Xenoglossia

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Xenoglossia (do grego xen(o) = estranho, estrangeiro + gloss(o) = língua) consiste no falar, de forma espontânea, em língua ou línguas, que não foram previamente aprendidas.[1]


É também um suposto fenômeno metapsíquico no qual uma pessoa seria capaz de falar idiomas que nunca aprendeu, como, por exemplo, uma pessoa começar a falar alemão fluentemente sem nunca ter aprendido alemão, ser alemão ou conviver com alemães.

Explicações[editar | editar código-fonte]

Conforme Ernesto Bozzano, pesquisador da metapsíquica, informa, na Introdução de seu livro Xenoglossia, que o termo foi criado pelo fisiologista Charles Robert Richet para identificar o fenômeno no qual pessoas falam em línguas que eles e, geralmente, o público presente ignoram, porém que se tratam de línguas existentes hoje ou que existiram no passado.

A necessidade de criação do termo foi devida ao termo glossolalia, então já existente, não ter a restrição de a língua falada ou escrita no fenômeno observado ser uma língua real, existente hoje ou no passado.

No cristianismo[editar | editar código-fonte]

Diz o livro bíblico dos Atos dos Apóstolos, em seu capítulo 2, versículos de 1 a 4, que, no dia de Pentecostes, 10 dias depois de Cristo ascender ao céu, por cerca de 30 d.C, os 11 apóstolos restantes (Judas Iscariotes tinha-se suicidado) e mais Matias (o novo 12º apóstolo) estavam reunidos num cenáculo quando, de repente, veio um vento forte e línguas de fogo pousaram sobre eles e então ficaram todos cheios do Espírito Santo, começando a falar em outras línguas, conforme o mesmo Espírito lhes concedia que falassem. Nascia aí o cristianismo e a manifestação do fenômeno da xenoglossia nele, fenômeno este que viria a se repetir em outras ocasiões durante os primeiros séculos de existência do cristianismo mas que seria quase esquecido ao longo dos séculos, tendo sido, entretanto, visto como freqüente na história de alguns santos e outras pessoas.

Hoje em dia, devido ao surgimento dos movimentos pentecostais, nos protestantes (pentecostalismo), não há a manifestação desse fenômeno, e sim o da Glossolalia, que é totalmente distinto do que ocorreu em Pentecostes.

Na Codificação Espírita[editar | editar código-fonte]

A xenoglossia é abordada no Livro dos Espíritos, capítulo XIV, item 223:

15. Os Espíritos só têm a linguagem do pensamento, não a articulada, e portanto usam apenas uma língua. Assim, um Espírito poderia exprimir-se por via mediúnica numa língua que nunca falara quando vivo. Nesse caso, de onde tira as palavras que emprega?
"Já respondeste a pergunta por ti mesmo, ao dizer que os Espíritos só tem uma língua, que é a do pensamento. Todos compreendem essa língua, tanto os homens como os Espíritos. Ao dirigir-se ao Espírito encarnado do médium, o Espírito errante não fala em francês nem em inglês, mas na língua universal do pensamento. Para traduzir as suas idéias numa linguagem articulada, transmissível, e ele utiliza as palavras do vocabulário do médium."
16. Se for assim, o Espírito só deveria exprimir-se na língua do médium, mas sabe-se que escreve em línguas que lhe são desconhecidas. Não há nisso uma contradição?
"Observe-se primeiro que nem todos os médiuns são igualmente aptos a esse gênero do exercício. Em seguida, que os Espíritos só se prestam a ele acidentalmente, quando julgam que isso pode ser útil. Para as comunicações usuais, de certa extensão, preferem servir-se de uma língua familiar ao médium, que lhes apresenta menos dificuldades materiais a superar."
17. A aptidão de certos médiuns para escreverem numa língua estranha não provém do fato de a terem usado noutra existência, conservando-a na atual em forma intuitiva?
"Certamente isso pode acontecer, mas não é uma regra. O Espírito pode, com algum esforço, superar momentaneamente a resistência material. É o que se verifica quando o médium escreve, na sua própria língua, palavras que não conhece."

E no capítulo XVI do Livro dos Médiuns, lê-se: "Médiuns poliglotas: os que têm a faculdade de falar ou escrever em línguas que lhes são desconhecidas. Muito raros."

Alguns casos estudados[editar | editar código-fonte]

Um dos mais famosos casos supostamente autênticos de xenoglossia é o de Íris Farczády, uma mulher húngara que em 1933, aos 16 anos, repentinamente sofreu uma mudança drástica de personalidade, reivindicando ser "Lúcia renascida", uma trabalhadora espanhola de 41 anos que teria morrido naquele ano. Assumindo a personalidade "Lúcia", Íris passou a falar espanhol fluentemente - uma linguagem que ela aparentemente nunca tinha aprendido - e supostamente a não conseguir entender qualquer outro idioma. Ela permaneceu como "Lúcia" desde então, e em 2005, pesquisadores da Society for Psychical Research constataram que ela ainda considerava que Íris foi uma pessoa diferente, que deixou de existir em 1933.[2]

O psiquiatra Ian Stevenson, que chefiou o Departamento de Psiquiatria e a Divisão de Estudos da Personalidade na Universidade da Virgínia[3] , escreveu o livro "Unlearned Language: New Studies in Xenoglossy", em que registrou suas investigações sobre alguns casos que segundo ele sugerem a existência real do fenômeno.[4]

O psiquiatra Brian Weiss, conta em seu livro "Muitos Corpos, Uma só Alma", que aplicando a terapia de vidas passadas em pacientes, viu que alguns deles expressaram xenoglossia, o que concluiu serem provas extraordinárias da reencarnação.[5]

Referências

  1. Dicionário Aurélio, verbetes "xen(o)-", "gloss(o)-" e "xenoglossia"
  2. Mary Rose Barrington, Peter Mulacz and Titus Rivas, The case of Iris Farczády - A stolen life, Journal of the Society for Psychical Research, Volume69.2, Number 879, pp. 49--77, April 2005
  3. "Ian Stevenson Dies at 88; Studied Claims of Past Lives". In New York Times, 2007.
  4. Stevenson, Ian (1984). Unlearned Language: New Studies in Xenoglossy. University of Virginia Press, ISBN 0813909945
  5. http://bvespirita.com/Muitos%20Corpos,%20Uma%20S%C3%B3%20Alma%20(Brian%20L.%20Weiss).pdf