Altamira

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Município de Altamira
"Princesinha do Xingu"
"Capital da Transamazônica"
"Cidade do Festival Folclórico"
Vista parcial de Altamira.

Vista parcial de Altamira.
Bandeira de Altamira
Brasão de Altamira
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 6 de novembro
Fundação 6 de novembro de 1911 (102 anos)
Gentílico altamirense
Prefeito(a) Domingos Juvenil (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Altamira
Localização de Altamira no Pará
Altamira está localizado em: Brasil
Altamira
Localização de Altamira no Brasil
03° 12' 10" S 52° 12' 21" O03° 12' 10" S 52° 12' 21" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Sudoeste Paraense IBGE/2008 [1]
Microrregião Altamira IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Norte:Medicilândia, Porto de Moz e Rurópolis
Leste: Senador José Porfírio e São Félix do Xingu
Sul: Estado do Mato Grosso
Oeste :Itaituba e Rurópolis
Distância até a capital 1 000 km
Características geográficas
Área 159 533,73 km² (BR: 1º)[2]
População 106 768 hab. IBGE/2014[3]
Densidade 0,67 hab./km²
Altitude 109 m
Clima Tropical Am
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,665 médio PNUD/2010 [4]
PIB R$ 890 626,000 mil IDESP/2010[5]
PIB per capita R$ 8 841,00 IDESP/2010[5]
Página oficial

Altamira é um município brasileiro localizado no estado do Pará, na Região Norte do país. Até 2009, foi o maior município do mundo em extensão territorial,[6] com uma área de 159 695,938 km², ultrapassando vários países como Portugal, Islândia, Irlanda, Suíça, entre outros. Fica a uma altitude de 109 metros, latitude 03º12'12" sul e longitude 52º12'23" oeste. Sua população em 2010 era de 105 030 habitantes.[7]

A rodovia Transamazônica atravessa o município no sentido leste-oeste numa extensão de 60 km, ligando Altamira a Belém (800 km), Marabá (500 km), Itaituba (500 km) e Santarém (500 km)[8] . Característica notória do município é sua hidrografia: Altamira está cravada às margens do rio Xingu, com sua série de afluentes e cachoeiras que se distribuem por toda a região[9] .

História[editar | editar código-fonte]

Apesar de se saber que mesmo antes de 1750 antigas Missões Jesuíticas já habitavam a região do Xingu, resultando no surgimento da Vila de Altamira, o primeiro registro formal de sua existência data de 14 de abril de 1874, que cria o município de Souzel, no qual se inseria a região que hoje compreende o município de Altamira. Pela grande extensão física e necessidades administrativas, em 6 de novembro de 1911 cria-se o município de Altamira.

Altamira consolidou-se como centro polarizador do sul do estado. Sua origem oficial esteve diretamente ligada: a) à colonização das Missões Jesuíticas, na primeira metade do século XVIII; b) à extração de borracha que perdurou até a metade do século XX; e c) ao processo de interiorização do Brasil com a abertura da fronteira amazônica, a partir da década de 1970. Sua história extraoficial esteve ligada sempre à presença do indígena nesse território.

Desde o período da borracha a rede urbana da região do Xingu estrutura-se a partir de Altamira. A agricultura – principalmente arroz, cacau, feijão, milho e pimenta-do-reino –, a extração de borracha e castanha-do-pará e a pecuária são as principais atividades econômicas do município. A região, entretanto, defronta-se com problemas econômicos e sociais à medida que não houve os investimentos necessários em infraestrutura. O ecoturismo tem um grande potencial no município, mas é muito pouco explorado[10] .

Em 1972 foi implantado nesse município o marco zero da Rodovia Transamazônica (BR-230) pelo presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici. Iniciava-se um período de intensa exploração da floresta amazônica, com assentamentos de colonos e abertura de vias terrestres, algumas já abandonadas e outras que geraram os município da região (Medicilândia, Anapu, Vitória do Xingu etc.).

Belo Monte[editar | editar código-fonte]

Desde 2009 Altamira atrai atenções por ser a cidade mais próxima da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, cujo impacto divide opiniões.[11] Os cidadãos locais no geral aprovam a obra, apesar de admitirem que o inchaço populacional trouxe problemas.[12] O empreendimento de R$ 30 bilhões fez a população altamirense saltar de 100 mil segundo o Censo de 2010, para mais de 140 mil, na avaliação da prefeitura. Dentre os problemas estão a piora do trânsito local causada pelo aumento da frota de motocicletas - muitas das quais são dirigidas por motoristas sem carteira de habilitação - [13] e um aumento na violência.[14]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Altamira possui uma área de 159 533,73 km², o que o torna o maior município do Brasil e o terceiro maior do mundo em extensão territorial (sendo menor que Qaasuitsup e Sermersooq, municípios gronelandeses instituídos em 1 de janeiro de 2009). Se fosse um país, seria o 91º país mais extenso do mundo, maior que Grécia e Nepal. Caso fosse um estado brasileiro, seria o 16º maior, um pouco menor que o Paraná e maior que o Acre e o Ceará.

No município de Altamira inicia-se a "volta grande do Xingu", trecho sinuoso e cheio de cachoeiras do Rio Xingu onde, no final do trecho, será construída a Hidrelétrica de Belo Monte. Essa hidrelétrica, com capacidade de 11.182 MW, será a terceira maior do mundo (após a Hidrelétrica de Três Gargantas na China, e a Usina Hidrelétrica de Itaipu entre o Brasil e o Paraguai), e inundará cerca de 400 km², principalmente nos municípios de Vitória do Xingu e Altamira.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1961 a menor temperatura registrada em Altamira foi de 10,3 °C em 11 de outubro de 1963, e a maior atingiu 39,2 °C no dia 7 de dezembro do mesmo ano. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 226 mm em 12 de abril de 2009. Alguns outros grandes acumulados foram 190,3 mm em 22 de dezembro de 1985, 183,4 mm em 29 de dezembro de 2005, 169 mm em 27 de janeiro de 1970, 168,1 mm em 6 de março de 2000, 162,8 mm em 18 de abril de 1984 e 150 mm em 9 de abril de 1971.[15] O mês de maior precipitação foi março de 1974, quando foram registrados 682,9 mm.[16] O menor índice de umidade relativa do ar foi de 25% em 28 de setembro de 1988.[17]

Economia e infraestrutura[editar | editar código-fonte]

A agricultura (arroz, cacau, feijão, milho, pimenta-do-reino) e a extração de borracha e castanha-do-pará e a pecuária como principal são as principais atividades econômicas do município.

Entretanto, o município ainda não dispõe de acessos pavimentados, pois a única rodovia utilizada para chegar ao município é a Rodovia Transamazônica (BR-230), que teve seu processo de pavimentação interrompido na década passada, o que deixa o município por um longo período (chuvas) incomunicável por malha rodoviária, corroborando com o pouco desenvolvimento industrial. Até 1998 o município era alimentado por uma central termoelétrica desativada logo após a inauguração da LT 230 KV Tucuruí - Altamira, projeto Tramo-oeste desenvolvido pela Eletronorte.

Mensagem em muro à beira da Rodovia Transamazônica, que passa pela área urbana de Altamira.

A região sofre de um abandono estrutural crônico, um processo de atrofia econômica e consequentemente social, pois não foram feitos investimentos necessários para a região, uma vez que a infraestrutura é precária. Demandas históricas para dirimir conflitos como o cipoal fundiário, conflito por terras, assistência básica a doenças como a dengue e violência são problemas permanentes.[11] Em 2013, dentre os três componentes do Índice de Desenvolvimento Humano, Altamira só tinha nota mediana na longevidade (0,811, diante da média nacional de 0,816), com baixo desempenho em renda (0,662 ante 0,739) e educação (0,548 ante 0,637).[14]

Em 2010, a quantidade de desempregados é de 15 a 20 mil pessoas, em uma população com cerca de 20% de analfabetos e 1% tem nível superior.[18] [11] De acordo com o Censo Demográfico de 2000, ao se observar as características da população residente em Altamira, nota-se, no que tange à renda, que de um total de 17.469 domicílios, a maioria (52,4%) possui rendimento de mais de 2 a 10 salários mínimos, sendo 18,6% do total de domicílios enquadrados na faixa de mais de 3 a 5 salários mínimos. Nota-se, ainda, que para o mesmo período, 4,5% da população recebiam até meio salário mínimo ou não possuíam rendimento.

Lixão do município de Altamira.

No que diz respeito à educação, Altamira possuía em 2000 90,9% da população de 10 a 14 anos alfabetizada; 93,8% da população de 15 a 19 anos e 79,8% da população de 20 anos ou mais. Tendo como referência a população acima de 10 anos, verifica-se que 83,8% era alfabetizada.

As condições habitacionais, por sua vez, são bastante adversas. Conforme o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), a infraestrutura externa aos domicílios de Altamira apresentam precariedade generalizada. Em 2007, da população urbana do município, somente 72,0% eram atendidos pela coleta de resíduos sólidos. Além disso, em 2008, apenas 11,2% da população era atendida com abastecimento de água, além de que esgotamento sanitário não havia em nenhum ponto do município, nem mesmo nas áreas centrais da área urbana - o esgoto corre pelas sarjetas antes de cair nos riachos locais. O Consórcio Norte Energia, responsável por Belo Monte, assinou o compromisso de junto com a usina providenciar água e esgoto para toda a cidade de Altamira, mas as obras estão atrasadas.[14]

Os conflitos que historicamente marcam a ocupação da Amazônia estão reproduzidos em Altamira, com garimpeiros, índios, agricultores e ribeirinhos se confrontando.[18] .

Cultura[editar | editar código-fonte]

Na primeira semana do mês de junho ocorre o Festival Folclórico de Altamira organizado pela AGFAL (Associação dos Grupos Folclóricos de Altamira) [19] . O evento ocorre desde 2002 e é considerada a maior festa cultural da Transamazônica e consta no calendário municipal de eventos da cidade. E realizado em três noites de festa, começando na quinta-feira e terminando no sábado, com apresentação de três grupos por noite. E o resultado sendo divulgado no domingo seguinte.

O evento nada mais é que uma competição de danças da região norte do país, como o Carimbó, o Siriá, o Rimtubão, a Toada, o Sirimbó e inclusive a Quadrilha Junina que e da cultura da região nordeste.

Dançarinos do Grupo Folclórico Rosa dos Ventos em 2012.

O festival e disputado por nove Grupos Folclóricos são eles: Rosa dos Ventos, Cisne Branco, Flor da Juventude, Tradição Aparecida, Nova Geração, Beija Flor, Cheiro do Pará, Explosão Bela Vista e Furacão Anchieta. Vale Destacar que o Cisne Branco e Rosa dos Ventos são detentores de mais títulos com três no total, enquanto Tradição Aparecida e Flor da Juventude possuem dois e os demais Explosão Bela Vista, Nova Geração, Beija Flor, Cheiro do Pará e Furação Anchieta nenhum.

Cada grupo tem no mínimo 30 mim de apresentação e no máximo 40 mim onde e feita uma banca de jurados que julgam o grupo do 9 quesitos alguns deles são harmonia, traje típico, sincronismo e etc. Além disso também tem as apresentações da misses folclóre representando cada grupo.

O evento ocorre anualmente em um Ginásio Esportivo da cidade.

Ficheiro:X Festival.jpg
Troféu do Grupo Folclórico Rosa dos Ventos. Que Foi Tricampeão na 10° edição do evento no ano de 2012.


Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

Floresta Nacional de Altamira

Superfície:689.012 hectares.

Bioma: Amazônia 100%

Floresta Ombrófila Aberta 74%

Floresta Ombrófila Densa 23%

A Flona de Altamira é uma das portas de entrada para a Terra do Meio, situada entre os rios Xingu e Tapajós, no estado do Pará. Cercada por terras indígenas, a região possui uma das maiores áreas de floresta relativamente não perturbadas na Amazônia Oriental.

A região é de importância crítica para a vida selvagem, abrigando numerosas espécies animais ameaçadas, incluindo onças, jacarés-açus, macacos-aranha, cuxiú da cara branca e tamanduás.

As maiores concentrações remanescentes de mogno (Swietenia macrophylla) no Brasil estão localizadas na Terra do Meio e nas terras indígenas dos arredores.

A Floresta Nacional de Altamira é também importante para a proteção de comunidades indígenas situadas em suas proximidades, funcionando com zona tampão para as terras indígenas Baú, Xipaia e Curuá[20] .

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. Área territorial brasileira - consulta por município Resolução da Presidência do IBGE de n° 1 (R.PR-5/01) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (15 de janeiro de 2013). Visitado em 10 de setembro de 2014.
  3. [ftp://ftp.ibge.gov.br/Estimativas_de_Populacao/Estimativas_2014/estimativa_dou_2014.pdf ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1º DE JULHO DE 2014] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (28 de agosto de 2014). Visitado em 10 de setembro de 2014.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 2 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios do estado do Pará - 2010 Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará. Visitado em 13 de março de 2012.
  6. "VIEIRA, André". (2012). A água vai subir. National Geographic Brasil. ISSN 977-151772100-9. nº. 149, Ano 13, 30-39.
  7. http://www.ibge.gov.br/home/
  8. Zoneamento Econômico e Ecológico de Altamira. Diagnóstico Preliminar.
  9. Plano Diretor Municipal, Altamira, 2003.
  10. Plano Diretor Municipal, Altamira, 2003
  11. a b c Altamira, cidade abandonada na Amazônia, Valor Econômico
  12. http://datafolha.folha.uol.com.br/opiniaopublica/2013/12/1386247-para-moradores-de-altamira-belo-monte-trouxe-renda-e-problemas.shtml
  13. http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/12/1385616-usina-hidreletrica-divide-as-opinioes-em-altamira.shtml
  14. a b c http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/12/1385622-empregos-fazem-maioria-apoiar-a-usina.shtml
  15. BDMEP - Série Histórica - Dados Diários - Precipitação (mm), Temperatura Máxima (°C) e Temperatura Mínima (°C) - Altamira Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 23 de setembro de 2014.
  16. BDMEP - Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) - Altamira Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 23 de setembro de 2014.
  17. BDMEP - Série Histórica - Dados Horários - Umidade Relativa (%) - Altamira Banco de Dados Meteorológicos para Ensino e Pesquisa Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 23 de setembro de 2014.
  18. a b CHIARETTI, Daniela. (14 de abril de 2010). Onde o abacaxi é do tamanho da jaca. Jornal Valor Econômico
  19. FAMEP - Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará. Visitado em 23 de Maio de 2012.
  20. Greenpeace

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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