Sábado

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O sábado, por fundamentação bíblica e etimológica, é considerado o último[1] ,[2] dia da semana, seguindo a sexta-feira e precedendo o domingo, é um dia de oração e de descanso para judeus e cristãos sabatistas.

1° dia 2° dia 3° dia 4° dia 5° dia 6° dia 7º dia (último dia)
Domingo Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado

Por ordenação de trabalho e lazer e pela normalização ISO,[3] o sábado é considerado o sexto dia da semana com o sábado e o domingo como fim de semana, sendo assim na maioria dos calendários em todo o mundo.[4]

1° dia 2° dia 3° dia 4° dia 5° dia 6° dia último dia
Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo

A palavra sábado deriva do latim sabbatum, que por sua vez deriva do Shabat hebraico (שבת, transliterado como shabāt), que designa o dia de descanso entre os judeus e alguns grupos de cristãos, principalmente os adventistas.

Povos pagãos antigos reverenciavam seus deuses, dedicando o dia de Sábado ao deus Saturno, o que originou em inglês a denominação Saturn's day, posteriormente abreviada para Saturday, e no holandês Zaterdag, com o significado de "Dia de Saturno".

Entre os romanos, por exemplo, este dia era dedicado a Saturno, deus da agricultura, e representava um dia de descanso na semana pela boa colheita.

Origem dos nomes dos dias da semana[editar | editar código-fonte]

Os nomes dos dias da semana em português têm a sua origem na liturgia católica. Na maior parte das outras línguas, a sua origem são nomes de deuses pagãos e deuses mitológicos aos quais os dias eram dedicados.

Questões religiosas[editar | editar código-fonte]

Paganismo[editar | editar código-fonte]

Saturno, gravura do século XVI de Caravaggio.

O Império Romano considerava o sábado um dia consagrado à Saturno, ao qual atribuem a origem de Roma, construindo-lhe um templo e um altar à entrada Fórum, no Capitólio. Atribui-se ainda a Saturno a criação de divindades como Juno, Hércules e de heróis como Rómulo.

Judaísmo e cristianismo[editar | editar código-fonte]

No judaísmo o sábado (שַׁבָּת, pronunciado "Shabat") significa "descanso," "cessação," ou "interrupção" e é o sétimo dia da semana dedicado à oração e ao descanso, relembrando o sétimo dia original da semana no qual Deus descansou após os seis dias de Criação do universo (Gênesis 2:1-3), que culminou com a criação do homem e depois disto do dia de sabado que também santificou, tendo prescrito sua guarda no quarto mandamento da Lei de Deus, como relatado em Êxodo 20. Os judeus consideram proibidas certas atividades neste dia. Na segunda metade do século XIX grupos restauracionistas sabatistas (Adventistas) surgidos nos EUA provocaram divergências nos meios cristãos quanto a questão da observância do sábado ou o domingo como dia de descanso,quando influenciados pelos Batistas do Sétimo Dia, começaram a também guardar o dia de sabado. O sétimo dia honraria a Deus como Criador e como Redentor, por ter Jesus nele cumprido também Sua obra de expiação na cruz. A maioria do mundo cristão, no entanto, realiza reuniões no domingo por ser o dia em que Cristo ressuscitou dentre os mortos, embora não exista base bíblica para a guarda do Domingo. Outros discutam que a igreja primitiva, formada por judeus gentios , sempre adorou no sétimo dia, ainda que realizasse reuniões em outros dias como o domingo, ou separasse donativos aos "santos" em necessidade no primeiro dia de trabalho, atual domingo. Paulo recolheria as ofertas quando chegasse dos campos missionários. Não há, no entanto, indicação de que havia sempre culto nesse dia para tal fim, mas cre-se que o dinheiro era separado em casa.

Os primeiros cristãos, iam ao templo e guardavam o sábado.As passagens do livro de Atos dos Apóstolos são claras quanto a guarda do sábado pela Igreja primitiva,segundo consta os seguintes textos: Atos 13;14,42,44. Atos 16:13 Atos 17:02, Atos 18;04. Ou seja, descansar no sábado e observá-lo como mandamento era um costume comum na Igreja Cristã primitiva.

No Concílio de Jerusalém foram discutidas se certas práticas judaicas deveriam ser impostas também aos gentios. O Concílio de Jerusalém definiu que os gentios que aderissem 'a Igreja deveriam se afastar da idolatria, das relações sexuais ilícitas e do consumo de sangue e carnes sufocadas. Entendendo-se que a observância da Lei dos 10 mandamentos continuou a ser praticada, em virtude do próprio Jesus haver afirmado não ter vindo abolir a lei e sim cumprí-la e "até' que o céu e a terra passem, não cairá uma sá virgula ou til da lei;" tal ensinamento também é confirmado por Paulo em sua epístola aos Romanos afirmando: "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei." (Romanos 3:31). Portanto, como os 10 mandamentos da lei de Deus continuam em pleno vigor, é fácil dar-se conta que a observância do sábado também continua, haja vista este mandamento não tratar-se de nenhum costume ou cerimônia e sim um memorial da criação, e reconhecimento de Deus como único soberano e Criador do universo, sendo este dia um dia de deleite a adoração dAquele que nos amou primeiro. Como falado pelo profeta Isaías a todos os homens: "Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de fazer algum mal." (Isaías 56:2).

Entretanto, a maioria da cristandade crê que o sábado era uma comemoração cerimonial, haja visto Paulo ter dito, em sua Epístola aos Colossenses: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados [Sabbaton, que significa sete dias ou sétimo dia], porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo." Entretanto aqui o apostolo se refere a sábados cerimoniais, do contrario não se escreveria sábado no plural, tendo em mente que dias de festas eram cada um deles um sábado (Levíticos 23:37;38). Quanto à palavra sábado, que no original grego esta' realmente no singular (sabbaton), Paulo não esta' aqui contradizendo o que afirmou em Romanos. Se a lei e' estabelecida pela fé, não poderia este anular um mandamento num simples verso na carta aos Colossenses.

Sob a influencia do paganismo e talvez para se diferenciarem dos judeus, alguns cristãos diminuíram a importância do sábado como data de celebração do culto. Mas isto so' foi acontecer ao menos um século mais tarde da existência do cristianismo como ramo do judaísmo, como pode se perceber em vários trechos dos primeiros presbíteros:

Justino Martir (100 - 165 d.C.): Reunimo-nos todos no dia do Sol [o primeiro dia da semana era denominado de dia de Sol no Império Romano até o século IV], não só porque foi o primeiro dia em que Deus, transformando as trevas e a matéria, criou o mundo, mas também porque neste mesmo dia Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Crucificaram-no na véspera do dia de Saturno; e no dia seguinte a este, ou seja, no dia do Sol, aparecendo aos seus apóstolos e discípulos, ensinou-lhes tudo o que também nós vos propusemos como digno de consideração. (Justino I – Apologia Cap. 66-67 : PG 6,427 - 431)

Inácio de Antioquia: Aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre. (Inácio de Antioquia. Carta aos Filadelfos IV)

Assim, paulatinamente, a pratica da guarda do sabado do setimo dia foi sendo abandonada, mas a igreja etiope jamais o abandonou (embora hoje coptas etiopes celebrem cultos no sabado e no domingo), tendo guerreado contra invasores no seu pais como os prelados catolico-romanos que chegaram com os portugueses e ficaram abismados ao notarem que havia cristaos na Africa! Os Valdenses foram alguns dos outros grupos perseguidos pelo romanismo no Piedmonte, na Italia por sua insistencia em manter uma fe' livre de idolatria, centrada na justificacao pela fe' no sacrificios de Cristo e na fiel guarda do sabado. Cre-se que "santos" como Columba e Patricio dos Irlandeses também eram fieis guardadores do sabado e trouxeram consigo a pratica 'as ilhas britanicas, donde surgiram mais tarde os Batistas do Setimo Dia.

Em 7 de março de 321 A.D, o Imperador Constantino confirmou essa nova "Tradição Apostólica" oficializando o Domingo como dia de descanso ao proibir o trabalho no "veneravel dia do sol," com excecao do trabalho rural.

Na Igreja Ortodoxa o Sábado é comemorado o dia da Christotokos (Mãe de Cristo) e de Todos os Santos. O sábado é também um dia geral de oração pelos mortos. Jejuns foram várias vezes impostos pela Igreja Romana e várias lendas foram criadas quanto ao trabalho no domingo. Alguém que lavava roupa no domingo, por exemplo, teria visto a água se transformar em sangue por estar transgredindo um dia santo, desonrando o sangue do Cristo ressuscitado! Tais tentativas se destinavam a fazer com que o povo abandonasse qualquer adesao ao sabatismo do antigo testamento e aderisse ao do "novo."

O número de guardadores cristãos do sábado no mundo deve superar a casa dos 20 milhões, já que o maior grupo deles tem por volta de 17 milhões de membros, representados pela Igreja Adventista do Sétimo Dia. O mais antigo grupo sabatista ainda em existência e a Igreja Batista do Sétimo Dia, embora alguns disputem esta asserção. Ha vários grupos e/ou ramificações da Igreja de Deus do Sétimo Dia que continuam na pratica, mas alguns que se separaram da igreja, abandonaram a ideia de ser necessário especificar-se um dia como sagrado e deixaram a discreção da comunidade local escolher o melhor dia de culto. Igrejas independentes, 'às vezes, passam a guardar o quarto mandamento e a aderir 'a dieta de Levítico 11 também, não comendo certos tipos de animais por motivo de ênfase em hábitos saudáveis.

Alguns grupos sabatistas creem que, por causa de leis dominicais que começarão nos Estados Unidos, de acordo com sua interpretação das profecias de Apocalipse e do livro de Daniel, guardadores dos sábado serão perseguidos por uma aliança entre protestantes apostatados, o Catolicismo Romano, governos e o espiritismo moderno. Satanás faria assim guerra aos remanescentes da mulher (a Igreja espiritual e verdadeira), "os que guardam os mandamentos de Deus e tem a fé de Jesus." O desfecho seria o Armagedom que culminaria com a Volta de Cristo e o Juízo Final.

Origem do Sábado[editar | editar código-fonte]

Os Dias da Criação[editar | editar código-fonte]

Segundo a visão acerca das origens do sábado pelos Adventistas do Sétimo Dia, levando em consideração o relato de Gênesis 1-11, um estudo mais aprofundado leva a uma "descrição histórica literal" sobre a Criação do mundo. A descrição de tarde e manhã na criação de cada dia, a enumeração dos dias da semana e o estudo da palavra dia no seu original hebraico (YOM) demonstram que uma semana literal de atividades divinas existiu, com dias de 24 horas. Qualquer leitura que seja feita sob um prisma mitológico acaba distorcendo a natureza e propósito do relato bíblico da criação.[5] [6]

O Sétimo dia da Criação[editar | editar código-fonte]

O sétimo dia da criação é o único que não é qualificado com a expressão "tarde e manhã", mas na expressão "dia sétimo" relatada no texto (Gn 2:2,3) é a mesma usada em referência aos outros dias, ou seja, o sétimo dia também é um dia literal de 24 horas. Segundo os Adventistas sendo então o sétimo dia da criação um dia literal, ele serve como modelo ao sábado semanal.[5] [6]

As três ações de Deus com o Sábado[editar | editar código-fonte]

Segundo os Adventistas conforme a Bíblia o sábado tem sua origem na criação do mundo, quando Deus descansou nesse dia, bem como o abençoou e santificou (Gn 2:2,3). Esse tríplice ato "confirmaria que Deus instituiu o sábado na criação", e não a partir da instituição do decálogo no Monte Sinai. Seria o sábado "um benefício para toda a humanidade e não somente para um povo".[5] [6]

Descansou[editar | editar código-fonte]

Segundo a visão Adventista acerca do sábado, ao Deus descansar no sábado, proveu um exemplo para suas criaturas, sobre o que elas deveriam fazer também.[5] [6]

Abençoou[editar | editar código-fonte]

Segundo a visão Adventista Deus transformou o sábado em um canal de bênçãos para as suas criaturas.[5] [6]

Santificou[editar | editar código-fonte]

Segundo a visão Adventista santificar é o mesmo que separar. Desta forma Deus separa um dia para o uso sagrado.[5] [6]

Sábado em outros idiomas[editar | editar código-fonte]

Idioma Nome Significado
Catalão Dissabte "Dia do sabá"
Espanhol Sábado
Galego Sábado
Italiano Sabato
Francês Samedi
Romeno Sâmbătă
Alemão Samstag
Esperanto Sabato "Repouso"
Neerlandês Zaterdag "Dia de Saturno"
Inglês Saturday "Dia de Saturno"
Japonês 土曜日, Doyōbi
Chinês 星期六, Xīng qī liù "Sexto dia da semana"
Sueco Lördag "Dia do banho"
Dinamarquês Lørdag "Dia do banho"
Lituano Šeštadienis "Sexto dia"
Hebreu שבת, Shabāt "Repouso"
Latim Dies Saturni "Dia de Saturno"
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Referências

  1. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
  2. Dicionário e Enciclopédia Koogan/Houaiss. Rio de Janeiro: Edições Delta, 1995.
  3. Norma ISO 8601.
  4. Geonames/The days of the week in various languages.
  5. a b c d e f TIMM, Alberto. O Sábado na Bíblia - Por que Deus faz questão de um dia. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010
  6. a b c d e f FINLEY, Mark. Tempo de esperança: 24 horas para você renovar suas energias. Tatuí: CPB, 2009

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
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