Gregório, o Iluminador

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
São Gregório, o Iluminador
Mosaico de São Gregório.
Igreja de Pammakaristos (Mesquita de Fethiye), em Istambul.
Católico de todos os armênios
Nascimento ca. 257 em Valarxabad
Morte 331 (74 anos) em ?
Veneração por Igreja Apostólica Armênia
Igreja Católica
Igreja Ortodoxa
Igrejas Orientais
Comunhão Anglicana
Festa litúrgica 9 de junho na Igreja Apostólica Armênia
30 de setembro na Igreja Ortodoxa e na Igreja Católica
Padroeiro Armênia
Gloriole.svg Portal dos Santos

Gregório, o Iluminador (em arménio: Գրիգոր Լուսաւորիչ; translit. Grigor Lusavorich; em grego: Γρηγόριος Φωστήρ) é o santo padroeiro e primeiro líder oficial da Igreja Apostólica Armênia. Ele é o líder religioso a quem é creditada a conversão da Armênia do paganismo armênio ao cristianismo, dando ao país a distinção de ter sido a primeira a adotar o cristianismo como religião oficial em 301 d.C.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Gregório era o filho [1] dos nobres armênios partas[2] Anak E Okohe. Acredita-se que seu pai, que era um príncipe[3] relacionado aos reis arsácidas da Armênia[3] ou era parte da casa de Suren-Pahlaw, um dos sete ramos da dinastia arsácida ainda reinante[4] na Báctria[5] . Anak foi encarregado de assassinar o rei Cosroes II da Armênia, um dos reis da dinastia, e foi condenado à morte. Gregório escapou por pouco da execução com a ajuda de Sopia e Yevtagh, seus tutores. Ele foi levado para Cesareia, na Capadócia, onde os dois pretendiam terminar de criá-lo. Gregório foi então dado ao santo padre cristão Phirmilianos (Euthalios) para ser educado e foi assim que tornou-se um devoto cristão.

Quando atingiu a maioridade, Gregório se casou com uma moça chamada Míriam, devota cristão que era filha de um príncipe armênio cristão[5] na Capadócia. Desta união, Míriam teve dois filhos[5] , Vertanes I, o Parto e Aristácio I (Aristaces). Através de Vertanes, Gregório e Míriam teriam mais descendentes e, quando Gregório morreu, Aristácio o sucedeu. Em algum ponto da vida, Gregório e a esposa se separaram para permitir que ele pudesse se dedicar à vida consagrada[5] . Gregório deixou a Capadócia e voltou para a Armênia na esperança de conseguir ser perdoado pelo crime de seu pai através da evangelização de sua terra natal[5] .

Batismo de Tirídates III.

Na época, reinava Tirídates III, o filho do falecido rei Cosroes II. Influenciado em parte pelo fato de Gregório ser o filho do inimigo de seu pai, o rei ordenou que ele fosse preso por doze (ou quatorze, dependendo da fonte) anos numa cela subterrânea na planície do Ararate sob a atual igreja de Khor Virap, perto da cidade histórica de Artaxata, na Armênia. Gregório foi eventualmente convocado dali em ca. 297 para tentar recuperar a sanidade de Tirídates III, que a havia após ter sido traído pelo imperador romano Diocleciano, que invadiu e tomou grande parte do território das províncias ocidentais da Grande Armênia, que se tornaram protetorados de Roma.

Declaração da Armênia cristã[editar | editar código-fonte]

Em 301, Gregório batizou Tirídates III juntamente com os membros de sua corte e das classes dominantes. O rei emitiu um decreto pelo qual ele concedeu à Gregório plenos direitos para levar a cabo a conversão da nação toda à fé cristã. No mesmo ano, a Armênia se tornou o primeiro país a adotar o cristianismo como religião estatal. A primeira catedral a ser construída, a Igreja-mãe em Vagarsapate (Echmiadzin) se tornou e ainda continua sendo o centro espiritual e cultural do cristianismo armênio e sede da Igreja Apostólica Armênia. A maior parte dos armênios foram batizados nos rios Murat (Aratsani; a parte inicial do Eufrates) e Rio Aras (Yeraskh ou Arax).

Muitos dos festivais e celebrações pré-cristãos, de tradição indo-europeia, como o Tyarndarach (Trndez - associado à adoração do fogo) e o Vartavar (Vadarvar - associado com à adoração da água), que tinham milênios de idade, foram preservados e continuaram na forma de celebrações e cânticos cristãos. Em 302, Gregório foi consagrado como Católico de todos os armênios por Leôncio de Cesareia, seu amigo de infância.

Aposentadoria e morte[editar | editar código-fonte]

Em 318, Gregório apontou seu segundo filho Aristácio como próximo católico na linha da Igreja Apostólica para estabilizar e continuar a reforçar o cristianismo não apenas na Armênia, mas também no Cáucaso e na Anatólia. Gregório também colocou a cargo de um de seus netos (um dos filhos de Vertanes) a cargo das missões evangelizadoras aos povos e tribos de toda a região do Cáucaso e da Albânia Caucasiana.

Gregório foi martirizado por uma multidão fanática quando pregava nesta última. Em seus últimos anos, ele já tinha se retirado para um pequeno santuário perto do Monte Sebuh (ou Sepuh), na província de Daranali (Manyats Ayr, na Armênia Superior), com um pequeno grupo de monges, onde ele permaneceu até a sua morte.

Obras e devoção[editar | editar código-fonte]

Relicário com a mão direita de São Gregório, no museu da Santa Sé da Cilícia.

Após a sua morte, seu corpo foi levado para a vila de Thodanum (T'ordan - atual Doğanköy, perto de Erzincan). Seus restos foram espalhados por toda parte no reino do imperador bizantino Zenão. Acredita-se que sua cabeça esteja atualmente na Armênia, sua mão esquerda em Echmiadzin e a direita, na Santa Sé da Cilícia, em Antelias, no Líbano. No século VIII, os decretos iconoclastas na Grécia fizeram com que diversas ordens religiosas fugissem do Império Bizantino e buscassem refúgio em outros lugares. San Gregorio Armeno, em Nápoles, foi construída neste século sobre os restos de um templo romano dedicado à Ceres por um grupo de freiras fugitivas e que levavam consigo relíquias de Gregório, o Iluminador.

Diversas orações e por volta de trinta cânones da Igreja Armênia são atribuídos à Gregório. As homilias aparecem pela primeira vez numa obra chamada Haschacnapadum em Constantinopla em 1737; um século depois, uma tradução grega foi publicada em Veneza pelos mekhiteristas. Estas homilias vem sendo desde então editadas em alemão por J M Schmid (Ratisbona, 1872). As fontes autoritativas para a vida de Gregório são Agatângelo, cuja "História de Tirídates" foi publicada pelos mekhitaristas em 1835, Moisés de Corene, "Historiae Armenicae" e Simeão Metafrástes.

Uma "Vida de Gregório" por Vartabed Matthew foi publicada em armênio em Veneza em 1749 e foi traduzida para o inglês por Solomon Caesar Malan em 1868.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Criação
Católico de todos os armênios
288-325
Sucedido por
Aristácio I

Referências

  1. Hovannisian, The Armenian People From Ancient to Modern Times, Volume I: The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century, p.72
  2. Agatângelo, History of the Armenians, p.xxvii
  3. a b Kurkjian, A History of Armenia, p.270
  4. Terian, Patriotism And Piety In Armenian Christianity: The Early Panegyrics On Saint Gregory, p.106
  5. a b c d e Kurkjian, A History of Armenia, p.97

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Gregório, o Iluminador