Arménia
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| Հայաստանի Հանրապետություն Hayastani Hanrapetutyun República da Arménia (PE)/ Armênia (PB) |
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| Lema: Մեկ Ազգ, Մեկ Մշակույթ (Arménio) Transliteração: Mek Azg, Mek Mshakouyt "Uma Nação, Uma Cultura" |
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| Hino nacional: Mer Hayrenik |
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| Gentílico: arménio / armênio ou armeno | |
| Capital | 40º16'N 44º34'E |
| Cidade mais populosa | Erevan |
| Língua oficial | Arménio |
| Governo | República parlamentar |
| - Presidente | Serj Sargsyan |
| - Primeiro-ministro | Andranik Markaryan |
| Formação | |
| - Fundação tradicional | 11 de agosto de 2492 a.C. |
| - Estabelecimento do Reino de Urartu | 1000 a.C. |
| - Reino da Arménia | 600 a.C. |
| - Independência da U.R.S.S. | 23 de agosto de 1990 |
| - Reconhecida | 21 de setembro de 1991 |
| - Finalizada | 25 de dezembro de 1991 |
| Área | |
| - Total | 29.800 km² (141º) |
| - Água (%) | 4.71 |
| População | |
| - Estimativa de 2007 | 3.229.9002 hab. (135º) |
| - Censo 2001 | 3.002.594 |
| - Densidade | 101 hab./km² (98º) |
| PIB (base PPC) | Estimativa de 2007 |
| - Total | $16,83 bilhões (124º) |
| - Per capita | $5 700 (105º) |
| IDH (2007) | 0.775 (83º) – médio |
| - Esper. de vida | 72 anos (96º) |
| - Mort. infantil | 21,69/mil nasc. (107º) |
| - Alfabetização | 99,4% (32º) |
| Moeda | Dram (AMD) |
| Fuso horário | (UTC+4) |
| - Verão (DST) | (UTC+5) |
| Cód. Internet | .am |
| Cód. telef. | +374 |
| 1 Também referida como "Erivan" ou "Yerevan". 2 Posição baseada na estimativa de 2005 da ONU da população de facto. |
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A Arménia (português europeu) ou Armênia (português brasileiro) (em arménio Հայաստան, transl. Hayastan, ou Հայք, Hayq), denominada oficialmente de República da Arménia, é um país localizado numa região montanhosa na Eurásia, entre o mar Negro e o mar Cáspio, no sul do Cáucaso.
Faz fronteira com a Turquia a oeste, Geórgia ao norte, Azerbaijão a leste, e com o Irã e com o enclave de Nakhchivan (pertencente ao Azerbaijão) ao sul. Apesar de geograficamente estar inteiramente localizada na Ásia, a Arménia possui extensas relações sociopolíticas e culturais com a Europa.[1]
Foi a menor das repúblicas da extinta União Soviética. A Arménia configura-se num estado unitário, multipartidário, democrático, com uma antiga herança histórica e cultural. Historicamente foi a primeira nação a adotar o cristianismo como religião de Estado[2] em 301[3]. A Armênia é constitucionalmente um estado secular, tendo a fé cristã uma grande identificação com o povo. O país é uma democracia emergente e por causa de sua posição estratégica, tenta conciliar alianças com a Rússia e com o Oriente Médio.
Entre 1915 e 1923 sofreu o que os historiadores consideram o primeiro genocídio do século XX, perpetrado pelo Império Otomano e negado até hoje pela República da Turquia. As mortes são estimadas em 1,5 milhão de arménios e a deportação de milhões de outros, fazendo com que a Armênia tenha uma diáspora gigantesca pelo mundo, de descendentes que fugindo das perseguições, tomaram o rumo de países como França, EUA, Argentina, Brasil, Líbano e muitos outros.
A Arménia é atualmente membro de mais de 40 diferentes organizações internacionais, incluindo a ONU, o Conselho da Europa, Banco de Desenvolvimento da Ásia, CEI, Organização Mundial do Comércio e a Organização de Cooperação Econômica do Mar Negro. É observadora da Francofonia, e do Movimento Não-Alinhado. A Arménia também atua em organizações internacionais de desportos, como a FIFA, a UEFA, a Federação Internacional de Hóquei no Gelo.
Índice |
[editar] Etimologia
O nome nativo para o país é Hayk. Na Idade Média foi aumentado para Hayastan, pela adição do sufixo -stan que significa terra. O nome é tradicionalmente derivado de Hayk (Հայկ), o lendário patriarca dos armênios e trineto de Noé, que segundo Moisés de Khoren foi quem defendeu seu povo do rei babilônio Bel e estabeleceu seu povo na região das montanhas do Ararat[4]. Porém, a mais remota origem do nome é incerta.
O exónimo Arménia aparece pela primeira vez em persa antigo na inscrição de Behistun (515 a.C.) como Armina. Em grego Ἀρμένιοι arménios, aparece pela primeira vez numa inscrição atribuída a Hecateu de Mileto (m. 476 a.C.)[5]. As duas aparições na mesma época atestam a que o nome era empregado realmente naquela época.
Heródoto (440 a.C.)escreveu "Os arménios eram equipados como colonos frígios" (7.73)[6]. Algumas décadas depois, Xenofonte, um general grego na guerra contra os persas, descreve muitos aspectos do cotidiano das vilas armênias e a sua hospitalidade. Ele relata que o povo fala uma língua que para seus ouvidos, assemelhava-se ao persa.[7]
[editar] História
[editar] Antiguidade
A Arménia é povoada desde os tempos pré-históricos e era o suposto local do Jardim do Éden bíblico.[8] O país se localiza no planalto ao entorno da montanha bíblica do Ararat. Segundo a tradição judaico-cristã, foi o local onde a Arca de Noé encalhou após o Dilúvio.[9] Arqueólogos continuam a descobrir que o planalto arménio está no meio de locais onde estariam civilizações primitivas e talvez sejam os mesmos locais onde nasceram a agricultura e a civilização[carece de fontes]. De 6000 a.C. a 1000 a.C., ferramentas como lanças, machados e ninharias de cobre, bronze e ferro eram comumente produzidos na Arménia e trocados nas terras vizinhas onde esses metais eram menos abundantes.
A Arménia é a principal herdeira do lendário país Aratta (Ararat), mencionado em inscrições sumérias. Na Idade do Bronze, muitos Estados floresceram na área da Grande Arménia (ou "Arménia histórica"), incluindo o Império Hitita (o mais poderoso), o Mitanni (sudoeste da Grande Armênia) e Hayasa-Azzi (1500-1200 a.C.). Na época, o povo de Nairi (XII ao IX séculos a.C.) e o reino de Urartu (1000-600 a.C.) sucessivamente estabeleceram suas soberanias no planalto armênio. Cada uma das tribos e nações supracitadas participaram da etnogênese do povo arménio.[10][11][12][13] Erevan, a moderna capital da República da Arménia, foi fundada em 782 a.C. pelo rei urartiano Argishti I.
Por volta do ano 600 a.C., o reino da Arménia estava estabelecido sob a dinastia dos Orôntidas (em arménio, Երվանդունիներ), a qual existiu sob diversas dinastias até o ano de 428. O reino chegou em seu maior tamanho entre 95 e 66 a.C. no reinado de Tigranes, o Grande, tornando-se um dos mais poderosos reinos da região. Ao longo da história, o reino da Arménia gozou de períodos de independência alternados com períodos de submissão aos impérios contemporâneos. A Arménia, por sua posição estratégica, localizada entre dois continentes, foi sujeita a invasões por diversos povos, incluindo assírios, gregos, romanos, bizantinos, árabes, mongóis, persas, turcos otomanos e russos.
Em 301, a Arménia se tornou o primeiro país oficialmente cristão do mundo, tomando-o como religião oficial de Estado[14][15], quando um número de comunidades cristãs começaram a se estabelecer na região desde o ano 40. Havia várias comunidades pagãs antes do cristianismo, mas elas foram convertidas por influências de missionários cristãos. Tiridates III (ou Trdat, Dedrad. Em armênio: Տրդատ Գ), juntamente com Gregório, o Iluminador (em armênio: Գրիգոր Լուսաւորիչ) foram os primeiros reguladores oficiais do cristianismo ao povo, conduzindo a conversão oficial do país dez anos antes de Roma emitir sua tolerância aos cristãos por Galério e 36 anos antes de Constantino I ser batizado.
Antes do declínio do reino arménio em 428, muitos armênios foram incorporados no período masdeísta ao império dos sassânidas (dinastia persa), regido pelo deus Aúra-Masda. Após uma rebelião arménia em 451 (Batalha de Avarair), os arménios cristãos mantiveram sua autonomia religiosa e também autonomia e direito de ser regida por uma Armênia mazdeísta, enquanto o outro império era regido somente pelos persas. Os mazdeístas da Arménia duraram até anos anos 630, quando a Pérsia Sassânida foi destruída pelo califado árabe.
[editar] Arménia Medieval
Após o período masdeísta (428-636), a Arménia emergiu como Emirado da Arménia, com uma relativa autonomia junto ao Império Árabe, reunindo terras arménias previamente tomadas pelo Império Bizantino como dele. A principal terra era regulada pelo príncipe da Arménia, reconhecido pelo califa e pelo imperador bizantino. Era parte da divisão administrativa Arminiyya, criada pelos árabes, que incluía partes da Geórgia e da Albânia Caucasiana e tinha a capital na cidade arménia de Tvin (ou Dvin, em arménio: Դվին). O Principado ou Emirado da Arménia terminou em 884, quando os armênios conseguiram a independência do já enfraquecido Império Árabe.
O Reino da Arménia reemergiu sob a dinastia dos Bagratuni (em arménio: Բագրատունյաց Արքայական Տոհմ, transl. Bagratunyac Arqayakan Tohm, "Real Dinastina dos Bagratuni"), até 1045. Neste tempo, diversas áreas da Arménia Bagrátida foram separadas como independentes reinos e principados, como o reino de Vaspurakan, regido pela Casa dos Artsruni, desde que reconhecendo a soberania e supremacia dos reis da Casa dos Bagratuni.
Em 1045, o Império Bizantino conquistou a Arménia Bagrátida. Logo, os demais Estados armênios também caíram sob o domínio bizantino. O domínio bizantino teve uma vida curta, pois em 1071, os turcos seljúcidas derrotaram os bizantinos e conquistaram a Arménia na batalha de Manzikert, estabelecendo o Império Seljúcida. Para escapar da morte ou da escravidão nas mãos daqueles que assassinaram o rei arménio Gagik II, rei de Ani, um arménio de nome Ruben (depois Ruben I), foi com alguns conterrâneos em direção as montanhas do Taurus e fundaram Tarso, na Cilícia. O governardor bizantino do palácio deu-lhes o abrigo onde o Reino Arménio da Cilícia foi então estabelecido. Este reino foi a salvação dos arménios, uma vez que a Grande Arménia fôra devastada pelos invasores.
O Império Seljúcida entrou em colapso. Nos anos 1100, os príncipes da nobre família arménia dos Zacáridas estabeleceram uma semi-independência dos principados armênios do norte e da Armênia oriental (agora chamada de Arménia Zacárida). A nobre família dos Orbeliadas compartilhava o controle com os Zacáridas em várias partes do país, especialmente em Syunik e Vayots Dzor.
[editar] Domínio estrangeiro
Durante os anos de 1230, o Ilcanato mongol conquistou o principado dos Zacáridas, assim como o resto da Arménia. Os invasores mongóis vieram seguidos de outras tribos da Ásia Central, em um processo que durou dos anos 1200 até 1400. Após incessantes invasões, cada uma trazendo a destruição ao país, a Arménia ficou enfraquecida. Durante o século XVI, o Império Otomano e a Pérsia Safávida dividiram a Armênia entre si. Mais tarde, o Império Russo incorporou a Arménia oriental (que consistia de Yerevan e as terras de Karabakh, na Pérsia) em 1813 e 1828.
Sob o jugo otomano, os arménios tiveram relativa autonomia em seus próprios enclaves e viviam em relativa autonomia com os demais grupos constituintes do império (incluindo os turcos). Entretanto, os cristãos viviam em um sistema social muçulmano estrito. Os arménios enfrentaram a discriminação que persistia. Quando eles reivindicaram por maiores direitos, o sultão Abdul Hamid II, em resposta, organizou massacres e deportação de arménios entre os anos de 1894 e 1896, resultando uma morte estimada de 300 mil arménios. Os massacres hamidianos, como ficaram conhecidos, deram a fama à Hamid II de "Sultão Vermelho" ou "Sultão Sangrento".
Quando o Império Otomano entrou em colapso, os Jovens Turcos assumiram o poder em 1908. Os arménios, que viviam em toda a parte do até então Império Otomano, depositaram as suas esperanças no Comitê União e Progresso, criado pelos Jovens Turcos, como caminho para o fim das mortes e perseguições aos arménios e que eles deixariam de ser cidadãos de segunda classe. Porém, o pacote de reformas para os armênios de 1914 apresentaria a solução definitiva para os ensejos armênios e para toda a questão arménia da pior forma possível.[16]
[editar] A Primeira Guerra Mundial e o genocídio arménio
Com o advento da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano e o Império Russo ocuparam o Cáucaso durante a "Campanha Persa", o novo governo turco começou a olhar para os arménios com dúvidas e suspeitas. Isso era conveniente com o fato do Império Russo ter em seu exército um contingente de voluntários arménios. Em 24 de abril de 1915, cerca de 600 intelectuais arménios foram presos e exterminados a mando de autoridades otomanas, e, com a lei Tehcir (29 de maio de 1915), uma grande parcela da população arménia que vivia na Anatólia começou a ser deportada e privada de seus bens, em um processo que levou a morte de cerca de 1,5 milhão de arménios.
Este evento aqui iniciado ficaria conhecido como genocídio arménio. Havia uma resistência arménia na região, desenvolvida contra a atividade otomana. Os eventos de 1915 a 1923 são considerados pelos arménios e pela maioria dos historiadores ocidentais como um assassinato em massa patrocinado pelo estado, ou genocídio.
Entretanto, como a Turquia, herdeira direta do Império Otomano e que insiste na negação do genocídio arménio, é uma forte aliada ocidental na Ásia Menor e Oriente Médio, tanto os governos dos Estados Unidos como da Grã-Bretanha são lacónicos na categorização do massacre dos arménios como genocídio.
Autoridades turcas afirmam que as mortes são provenientes de uma guerra civil, acompanhada das doenças e fome que assolaram o Império Otomano no início do século XX, com baixas tanto para arménios quanto para turcos. As estimativas de mortos variam entre 650 mil e 1,5 milhão, sendo esta última cifra a mais aceita pelos historiadores ocidentais e mesmo por alguns intelectuais dissidentes turcos, como Orhan Pamuk, Nobel de Literatura em 2006 e Taner Akcam, professor da Universidade de Minnesota.
A Arménia tem feito campanhas para o reconhecimento do genocídio no mundo por 30 anos. Esses eventos são tradicionalmente comemorados no dia 24 de abril, data que marca o início do genocídio arménio.
Embora o exército russo tenha obtido mais ganhos do que o exército otomano durante a Primeira Guerra Mundial, esta vantagem fora perdida com o advento da Revolução Russa de 1917. Neste momento, a Rússia controlava a Armênia oriental, Geórgia e Azerbaijão, criando uma ligação com a República Democrática da Transcaucásia em 28 de maio.
[editar] República Democrática da Arménia
Infelizmente, a vida curta da RDA independente deveu-se aos perigos da guerra, disputas territoriais, um massivo fluxo de refugiados da Arménia Otomana, espalhando doenças e famintos. A Tríplice Entente alarmada pelos horrores do Império Otomano procurou ajudar o recém-formado estado Arménio a arrecadar fundos e outras formas de se sustentar.
Com o fim da guerra, a vitoriosa Entente procurou dividir o Império Otomano. Assinado entre as potências aliadas e o as autoridades otomanas em 10 de agosto de 1920 em Sèvres, o Tratado de Sèvres previa manter independente a RDA e anexar os territórios da Arménia Ocidental. Pelas novas fronteiras terem sido desenhadas pelo presidente americano Woodrow Wilson, este território apontado pelo Tratado ficou conhecido como "Arménia Wilsoniana". Nesta época, foi considerada a possibilidade da Armênia se tornar um protetorado dos EUA. O tratado, entretanto, foi rejeitado pelo Movimento Nacional Turco e nunca entrou em vigor. O movimento, liderado por Mustafa Kemal Ataturk, usou o tratado como pretexto para legitimar-se no poder da Turquia, derrubando a monarquia sediada em Istambul e instaurando a República da Turquia, com capital em Ancara.
Em 1920, forças nacionalistas turcas invadiram a República da Arménia pelo leste e teve início a Guerra Turca-armênia. Forças turcas sob o comando de Kazım Karabekir conquistaram territórios arménios que a Rússia anexou em conseqüência da Guerra Russo-Turca de 1877-1878, e ocuparam a antiga cidade de Alexandropol (atual Gyumri). O violento conflito foi encerrado com o Tratado de Alexandropol em 2 de dezembro de 1920. O tratado forçou os armênios a se desmilitarizarem, ceder mais de 50% de seu território de antes da guerra e abrir mão da Arménia Wilsoniana, garantida pelo Tratado de Sèvres. Simultaneamente, o 11º Exércio Soviético, sob o comando de Grigoriy Ordzhonikidze, invadiu a Arménia por Karavansarai (atual Ijevan) em 29 de novembro. Em 4 de dezembro, as forças de Ordzhonikidze entraram em Yerevan e a curta vida da República Democrática da Arménia teve fim.
[editar] Arménia Soviética
A Armênia foi anexada pela Rússia bolchevista e juntamente com Geórgia e Azerbaijão, foi incorporada à URSS como parte da República Federativa Socialista Soviética Transcaucasiana em 4 de março de 1922. Com essa anexação, o Tratado de Alexandropol foi suplantado pelo turco-soviético Tratado de Kars. No acordo, a Turquia permitiu à União Soviética assumir o controle sob Adjara com o porto da cidade de Batumi, com o retorno da soberania de cidades como Kars, Ardahan e Iğdır, que pertenciam à Arménia Russa.
A RFSST existiu de 1922 até 1936, quando ela foi dividida em três repúblicas intituladas RSS da Armênia, RSS da Geórgia e RSS do Azerbaijão. Os armênios desfrutaram de um período de relativa estabilidade sob o jugo soviético. Eles recebiam medicamentos, comida, e outras provisões de Moscou, e o governo soviético provou ser um "bálsamo calmante" em contraste com os últimos anos do Império Turco-Otomano. A situação era difícil para a Igreja, estranguladas pelas normas anti-clericais soviéticas. Após a morte de Lenin, Stálin tomou as rédeas do poder e recomeçou o período de terror para os armênios. Como várias outras etnias minoritárias que viviam na URSS durante o período do Grande Expurgo de Stalin, dezenas de milhares de armênios foram executados ou deportados.
O medo diminuiu quando Stalin morreu em 1953 e Nikita Khruschev assumiu o poder na URSS. Logo, a vida na Armênia Soviética sofreu uma rápida melhora. A Igreja que sofria com as perseguições de Stálin, foi restaurada quando o Catholicos Vasken I assumiu as funções de seu cargo em 1955. Em 1967, um memorial para as vítimas do genocídio armênio foi construído nas colinas de Tsitsernakaberd acima do cânion de Hrazdan, em Erevan. Isto aconteceu depois que a Demonstração em massa de Yerevan exigiu que tomassem atitudes para rememorar as vítimas do Genocídio no seu 50º aniversário.
Durante a era Gorbachev, nos anos 1980, com as reformas da glasnost e perestroika, os arménios começaram a exigir melhores cuidados ambientais com seu país, opondo à poluição que as fábricas soviéticas produziam. Tensões também se desenvolveram entre o Azerbaijão Soviético e o distrito autônomo de Alto Carabaque, majoritariamente habitado por arménios, separado da Arménia por Stálin em 1923. Os armênios residentes em Karabakh reivindicaram a unificação com a Arménia Soviética. Protestos pacíficos em Erevan apoiavam os armênios de Karabakh que se encontravam sob pogroms anti-armênios na cidade azeri de Sumgait. Compondo os problemas da Arménia, um terremoto devastador atingiu o país em 1988, com uma escala sismológica de 7.2.[17]
A inabilidade de Gorbachev de resolver os problemas da Armênia (especialmente Karabakh) criou desilusões entre os armênios e apenas alimentou o desejo crescente de independência. Em maio de 1990, o Novo Exército Armênio (NEA) foi estabelecido, servindo como força de defesa separatista do Exército Vermelho soviético. Choques logo aconteceram entre o NEA e as tropas da Força Soviética de Defesa do Interior, baseadas em Yerevan, quando os armênios decidiram comemorar o estabelecimento da República Democrática da Armênia de 1918. A violência resultou na morte de cinco armênios baleados na estação de trem, pela Força Soviética. Testemunhas acusaram a Força Soviética de usar força excessiva e de ter instigado a violência. Mais atritos aconteceram entre os milicianos armênios e as tropas soviéticas em Sovetshen, próxima à capital, e resultou na morte de 26 pessoas, a maioria civis armênios. Em 17 de março de 1991, a Armênia, junto com os países bálticos, Geórgia e Moldova, boicotaram um referendo onde 78% dos votos eram para a retenção da URSS, porém após uma reforma.[18]
[editar] Restabelecimento da independência
Em 1991, a União Soviética se fragmentou e a Armênia restabeleceu sua independência. Declarando-se independente em 23 de agosto, sendo a primeira república não-báltica a se desassociar. No entanto, os primeiros anos pós-soviéticos foram assolados por dificuldades econômicas bem como pelo começo repentino em grande escala de um confronto armado entre armênios do Carabaque e azeris. Os problemas econômicos tiveram origem no início do conflito de Carabaque, quando a Frente Popular do Azerbaijão conseguiu pressionar a RSS do Azerbaijão a impor um bloqueio ferroviário e aéreo contra a Armênia. Essa medida enfraqueceu efetivamente a economia armênia, pois 85% de seus produtos e mercadorias chegavam através do tráfego ferroviário.[19] Em 1993, a Turquia adere ao bloqueio contra a Armênia em apoio ao Azerbaijão.[20]
A guerra do Carabaque terminou após um cessar-fogo intermediado pela Rússia estabelecido em 1994. A guerra foi um sucesso para as Forças Armadas do Carabaque que asseguraram 14% do território azerbaijano.[21]Desde então, Armênia e Azerbaijão têm participado de conversas de paz, mediadas pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE). O status do Carabaque está sendo ainda determinado. A economia de ambos países têm sido afetadas na falta de uma resolução definitiva e as fronteiras azeri e turca permanecem fechadas para a Armênia.
Ao entrar no século XXI a Armênia enfrenta grandes dificuldades. Mesmo assim, apesar dos altos índices de desemprego, conseguiu fazer algumas melhorias econômicas, entre as quais, uma plena mudança para uma economia de mercado e desde 2007, permanece a 32ª nação mais economicamente livre no mundo. Suas relações com a Europa, o Oriente Médio e a Comunidade dos Estados Independentes têm permitido o aumento do comércio da Armênia. Gás, óleo e outros suprimentos chegam por meio de duas rotas vitais: o Irã e a Geórgia, com os quais a Armênia mantém relações cordiais.
[editar] Política
A política da Armênia situa-se em um ambiente de democracia representativa de república presidencial. Conforme a Constituição da Armênia, o presidente é o líder do governo e do sistema multipartidário pluriforme. O parlamento unicameral (também chamado de Azgayin Joghov ou Assembléia Nacional) é controlado por uma coalizão de três partidos políticos: o conservador Partido Republicano, o Partido Armênia Próspera e a Federação Revolucionaria Armênia. Os principais partidos de oposição incluem o partido do ex-presidente da Assembléia Nacional, Estado de Direito, e o partido do ex-primeiro-ministro Raffi Hovannisian, Herança, ambos são favoráveis a uma eventual adesão armênia à União Européia (UE) e Otan.
O governo armênio declaradamente objetiva construir uma democracia parlamentar ao estilo ocidental e as bases para sua forma de governo. Contudo, observadores internacionais do Conselho da Europa e do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América têm questionado a clareza das eleições parlamentares e presidenciais da Armênia e o referendo constitucional desde 1995, citando divergência nas pesquisas, a falta de cooperação da Comissão Eleitoral e a escassa manutenção das listas eleitorais e os locais pesquisados. A Freedom House qualificou a Armênia como "praticamente livre" em seu relatório de 2007, apesar de não classificar o país como uma "democracia eleitoral", indicando uma relativa falta de liberdade e competitividade eleitoral.[22] Há o sufrágio universal com idade superior a dezoito anos.
[editar] Relações exteriores
A Armênia atualmente mantém boas relações com quase todos os países do mundo, com duas importantes sendo seus vizinhos mais próximos, a Turquia e o Azerbaijão. Tensões foram elevadas entre armênios e azerbaijanos durante os últimos anos da União Soviética. A Guerra do Alto Carabaque dominou a política da região por todo os anos de 1990.[23] As fronteiras entre os dois países rivais permanece fechada nos dias de hoje, a solução para o conflito não foi alcançada apesar da mediação prestada por organizações como a OSCE. O ministro do exterior Vardan Oskanyan representa a Armênia nas negociações de paz.
A Turquia também possui uma longa historia de conturbadas relações com a Armênia por sua recusa em reconhecer o Genocídio Armênio de 1915. O conflito de Karabakh tornou-se uma desculpa para a Turquia fechar suas fronteiras com a Armênia em 1993. Não tem revogado o bloqueio, apesar da pressão do poderoso lobby empresarial turco interessado nos mercados armênios.[24]
Devido a sua posição hostil entre dois países vizinhos, a Armênia tem apromixado laços de segurança com a Rússia. A pedido do governo armênio a Rússia mantem uma 102ª base militar russa no noroeste da cidade armênia de Gyumri como elemento de dissuação contra a Turquia.[25] Apesar disto, a Armênia também tem olhado para as estruturas euro-atlânticas nos últimos anos. Mantém boas relações com os Estados Unidos especialmente por meio de sua diáspora. De acordo com o Censo americano de 2000, há 385.488 armênios vivendo neste país.[26]
A Armênia é também membro da Parceria para Paz da Otan, bem como, do Conselho da Europa, mantendo relações amigáveis com a União Européia, especialmente com seus Estados-membros tais como a França e a Grécia. Uma pesquisa realizada em 2005 mostrou que 64% da população armênia estaria a favor de aderir à União Européia.[27] Muitos oficiais armênios também têm expressado o desejo de seu país eventualmente tornar-se um Estado-membro da UE,[28] outros prevêem que será feito uma candidatura oficial em poucos anos.[29] Alguns também tem olhada a favor de uma adesão á Otan.[25] De qualquer modo o presidente, Robert Kotcharian, quer manter a Armênia atrelada à Rússia e a CEI e a OTSC, tornando parceiro, não membro da UE e da Otan.[30]
[editar] Forças Armadas
O Exército Armênio, Força Aérea, Defesas aéreas e a Guarda de fronteira são os quatro braços que formam as Forças Armadas da República da Armênia. As Forças Armadas foram formadas após o colapso da URSS em 1991 e com o estabelecimento do Ministério da Defesa em 1992. O comandante-em-chefe das Forças Armandas é o Presidente da República Robert Kocharyan. O Ministério da Defesa é um cargo de liderança política, atualmente ocupado pelo Coronel-General Mikael Harutyunyan, enquanto os comandos militares restantes estão nas mãos do Estado-Maior, liderado pelo Chefe do Estado, que atualmente é o Tenente-General Seyran Ohanian.
As forças na ativa tem perto de 60 mil homens, com um adicional de reservas de 32 mil e "reservas dos reservas" estimados em 350 mil soldados. A Guarda de Fronteira armênia tem condição de patrulhar as divisas com a Geórgia e Azerbaijão, enquanto tropas russas monitoram as fronteiras com a Turquia e Irã. Em caso de eventual ataque, a Armênia pode mobilizar todo homem capaz de manejar uma arma entre 15 e 59 anos, com treinamento militar.
O Tratado das Forças Armadas Convencionais da Europa (FACE) estabeleceu limites compreensivos nas categorias-chaves de equipamentos militares, foi ratificado pelo Parlamento Armênio em julho de 1992. Em março de 1993, a Armênia assinou a multilateral Convenção de Armas Químicas, que clamava pela eventual eliminação das armas químicas. A Armênia aderiu também ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares como um país sem armas nucleares, em junho de 1993. O país é membro da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, juntamente com Belarus, Casaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Uzbequistão. Participa do programas desenvolvidos pela OTAN "Parceria pela Paz" e Conselho da Parceira Euro-Atlântico. A Armênia estava engajada em missões de paz no Kosovo como parte das tropas kosovares não-OTAN, sob o comando grego.[31] E no Iraque, o país possui 46 membros das Forças Armadas como parte da Força de Coalizão.[32]
[editar] Subdivisões
A Armênia está organizada político-territorialmente em onze subdivisões. Destas onze, dez são chamadas marzer (em armênio մարզեր) ou no singular marz (մարզ), que é derivada da palavra persa marz, cujo significado é fronteira, limite. Ierevan é tratada separadamente e recebe status especial de hamaynq (համայնք) por ser a capital do país. O líder do executivo em cada uma das 10 marzes é o marzpet (մարզպետ) ou governador da marz, apontado pelo governo da Armênia. Em Ierevan, o líder do executivo é o prefeito, apontado pelo presidente. A república possui 953 vilarejos, 48 cidades e 932 comunidades, das quais 871 são rurais e 61 urbanas.[33]
| Número | Província | População | % | Densidade |
|---|---|---|---|---|
| 11 | Ierevan | 1.091.235 | 36,3% | 5.196,4km² |
| 7 | Shirak | 257.242 | 8,6% | 96,0km² |
| 3 | Armavir | 255.861 | 8,5% | 206,2km² |
| 6 | Lorri | 253.351 | 8.4% | 66,8km² |
| 2 | Ararat | 252.665 | 8,4% | 126,1km² |
| 5 | Kotayk | 241.337 | 8,0% | 114,9km² |
| 4 | Gegharkunik | 215.371 | 7,2% | 58,9km² |
| 8 | Syunik | 134.061 | 4,5% | 29,8km² |
| 1 | Aragatsotn | 126.278 | 4,2% | 45,8km² |
| 9 | Tavush | 121.963 | 4,1% | 39,1km² |
| 10 | Vayots Dzor | 53.230 | 1,8% | 22,1km² |
[editar] Geografia
A Armênia é um país sem costa marítima na Transcaucásia. Localizado entre os mares Cáspio e Negro, o país faz fronteiras a norte com a Geórgia, a leste com o Azerbaijão, ao sul com o Irã e ao oeste com a Turquia.
[editar] Topografia
A República da Armênia ocupa uma área de 30 mil km², localizada no nordeste do Planalto Armênio (ocupando 400 mil km²), outrora conhecida como Armênia Histórica e considerada a terra original dos armênios. O terreno é muito montanhoso, com rápidas correntezas de rios e poucas florestas. O Clima continental está em todo o planalto, o que significa que os verões são quentes e os invernos são rigorosos na Armênia. O ponto alto é o Monte Aragats (4095 metros), e não há ponto inferior a 400 metros acima do nível do mar no país.
O Monte Ararat que historicamente pertence à Armênia é o ponto mais alto da região. Atualmente ele se localiza na Turquia, mas da Armênia tem-se uma vista clara e total da montanha, que lembra aos armênios de seu maior símbolo. A montanha está presente no Brasão de armas da Arménia e em várias manifestações culturais do povo.
[editar] Problemas Ambientais
A Armênia tenta resolver seus problemas ambientais. Existe no país um Ministério do Meio Ambiente que introduziu taxas para a poluição do ar e da água, e para o despejo exagerado de lixo, que são usadas para atividades de proteção ambiental. A Armênia tem interesse em cooperar com outros membros da Comunidade dos Estados Independentes (CEI) e com a comunidade internacional nas questões ambientais. O governo armênio trabalhou para fechar a Usina Nuclear de Medzamor, próximo a Yerevan, procurando desenvolver formas alternativas de energia.
[editar] Clima
O clima na Armênia é marcadamente continental. Os verões são secos e ensolarados, indo de junho até meados de setembro. A temperatura varia entre 22° e 36° C. Entretanto, a baixa umidade atenua o efeito das altas temperaturas. Brisas à tarde proveniente das montanhas promovem um bem-vindo frescor. A primavera é curta e os outonos são longos. Os outonos são conhecidos pela vibração e cor das folhas das árvores. Os invernos são muito frios com bastante neve, com temperaturas que variam entre -10° à -5 °C. Os esportes de invernos fazem sucesso essa época do ano, como a prática de esqui nas colinas de Tsakhkadzor, localizadas a 30 minutos de Yerevan. O Lago Sevan está situado nas terras altas e é o segundo lago mais alto do mundo, a 1900 metros acima do nível do mar.
[editar] Economia
A economia da Armênia sobrevive de pesados auxílios estrangeiros.[34] Antes da independência, a economia da Armênia era principalmente de indústrias de base como indústrias químicas, eletrônicas, maquinaria, alimentos, borracha sintética e têxtil, totalmente dependente de fontes externas. A Agricultura contribuía com cerca de 20% na produção final e com 10% dos empregos antes da queda da URSS em 1991. A república desenvolveu um moderno setor industrial, abastecendo com máquinas, tecidos e outros produtos manufaturados para as suas "repúblicas irmãs" em troca de matéria-prima e energia[14].
As minas armênias produzem cobre, zinco, ouro e chumbo. A maior parte da energia é produzida com combustível importado da Rússia, incluindo gás natural e combustível nuclear (para a única usina nuclear); a fonte para a energia residencial é hidroelétrica. Pequenas quantidades de carvão, gás natural e petróleo do país não suficientes para o desenvolvimento.
Como outras recém-independentes estados da ex-URSS, a economia da Armênia sofreu com o legado da economia planificada e com o colapso do padrão de troca soviético. Investimentos soviéticos que apoiavam a indústria da Armênia virtualmente desapareceram, tanto que poucas das maiores empresas estão ainda em atividade no país. Além disso, os efeitos do terremoto de 1988 (Terremoto de Spitak ou Gyumri), que vitimou 25 mil pessoas e feriu mais de meio milhão, ainda são sentidos. O conflito com o Azerbaijão pelo território do Alto Carabaque ainda não está resolvido. As fronteiras fechadas com a Turquia e o Azerbaijão tem devastado a economia do país, pois a Armênia depende de outras formas de energia e de matérias-primas. Estradas através da Geórgia e Irã são inadequadas e insuficientes. O PIB cresceu cerca de 60% de 1989 até 1993. A moeda nacional corrente, o Dram, sofreu uma hiperinflação nos primeiros anos de sua introdução.
Todavia, o governo fez reformas econômicas abrangentes que diminuíram os dramáticos níveis de inflação e estabilizou o crescimento. O cessar-fogo na Guerra