em Lisboa pela metade do preço do que custava em Alexandria, oferecida pelos árabes [5] .

Com o estabelecimento de colônias no continente americano, as nações europeias introduziram nelas o plantio das especiarias asiáticas, barateando os custos e tornando-as mais acessíveis para o mercado. Essa divulgação teve como consequência levar as próprias colônias a adotar essas especiarias, em detrimento das espécies nativas que tinham efeitos similares. [carece de fontes?]

Principais especiarias[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. " Espécie" tem também o sentido de droga ou mistura de substâncias vegetais secas, dotadas das mesmas propriedades terapêuticas; ou, ainda, de mercadoria ou gênero alimentício dado como pagamento de algo (ver Dicionário Priberam. Verbete: espécie). De fato, as especiarias também foram utilizadas como meio de pagamento, na Europa.
  2. Gastronomias.com - Especiarias
  3. a b PEL, Jean-Marie. Especiarias e ervas aromáticas: história, botânica e culinária. Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003.
  4. NEPOMUCENO, Rosa, O Brasil na rota das especiarias: o leva-e-traz de cheiros, as surpresas da nova terra. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005, p. 25, apud A História sob o Olhar da Química: As Especiarias e sua Importância na Alimentação Humana, por Ronaldo da Silva Rodrigues e Roberto Ribeiro da Silva. Química Nova Interativa (originalmente publicado em Química Nova na Escola, v. 32, n. 5, 2010).
  5. FURTADO,Celso - Formação Econômica do Brasil - 2000 - Empresa Folha da Manhã sob licença da Companhia Editora Nacional - Pgs. 34-35 - ISBN 85-7402-200-4

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Corn, Charles. Scents of Eden: A History of the Spice Trade. New York: Kodansha, 1999.
  • Czarra, Fred. Spices: A Global History. [S.l.]: Reaktion Books, 2009. 128 p. ISBN 9781861894267[1]
  • Dalby, Andrew. Dangerous Tastes: The Story of Spices. Berkeley: University of California Press, 2002.
  • Freedman, Paul. Out of the East: Spices and the Medieval Imagination. New Haven: Yale UP, 2008.
  • Keay, John. The Spice Route: A History. Berkeley: U of California P, 2006.
  • "Spice trade". Encyclopedia Britannica, 2002.
  • Donkin, Robin A. (August 2003). Between East and West: The Moluccas and the Traffic in Spices Up to the Arrival of Europeans. Diane Publishing Company. ISBN 0-87169-248-1.
  • Corn, Charles; Glasserman, Debbie (March 1999). The Scents of Eden: A History of the Spice Trade. Kodansha America. ISBN 1-56836-249-8.
  • Collingham, Lizzie (December 2005). Curry: A Tale of Cooks and Conquerors. Oxford University Press. ISBN 0-19-517241-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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