Eva mitocondrial

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Mapa das migrações dos primeiros humanos, baseado no estudo do ADN mitocondrial.

Eva mitocondrial é o nome pelo qual é conhecido o Mais Recente Ancestral Comum - MRCA, (do inglês, Most Recent Common Ancestor) por descendência matrilineal de todos os seres humanos vivos na actualidade. O seu DNA mitocondrial (mtDNA) foi passando de geração em geração e está agora presente em todas as pessoas. Todos os mtDNAs presente em todas as pessoas do mundo é derivado do mtDNA da Eva mitocondrial. É a contraparte do Adão-Y, o Mais Recente Ancestral Comum - MRCA, por descendência patrilinear . E, segundo a hipótese científica mais aceite, tem origem em Africa, mas viveram em épocas diferentes, Eva viveu cerca trinta milenios antes de Adao.

Fundamentos científicos[editar | editar código-fonte]

Em 1986, pesquisadores da Universidade da Califórnia concluíram que todos os humanos eram descendentes de uma única mulher que viveu na África há cerca de 200 mil anos, que denominaram de Eva Mitocondrial.1 Eles se basearam na análise do DNA retirado das mitocôndrias, que difere do DNA do núcleo da célula e é transmitido apenas pela linhagem feminina. Ele sofre mutações em rápidas proporções.


Comparando o DNA mitocondrial de mulheres de vários grupos étnicos, eles puderam estimar quanto tempo se passou para que cada grupo assumisse características distintas a partir de um ancestral comum. De fato, eles construíram uma árvore genealógica para o gênero humano, na base da qual estava a Eva Mitocondrial, a grande avó de todos os humanos. Isto não significa que ela foi a única mulher existente em sua época, mas que foi a única que produziu uma linhagem direta de descendentes por linha feminina que persiste até a presente data.

Descobertas recentes, contudo, revelaram que o DNA mitocondrial pode estar a sofrer mutações muito mais rápido do que se pensava anteriormente.2 Outros estudos mostram mutações cerca de 20 vezes mais rápido do que se esperava.3

Descendência por linhagens mitocondriais[editar | editar código-fonte]

Através de deriva genética aleatória a linhagem feminina pode ser traçada chegando-se a uma única ancestral comum.

A teoria da Eva Mitocondrial se baseia no estudo das mitocôndrias (um orgânulo celular) que só se transmite da mãe à prole. Cada mitocôndria contém ADN mitocondrial e a comparação das sequências deste ADN revela uma filogenia molecular.

A Eva mitocondrial recebe seu nome da Eva que é relatada no livro de Gênesis da Bíblia.

Isso induz a alguns erros de entendimento, como considerar que na época da existência de Eva Mitocondrial não houvesse outras mulheres, quando, no entanto, significa na realidade que somente uma mulher deixou um linhagem de descendência que chegou até os dias atuais. Outras teriam tido suas linhagens perdidas ao longo da história.

Outro mal entendido comum é sugerir que o Adão cromossomial-Y seria seu parceiro, enquanto este na verdade teria vivido cerca de 130 mil anos depois.


Haplogrupos de ADN mitocondrial humano

  Eva mitocondrial (L)    
L0 L1-6
L1 L2 L3   L4 L5 L6
  M N  
CZ D E G Q   A S   R   I W X Y
C Z B F R0   JT P  U
HV J T K
H V


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  1. Marianne Schwartz y John Vissing, 2002. "Paternal Inheritance of Mitochondrial DNA", New England Journal of Medicine. 347:576-580. [1]
  2. "Mitochondria can be inherited from both parents", New Scientist artigo sobre o informe de Schwartz e Vissing; [2]
  3. Sutovsky, P., et al. 1999. "Ubiquitin tag for sperm mitochondria." Nature 402(Nov. 25):371-372. Resumo disponível em [3] e discutido em [4].
  4. Pakendorf, B. & Stoneking, M. 2005. "Mitochondrial DNA and human evolution". Annual Review of Genomics and Human Genetics. 6:165–83. "Review" muito recomendável para adquirir uma visão geral e bem referenciada acerca do genoma mitocondrial, sua herança matrilinear e seu interesse em estudos de genômica comparada. Resumo disponível em [5].
  5. Sykes, Bryan; Las siete hijas de Eva; Editorial Debate ,2001; ISBN 978-84-8306-476-4

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cann, R.L., Stoneking, M., and Wilson, A.C., 1987, "Mitochondrial DNA and human evolution", Nature 325; pp 31–36. Online: Cann et al. (1987)
  2. Thomas J. Parsons, et al.; A high observed substitution rate in the human mitochondrial DNA control region; Nature Genetics 15, 363 - 368 (1997); doi:10.1038/ng0497-363
  3. Ann Gibbons; Calibrating the Mitochondrial Clock; Science 2 January 1998: Vol. 279 no. 5347 pp. 28-29; DOI: 10.1126/science.279.5347.28 - PDF - www.dnai.org (em inglês)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]