Cessacionismo

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Cessacionismo é a visão cristã de teólogos reformados e batistas fundamentalistas, geralmente de origem puritana. Formulam que alguns dons do Espírito Santo foram úteis apenas para os primórdios da igreja cristã, tendo cessado essa manifestação no período da Igreja Primitiva. [1] . [2] Os cessacionistas mais radicais não aceitam o dom de curas na igreja moderna. [3] Outros cessacionistas defendem a tese de que o dom de profecia cessou na boca de profetas humanos, sendo restrita à manifestação da profecia escrita na Bíblia Sagrada. [4] É unânime entre os cessacionistas que o dom de línguas, nos moldes do falar em línguas, se encerrou nos tempos apostólicos.

Entendem os cessacionista que tais e restritos dons serviam a um propósito, a fundação da Igreja Primitiva, em momento que os apóstolos teriam que cumprir o ide sem possuir qualificação de doutores ou mestres. O encerramento do livro teria fechado toda profecia fora da palavra.

Entre os autores conhecidos estão Richard Gaffin , John F. MacArthur e Daniel B. Wallace. No Brasil, Augustus Nicodemus está entre os cessacionistas. [2]

Benjamin Breckinridge Warfield[editar | editar código-fonte]

Benjamin Warfield está entre os mais citados cessacionistas, em face de sua obra The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles [Milagre Falsificado]. Nela Warfield, é um dos primeiros a fazer uma compilação do pensamento de autores renomados e expor que os dons do Espírito Santo teriam se manifestado até o terceiro e quarto séculos, depois teriam cessado.

Warfield separa os efetivos dons apostólicos transmitidos pela imposição de mãos da crendice difundida pelos “romances pagãos que invadiram o império” - Incredible Tales of Beyond Thule (Antônio Diógenes), Babylonian Tales (Jâmblico), Efésio Stories (Xenofonte), Etiopiano de Heliodoro (romance de Aquiles Tácio e de Chariton) e Metamorfoses (Apuleio). [5]

Quanto tempo permaneceu a continuidade deste estado de acontecimentos? Foi a peculiaridade de caracterizar especificamente a Igreja Apostólica, e, portanto, pertencia exclusivamente à era Apostólica - embora sem dúvida, este período pode variar com alguma liberdade. Estes dons não eram de propriedade dos cristãos primitivos, como tal, nem para assunto da Igreja Apostólica ou da era apostólica em si, pois eles distinguiam a autenticação dos Apóstolos. Faziam parte das credenciais dos Apóstolos como os agentes de autoridade de Deus na fundação da igreja. Sua função confirma assim, para eles, a distinção da Igreja Apostólica, e eles, necessariamente, findaram com ela. Disto podemos ter certeza no campo tanto de princípios e como de fatos, isto é, ambos sob a orientação do ensino do Novo Testamento quanto à sua origem e natureza, e sobre o crédito do testemunho de épocas posteriores, quanto à sua cessação. Mas não vou parar neste momento para apresentar a prova disso. Será suficientemente insinuado na crítica que eu proponho fazer de algumas opiniões contrárias que têm sido corrente entre os estudiosos do assunto. Meu projeto é para estatuir e analisar os pontos de vista principais que têm sido realizadas favoráveis à continuação do carisma além da idade apostólica. No processo de análise será oferecido para registro tudo o que for necessário para nos convencer de que a posse do carisma limitou-se a era apostólica. [6]

Os Batista Independentes, atribuem a Warfield, a introdução do liberalismo no Seminário Teológico de Princeton, bem como teria sofrido influência do racionalismo alemão, onde fizera a escolha por seguir o vida do ministério. [7] Por isto é apontado por alguns como opositor do sobrenaturalismo na Igreja.

Em contra fluxo ao seu escrito, segundo presbiterianos, Warfield teria sido, em seu período, um dos grandes adversários do racionalismo e do anti-sobrenaturalismo. Warfield compreendia que os dons era de posse dos Apóstolos. Defendia que a transmissão de poderes pelas imposição de mãos, no período contemporâneo, não passava pelo crivo da análise da história e nem passava pelo crivo da análise de autores renomados ao longo dos tempos.

B. B. Warfield apresenta com isso que não só ele, mas autores da era pós Reforma já defendiam que o carisma cessara com a Era Apostólica, mas que este ensino teria cedido gradualmente, para outro ensino, principalmente na Inglaterra, que teria continuado por algum tempo após o período pós apostólico e depois efetivamente cedido. Para isso cita uma linguagem figurada de A. Tholuck:

Cristo não aparece como o sol em terras tropicais, que nasce sem uma madrugada e define sem crepúsculo, mas, como milênios de profecia o precederam, assim milagres o seguiram, e as forças que Ele primeiro despertou estavam ativos em maior ou menor medida, por um período subseqüente. Na enseada do terceiro século temos testemunhos credíveis da persistência das forças de milagroso que estavam ativos no primeiro século. [8]

Warfield conclui comentando essa figura poética para defender a continuidade dos dons até certo período: A mecânica concepção do milagre-trabalho de ambos, Cristo e seus seguidores se esconde por trás de tais figuras; Cristo libera forças que naturalmente requer algum tempo para esgotar as suas energias. [9]

Com isto, Warfield estabelece em suas análises que o período mais comumente fixado para sua continuação é de três séculos, e a data da sua cessação, é normalmente dito que foi no período de Constantino. [10]

Warfield usa as obras de Conyers Middleton para citar autores que apoiavam esta posição: arcebispo John Tillotson, Nathaniel Marshall, Daniel Waterland, John Chapman, e William Whiston. [11]

Segundo William Whiston a data da cessação dos dons seria em 381 d.C., que, segundo ele, marca o triunfo do atanasianismo e que seria como Ariano, portanto afirma que marcaria também a vitória final do erro da igreja, com isto teria posto fim a tais manifestações. [12]

Citando o historiador Gerhard Uhlhorn, por meio do seu livro The Conflict of Christianity with Heathenism, registra: as testemunhas que estão acima de qualquer suspeita não deixam margem para dúvida de que os poderes miraculosos da era apostólica continuaram cessando até, pelo menos, no terceiro século. [13]

Com isto Warfield estabelece ser “muito plausível” que os milagres teriam sido dado com a finalidade de fundar a Igreja, e que foram diminuindo gradativamente até que "a Igreja se tornou capaz de se suster com seus próprios pés". [14]

Citando a obra do Bispo John Kaye:

"[Justino] especifica o exercício de poderes miraculosos pelos cristãos. Ele diz, em termos gerais, que tais poderes subsistiam na igreja (Dial., p. 254 ff.) — que os cristãos eram dotados com o dom de profecia (Dial., p. 308 B, ver também p. 315 B) — e em uma enumeração dos dons sobrenaturais conferidos aos cristãos, ele menciona a cura (Dial., p. 258 A) Vimos também, em capítulo anterior, que ele atribui aos cristãos o poder de exorcizar os demônios (cap. VIII). Mas ele não produz nenhuma instância específica de um exercício de poder milagroso, e, portanto, nenhuma oportunidade nos oferece de aplicar os testes pelo qual a credibilidade dos milagres devem ser julgados." E então o bispo acrescenta, por meio da incitação de nosso senso do significado destes fatos: "Se tivesse apenas sido geralmente declarada pelo Evangelistas que Cristo fez milagres, e não tivesse sido registrado milagres particulares, quão menos satisfatória teria parecido as narrativas do Evangelho! quão grandemente as suas provas em apoio de nossa missão divina do Salvador foi diminuída!" [15]

Warfield usa do mesmo método de análise às obras de Irineu de Lyon, que teria falado genericamente dos milagres, com a exceção de que acrescenta em suas narrativas o testemunho de duas novas classes de milagres, o de falar em línguas e de ressuscitar os mortos, o qual teria sugerido que fora testemunho. Contudo, procurando negar o testemunho de Irineu de Lyon por meio da subjetividade da narrativa e por não haver detalhamento dos fatos, usando para isto escritos de Teófilo, um contemporâneo de Irineu, onde sugere alguém desafiando Teófilo a apresentar quem tenha ressuscitado, e este teria se esquivado. Concluindo com esta esquiva que se Teófilo de desviou de uma resposta, é porque não viu nem Irineu de Lyon, seu conterrâneo, teria visto.

Warfield registra que "Orígenes confessa ter sido testemunha ocular de muitos casos de exorcismo, cura e profecia, embora ele se recuse a registrar em detalhes para não despertar risos dos incrédulos (Cont. Cels., I, ii; III, xxiv; VII, iv, lxvii)" e que "Cipriano fala de dons de visões e exorcismos", para a seguir apontar que nenhum reclama para si tendo feito milagres, nem detalha os milagres, alegando novamente falta de detalhes nas narrativas.

Warfield chega a usar comentários satíricos de Gibbon como fonte [16] para ilustrar a questão de Teófilo, em que um nobre grego afirmara que se o Bispo de Antioquia apontasse um ressureto, esse nobre abraçaria a fé cristã.

Evolui o pensamento de que Papias e Eusébio quando escrevem teriam em mente “não acontecimentos com contemporâneos, mas casos passados.” Warfild afirma: É muito claro que Eusébio não estava familiarizado com ressurreição dos mortos em seus dias, e também Papias não estava familiarizado com eles em seus dias”. [17]

Reformados[editar | editar código-fonte]

O reformado Misael Batista, na obra Cristão Frutífero, resume em três categorias a posição das igrejas sobre dons espirituais. [2]

  • Cessacionismo - que afirma a cessação dos dons na época da Igreja Primitiva.
  • Carismático simplista - onde afirma que "os dons são confundidos com ofícios" e aponta como a "posição irrefletida" que "produz desequilíbrios" praticada na "maioria das igrejas pentecostais, neopentecostais e carismáticas".
  • Conteporaneidade reformada - que é a posição defendida pela sua vertente, presbiteriana, faz diferença entre "dons" e "ofícios". Afirma que há "dons que deixaram de existir" e afirma que alguns dons "tiveram seu modo de funcionamento alterado".

Segundo John Stott, o dom de profecias, do ponto de vista reformado, seria o "falar com vistas à edificação da igreja" [18] [19] Por isso, para os reformados, profecia seria "sinônimo de pregação" [20] ; seria "a Palavra, pregada ou apresentada nos sacramentos" [21] .

Os profetas de outrora não eram munidos de estudos ou esboços, entretanto, para a conteporaneidade reformada, "a origem da iluminação para a mensagem é a mesma", assim, o que era dito por inspiração do Espírito ao membro da Igreja Primitiva, agora é dada ao pregador da atualidade por várias horas de meditação e oração no esboço que ministrará à igreja. Por isso, para a "fé reformada, não há pregação legítima sem a iluminação e operação do Espírito Santo". [21]

Entretanto, a conteporaneidade reformada, que seria a visão moderada do Cessacionismo, reflete a seguinte pergunta: "O dom de profecia citado no Novo Testamento é unicamente a pregação?" [21] A resposta a essa questão é:

Existe quem entenda que quaisquer ocorrência ditas sobrenaturais são espúrias e destoantes da fé reformada. O termino de alguns ofícios, bem como a finalização do cânon, determinam o fim da era dos milagres. A afirmação reformada "Somente a Escritura" significa que, hoje, Deus não fala, absolutamente, por mais nenhum meio senão as palavras impressas na Bíblia Sagrada. [21]

Apesar dessa postura existir no meio reformado, Misael Batista, reflete e explica postura distinta, ainda que também de herança reformada:

Tal argumento parece ortodoxo, mas é notoriamente deísta. O deísmo é rejeitado pelo cristianismo bíblico.

(...)

Quem afirma categoricamente que nos dias atuais Deus não fala utilizando meios incomuns, tem de refletir melhor na plenipotência e soberania divinas, bem como nas implicações da profecia de Joel. [21]

São as mesmas impressões postas por Wayne Grudem, que reflete que Deus traria "de modo espontâneo à mente", na forma de "admoestações", textos bíblicos que se encaixem para determinada pessoa, quando na vivência cristã cotidiana. [22] [21]

Jack Deere, um carismático que outrora fôra um ferrenho cessacionista, faz um apanhado de "profetas presbiterianos" [21] , descaracterizando a idéia de que todo defensor da Teologia Tradicional seria cessacionista, ou não acreditaria na continuidade dos dons de profecia nos moldes descritos por pentecostais. Entre eles Jack Deere cita Jorge Wishart (1513 - 1546), John Welsh (1570 - 1622), o teólogo reformado, da Escócia, Robert Bruce (1554 - 1631), o partidário da reforma Alexander Peden (1626 - 1686), e um dos pais do presbiterianismo, John Knox. [23]

Assim, mesmo discordando de Jack Deere, e apresentando a postura contemporânea reformada, eliminando o deísmos e aceitando a plenipotência divina, Misael Batista estende para "além da pregação formal, na forma de admoestação edificante, proveniente de impressões que Deus traz diretamente à mente da pessoa que tem o dom de profecia", e quando estende o conceito, indo além do "Somente a Escritura", cita Jack Deere, ainda que saliente discordar de sua "teologia e proposta metodológica" [21]

Entretanto, a posição oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil, defensores da Teologia Tradicional, define que "cessou o ofício de profeta" com os apóstolos que lançaram os fundamentos da Igreja, não havendo "espaço para novas revelações ditas infalíveis", entretanto a "contemporaneidade dos sonhos, visões e admoestações" não estariam excluídas. Contudo estaria excluída a hipótese do profeta falar "na primeira pessoa do singular, tal como profetas do Antigo Testamento: Assim diz o Senhor". [21]

Bases no Sola Scriptura[editar | editar código-fonte]

  • Encerramento do cânon bíblico - torna-se desnecessário portadores de revelações novas
  • A Bíblia tanto seria infalível como plenamente suficiente - não necessitando de profetas
  • Perfeição Bíblica - não necessita de ajustes a Palavra Sagrada.

Moderados[editar | editar código-fonte]

Alguns cessacionistas, de linha pré-milenarista, admitem um futuro retorno dos dons para o período da Grande Tribulação descrita em Apocalipse. Assim, entre os moderados pode-se inserir as várias vertentes, tanto os pré-tribulacionistas, os mid-tribulacionistas, como os pós tribulacionistas.

A diferença básica entre os cessacionistas radicais, ou fundamentalistas, é que o cessacionismo apenas dura entre o período apostólico e o início da Grande Tribulação. Assim, é muito variado a visão dos moderados, pois se analisarmos algumas vertentes, esses defendem que a primeira metade da Grande Tribulação já se iniciou.

Referênces[editar | editar código-fonte]

  1. Augustus Nicodemus Lopes; O culto espiritual: Um Estudo em 1 Coríntios Sobre Questões Atuais e Diretrizes Bíblicas para o Culto Cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 1999, pág 174 e 177
  2. a b c Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 3ª Edição, Outubro de 2004, pág 49
  3. B. B. Warfield, em The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles, 1918
  4. Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 55
  5. Neste ponto Warfield está trazendo informações da obra de E. von DobschUtz “Der Roman in der Altchristlichen Literatur,” in the Deutsche Rundschau, vol. CXI, April, 1902, p. 88
  6. in The Cessation of the Charismata, retirado do livro Counterfeit Miracles, 1918, de B. B. Warfield
  7. Sementes do Modernismo – Tópico: 1ª Semente maligna: Criticismo Textual
  8. citado na obra The Cessation of the Charismata, retirado do livro Counterfeit Miracles, 1918, de B. B. Warfield
  9. B. B. Warfield, in The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles, 1918
  10. Warfield, aqui, além de dizer que era a opinião preponderante entre os teólogos anglicanos, usa como referência o teólogo Conyers Middleton, Miscellaneous Works, London, 1755, vol. 1, p. xli. - "É que eles subsistiram durante os três primeiros séculos, e cessa no início do quarto, ou assim que o cristianismo veio a ser estabelecida pelo poder civil. Isso, eu digo, parece ser a noção mais prevalecente neste dia entre a generalidade dos protestantes, que acham que é razoável imaginar que os milagres devem então cessar, quando o fim deles foi obtida e a igreja não mais os quer, sendo entregues às adversidades, e seguros de sucesso, sob a proteção da maior potência da terra.
  11. Conyers Middleton, Miscellaneous Works, London, 1755, vol. 1
  12. Afirmações se sustentam na obra de Conyers Middleton, Miscellaneous Works, London, 1755, vol. 1
  13. citado na obra The Cessation of the Charismata, retirado do livro Counterfeit Miracles, 1918, de B. B. Warfield
  14. B. B. Warfield, in The Cessation of the Charismata, no livro Counterfeit Miracles, 1918
  15. in The Cessation of the Charismata, retirado do livro Counterfeit Miracles, 1918, de B. B. Warfield
  16. Warfiel usa comentários do livro The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, chap. xv, § m, ed. Smith, 1887, vol. II, pp. 178 ff.
  17. Warfield usa o ensaio de J. H. Bernard - in an essay on “The Miraculous in Early Christian Literature,” published in the volume called The Literature of the Second Century, by F. R. Wynne, J. H. Bernard, and S. Hemphill (New York, James Pott & Co., 1892, página não incluída – citação incluída na Nota 26: [Papias] “virtually implies that he himself never saw any such occurrence, his only knowledge of ‘miracles’ of this kind being derived from hearsay.”
  18. John. R. W. Stott, Batismo e Plenitude do Espírito Santo. São Paulo: Vida Nova, 1993.
  19. trecho citado por Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 51
  20. Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 51
  21. a b c d e f g h i Misael Batista do Nascimento, Cristão Frutífero, 2004, pág 54 a 59
  22. , Wayne Grudem, Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2000, pág. 892
  23. Jack Deere, Surpreendido com a Voz de Deus: Como Deus Fala Hoje por meio de Profecias, Sonhos e Visões. São Paulo: Vida, 1998, págs 61 a 89

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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