Pré-história

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A pré-história corresponde ao período da história que antecede a invenção da escrita, evento que marca o começo dos tempos históricos registrados, e que ocorreu aproximadamente em 3500 a.C.[1] É estudada pela antropologia, arqueologia e paleontologia.

Também pode ser contextualizada para um determinado povo ou nação como o período da história desse povo ou nação sobre o qual não há documentos escritos. Assim, no Egito, a pré-história terminou aproximadamente em 3500 a.C., embora algumas culturas da Idade da Pedra tenham coexistido com as civilizações após essa data e algumas tribos ágrafas ainda existam em locais remotos.[2]

A transição para a "história propriamente dita" se dá por um período chamado proto-história, que é descrito em documentos ligeiramente posteriores ou em documentos externos. O termo pré-história mostra, portanto, a importância da escrita para a civilização ocidental.

Uma vez que não há documentos deste momento da evolução humana, seu estudo depende do trabalho de arqueólogos, antropólogos, paleontologia e genética ou de outras áreas científicas, que analisam restos humanos, sinais de suas presenças e utensílios preservados para tentar traçar, pelo menos parcialmente, sua cultura e costumes.

História da investigação sobre a Pré-história[editar | editar código-fonte]

Charles Darwin chamou a atenção dos cientistas de seu tempo, ao afirmar que as espécies evoluíram e que o homem e os primatas têm um ancestral em comum.

Em 1823, foi descoberto o primeiro fóssil de um ser humano moderno, em 1829 de um Homem-de-neandertal, em 1848 e 1856 mais fósseis de neanderthais. Em 1859, Charles Darwin publicou a A Origem das Espécies. Em 1863 os neanderthais são classificados. Em 1865, Gregor Mendel publica os resultados das suas experiências genéticas.[3]

Primórdios[editar | editar código-fonte]

Há certas dúvidas sobre quais foram exatamente os nossos antepassados mais remotos. Os seres humanos modernos só surgiram há 150 mil anos. Os humanos são primatas e pertencem ao grupo dos grandes símios, sendo originais da África.

Depois dos últimos ancestrais em comum com o orangotango há 15 ou 14 milhões de anos (época dos antepassados de todos os grandes símios atuais), com o gorila há 10-8 milhões de anos, e como o chimpanzé, há 7-5 milhões de anos. É nessa época que o continente africano sofre uma série de mudanças. Naquela época toda a zona equatorial estava coberta por uma selva tropical, a África de há 8 milhões de anos era mais húmida que a atual, mas depois aconteceram várias mudanças climáticas até que há 7 milhões de anos a floresta tropical começou a diminuir.[4]

Entre 7 e 6 milhões de anos atrás, surgiram em África duas espécies que pertenceram aos primórdios da evolução homínidea foram o Sahelanthropus tchadensis com um misto de caraterísticas humanas e símias, e o Orrorin tugenensis já bípede mas de que não se sabe o tamanho do cérebro, que no Sahelanthropus era de 320–380 cm cúbicos.[5] [6] Os homínideos da época foram encontrados na Etiópia e Tanzânia, ou seja na África Oriental. Seguiram-se a esses primeiros homínideos os Ardipithecus e mais tarde (há 4,3 milhões de anos até há 2,4 milhões) os Australopithecus, descendentes dos ardipithecus.

Australopithecus[editar | editar código-fonte]

Os australopitecos tinham maiores cérebros, pernas mais longas, braços menores, e traços faciais mais parecidos aos nossos.[7] Os australopithecus viviam em grupos constituídos por várias dezenas de indíviduos, que viviam em constante deslocação. Os grupos dispersavam-se quando a seca chegava e a comida escasseava. Os australopithecus tinham provavelmente o conceito de casais, mas não o de família.[8]

O gênero Homo[editar | editar código-fonte]

Há 2,5 milhões de anos surge o gênero Homo, Homo habilis na África oriental, que começam a usar ferramentas de pedra totalmente feitas por eles (começando o Paleolítico) e carne passa a ser mais importante na dieta do Homo habilis. Eram caçadores e tinham um cérebro maior (590–650 cm cúbicos), mas tinham braços compridos.[9]

Mas os Homo habilis não eram apenas caçadores, pois também eram necrófagos e herbívoros.[10]

Havia outras espécies como o Homo rudolfensis que tinha um cérebro maior e era bípede e existiu durante a mesma época que o Homo habilis. Há dois milhões de anos surgiu o Homo erectus de constituição forte, com um cérebro muito maior (810–1250 cm cúbicos), rosto largo e foi o primeiro homínideo a sair de África existindo também na Ásia e Europa, até há 500 mil anos. É o primeiro a usar o fogo.[11] Há 300 mil anos já tinha estratégias elaboradas de caça a mamíferos corpulentos.[10]

A era glacial começou há 1,5 milhões de anos e o nível do mar desceu 90 metros.[12]

Partida de África[editar | editar código-fonte]

Migrações humanas em todo o globo (os números indicam os milênios antes da nossa era).

Há uns 50 000 anos, os seres humanos lançaram-se à conquista do planeta em diferentes rumos desde África. Um rumo alcançou a Austrália. A outra chegou a Ásia Central, para logo se dividir em dois, uma a Europa, e a outra caminhou até cruzar o estreito de Bering e chegou à América do Norte. As últimas áreas a ser colonizadas foram as ilhas da Polinésia, durante o primeiro milênio d.C..[13]

Neanderthais[editar | editar código-fonte]

Os neanderthais eram robustos, com um cérebro grande, e viviam na Europa e oeste da Ásia. Sobreviveram até 24 mil anos atrás e coexistiram com os modernos Homo sapiens sapiens, apesar de estudos de ADN provarem que não podiam reproduzir-se entre si.[14]

Homem de Cro-Magnon.

Origem dos homens modernos[editar | editar código-fonte]

A origem do Homo sapiens atual é bastante discutida, mas a maioria dos cientistas apoia a teoria da Eva mitocondrial, apoiada por testes genéticos, em vez da teoria evolução multirregional que defende que os seres humanos modernos evoluíram em todo o mundo ao mesmo tempo a partir das espécies Homo lá existentes e que se reproduziram entre si durante as várias migrações que supostamente fizeram. Os primeiros fósseis totalmente humanos foram encontrados na Etiópia há 160 mil anos.[15] [16]

A teoria da Eva mitocondrial considera que houve uma segunda vaga de espécimes Homo, desta vez homens modernos, há cerca de duzentos mil anos atrás, e que todos os seres humanos descendem de um grupo muito reduzido de mulheres desta época.[17]

Há 75 mil anos a população humana deixou de crescer, muito provavelmente devido à catástrofe de Toba, uma explosão vulcânica,[18] que, segundo alguns cientistas, ate fez a populção descer para 10 mil.[19] [20] [21]

Capacidade de comunicação[editar | editar código-fonte]

A origem da fala humana tem sido muito controversa. Mas apesar do Homo habilis e Homo erectus já terem alguma, houve uma evolução há possivelmente 250 mil anos atrás, mas o grande salto em frente só ocorreu há 40 mil anos, quando os seres humanos modernos desenvolveram uma linguagem semelhante à nossa.[22]

Arte pré-histórica[editar | editar código-fonte]

Vênus de Laussel, estatueta talhada num bloco de pedra calcária dura; representa a uma mulher despida, que na mão direita sustem um corno de bisão.

Há cerca de 35 mil anos a.C. surgiu a arte paleolítica na Europa.[23] Há 25 mil anos a.C., surgiram as figurinhas de Vénus. Há 21 mil anos as pinturas rupestres em Altamira e Lascaux, mais pequenas esculturas. A Vénus de Willendorf considera-se um símbolo da fertilidade, tem 11 cm de altura e é de há 24 mil - 22 mil anos a.C..[24]

Apesar de convencionar-se a consolidação da religião no período Neolítico, a arqueologia registra que no Paleolítico houve uma religião primitiva baseada no culto a uma Deusa mãe,[25] [26] [27] [28] ao feminino e a associação desta ao poder de dar a vida.[29] Foram descobertas, no abrigo de rochas Cro-Magnon em Les Eyzies, conchas cauris, descritas como "o portal por onde uma criança vem ao mundo" e cobertas por um pigmento de cor ocre vermelho, que simbolizava o sangue, e que estavam intimamente ligados ao ritual de adoração às estatuetas femininas; escavações apresentaram que estas estatuetas, as chamadas vênus neolíticas eram encontradas muitas vezes numa posição central, em oposição aos símbolos masculinos localizados em posições perféricas ou ladeando as estatuetas femininas.[30] Assim como a pintura , as esculturas paleolíticas tinham caráter utilitário e ritualístico. Foram encontrados objetos de pequeno porte e até mesmo instrumentos musicais , como flauta e tambor feitos de ossos. As esculturas mais antigas tinham função ritualística , formas femininas e acredita-se que fossem uma evocação à fertilidade. Elas ficaram conhecidas como Vênus Esteatopígicas e são esculturas pequenas que apresentam características comuns nas formas e nos volumes: Formas arredondadas , seios volumosos , cabeça sem face, cabeça coberta como uma espécie de vasta cabeleira.

Mesolítico[editar | editar código-fonte]

Mesolítico (10.000 a.C a 5.000 a.C) é o termo empregue para denominar o período da pré-história que serve de transição entre o Paleolítico e o Neolítico, e presente (ou pelo menos, com duração razoável) apenas em algumas regiões do mundo onde não houve transição direta entre esses dois períodos. Significa Idade Média da Pedra (do grego μεσος, mesos =médio; e λίθος, líthos =pedra) por contraposição ao Paleolítico (Idade Antiga da Pedra) e ao Neolítico (Idade Nova da Pedra),[31] identificando-se com as últimas sociedades de caçadores-coletores.[32]

Invenção da agricultura[editar | editar código-fonte]

Há 10 mil anos a.C., praticamente não havia agricultura, mas em 6000 mil anos os conjuntos de humanos com capacidade para criar animais e cultivar plantas passariam a ser produtores. A agricultura foi inventada em várias partes do mundo, comumente em épocas diferentes, independentemente das outras áreas. Primeiro foi no Médio Oriente, mais precisamente no Crescente Fértil, em 10 mil a.C., onde se espalhou para várias zonas do mundo, como o Norte de África (excluindo o Egito) e os Balcãs há 6 mil a.C.[33]

Descoberta dos metais[editar | editar código-fonte]

Há oito mil anos inventou-se a fundição do cobre. A metalurgia surgiu na Anatólia e na Mesopotâmia (Turquia e Iraque atuais) em aproximadamente 5000 a.C., e até 4000 a.C. espalhou-se até ao planalto do Irão, Cáucaso e delta do Nilo, até 3000 a.C. dirigiu-se até ao sul da Europa, da Polónia e da Alemanha, França, ilhas Britânicas, e depois até 2000 a.C. à Dinamarca, resto da Polónia, parte dos países Bálticos e Bielorrúsia.[34]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 15
  2. Burns, Edward McNall. História da Civilização Ocidental, Volume 1. Rio de Janeiro: Globo, 1989. ISBN 85-250-0530-4 (v. 1)
  3. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 238
  4. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 67-70
  5. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 80,82
  6. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 18 e 19
  7. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 17 e 18
  8. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 99-101
  9. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 14, 17 e 18
  10. a b Série de colaboradores, LE GRAND LIVRE DE L'HISTOIRE DU MONDE-ATLAS HISTORIQUE (título original), Hachete (editora original), 1987, ISBN 972-42-0072-8, pág 14
  11. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 17, 18 e 19
  12. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 20-21
  13. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 24 e 25
  14. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 19 e 26
  15. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 194 e 197
  16. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 19
  17. Martin, Fernando Diéz, Breve Historia del Homo Sapiens (título original), nowtilus saber (editora original), 2008, ISBN 978-84-9763-774-9, pág 194
  18. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 19
  19. Stanley H. Ambrose. (1998). "Late Pleistocene human population bottlenecks, volcanic winter, and differentiation of modern humans". Journal of Human Evolution 34 (6): 623–651 pp.. DOI:10.1006/jhev.1998.0219.
  20. Ambrose, Stanley H. (2005). Volcanic Winter, and Differentiation of Modern Humans. Bradshaw Foundation. Página visitada em 2006-04-08.
  21. Robock, A., C.M. Ammann, L. Oman, D. Shindell, S. Levis, and G. Stenchikov. (2009). "Did the Toba volcanic eruption of ~74k BP produce widespread glaciation?". Journal of Geophysical Research 114: D10107 pp.. DOI:10.1029/2008JD011652.
  22. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 20-21
  23. Série de colaboradores, LE GRAND LIVRE DE L'HISTOIRE DU MONDE-ATLAS HISTORIQUE (título original), Hachete (editora original), 1987, ISBN 972-42-0072-8, pág 22
  24. La Historia del Arte, Blume, ISBN:978-84-8076-765-1
  25. Encarta Encyclopedia
  26. Encarta Encyclopedia, Mesopotamiam Art
  27. Neolithic Art, Encarta Ecyclopedia
  28. Witcombe, Willendorf
  29. O cálice e a espada, Riane Eisler, p.14
  30. O cálice e a espada, Riane Eisler, p.18
  31. Arte Mesolítico.
  32. El Mesolítico en Europa.
  33. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 36-37
  34. Série de autores e consultores, Dorling Kindersley, History (título original), 2007, ISBN 978-989-550-607-1, pág 42-43

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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