Igreja Adventista da Promessa

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Igreja Adventista da Promessa é a denominação adventista que aceita manifestações pentecostais.

Índice

Origem[editar | editar código-fonte]

A Igreja Adventista da Promessa é uma igreja cristã pentecostal, baseiam-se em Atos 1:4 "(...)ficai pois na cidade Jerusalém, até que do alto sejais revestidos(...), para afirmarem que os outros pentecostais eram os que estavam na "festa das semana", enquanto os Filhos da Promessa, uns 120 aguardavam no Cenáculo. A Igreja Adventista da Promessa, surgiu ainda no primeiro período do movimento pentecostal no Brasil. Sua origem se deve a João Augusto da Silveira, que fora pastor da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Da Silveira, depois de estudar a respeito dos dons espirituais, especialmente o dom de línguas estranhas, foi batizado no Espírito Santo, enquanto orava,"pedindo a Deus que não o deixasse morrer em meio a dúvidas"[1] em sua casa, na cidade de Paulista, Pernambuco, em 24 de janeiro de 1932. Esta é considerada a data de início da Igreja Adventista da Promessa.

Credo da Igreja Adventista da Promessa[editar | editar código-fonte]

“Cremos e adoramos um único Deus em triunidade, sem confundir as pessoas, nem separar a substância, pois a pessoa do Pai é uma; a do Filho, outra, e a do Espírito Santo, ainda outra. Mas, no Pai, no Filho e no Espírito Santo, há uma única divindade, de glória igual e majestade coeterna. Cremos na Bíblia Sagrada como a nossa única regra de fé e de prática. Cremos que Deus criou o universo com o seu santo poder, sustentando-o e governando-o para o louvor da sua glória. Cremos na queda e na restauração do homem e que Jesus Cristo é o único caminho para salvá-lo, regenerando-o, justificando-o, concedendo-lhe a adoção de filho, santificando-o e ajudando-o em sua perseverança, em vista à glorificação. Cremos na salvação pela graça, através da fé no sacrifício de Cristo. Cremos no batismo no Espírito Santo, evidenciado no falar em línguas estranhas. Cremos nos dons espirituais, e que o homem pode se comunicar com Deus através da oração. Cremos na cura divina. Cremos no batismo por imersão para o arrependimento, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Cremos e praticamos o lava-pés como lição de humildade. Cremos na ceia do Senhor, como memorial da morte de Jesus. Cremos na sã e pura doutrina dos apóstolos, na abstinência de alimentos impuros e na temperança para um viver em equilíbrio. Cremos na distinção entre as leis moral, ritual e civil. Cremos que a lei moral dos dez mandamentos continua vigente para os nossos dias, inclusive o descanso sabático, no sétimo dia da semana. Cremos que devemos contribuir por fé com os dízimos e as ofertas, para a manutenção da obra de Cristo aqui na terra. Cremos na submissão às autoridades, importando-nos mais servir a Deus do que aos homens. Cremos e defendemos a continuidade da família, do lar e do casamento entre um homem e uma mulher, que os torna uma só carne. Cremos que a igreja de Jesus Cristo é a agência credenciada por ele para tornar acessível a entrada do pecador arrependido no reino de Deus. Cremos que é dever de todo cristão evangelizar todas as pessoas, em todo o mundo, e fazer delas discípulas de Cristo. Cremos na mortalidade da alma e na ressurreição dos mortos. Cremos que o Senhor Jesus morreu e foi sepultado numa quarta-feira e ressuscitou num sábado. Cremos na segunda vinda de Cristo visível e pessoal, para arrebatar a sua igreja. Cremos que a igreja passará mil anos no céu, e esse período, conhecido como milênio, será demarcado pela ressurreição dos salvos, em seu início, e pela ressurreição dos ímpios, em seu final. Cremos que, no juízo final, os ímpios e toda maldade serão aniquilados no lago de fogo e que, por fim, os salvos reinarão com Cristo, na nova terra, onde não haverá mais morte, choro e pranto, e viverão felizes eternamente com ele.” (A fé que professamos: o credo, a confissão de fé e a declaração de princípios dos adventistas da promessa. São Paulo: GEVC, 2013, pp.9-10).

Principais doutrinas[editar | editar código-fonte]

Necessário enfatizar, devido a equivocadas compreensões surgidas no decorrer do tempo por consequência de afirmações daqueles que desconhecem a história e a crença da igreja, que, como qualquer outra igreja cristã bíblica e teologicamente ortodoxa, a Igreja Adventista da Promessa crê na salvação unicamente pela graça mediante a fé e, que esta, não provem das obras para que ninguém se glorie (Ef 2:8-9). Por decorrência, a obediência aos mandamentos de Jesus, ensinada pela IAP, é tida apenas como uma expressão de amor a ele (Jo 14:15) e não uma tentativa de salvar-se por meio das boas obras. A igreja entende que o cristão deve obedecer a lei pelo fato ser salvo pela graça de Jesus e não com o intuito de conquistar a salvação por suas próprias obras. Desta forma, a Igreja Adventista da Promessa se constitui uma igreja bíblica e em conformidade com os princípios da Reforma Protestante. Os pontos de fé da Igreja Adventista da Promessa são estes:

A Bíblia Sagrada[editar | editar código-fonte]

Cremos na Bíblia Sagrada; cremos que é a palavra de Deus, inteiramente inspirada pelo Espírito Santo, sendo, por isso, inteiramente confiável e suficiente para nos encaminhar à salvação e nos conduzir ao crescimento na santificação e no conhecimento de Deus e de sua vontade. Referências bíblicas: Sl 19:7-8, 119:142, 160; Dn 4:2; Mt 5:17-20; 2 Tm 3:16; 2 Pe 1:12a.

A triunidade divina[editar | editar código-fonte]

Cremos e adoramos um único Deus, que existe em três pessoas distintas entre si: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Referências bíblicas ao Pai: Dt 32:6; 2 Sm 7:14; Sl 68:8, 89:26; Is 63:16, 64:8; Jr 3:4, 19; Ml 1:6, 2:10; Mt 5:16, 6:9, 26:53; Jo 6:27; At 1:4; Rm 1:7; 2 Co 1:2; Gl 1:3; Ef 4:6, 6:23; 1 Pd 1:2-3, etc. Referências bíblicas ao Filho: João 1:1, 8:58, 17:5, 20:28; Rm 9:5; Fp 2:5-6; Cl 1:17; Tt 2:13; Hb 13:8; 2 Pd 1:1; 1 Jo 1:1, etc. Referências bíblicas ao Espírito Santo: Gn 1:2; Mt 1:20; Lc 12:12; Jo 3:5-7, 16:8; At 1:8, 5:3-4, 8:29, 13:2; 1 Co 2:10-11, 3:16, 12:11; Ef 4:30.

A criação do mundo[editar | editar código-fonte]

Cremos que Deus criou o mundo pela sua palavra e para a sua glória. Cremos que, além de criador, ele é o sustentador do universo e se revela através da criação, sem se confundir com ela, bem como se revela através da Palavra e do Filho. Referências bíblicas: Gn 1-2; Sl 19:1-4, 146-150; Jó 38-39; Rm 1:20; Cl 1:17; Hb 1:1, 11:3.

Origem, queda e restauração do ser humano[editar | editar código-fonte]

Cremos que Deus criou o ser humano, tal como narrado em Gn 1:26-27, 2:6-7, 18-23; e, que este herdou de seu criador não primariamente a aparência física, mas as facetas de sua personalidade: pensamentos, emoções e arbítrio, bem como a natureza espiritual, para conhecê-lo e adorá-lo. Entendemos que a criação do ser humano difere de todo o restante da criação, pois este é obra das mãos de Deus e possui capacidade para relacionar-se com o criador. Entendemos também que a queda do ser humano é decorrente de uma escolha mal feita: a de desobedecer à ordem divina de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gn 2:17), o que teve como resultado o pecado universal (comum a todos os descendentes de Adão e Eva) e sua consequência final: a morte. Cremos que, apesar da ofensa humana ao Criador, este proveu um meio de redimir a humanidade: o sacrifício de Jesus Cristo em favor dos pecadores, a fim de reconciliá-los com Deus e devolver-lhes o direito à vida eterna. Referências bíblicas: Gn 1:26-27, 2:6-7, 17-25, 3; Sl 8:5-8, 95:6; Os 6:3; Rm 5, 8:1-17,38-39; 1 Co 15; 1 Jo 1:7.

Jesus Cristo: salvador e mediador da humanidade[editar | editar código-fonte]

Cremos que Jesus Cristo, plenamente divino e plenamente humano, foi o único capaz de quitar a dívida dos seres humanos para com Deus, reconciliá-los com este e livrar da morte eterna todos que crerem em seu nome e o confessarem como Senhor e Salvador. Cremos que só através do sacrifício de Cristo, na cruz do Calvário, o ser humano alcança a redenção: é declarado livre de toda culpa e é feito filho de Deus. Jesus Cristo é o único Salvador, porque, sendo inocente, morreu em lugar dos pecadores condenados à morte, para dar-lhes o direito à vida; é também o único mediador, porque reconciliou a humanidade e toda criação com Deus, e intercede pelos pecadores junto ao Pai.

Referências bíblicas: At 4:12; Rm 3:10-18, 5:8-10, 6:23; 2 Co 5:18-21; Fp 2:5-11; Cl 2:7-11; 1 Tm 2:5-6.

Regeneração e conversão[editar | editar código-fonte]

Cremos que, por um ato de misericórdia, Deus dá nova vida àqueles que estão mortos espiritualmente. Isso é o que chamamos de regeneração ou novo nascimento. Cremos também que, uma vez regenerado, o ser humano capacitado pelo Espírito Santo a responder positivamente ao chamado do evangelho de Cristo, ou seja, a render-se à proposta divina de abandonar o pecado em arrependimento e voltar-se para Cristo em fé. Isso é o que chamamos de conversão. Referências bíblicas: Mt 18:3; Mc 1:14; Jo 3:1-21, 16:8-11; Rm 10:17; 2 Co 5:17, 7:9-10, 12:3; Ef 2:1; 1 Pe 1:23.

Justificação e adoção[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na justificação, o ato unilateral de Deus declarar que, aos seus olhos, os pecadores são justos, por causa do sacrifício de Jesus. Quando o recebemos como Senhor e Salvador da nossa vida, Deus nos perdoa e somos declarados justos. Cremos também que, além de nos justificar, Deus nos adota como seus filhos, membros de sua família. Isso se chama adoção. Referências bíblicas: Jo 1:12; 2 Co 5:21; Rm 6:23, 8:13-16; Ef 1:5, 2:1,3, 2:19; Hb 9:22.

Santificação e perseverança[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na santificação. Entendemos, com base na Epístola aos Hebreus, que, sem ela, ninguém verá o Senhor (Hb 12:14). Cremos que somos santos, não porque adquirimos uma posição elevada de espiritualidade, mas porque, ao recebermos Cristo como Senhor, fomos “separados” do nosso antigo modo de viver para um novo estilo de vida orientado por padrões estabelecidos por Deus. Nós também cremos na perseverança. Entendemos que a salvação pode ser perdida, e, por isso, deve ser preservada. Entendemos que o livre arbítrio não é destruído, no momento em que uma pessoa aceita a Jesus, e que, portanto, o risco da apostasia é real, se o crente não perseverar. Referências bíblicas: Mt 24:13, 10:22; Mc 13:13; Jo 8:31-32; 1 Co 1:2,30, 3:16, 6:19 ; 2 Co 1:1, 7:1; Rm 6:18, 8:14; Gl 5:16-18,22; Ef 4:13; Fp 1:1,6, 2:12, 3:13-16; Cl 1:1,22-23; 2 Ts 2:13; 2 Tm 4:8; Hb 2:1, 6:4-11, 10:26, 12:1-2,14; 1 Pd 1:15, 2:9; 2 Pd 1:21, 3:2; 1 Jo 3:2,6; Ap 2:10, 3:11.

O batismo no Espírito Santo[editar | editar código-fonte]

Nós cremos no batismo no Espírito Santo. Entendemos que esta obra não é a regeneração, pois os discípulos já eram nascidos de novo quando o receberam. Também não é a santificação, que, como vimos, está ligada à separação do crente para Deus e é um processo diário. Ela não é, do mesmo modo, uma recompensa por serviços prestados a Deus. Quem a recebeu não é superior a quem não a recebeu. Cremos que as línguas que servem de evidência para o batismo no Espírito não são humanas, das nações, mas celestiais. A experiência de ser batizado no Espírito Santo é uma das mais importantes e maravilhosas que um cristão pode vivenciar; todavia, não acreditamos que alguém possa ser batizado sem propósito. O objetivo do batismo no Espírito Santo é a capacitação do discípulo de Cristo para a proclamação do evangelho (At 1:8). Referências bíblicas: Is 32:15, 44:3; Ez 36:27, 39:29; Jl 2:28-29; Mt 3:11; Mc 1:8; Lc 3:16, 11:10, 24:49; Jo 1:33; At 1:5,8, 2:4,16,33,39; 1 Co 6:19, 14:2.

Os dons espirituais[editar | editar código-fonte]

Nós cremos nos dons espirituais, cuja origem é o Espírito Santo. Os dons são úteis à igreja de Cristo. São diversificados, presenteados pelo Espírito e indispensáveis no processo da nossa edificação e serviço espiritual. Referências bíblicas: Rm 12:6-8; 1 Co 12 e 14; Ef 4:11-12.

Evangelização e discipulado[editar | editar código-fonte]

Cremos que é missão da igreja evangelizar e discipular. Não basta levar o pecador à fé salvífica inicial; é preciso ensinar a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito (maduro) em Cristo (Cl 1:28). Muito mais do que conversos, admiradores ou defensores, Jesus deseja que aqueles que o seguem sejam seus discípulos. Referências bíblicas: Mt 4:23, 10:25; Mc 16:14,15; At 1:2,8, 5:42; Cl 1:28.

Ordenanças instituídas por Cristo[editar | editar código-fonte]

Nós cremos nas ordenanças instituídas por Cristo e as praticamos. São elas: O batismo por imersão, o lava-pés e a ceia do Senhor.

O batismo por imersão[editar | editar código-fonte]

Cremos que o batismo bíblico é sempre por imersão em água. Essa maneira de realizá-lo representa três fatos espirituais: a morte, o sepultamento e a ressurreição. O crente morre para o mundo, é sepultado e ressuscitado para uma nova vida com Deus e para Deus. O batismo é o símbolo da mudança ocorrida na vida do pecador. Nele, o cristão torna pública sua fé em Cristo e reconhece o senhorio de Jesus em todas as áreas de seu viver. Esse ato tem a ver com a união do crente com seu Senhor ressurreto. É demonstração da disposição de viver submisso a Jesus e à sua santa palavra. Referências bíblicas: Mt 3:2,7-17, 28:18-19; Mc 16:16; Lc 3:7-14; Jo 1:23, 3:22, 4:22; At 2:38-41, 8:12,13,36-38, 9:18, 10:48, 16:15,33, 18:8, 19:5, 22:16; Rm 6:1-4; 1 Pe 3:21.

O lava-pés[editar | editar código-fonte]

Cremos que o lava-pés é uma ordenança de Cristo a sua igreja e deve ser praticado por todos os cristãos, pois, após lavar os pés de seus seguidores, Jesus explicou-lhes a grande lição desse ato, que é a prática da humildade, e ordenou-lhes que também lavassem os pés uns dos outros, acrescentando: … eu vos dei o exemplo para que, assim como eu vos fiz, façais vós também (Jo 13:14-15). Referências bíblicas: Lc 22:24-27; Jo 13:14-15.

A ceia do Senhor[editar | editar código-fonte]

Entendemos que a ceia do Senhor é outra valiosíssima ordenança de Cristo a sua igreja. É composta por dois elementos extremamente simples, porém, profundamente simbólicos: o pão e o vinho, e tem dois importantes propósitos: a recordação (1 Co 11:24,25) e a comunhão (cf. 1 Co 10:16-17). A Bíblia recomenda que, antes de participar da mesa do Senhor, o crente precisa fazer um autoexame: Examine-se, pois, o homem a si mesmo (1 Co 11:28). O objetivo deste exame não é que o crente se exclua dessa celebração, mas, sim, que coma do pão, e beba do cálice (cf. 1 Co 11:28). O exame é necessário para que o cristão não participe da ceia do Senhor indignamente. O crente precisa esquadrinhar seu coração, num exame minucioso, e confessar os pecados a Deus. Precisa também refletir sobre o significado da morte de Cristo e, com essa compreensão, sentar-se à mesa para desfrutar dela com reverência e seriedade. Referências bíblicas: Mt 26:26-30; Mc 14:22-26; Lc 22:14-23; 1 Co 10:16-17, 11:20,24-25,28.

A sã doutrina[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na sã doutrina, que é um conjunto bem definido de ensinamentos, inteiramente sadios e limpos, que têm por base única as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Tm 6:3). A doutrina de Deus é de valor inestimável e nos foi entregue para ser guardada íntegra, mediante a assistência do Espírito Santo que em nós habita (2 Tm 1:14). Esta sã doutrina deve ser transmitida e guardada, não aprisionada. Transmiti-la sem distorções é obrigatório. Referências bíblicas: At 13:12; 1 Tm 1:10, 4:1,6,13,16, 5:17, 6:1,3; 2 Tm 1:13-14, 2:2, 3:10,16, 4:3; Tt 1:9,13, 2:1-2,10.

Abstinência e temperança[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na abstinência. Entendemos, pela Bíblia, que o Deus Santo soberanamente classificou, caracterizou e denominou os animais que poderiam ser usados como alimento pelo seu povo. Entendemos, ainda, que a doutrina bíblica da abstinência, também associada à santidade, continua válida para nós, que vivemos neste século, e para todos que viverão nos séculos seguintes. Também cremos que devemos demonstrar temperança, isto é, moderação no consumo dos alimentos. Mas entendemos também que, no sentido espiritual, ser temperante ou ter domínio próprio significa conduzir-se com moderação e exercer o autocontrole em todos os aspectos da vida, não apenas em questões ligadas ao consumo de alimentos. Temperança ou domínio próprio é um dos nove aspectos do fruto que o Espírito Santo produz em nós, quando andamos debaixo da sua direção (Gl 5:16, 22-23a). Referências bíblicas: Gn 1:20-29, 2:16-17, 3:1-6, 6:5-7,18-20, 7:2-7, 9:3; Lv 11; Dt 14:1-3; Pv 23:1-2, 25:16; Mt 13:48; At 10:14, 11:8, 24:25; Gl 5:22; 1 Tm 4:3; 1 Pd 1:5; 2 Pd 1:1,6, 5-8 ; Ap 18:2.

A oração e sua eficácia[editar | editar código-fonte]

Cremos que a oração é um aspecto fundamental no exercício da vida cristã. A eficácia da oração nos é garantida por Jesus: Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis (Mc 11:24). Todavia, entendemos que a oração não tem poder em si mesma: sua eficiência depende, exclusivamente, do poder divino. É Deus quem efetua, por sua vontade, tanto o querer como o realizar (Fp 2:13). Referências bíblicas: 1 Rs 8:30; 2 Cr 7:14; Jó 22:27; Sl 66:18; Is 12:1; Jr 29:12; Mt 6:9-13, 19:26; Mc 11:24; At 8:15, 14:8-11; Fp 2:13, 4:6-7; Tg 4:3.

A cura divina[editar | editar código-fonte]

Nós cremos que Deus pode curar todos os tipos de enfermidades. Contudo, cremos que, ao curar alguém, Deus sempre tem um propósito. A cura pode ser efetuada para a manifestação das obras de Deus (Jo 9:3), o cumprimento da palavra e da vontade dele (Mt 8:16,17; Mc 3:1-5) e o testemunho do poder do Senhor (Mc 5:19). Referências bíblicas: Nm 12:12-15; 2 Sm 24:25; 2 Rs 5:1-15 20:1-11; Jó 42:10-13; Sl 103:3; Mt 8:3,16-17, 9:35; Mc 1:31, 3:1-5, 5:19; Lc 7:21; Jo 9:3; At 3:7, 5:16, 9:34, 14:10.

A lei dos dez mandamentos e sua vigência[editar | editar código-fonte]

Cremos que a validade dos dez mandamentos é contínua e a sua aplicação é universal. Eles valem para todos os tempos e devem ser pessoalmente obedecidos por todos que são justificados gratuitamente, mediante a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Entendemos que os salvos são capacitados por Deus para a obediência e que, portanto, esta é o fruto da salvação efetuada por Deus naqueles que creem em Jesus. Referências bíblicas: Êx 20, 31:18, 34:28; Dt 4:1,13, 5:33, 8:1, 10:4; Mt 19:16; Jo 12:50; Rm 1:5, 7:10.

O verdadeiro dia de descanso[editar | editar código-fonte]

Cremos que Deus santificou o sétimo dia, o sábado, estabelecendo com ele uma relação especial. Por ter sido instituído no Éden e entregue, primeiramente, a Adão e Eva, o verdadeiro dia de descanso foi entregue por Deus a toda a humanidade e continua válido, uma vez que não foi revogado por Cristo. Nesse dia santo, não devemos cuidar dos nossos próprios negócios e interesses, mas, sim, aprofundar nossa comunhão com Deus e com nossos irmãos. Referências bíblicas: Gn 2:1-3; Êx 20:8-10; Dt 5:12; Ne 9:14; Is 58:13-14; Mc 2:27-28.

A distinção das leis[editar | editar código-fonte]

Além das leis morais, reveladas nos dez mandamentos, duas outras foram formalmente instituídas por Deus, no monte Sinai: as leis rituais e as civis. As leis rituais ou cerimoniais diziam como as cerimônias e os sacrifícios deveriam ser preparados e apresentados ao Senhor; as civis, por sua vez, diziam quais eram os direitos e os deveres dos israelitas. Estas duas leis também provêm de Deus, mas se distinguem das morais, principalmente, no que diz respeito ao período de vigência e ao público a que se destinam: foram suspensas por Cristo e destinavam-se apenas ao povo de Israel. Cremos, portanto, que a lei que permanece vigente para a nossa e para todas as épocas é a lei moral de Deus. Referências bíblicas: Êx 21:14-19; Hb 9:1-10, 10:1-14.

A manutenção da obra: dízimos e ofertas[editar | editar código-fonte]

Cremos que existem duas práticas bíblicas estabelecidas por Deus como meio de manutenção de sua obra aqui na terra: os dízimos e as ofertas. São esses subsídios que têm permitido à igreja cumprir sua missão no mundo. Entretanto, dízimos e ofertas não são compromissos que temos com a igreja, mas, sim, com o Senhor. O dízimo não deve ser encarado como uma doação à igreja, mas como um ato de adoração e gratidão por tudo que Deus nos concede.Não é opcional: é um dever de todo crente. As ofertas, por sua vez, são sempre voluntárias. No Novo Testamento, o ato de contribuir é considerado um privilégio que Deus nos concede. Os dízimos e as ofertas são, igualmente, atos de gratidão ao Senhor. Referências bíblicas: Gn 14:20, 28:20-22; Dt 16:17; Ne 12:44; Pv 3:9-10; Lv 27:31; Ml 3:8-12; Mt 23:23; 2 Co 8:4-11, 9:5-7; Hb 7:8.

Submissão às autoridades e liberdade de consciência[editar | editar código-fonte]

Com base na palavra de Deus, acreditamos que todo cristão deve obedecer e se submeter às autoridades governamentais e às leis do país em que vive; deve orar pelos líderes da nação e pelo bem-estar do povo; ser bom cidadão que exerce seus direitos e cumpre seus deveres na sociedade em que vive. Esse mesmo princípio bíblico de submissão e obediência aplica-se também às autoridades eclesiásticas: os líderes e consagrados da igreja de Cristo, especialmente os pastores. Contudo, nenhuma dessas autoridades é absoluta e inquestionável. Se as autoridades deixam de cumprir o que Deus lhes designou, exigindo o que Deus proíbe ou proibindo o que Deus ordena, então, nosso dever é resistir e não nos sujeitar. A isso, damos o nome de “liberdade de consciência”. Referências bíblicas: Dn 4 e 6; Mt 22:21; At 5:29; Rm 13:1,6-7; 1 Ts 5:12-13; 1 Tm 2:1-2; Tt 3:1; Hb 13:17; 1 Pd 2:17.

O casamento, o lar e a família[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na importância da família. Entendemos que é impossível existir sociedade justa e igrejas fortes sem famílias estruturadas. Segundo a Bíblia, o casamento foi ideia de Deus (Gn 2:18-24). Por isso, é o único meio legítimo de se construir um lar. No conceito bíblico, casamento é a união de duas pessoas de sexos diferentes, que se comprometem, diante da lei, a viverem juntas, uma para a outra, na condição de marido e mulher, até que a morte os separe. Em Gênesis 2: 24, descobrimos que o casamento idealizado por Deus é heterossexual, monogâmico, exclusivo, indissolúvel, público e físico. Referências bíblicas: Gn 2:18-24; 1 Co 7:1-6,10-17; Ef 5:22-32, 6:1-4.

A igreja de Cristo[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na igreja. As Escrituras a chamam de corpo de Cristo (1 Co 11:3; Ef 5:23), lavoura (1 Co 3:6-9), edifício (1 Co 3:10-13), noiva (Ap 19:7-8), família (Ef 3:14-15), templo (2 Co 6:16). A igreja é a comunidade dos santos, a reunião do povo de Deus e o próprio povo de Deus. É o conjunto dos verdadeiros cristãos de todos os tempos; os que se arrependeram e foram perdoados, justificados e adotados mediante a fé em Jesus. Reúne pessoas de todas as raças, de todas as distâncias, de todas as nacionalidades, de todas as culturas, de todos os gostos e propensões, de todas as camadas da sociedade, de todos os temperamentos. Cremos que Jesus é o proprietário da igreja e que, portanto, não podemos associá-la ao nome de uma pessoa humana, por mais célebre que seja esta pessoa. Jesus é a cabeça da igreja. Somente ele deve ser honrado pelo que fez e continua a fazer por ela e através dela. Além de ser o proprietário, Jesus também é o protetor da igreja. Por isso, ela é forte, não em si mesma, mas em Cristo.

Referências bíblicas: Mt 16:18; 1 Co 3:6-13, 11:3; 2 Co 6:16; Ef 3:14-15, 5:23; Fp 3:20; Hb 13:14; Ap 19:7-8.

A mortalidade da alma[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na mortalidade da alma. Entendemos que é claro o ensino bíblico de que o ser humano não tem uma alma, mas é uma alma. A Bíblia enxerga o ser humano em sua totalidade, sendo que, quando ele morre, vai à sepultura em sua totalidade (Jó 33:14, 18; Ec 9:5, 10; Sl 146:4). Isso significa que não existe vida humana extracorpórea. Jesus disse que é dos sepulcros que os mortos ressurgirão (Jo 5:28). Sendo assim, depois da morte, não existe segunda chance: ou iremos ressuscitar para vida eterna, ou iremos ressuscitar para a morte eterna (Dn 12:2). Referências bíblicas: Gn 2:7,16-17, 3:19; Jó 33:14,18; Sl 104:29, 146:4; Pv 19:16; Ec 9:5,10, 12:7; Ez 18:4,20, 33:9; Dn 12:2; Jo 5:28; 1 Co 15:51-52; Tg 2:26.

Os dias da crucificação e da ressurreição de Jesus[editar | editar código-fonte]

Nós cremos que Jesus foi crucificado no dia 14 de abibe, numa quarta-feira, sepultado ao pôr-do-sol deste mesmo dia e ressuscitado no dia 17 de abibe, no sábado, momentos antes do pôr-do-sol. É muito claro pela leitura dos evangelhos que Jesus foi traído e preso na mesma noite em que ceou com seus discípulos. O evangelho de João diz sobre essa noite: Faltava somente um dia para a Festa da Páscoa (13:1 – NTLH). Nessa noite, Jesus foi traído, preso e julgado pelo Sinédrio (cf. Mt 26:47-75; Mc 14:43-72; Lc 22:47-71; Jo 18:1-27), e, ao amanhecer, levado diante de Pilatos para também ser julgado (cf. Mc 15:1-15; Lc 23:1-25; Jo 18:28-19:16).

Cristo esteve morto por três dias e três noites inteiras. No final do sábado, quando as mulheres foram ao sepulcro de Jesus, ele já havia ressuscitado (Mt 28:1,6). E, se ele ressuscitou no sábado, momentos antes do pôr-do-sol, para ter ficado três dias e três noites no coração da terra, temos de concordar que ele foi colocado no túmulo em uma quarta-feira, momentos antes do pôr-do-sol. Referências bíblicas: Mt 26:47-75, 28:1, 6; Mc 14:43-72, 15:1-15; Lc 22:47-71, 23:1-25; Jo 13:1, 18:1-28, 19:16.

A segunda vinda de Cristo[editar | editar código-fonte]

Nós cremos na segunda vinda de Cristo. Cremos que esse evento será literal (At 1:10, 11), pessoal (Jo 14:3; 1Ts 4:16a), visível (Mt 24:30a; Ap 1:7), glorioso (Mt 16:27; 24:30b; Cl 3:4) e súbito (Mt 24:44). Entendemos que a data da volta de Cristo já está certa, mas Deus não a revelou em sua palavra. Jesus disse que não nos compete saber esta data, que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade (At 1:7). Referências bíblicas: Is 25:9; Dn 7:13; Zc 14:5; Ml 3:2-3; Mt 16:27, 24:3,17,30,37,39,42,44; Mc 13:26; Lc 21:27; Jo 14:3; At 1:10-11; 1 Co 1:7; Cl 3:4; 1 Ts 2:19, 4:15,16; 2 Ts 1:7, 10; Tt 2:13; Tg 5:7-8; 1 Pd 1:7; 2 Pd 1:16, 3:4, 12; 1 Jo 2:28; Jd 14; Ap 1:7.

As ressurreições dos mortos[editar | editar código-fonte]

Nós cremos em duas ressurreições: a dos justos e a dos injustos (Dn 12:2; Jo 5:28-29). Essas duas ressurreições distinguem-se também quanto ao tempo e aos propósitos. Cada uma ocorrerá no seu próprio tempo. A primeira marcará o início da bem-aventurança para os salvos. A segunda, por sua vez, marcará o início da desventura para os não-salvos. A Escritura afirma que há uma ordem: os que são de Cristo, ressuscitarão por ocasião da sua segunda vinda (1 Co 15:33; 1 Ts 4:16), e os que não são de Cristo, mil anos depois da ressurreição dos justos (Ap 20:5). Referências bíblicas: Jó 19:25-27; Sl 16:8-11, 49:14-15, 73:24; Is 26:19; Dn 12:2; Mt 16:21; Mc 10:34; Lc 9:22; Jo 5:28-29, 6:39-40; At 2:24,32; 1 Co 15:3-4,20-24,33-50; 2 Co 5:1-4; 1 Ts 4:13-16; Ap 20:5.

O milênio[editar | editar código-fonte]

Nós cremos que o milênio terá início com a segunda vinda de Cristo e não será na terra, mas no céu. Foi para o céu, o lugar onde Deus está (Mt 6:9), que Jesus prometeu levar seus seguidores. É só a partir da volta de Cristo que os salvos começarão a reinar com ele (Ap 20:6). Primeiramente, durante o milênio, no céu; depois disto, na terra (Ap 21:1-2), onde o próprio Deus morará com os salvos (Ap 21:3). Cremos que, no início do milênio, Satanás será aprisionado e assim ficará, durante todo esse tempo (Ap 20:1-2). Ele estará circunstancialmente impedido de executar seus maldosos planos, porque, depois da volta do Senhor, a terra estará desolada e completamente vazia (Is 24:1). Após o retorno de Cristo, os salvos estarão com o Senhor, no céu; os não-salvos mortos não ressuscitarão (Ap 20:5), e os não-salvos vivos morrerão (Jr 25:33). Mil anos no céu é o tempo de paz e de descanso que Deus reservou para aqueles que aceitaram a Jesus Cristo como Senhor e Salvador e a ele permaneceram leais até ao fim. E este é apenas o começo da eternidade. Referências bíblicas: Is 24:1; Jr 25:33; Mt 6:9; Jo 14:1-3; 1 Co 15:33; 1 Ts 4:17; Ap 20:4-6, 21:1-3.

O juízo final[editar | editar código-fonte]

Cremos que, de acordo com a Bíblia, o juízo ocorre logo depois da morte física da pessoa: E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo (Hb 9:27). Tão logo morre, a pessoa já é, de imediato, julgada inocente ou culpada pelo justo Juiz. Se morreu com Cristo, a coroa da justiça lhe está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, lhe dará naquele dia (2 Tm 4:8a). Se ela morreu sem Cristo, está condenada, porque não creu no nome do único Filho de Deus (Jo 3:18). Todos conhecerão o resultado concreto desse julgamento permanente e irrevogável, em momentos diferentes: os justos ressuscitados e os transformados, antes do início do milênio, e os ímpios, logo depois do final deste. Após o fim dos mil anos, todos os ímpios serão ressuscitados e postos em pé diante do grande trono branco (Ap 20:12a). Cristo, o Juiz, usará a sua própria palavra para julgá-los (Jo 12:49). Vale a pena frisar que, desse juízo final, farão parte apenas os ímpios, pois, para os que estão em Cristo, não há nenhuma sentença de condenação (Rm 8:1). Além disso, nessa época, estes já terão tomado parte da primeira ressurreição (Jo 5:24) e passado mil anos com o Senhor, nos céus (Ap 20:5b), quando também receberão autoridade de julgar (Ap 20:4). Referências bíblicas: Ec 12:14; Mt 7:24-25; Jo 3:18, 5:24, 12:48-49; Rm 8:1; 2 Tm 4:1,8; Hb 9:27; Ap 20:4-5,12.

A origem e a extinção da maldade[editar | editar código-fonte]

As Escrituras dão como origem do mal a rebelião de um anjo que ocorreu no céu, numa época anterior ao pecado de Adão. Rebelando-se contra Deus, este anjo acabou por influenciar a terça parte dos anjos, com os quais foi expulso do céu por Deus (2 Pd 2:4; Jd 6; Ap 12:7-9), vindo para a terra. Aqui, já no Éden, Satanás enganou o primeiro casal, que também se tornou pecador, bem como toda a sua descendência (Rm 5:12). Estabeleceu-se, assim, o conflito entre o bem e o mal (Gn 3:15). Cremos que, de acordo com a Bíblia, para punir aqueles que pecam, Deus utiliza não a tortura, mas a morte (Lv 10:1-2; At 5:1-10). E isso é assim desde que ocorreu o primeiro pecado. A tortura não combina com a justiça de Deus, um dos seus atributos. Sendo assim, Deus não os atormentará eternamente, mas os aniquilará, isto é, os destruirá totalmente. Isso significa que o mal não é eterno, porque teve princípio; e tudo que tem princípio tem fim. Referências bíblicas: Gn 3; Jó 1:1; Is 14:11-19; Ez 28; Mt 4:1-11, 12:29; Rm 5:12; Ef 6:10-17; 2 Pd 2:4; Jd 6; Ap 12:7-9, 20:2.

A nova terra, o lar dos remidos[editar | editar código-fonte]

Cremos que, após serem aniquilados os que se opõem a Deus, haverá um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passarão (Ap 21:1). Então, a muito antiga promessa divina de renovação do presente sistema de coisas se cumprirá plenamente (2 Pd 3:1-13). Esta terra, que fora amaldiçoada por Deus e sujeita por ele à vaidade (Rm 8:20), no princípio, em razão do pecado do ser humano, agora será renovada e purificada de toda impureza e totalmente redimida do cativeiro da corrupção (Rm 8:21). Os salvos viverão na nova terra, não por algum tempo, mas para sempre, porque esta se tornará a sua eterna morada. Terão perfeita e profunda comunhão com Deus, que vai habitar e comungar com eles continuamente. Por esse tempo, a cidade santa, a nova Jerusalém, já terá descido do céu, da parte de Deus, para se tornar a sede do perfeito governo de Deus, aqui na terra (Ap 21:9-10). Referências bíblicas: Is 59:2; Jo 14:1-3; Rm 8:20-21; 2 Pd 3:1-13; Ap 21, 22:3.

Missão[editar | editar código-fonte]

A missão da igreja Adventista da Promessa é: “Adorar a Deus, proclamar Jesus Cristo às pessoas de todos os povos, promover através do ensino bíblico o aparelhamento dos santos para o exercício do serviço cristão, fortalecer a comunhão fraternal por meio do Espírito Santo, até a volta de Cristo”. Jo 4 23-24; Mt 28. 19-20; Ef. 4 12-16; Jo 14.16-17 e 26; 2 Tm 3. 14-17. Jo 14.1-3.

Dados Atuais[editar | editar código-fonte]

A IAP está presente na Argentina, Bolivia, Brasil, Camarões, Chile, Colômbia, El Salvador, Espanha, Guatemala, Índia, Inglaterra, Moçambique, Nigéria, Peru, Portugal e Uruguai, com 1.032 igrejas e congregações, tendo cerca de 76.600 membros nos 16 países em que se encontra estabelecida. Até agora são 1.032 igrejas e congregações e 76.000 promessistas em 16 países.

Fundador[editar | editar código-fonte]

A infância de João Augusto da Silveira[editar | editar código-fonte]

No fim do penúltimo século do 2º milênio, na cidade alagoana de Murici, residia o casal Felix e Rosa Amélia da Silveira. Nesse lar, no ano de 1883, em 26 de janeiro, nascia um menino que recebeu o nome de João Augusto da Silveira. A mãe, de prendas domésticas, o pai era tenente da Guarda Nacional. Certamente, como é natural às crianças, o recém nascido recebera todos os cuidados maternos. Nessa época, quando ainda a medicina não dispunha de todos os recursos conhecidos hoje, os cuidados com a saúde requeriam mais dos genitores. Rosa Amélia com certeza dava todo amparo necessário ao menino João.

Ele só não teve a alegria de conviver muito com o pai, que faleceu quando João contava apenas com três anos de idade. Não pode brincar com o pai nas calçadas da rua de Murici. Talvez nunca ganhou um brinquedo que o tornasse mais alegre. Essa conclusão é tirada do livro Marcos que Pontilham o Caminho – 1ª edição, que informa sobre a situação desprovida de recursos que ficara a sua mãe após a morte do Sr. Felix e ainda mais com 5 filhos menores sob sua tutela.

Dona Rosa decidiu mudar-se para o Estado de Pernambuco, deixando com certeza a sua amada Alagoas, com doces recordações. Foi residir na cidade de Paulista, próxima de Recife, porque ali havia possibilidade de trabalho aos filhos mais velhos, na fábrica de tecidos que tinha o nome de Tecelagem Paulista. Foi aí que João viveu a maior parte de sua infância.

Cursou o primário em Paulista. Foi aluno aplicado aos estudos e bem comportado em classe, tanto que, a palmatória que era usada pelos professores aos alunos insubordinados, João nunca precisou usá-la. Seus professores Alfredo, Agostinho de Melo, Joaquim Pinto Ribeiro e o padre Emídio tinham o costume de visitá-lo em casa, e, sempre o encontravam preparando a lição do dia. A educação do menino, aliada ao seu interesse pelos estudos, despertou no padre Emídio o desejo de encaminhá-lo a um Seminário Católico, para ser preparando para o exercício do sacerdócio romano. Como os planos de Deus para João não eram os mesmos do referido padre, nada deu certo nesse sentido. Seu filho Otoniel, autor do livro Marcos que Pontilham o Caminho – 1ª edição, comentando essa fase da vida de seu pai, diz: “Daí por diante foi difusa a sua cultura, foi autodidata. Dizia ele sempre: “Um homem pode não ser formado, mas pode ser bem informado”.

Essas são as principais informações da infância propriamente dita de João Augusto da Silveira. Uma coisa é possível observar: a mão de Deus estava sobre a vida dele que o conduziria ao futuro segundo a vontade divina.

Adolescência e juventude[editar | editar código-fonte]

Em 3 de agosto de 1909 Dona Rosa resolveu mudar-se para São Luiz do Maranhão. O rapaz estava com dezesseis anos de idade. Nessa ocasião, os planos de Deus começaram a se revelar e desenvolver na vida daquele jovem. No horário do almoço, João dispunha de 1:40 h de repouso. Ao lado da casa onde tomava refeição, morava uma família cearense com quem tinha boa amizade. Assim, nos períodos de folga, passou a frequentar a casa dessa família. Certo dia percebeu sobre a mesa um livro que lhe chamou a atenção. Pegou-o em suas mãos e leu o título impresso na capa: BÍBLIA SAGRADA. Começou a ler com grande interesse e curiosidade. Uma jovem da casa observando a maneira como João lia a Bíblia fez a seguinte advertência: Essa Bíblia é protestante! Se você quiser, eu tenho uma Bíblia católica, na qual você poderá continuar estudando. A leitura daquela Bíblia e de outros livros com ilustrações era o passatempo do jovem durante a semana e aos domingos.

Noutra ocasião ele foi novamente advertido, pelo dono da casa: “Cuidado, aquele senhor Felix (o mesmo nome de seu pai) é protestante, evite conversar com ele.” Como os caminhos de Deus não são os nossos caminhos, os pensamentos de Deus mais altos que os nossos pensamentos, a observação dirigida ao jovem João teve efeito exatamente oposto ao que se imaginava.

Seu primeiro contato com o evangelho[editar | editar código-fonte]

A forma como João Augusto entrou diretamente em contato com evangélicos, foi no mínimo inusitada e cômica. Depois daquela advertência, ao se encontrar com o Sr. Felix, ele declarou: Sr. Felix, eu sou protestante. Curiosamente, ele lhe pergunta: “a qual igreja você pertence?” João nada sabia sobre denominações evangélicas. Logo, não soube responder. Mas o diálogo surtiu efeito, pois desse episódio, até engraçado, João recebeu convite para ouvir o primeiro sermão evangélico, que se deu em 24 de dezembro de 1909. O convite fora feito pelo Sr. Felix, que era fundador da Igreja Presbiteriana em São Luiz do Maranhão. O jovem aceitou o convite e naquela noite de sábado foi ao templo evangélico. Lá estava um dos maiores pregadores da época, o reverendo Eduardo Carlos Pereira. Outra providência divina já começava a se esboçar ali naquele templo. Ao findar os trabalhos, nos bancos da Igreja estavam vários folhetos ali deixados. O Sr. Felix diz ao seu convidado: “Estes folhetos são sabatistas”.

No dia seguinte, atendendo ainda ao convite do Sr. Felix, foi à sua residência. Qual não foi a sua alegria ao receber das mãos daquele homem, uma bíblia sagrada, como presente, dedicada a ele com data de 25 de dezembro de 1909.

Volta a Pernambuco: contato com os Adventistas do Sétimo Dia[editar | editar código-fonte]

Em 29 de dezembro de 1909 a família Silveira retornou ao Estado de Pernambuco, depois de passar apenas nove meses no Maranhão, tempo suficiente para que João Augusto tomasse conhecimento do Evangelho da salvação, através de Jesus Cristo.

A volta a Pernambuco foi feita no navio Brasil, da Loide, com destino a Recife. Por essa época não havia nenhuma denominação evangélica em Paulista, onde residia D. Rosa Amélia com a família. O material religioso de que dispunha o jovem João, era a Bíblia, o catecismo presbiteriano, uns folhetos e um postal com a paisagem de um rebanho. Encontrou-se nessa ocasião com uma prima sua da Igreja Batista, de Rio Largo-AL, que lhe perguntou: “Ouvi dizer que o primo agora é crente, como o vejo fumar?” Tomou ali naquele instante a decisão firme de não mais fumar, pois respondeu à prima: “Minha conversão é recente e não sabia nada a respeito desse assunto, mas se o fumar prejudica a minha fé, não mais usarei o cigarro”. A decisão valeu-lhe para o resto de sua vida. A prima acreditava que João seria, junto com ela, um crente batista. Deus tinha outro plano para o rapaz. Conheceu um senhor chamado Manoel de Melo, do qual tornou-se amigo inseparável. Além do Sr. Melo, presbiteriano, outra pessoa que se relacionava bem com João Augusto, era um senhor chamado Bezerra. Esse conhecia o Sr. Medeiros, residente em Afogados, bairro do Recife. Falou a ele de um jovem de 17 anos, recém convertido ao evangelho, mas ainda sem nenhuma definição quanto à Igreja. Convidado pelo Sr. Bezerra, foi a Recife, na casa do Sr. Medeiros, onde teve a oportunidade de assistir ao culto evangélico na Igreja Adventista do 7º Dia. Conheceu os responsáveis pela denominação naquele dia e recebeu várias literaturas e um livro intitulado: Preceptor da Bíblia no Lar.

Aceitou a doutrina adventista a qual defendeu com ardor, especialmente a obediência aos Dez Mandamentos da Lei de Deus. Em 30 de junho de 1912 foi batizado nas águas, pelo pastor John Lipke, de nacionalidade alemã. Nesse mesmo dia, sua alegria, teve o amargo sabor da separação de um ente querido da família, pois seu irmão Sebastião falecia em Paulista, acometido pela varíola. Através de seu trabalho, conseguiu trazer para a Igreja Adventista, o amigo Manoel de Melo. Com essa família formou-se um grupo de sete pessoas. Certa noite apareceu na reunião do grupo uma senhora chamada Lucrécia Wanderley, acompanhada de numerosa família. Foi a mãe do pastor Godofredo Wanderley. Com mais essa família e outras pessoas, formou-se oficialmente a Congregação Adventista do 7º Dia, em Paulista. Em junho de 1912, recebeu João Augusto convite do pastor John Lipke para participar de um Curso de Colportagem em Salvador-BA. Ao voltar de Salvador, começou a trabalhar como colportor em Recife e sul de Pernambuco. Em 6 de abril de 1914, casou-se com a jovem Marcionila Ferreira da Silva, filha de Francisco Ferreira. O enlace matrimonial foi realizado pelo pastor Lipke, na cidade de Caruaru-PE. O casal foi residir em Paulista. Desse matrimônio, nasceram cinco filhos, a saber: Jair, Otoniel, Junílio, Osi e Divalda da Silveira

Vida ministerial[editar | editar código-fonte]

O colportor João Augusto da Silveira foi convidado pelos pastores Frederico Spies e Ricardo Wilfart, para substituir um obreiro que havia sido transferido para o Estado de Minas Gerais. Aceitou o convite, que tinha como tempo determinado 10 meses de experiência. Findaram-se os meses, mas ele continuou na obra do ministério, no qual serviu durante 11 anos. Em 1922 recebeu das mãos do pastor Meyer, no Rio de Janeiro, a credencial de ministro licenciado, documento que a Organização dava aos obreiros desde os dias de Tiago White, conforme o livro Fundadores da Mensagem, pág. 137.

Ainda no ano de 1922 João Augusto da Silveira foi consagrado ao ancionato, pelo pastor Clarence Emerson Rentfro. A consagração referida equivale à de presbítero, segundo a própria Bíblia Sagrada ( II Jo 1, III Jo 1, I Pe 5:1).

Na Igreja Adventista do 7º Dia, permaneceu até 1928, pedindo seu desligamento do ministério e da Igreja, por motivo essencialmente doutrinário. Suas próprias investigações bíblicas o levaram a aceitar a doutrina do batismo no Espírito Santo, com o dom de línguas estranhas, conforme ensina a Bíblia Sagrada. Em 9 de janeiro de 1929, recebeu a carta de conduta, assinada por Ernesto Mansel, presidente da Missão Pernambucana, escrita nos seguintes termos: “O fim da presente é de certificar que o Sr. João Augusto da Silveira esteve empregado em nossa Organização durante onze anos, mostrando sempre boa vontade ao trabalho, é pessoa honesta e de toda a confiança, saindo de nossa Organização por sua livre e espontânea vontade”.

A promessa cumpriu-se: João Augusto é batizado no Espírito Santo O pastor João Augusto permaneceu no ministério ativo dos adventistas do 7º dia de 1918 a 1928. Com seu desligamento recebeu uma contribuição gratificatória de um conto e quinhentos mil reis, com que comprou pequena casa perto do templo Adventista, pretendendo, com isto não se afastar dos princípios de fé e proporcionar à sua família possibilidades e facilidades em congregar-se. Nas dependências dessa igreja havia uma escola primária, na qual estudavam seus filhos: Jair, Otoniel e Junílio, na Rua João de Deus, em Torres, nos arrabaldes do Recife – Pernambuco. Com o passar do tempo vai se desgostando e deixa de congregar, atitude igualmente tomada por sua esposa, Marcionila.

A conferência em São Paulo, de 1928, recusou a prática de se receber, por votos, crentes procedentes da Igreja Batista e os já recebidos teriam de passar por novo batismo. Com a notícia, muitos crentes fieis não concordaram e se desligaram do movimento. Com o passar do tempo criaram uma congregação, dos separatistas, liderados pelo senhor Oséas Lima Torres, pessoa culta e simpática a todos e de grande afinidade com o pastor João Augusto. Este, juntamente com o irmão Godofredo Wanderley e respectivas famílias, passaram a congregar juntos, por pouco tempo.

Em 1929, em Caruaru, o pastor João Augusto encontra-se com o irmão Manuel “Caboclo” (Manuel Lourenço do Nascimento), adventista do 7º dia, que lhe pergunta: “O senhor já recebeu o batismo no Espírito Santo? Não, respondeu João Augusto. “Não sei se irei recebê-lo. Mas a promessa é para tantos quantos Deus, nosso Senhor chamar. Todos temos direito a ela”. O irmão Caboclo põe as mãos nos ombros do pastor João Augusto e diz: “Quando O receber, escreva-me, que também desejo”. O pastor João Augusto prometeu que o faria, se isso lhe acontecesse.

Em 1931 certo pastor batista, seu amigo, sabedor de que havia se afastado do movimento Adventista do 7º Dia, ofereceu-lhe uma igreja para pastorear e a educação de seus filhos em colégio batista. Em virtude de suas convicções religiosas, João Augusto não aceitou ao convite.

O livro Marcos que Pontilham o Caminho – 1ª edição, páginas 62 e 63 dá o seguinte relato: “Um dia, o pastor João Augusto encontra-se com um dos decepcionados separatistas, defronte do salão deles e este lhe diz em tom de lamento: “Estou muito triste, pois à noite passada, sonhei com esta casa incendiando-se”. – Maravilhoso! Respondeu João Augusto. “Fogo, meu caro, é símbolo de purificação. Quem sabe se Deus vai queimar a miséria espiritual que domina essas poucas almas, que ainda restam e se reúnem neste salão”. O pastor João Augusto não soube precisar quantos dias se passaram desde que essas palavras foram proferidas. O certo é que o dia 24 de janeiro de 1932 já estava ao entardecer. Após a refeição vespertina, ele toma de sua Bíblia e passar a recapitular as passagens referentes à Promessa do derramamento do Espírito Santo, no livro de Atos dos Apóstolos”

Oração respondida![editar | editar código-fonte]

Palavra de João Augusto: “Como em ocasiões anteriores, senti, também, minha alma feliz. Perguntei a Deus, dentro de mim mesmo: por que experiência tão gloriosa, que a Igreja de Jesus Cristo nos primeiros dias recebeu, cuja promessa não tem limite de tempo, lugar e pessoas, não era recebida, agora, pela Igreja cristã hodierna? Não obstante ser dito que a bênção de Abraão seria extensiva aos gentios por Jesus Cristo e para que, pela fé, nós recebamos a promessa do Espírito? (Gl 3:14).

Nesse momento algo de sobrenatural me impulsionou a entrar no meu aposento. O que fiz e ali, ajoelhado, perto de minha cama com as mãos e olhos erguidos aos céus, pedi a Deus, como quem conversava com a maior confiança de um filho a seu pai, que reciprocamente se estimam, que alegrasse minha alma e não me deixasse ser surpreendido pela morte em circunstâncias espirituais tão incertas. Ah! como a história se repete. Não pedi para ser batizado com o Espírito Santo, mas Aquele que prometeu o Consolador aos seus discípulos e O deu lá no Cenáculo e, posteriormente, à Sua Igreja, respondeu à minha oração. Em línguas estranhas e glorificações ao Pai e ao Cordeiro Exaltado, o Espírito Santo completou em meu ser a obra excelsa da Trindade. Possuído do gozo que experimentava o meu coração, levantei-me da oração e glorifiquei a Deus pelo que havia recebido”.

Depois dessa experiência maravilhosa, levantou-se e contou-a sua esposa, que lhe disse: “Só posso crer no que você diz. E o que vai fazer agora?” – “Se eu pregava necessidade do batismo no Espírito Santo, sem ainda o ter recebido, com maior convicção o farei doravante”. Abraçaram-se e choraram.

A trajetória de João Augusto da Silveira[editar | editar código-fonte]

João Augusto da Silveira foi um homem de fé e coragem. Aquele menino que nasceu lá em Murici-AL, tornou-se um intrépido servo de Deus. Como Gideão, um soldado valoroso, como Josué, um guia religiosa destemido, confiante, leal e honesto em todas as áreas da vida humana e religiosa. Venceu barreiras, enfrentou lutas, educou a família, formou um povo na doutrina da verdade, viu crescer a Igreja que amou, sentiu o amor dos filhos pela Causa, na qual trabalharam com muito afinco, enfrentando as dificuldades do começo do Movimento.

Homem destemido e determinado: Pulso firme no comando da Igreja, a liderança do pastor João Augusto era segura e inteligente. Soube conduzir a Igreja no caminho correto em todas as áreas da administração. Sabia comandar, dividir responsabilidades, a quando falar e o que falar, sem ferir sentimentos. Suas palavras eram acompanhadas de amor, sabedoria e idoneidade. Tinha convicções firmes e sabia apresentá-las com proficiência. Quando exercia funções na liderança geral, a Causa era beneficiada com suas experiências e segurança, caminhando sempre de acordo com os planos traçados. Olhava sempre para a Igreja com humildade e como Obra Evangélica, produto da Ação do Espírito Santo. Nunca pensou em ser o maior pelo fato de ser o fundador, mas agia como servo submisso ao legítimo Senhor da Igreja e às suas ordenações presbiteriais.

João Augusto da Silveira foi também um homem de espírito perspicaz, mas sereno. Seus olhares estavam sempre atentos em todas as direções. Não descuidava dos seus deveres, como aquele que quer o bem às pessoas e à Organização e sabe exercer as suas responsabilidades com compromisso. Não era um psicólogo, mas as suas atitudes mostravam o seu conhecimento empírico de psicologia. A sua visão alcançava longe, já pela experiência adquirida ao longo da carreira ministerial. Era de espírito sereno, mesmo quando tinha de resolver assuntos difíceis. Sabia que a exaltação é ineficaz para o tratamento de quaisquer assuntos e chega a ser o caminho da queda. Agia com probidade, pois tinha consciência do que estava fazendo e o realizava da melhor maneira possível. Essas qualidades do caráter o qualificavam como homem idôneo e verdadeiro servo de Deus.

Discorria sobre assuntos doutrinários de maneira surpreendente e com pleno conhecimento e idoneidade. Seus conhecimentos e sua convicção eram inabaláveis. Em ocasiões em que surgiram assuntos interpretados fora do contexto bíblico-doutrinário, teve a lucidez e a capacidade suficientes para combater o erro e convencer o contradizente. Quem leu seus artigos em O Restaurador, sabe muito bem do nível de conhecimento doutrinário de que era portador o saudoso pioneiro.

Quando usava a palavra na pregação, sentia-se a unção do Espírito naquilo que proferia. Suas mensagens produziam ensino, despertamento e avivamento aos corações. Encorajamento, força para lutar, convicção da verdade, certeza da presença de Deus na direção do seu povo, eram frutos saudáveis de sua palavra.

Se há, para os promessistas, um exemplo de vida familiar honrado a ser seguido, a família Silveira é esse exemplo. Essa família era composta dos irmãos João Augusto da Silveira, sua esposa, Marcionila Ferreira da Silveira e seus cinco filhos: Jair, Otoniel, Junílio, Osi e Divalda. Os quatro primeiros nasceram no Estado de Pernambuco, e Divalda, em S.Paulo.

O casal Silveira sempre foi pais exemplares amantes do bem para seus filhos e para com todos seus amigos e conhecidos. Sempre se esforçou para dar boa educação aos filhos, sobretudo encaminhando-os a uma formação religiosa digna, nos moldes da palavra de Deus, através do culto familiar diário, do estudo da palavra inspirada, dos cânticos e dos louvores; das histórias bíblicas que lhes eram ensinadas e da busca do poder de Deus, para suas vidas.

Nesse sentido, papel importante desenvolveu a irmã Marcionila, de vez que seu esposo nem sempre podia estar em casa, posto que tinha sob sua responsabilidade um rebanho que precisava ser alimentado e a ele sua esposa não podia dar pronto atendimento. A responsabilidade educacional, estava pois, mais direcionada à ela, mormente depois do grande acontecimento da tarde do domingo, 24 de janeiro de 1932. Após Deus ter respondido à oração do pr. João Augusto, conta-nos seu filho Otoniel: “Papai desapareceu no dia seguinte e só voltou à casa depois de oito dias”. (Tinha ido contar ao irmão Manuel de Melo e desse a muitos outros irmãos, o que Deus lhe tinha feito). Daí para frente, choveram-lhe cartas e convites para relatar sobre a manifestação do poder de Deus em, sua vida, o que resultou em sua vinda ao Sul do País, só podendo retornar ao lar quase nove meses depois. A irmã Marcionila segurou as pontas. Era mulher de semblante alegre, porém determinada e isto era bom.

O pastor João Augusto retornou ao Nordeste e logo mais mudou-se, definitivamente, com a família, para o sul do País, onde se deu, de um lado, prosseguimento do modo de vida de família cristã e de outro, as necessárias adaptações. Em São Paulo moraram em vários lugares e por último, no bairro de Vila Matilde – Capital, quando boa parte de seus filhos já se haviam casado.

Como jornalista, o pastor João Augusto da Silveira era o responsável técnico por nossas revistas; leitor assíduo da boa literatura; através de jornais e revistas estava sempre em dia informado dos acontecimentos locais, regionais, do País e mundiais; profundo conhecedor de fato históricos e geográficos espalhados pelo mundo afora. Mantinha em dia seus arquivos de recortes de jornais e revistas, assim como fazia apontamentos de tudo quanto lhe aparentasse necessário. Sua agenda estava sempre atualizada e com compromissos satisfeitos. Recebia e respondia enxurradas de correspondências diárias que lhe chegavam. Era metódico e tinha horário para falar com Deus, de ler e meditar em Sua palavra. Quando de suas intercessões nomes a nomes de familiares, de amigos, de irmãos e as necessidades da igreja eram lembrados, um a um. Nada ficava no esquecimento. Tinha a visão do verdadeiro reino de Deus, orava pela igreja invisível, espalhada pelo mundo afora e daqueles que deviam ser para Deus alcançados. Era pontual e não faltava a compromissos, seja aos cultos, às visitas ou às viagens. Tinha por lema: “É-me preferível esperar 30 ou 40 minutos, do que ser esperado, chegar atrasado ou faltar-me a um compromisso”.

O pastor João Augusto e sua família nunca se voltaram para as coisas materiais, deste mundo, contentando-se com o necessário para o sustento diário e tudo quanto tinham, empregavam-no para a propagação do reino de Deus; não possuíram bens terrenos, além de modesta casa, onde residiam. Na Igreja, desempenharam várias atividades, sem contudo, ter isto como motivo de glória.

Em 1948, com 51 anos de idade a irmã Marcionila faleceu, causando perda irreparável para toda a família promessista. Em 28.02.1949 o pastor João Augusto casou-se em segundas núpcias, com a irmã Zilda Moreira da Silva, também uma doçura de pessoa, com quem conviveu até a morte dele. Posteriormente a irmã Zilda faleceu em idade avançada.

Pastor João Augusto foi amigo de todos e a todos estava disposto a servir, mesmo nos mais simples instantes e afazeres. Quando de suas visitas aos crentes, com eles ia para seus serviços e lá se colocava a fazer o que fosse possível. Se na lavoura, pegava no machado, na foice, na enxada ou no balaio. Se em casa, até na vassoura estava pronto a ajudar. Foi um exemplo de vida cristã e excelente conselheiro para tantos quantos dele precisasse. E como sabia guardar confidências!

Segundo o livro Marcos que Pontilham o Caminho, A História Continua (p.63), “no dia 14 de maio de 1968, aos 75 anos, dormiu o sono do justo, sendo assistido, nesse momento, pela sua esposa, Dsa. Izilda, e pelo Pr. Miguel Corrêa. Como era sua própria esperança, está aguardando o toque da ultima trombeta, para romper as portas da sepultura, receber um corpo transformado, imortal, e ser reunido aos salvos, que subirão com Jesus aos céus, no glorioso dia da volta de nosso Senhor”. Assim morreu João Augusto da Silveira fundador da Igreja Adventista da Promessa.

Referências

  1. SILVEIRA,Otoniel- Marcos que Pontilham o Caminho, A Voz do Cenáculo,IAP,1982.

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