Igreja Presbiteriana do Brasil

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Igreja Presbiteriana Do Brasil
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Sarça ardente, símbolo das igrejas reformadas, no logotipo da Igreja Presbiteriana do Brasil
Classificação Protestante[1]
Orientação Calvinista
Política Presbiteriana
Moderador Rev. Roberto Brasileiro
Presidente do Supremo Concílio
Associações Fraternidade Reformada Mundial[2]
Área geográfica Brasil[3]
Fundador Rev. Ashbel Green Simonton[4]
Origem 1859 (155 anos)
Rio de Janeiro
Ramo de(o/a) Igreja Presbiteriana nos Estados Unidos da América e Igreja Presbiterina nos Estados Unidos
Separações Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil
Congregações 5.015 (estimativa de 2011) [5]
Membros 1.011.300 (estimativa de 2011)[6]

A Igreja Presbiteriana do Brasil é uma igreja protestante reformada, de orientação calvinista presbiteriana[7] . Foi fundada em 1859 por um missionário estadunidense chamado Ashbel Green Simonton, que chegou ao Rio de Janeiro no dia 12 de agosto de 1859. [8] Possui aproximadamente 1.011.300 membros[9] distribuídos em mais de 10.407 igrejas locais e congregações em todo o Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Reverendo Ashbel Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do Brasil

O surgimento do presbiterianismo no Brasil resultou do trabalho missionário do americano Ashbel Green Simonton (1833-1867), que chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, aos 26 anos de idade. Em abril de 1860, Simonton dirigiu o seu primeiro culto em português; em janeiro de 1862 foi fundada a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. No breve período em que viveu no Brasil, Simonton, auxiliado por alguns colegas, fundou o primeiro jornal evangélico do país (Imprensa Evangélica, 1864), criou o primeiro presbitério (1865) e organizou um seminário (1867). O Rev. Simonton morreu vitimado pela febre amarela aos 34 anos, em 1867 (sua esposa, Helen Murdoch, havia falecido três anos antes).

Reverendo Belmiro César

O ex-padre José Manoel da Conceição (1822-1873), foi o primeiro brasileiro a ser ordenado ministro protestante, em 1865. Visitou incansavelmente dezenas de vilas e cidades no interior de São Paulo, Vale do Paraíba e sul de Minas, pregando e fundando comunidades. O ano de 1869 marca uma nova etapa na história da IPB por ser o ano da chegada dos missionários da Igreja Presbiteriana do sul dos Estados Unidos. Nesta época, em virtude dos problemas políticos enfrentados nos Estados Unidos, havia duas Igrejas Presbiterianas: uma do norte do país (a PCUSA) — que enviou os primeiros missionários ao Brasil — e outra no sul (a PCUS).

Os primeiros missionários da Igreja do sul dos Estados Unidos a vir para o Brasil foram George Nash Morton e Edward Lane. Seu trabalho concentrou-se no interior de São Paulo, tendo fundado, em 1870, a Igreja Presbiteriana de Campinas. As regiões da Mogiana, o oeste de Minas, o Triângulo Mineiro e o sul de Goiás foram atingidos por outros missionários que os seguiram, dentre eles o Rev. John Boyle. Tanto Lane quanto Boyle tiveram a colaboração do evangelista e colportor alemão Jacob Philip Wingerter, que residira muitos anos nos Estados Unidos e veio para o Brasil com imigrantes sulistas em 1867, radicando-se inicialmente em Santa Bárbara D'Oeste (SP), vinculando-se em seguida à Missão de Nashville. Wingerter foi presbítero da Igreja de Mogi-Mirim, tendo visitado muitos locais na Mogiana, Triângulo Mineiro, Paracatu e Goiás. Fez diversas viagens de evangelização na companhia dos Rev. John W. Dabney, John Boyle, Delfino Teixeira e Miguel Torres [10] .

A expansão da IPB no norte e no nordeste do país deve-se ao trabalho pioneiro dos missionários da PCUSA. Dentre os muitos nomes deste período fulguram o do missionário John Rockwell Smith, que fundou a Igreja Presbiteriana do Recife, em 1878, e o Rev. Belmiro de Araújo César, um dos primeiros e mais conhecidos pastores brasileiros do nordeste.

Durante este período, a missão da Igreja Presbiteriana do norte dos Estados Unidos (PCUSA) se consolidava no restante do país. Um dos grandes eventos deste período foi a fundação da Escola Americana, em 1870, por George Chamberlain e sua esposa, Mary Chamberlain. A Escola Americana, mais tarde, passaria a se chamar Mackenzie College, chegando a ser o conhecido Instituto Presbiteriano Mackenzie, que abriga, dentre outras instituições, a Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Alguns novos pastores pastores brasileiros são ordenados nesses anos, como Manuel Antônio de Menezes, Delfino dos Anjos Teixeira, José Zacarias de Miranda e Caetano Nogueira Júnior. Um dos grandes nomes, no entanto, viria a ser o do Rev. Eduardo Carlos Pereira, que se celebrizou por sua liderança, bem como por sua atuação no campo educaional, com a produção de livros didáticos, especialmente no campo da Gramática. Liderou o movimento de cisão, que cumulou-se, em julho de 1903, com o surgimento da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil, a IPIB, filha da IPB.

Em setembro de 1888 foi organizado o Sínodo da Igreja Presbiteriana do Brasil, assim tornou-se autônoma, desligando-se das igrejas norte-americanas.

Depois da Proclamação da República, nasceu um movimento nacionalista no seio da IPB, em que pastores brasileiros se manifestaram contrários à presença intensiva e interferência de missionários americanos, gerando um cisma que levou à fundação da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Um grande líder do começo do século XX foi o pastor (?) Erasmo Braga. O presidente da república Café Filho era presbiteriano e frequentava a 1ª Igreja Presbiteriana de Natal [11]

Ao longo do século XX, surgiram outras igrejas congêneres que também se consideram herdeiras da tradição calvinista. São as seguintes, por ordem cronológica de organização: Igreja Presbiteriana Independente do Brasil (1903), Igreja Presbiteriana Conservadora (1940), Igreja Presbiteriana Fundamentalista (1956), Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (1978).

Catedral Presbiteriana, no Rio de Janeiro. De arquitetura neogótica[12] , é patrimônio histórico da cidade maravilhosa.[13]

A Igreja Presbiteriana do Brasil, ao ano de 2003, possuia aproximadamente 3.840 igrejas locais, excluindo-se as congregações, 263 presbitérios, 64 sínodos, 2.660 pastores, 503.500 adeptos - sendo 370.500 membros comungantes(que participam da Santa Ceia) e 133.000 membros não-comungantes-, estando presente em todos os estados da federação [14] . Segundo estimativa de 2011, a IPB possui 5.392 igrejas, 5.015 congregações e 1.011.300 membros. [15]

O órgão oficial da IPB é o Jornal Brasil Presbiteriano.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Calvinismo
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João Calvino
Bases históricas:

Cristianismo
Agostinho de Hipona
Reforma

Marcos:

A Institutio Christianæ Religionis de Calvino
Os Cinco Solas
Cinco Pontos (TULIP)
Princípio regulador
Confissões de fé
Bíblia de Genebra

Influências:

Teodoro de Beza
John Knox
Ulrico Zuínglio
Jonathan Edwards
Teologia puritana

Igrejas:

Reformadas
Presbiterianas
Congregacionais
Batistas Reformadas

O governo presbiteriano é uma forma de organização da Igreja que se caracteriza pelo governo de uma assembleia de presbíteros ou anciãos que são eleitos pela assembleia dos membros da igreja.

A função do ministério da Palavra de Deus e a administração dos sacramentos é ordinariamente atribuída a uma pessoa em cada congregação local, os chamados pastores, que são ministros do Evangelho, formados nos seminários da Igreja Presbiteriana e ordenados após rigoroso processo de exames.

A administração da ordenação e legislação está a cargo das assembleias de presbíteros, entre os quais os ministros e outros anciãos são participantes de igual importância, com algumas funções privativas aos pastores, como a ministração dos Sacramentos previstos na Bíblia: Batismo e Santa Ceia. Estas assembleias são chamadas concílios.

Os concílios da Igreja Presbiteriana do Brasil crescem em gradação hierárquica. Cada igreja local tem o seu concílio, chamado de Conselho, que se reune ordinariamente a cada dois meses. As igrejas de uma determinada região compõem um concílio maior chamado Presbitério, com assembleias anuais. Os Presbitérios, por sua vez, compõem um Sínodo, com reuniões ordinárias a cada dois anos. O concílio maior da Igreja Presbiteriana do Brasil é o Supremo Concílio, reunindo todos os Sínodos. Esta reúne-se, estatutariamente, a cada quatro anos, tendo sua Comissão Executiva a determinação legal de se reunir anualmente.

Cada igreja local se divide em departamentos que organizam as atividades de cada faixa etária: UCP (União de Crianças Presbiterianas), UPA (União Presbiteriana de Adolescentes), UMP (União de Mocidade Presbiteriana), UPH (União Presbiteriana dos Homens) e SAF (Sociedade Auxiliadora Feminina). Há outras sociedades que são criadas porém ainda sem oficilalização pela IPB.

Sínodos[editar | editar código-fonte]

Escultura representando a primeira santa ceia protestante no Brasil, em frente à Catedral Presbiteriana, no Rio de Janeiro.

Presidentes do Supremo Concílio da IPB[editar | editar código-fonte]

A IPB, sendo governada por sistema conciliar, não admite a personificação desse governo. Assim sendo, os nomes elencados abaixo não se caracterizam como presidentes da IPB e sim como presidentes do concílio maior que governou ou governa a Igreja em cada época.

Nos 150 anos da IPB feitos em 12/01/2012, passaram pela presidência de seu concílio maior 39 pastores e apenas 01 presbítero. Desde a sua criação até hoje, esse concílio maior teve quatro diferentes estruturas: Presbitério do Rio de Janeiro (1865 a 1887); Sínodo do Brasil (1888 a 1910); Assembleia Geral (1910 a 1942); e Supremo Concílio (1942 até hoje).

Presbitério do Rio de Janeiro (1865-1887)[editar | editar código-fonte]

Revendo Alexander Latimer Blackford, primeiro presidente do Presbitério do Rio de Janeiro e do Sínodo do Brasil
Nome Mandatos
Rev. Alexander Latimer Blackford 1865-1868 e 1884-1885
Rev. Francis Joseph Christopher Schneider 1869-1870 e 1872
Rev. Robert Lenington 1870-1873 e 1876
Rev. George Whitehill Chamberlain 1873-1874 e 1877-1878
Rev. Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa 1875-1877 e 1883-1885
Rev. Miguel Gonçalves Torres 1878-1879 e 1887-1888
Rev. John Beatty Howell 1879-1880
Rev. João Fernandes Dagama 1880-1881
Rev. Antônio Bandeira Trajano 1881-1882
Rev. Antônio Pedro de Cerqueira Leite 1882- 1883 e 1885
Rev. Eduardo Carlos Pereira 1885-1886
Rev. José Zacarias de Miranda e Silva 1886-1887

Sínodo do Brasil (1888-1910)[editar | editar código-fonte]

Nome Mandatos
Rev. Alexander Latimer Blackford 1888-1891
Rev. Miguel Gonçalves Torres 1891-1894
Rev. Antônio Bandeira Trajano 1894-1896
Rev. John Merrill Kyle 1897-1900
Rev. Samuel Rhea Gammon 1900-1903
Rev. João Ribeiro de Carvalho Braga 1903-1906
Rev. Modesto Perestrelo Barros de Carvalhosa 1906-1910

Assembleia Geral (1910-1942)[editar | editar código-fonte]

Nome Mandatos
Rev. Álvaro Emygdio Gonçalves dos Reis 1910-1912 e 1920-1922
Rev. Roberto Frederico Lenington 1912-1915
Rev. John Rockwell Smith 1915-1916
Rev. Horace Selden Allyn 1916-1917
Rev. Mattathias Gomes dos Santos 1917-1918 e 1926-1928
Rev. Constâncio Homero Omegna 1918-1920
Rev. Alva Hardie 1922-1924
Rev. Erasmo de Carvalho Braga 1924-1926
Rev. José Carlos Nogueira 1928-1930
Rev. Coriolano Dias de Assunção 1930-1932
Rev. Miguel Rizzo Júnior 1932-1934
Rev. Cícero Siqueira 1934-1936
Rev. Galdino Moreira 1936-1942

Supremo Concílio (1937- )[editar | editar código-fonte]

Nome Mandatos
Rev. Guilherme Kerr 1937-1942
Rev. José Carlos Nogueira 1942-1946
Rev. Natanael Cortez 1946-1950
Rev. Benjamim Moraes Filho 1950-1954
Rev. José Borges dos Santos Junior 1954-1958 e 1958-1962
Rev. Amantino Adorno Vassão 1962-1966
Rev. Boanerges Ribeiro 1966-1970, 1970-1974 e 1974-1978
Presb. Paulo Breda Filho 1978-1982 e 1982-1986
Rev. Edésio de Oliveira Chequer 1986-1990 e 1990-1992
Rev. Wilson de Souza Lopes 1992-1994
Rev. Guilhermino Cunha 1994-1998 e 1998-2002
Rev. Roberto Brasileiro 2002-2006, 2006-2010, 2010-2014 e 2014-presente

Missões[editar | editar código-fonte]

Autarquias[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

Muitas igrejas presbiterianas possúem instituições educativas, além das que são adminsitradas de forma central pela IPB, que seguem na lista abaixo:

Referências

  1. http://www.ipb.org.br/portal/igreja-reformada Igreja Reformada
  2. http://www.mackenzie.br/7026.html Organismos Reformados Internacionais
  3. Igrejas iniciadas pela IPB em outros países constitúem suas próprias denominações ou se juntam as já existentes onde foram instituídas.
  4. http://www.ipb.org.br/portal/historia História
  5. http://www.executivaipb.com.br/site/estatisticas/estatistica_2011.pdf
  6. http://www.executivaipb.com.br/site/estatisticas/estatistica_2011.pdf
  7. http://www.ipb.org.br/portal/igreja-reformada Portal da Igreja Presbiteriana do Brasil - Igreja Reformada
  8. (PDF) Simonton, Columbia, http://www.columbia.edu/cu/lweb/img/assets/6398/MRL9_Simonton_FA.pdf .
  9. http://www.executivaipb.com.br/site/estatisticas/estatistica_2011.pdf
  10. Matos, Alderi S. M. Os pioneiros presbiterianos do Brasil (1859-1900): missionários, pastores e leigos do século 19. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004
  11. Ferreira, J. A. História da Igreja Presbiteriana do Brasil. São Paulo, Casa Editora Presbiteriana. 1959. Vol. 1. p. 398.
  12. "Sesquicentenário da Igreja Presbiteriana". Visitado em 17 Fev. 2012.
  13. "Catedral Presbiteriana do Rio completa 150 anos de existência". Visitado em 17 Fev. 2012.
  14. http://www.ipb.org.br/institucional.php3?idins=64
  15. http://www.executivaipb.com.br/site/estatisticas/estatistica_2011.pdf

Ligações externas[editar | editar código-fonte]