Osroena

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ܡܠܟܘܬܐ ܕܒܝܬ ܐܘܪܗܝ
Reino de Osroena

Reino

Vergiasun.svg
132 a.C. – 244 Vexilloid of the Roman Empire.svg
Localização de Osroena
Osroena e Estados vizinhos ca. 50 a.C.
Continente Ásia
Região Oriente Médio
Capital Edessa
Língua oficial siríaco; grego
Governo Monarquia
Rei
 • 132–127 a.C. Ariu (primeiro)
 • 242–244 Abgar (XI) Farhat Bar Ma’nu (IX) (último)
Período histórico Idade Média
 • 132 a.C. Separação do Império Sassânida
 • 116 Torna-se reino cliente de Roma
 • 216 Rei Abgar é exilado em Roma e Osroena torna-se uma província de facto
 • 244 Anexação pelo Império Romano

Osroena ou Costroena (em grego: Ὁσροηνή; em siríaco: ܡܠܟܘܬܐ ܕܒܝܬ ܐܘܪܗܝ; transl.: Malkūṯā d-Bayt ʿŌrhai), conhecido também pelo nome de sua capital, Edessa, foi um antigo reino neo-assírio localizado na Alta Mesopotâmia (Assíria)[1] que desfrutou de uma autonomia quase completa entre anos de 132 a.C. e 244 d.C.[2] [3] . Sua língua principal era o siríaco[4] .

A Osroena tornou-se independente depois do colapso do Império Selêucida pelas mãos de uma dinastia da tribo nômade dos nabateus chamada orroes, influente na região a partir de 136 a.C. O nome "Osroena" deriva de Osroes de Orhai, um xeique nabateu que, em 120 a.C., conseguiu libertar a região dos selêucidas[5] . A maior parte dos reis osroenos chamavam-se "Abgar" ou "Manu" e eram de origem síria que viviam nos principais centros urbanos[6] . Sob as dinastias nabateias, Osroena foi cada vez mais influenciada pela cultura aramaica e era um centro da reação nacional contra o helenismo. O território do reino, o alto Eufrates, transformou-se então num campo de batalha entre os poderes que lutavam pelo controle da Ásia Menor, Pérsia, Síria e Armênia. Com a dissolução do Império Selêucida, o reino foi dividido entre o Império Romano e o Império Parta. Depois, a região passou para o controle dos partas, apesar das insistentes tentativas romanas de reconquistá-la.

No século V, Edessa tornou-se o principal centro da cultura e da educação superior síria. Em 609, Osroena foi tomada pelo sassânida Cosroes II e, em 638, foi conquistada pelos muçulmanos.


História[editar | editar código-fonte]

Reino de Osroena[editar | editar código-fonte]

Em suas obras, Plínio, faz referência aos nativos de Osroena e Comagena como sendo árabes da Arábia[7] . De acordo com ele, uma tribo árabe nômade chamada Orrhoei ocuparam Edessa por volta de 130 a.C.[8] . Os orrohoei fundaram um pequeno estado governado por seus líderes, autointitulados reis, e o distrito passou a ser chamado a partir daí de Orroene. Este nome finalmente mudou para "Osroene" (Osroena em português) por assimilação do nome parta "Osroes" ou "Chosroes" (Osrau ou Cosrau)[9] .

Abgar havia assinado um tratado de paz com os romanos na época de Pompeu e atuou num primeiro momento como aliado do general romano Crasso em sua campanha contra os partas em 53 a.C. Posteriormente, porém, ele secretamente mudou de lado e tornou-se um agenda do rei parta Orodes II, espalhando notícias falsas para Crasso, um dos muitos motivos pelo qual as forças principais romanas acabaram derrotadas. Ele influenciou os planos de Crasso convencendo-o a desistir da ideia de avançar sobre a cidade grega de Selêucia, cujos habitantes eram simpatizantes de Roma. Ao invés disso, Abgar conseguiu convencê-lo a atacar Surena. Porém, no meio da batalha, ele trocou novamente de lado[10] . Nesta campanha, as forças armênias - 16 000 na cavalaria e 30 000 na infantaria - acompanharam Crasso, mas Orodes conseguiu mantê-los fora da batalha ao assinar uma paz com Artavasdes[11] .

Na época de Trajano, por volta de 116 a.C., o general romano Lúsio Quieto saqueou Edessa e encerrou sua independência ao transformá-la num reino vassalo semi-autônomo[12] . Depois da guerra contra os partas no reino de Marco Aurélio, fortalezas foram construídas e uma guarnição romana foi estacionada em Nísibis. Os osroenos tentaram expulsar o jugo romano, porém, em 216, o rei Abgar XI foi preso e exilado para Roma, o que transformou a região numa província de facto.

Província romana[editar | editar código-fonte]

Em 244, depois que o último rei de Osroena morreu no exílio, o reino foi definitivamente incorporado. Depois disso, Edessa foi novamente dominada por Décio e tornou-se o centro de operações na guerra contra os sassânidas. Amru, possivelmente um descendente de Abgar, foi mencionado como "rei" na inscrição Paikuli, que relata a vitória de Narses na guerra civil sassânida de 293. Os historiadores identificam esse Amru como sendo Amru ibn Adi, o quarto rei dos lacmidas que, na época, ainda estavam baseados em Harran e não haviam ainda se mudado para Hirah na Babilônia[13] .

Muitos séculos depois Dagalaiphus e Secundinus, duques de Osroena, acompanharam Juliano em sua guerra contra o rei sassânida Sapor II no final do século IV[14] .

A partir da reforma de Diocleciano por volta de 300, a Osroena passou a fazer parte da Diocese do Oriente da Prefeitura pretoriana do Oriente. De acordo com a Notitia Dignitatum, do final do século IV, a província era liderada por um governador com o status de praeses e era também a base do duque da Mesopotâmia (dux Mesopotamiae), que era um vir spectabilis e comandava diversas tropas da região.

Em 609, Osroena foi tomada pelo sassânida Cosroes II e, em 638, foi conquistada pelos muçulmanos.

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

Provincia Osroena
Província Osroena
Província do(a) Império Bizantino

244638
Location of Osroena
Osroena num mapa da Diocese do Oriente ca. 400
Capital: Edessa
Governador: Praeses
Período : Antiguidade Tardia
 -  Incorporação do Reino de Osroena 244
 -  Conquista muçulmana da Síria 638

Foi nos cem anos seguintes à conquista de Trajano, em 116, que o cristianismo começou a se espalhar na região e Abgar IX (r. 179-186) foi o primeiro rei cristão de Edessa. Acredita-se que Evangelho de Tomé tenha sido escrito ali em 140 e outras figuras importantes do cristianismo primitivo vieram ou emergiram dali, como Tatiano, o assírio que veio para Edessa vindo de Habiab. Ele foi a Roma e voltou para Osroena em 172-173. Apesar de suas opiniões controversas - ele defendia que o Jesus humano era apenas uma ilusão (docetismo) e que o casamento era impuro - foi ele quem compôs o Diatessarão ou "Harmonia dos Evangelhos" em siríaco, que continha ideias ecléticas oriundas da tradição dualística dos judeo-cristãos. O Diatessarão tornou-se, contudo, o evangelho padrão dos países falantes do síriaco até o século V, quando Rábula, bispo de Edessa, suprimiu-o e o substituiu por uma revisão dos evangelhos canônicos em siríaco antigo (Ewangelion da-mfarshe).[15]

De acordo com a "História Eclesiástica" de Sozomeno, "havia algumas pessoas muito sábias que viviam antigamente em Osroena, como, por exemplo, Bardesanes, que criou uma heresia que leva seu nome, e seu filho, Harmonius. Conta-se que este último era profundamente versado na erudição grega e foi o primeiro a colocar em sua língua nativa as métricas e leis musicais em versos que ele entregava aos coros" e que o arianismo, uma heresia bem melhor sucedida, encontrou feroz resistência ali.

Foi em Osroena também que a "Lenda de Abgar" sobre o Mandylion (a "Imagem de Edessa") se originou no tempo de Abgar V de Edessa e existe uma lenda apócrifa que afirma que Osroena teria sido o primeiro estado a aceitar o cristianismo como religião estatal[16] [17] , porém não existem evidências suficientes para sustentar esta tese[18] [19] [20] .

Reis de Osroena[editar | editar código-fonte]

Sés episcopais[editar | editar código-fonte]

As sés episcopais da província e que aparecem no Annuario Pontificio como sés titulares são[21] :

Referências

  1. The Encyclopedia of Military History: From 3500 B.C. to the Present, Part 25. Richard Ernest Dupuy, Trevor Nevitt Dupuy. Harper & Row, 1970. Page 115.
  2. Alexander Roberts & James Donaldson (eds.), The Writings of the Fathers Down to AD 325: Ante-Nicene Fathers vol. 8 (Peabody, Massachusetts: Hendrickson Publishers, 1994), 657-672. [1]
  3. Adrian Fortescue, The Lesser Eastern Churches, pp. 22. Published by Catholic Truth Society, 1913. Original from the University of Michigan.[2]
  4. "The Ancient Name of Edessa," Amir Harrak, Journal of Near Eastern Studies, Vol. 51, No. 3 (July 1992): 209-214 [3]
  5. C. Anthon, A System of Ancient and Medieval Geography for the Use of Schools and Colleges, Harper Publishers, 1850, Digitized 2007, p.681
  6. http://books.google.com/books?id=2_eAKmK7KkYC&pg=PA22&dq#v=onepage&q&f=false
  7. H. I. MacAdam, N. J. Munday, "Cicero's Reference to Bostra (AD Q. FRAT. 2. 11. 3)", Classical Philology, pp.131-136, 1983.
  8. Plínio vol. 85; vi. 25, 117, 129.
  9. Osroene, 1911 Edition of the Encyclopaedia Britannica
  10. Dião Cássio, Roman History,Book 40, Chapter 20, p.126, Project Gutenberg [4].
  11. S. Beck, Ethics of Assyrian, Babylonian, and Persian Empires
  12. New International Encyclopedia
  13. A. T. Olmstead, "The Mid-Third Century of the Christian Era. II", Classical Philology (1942): 398-420 (see p. 399)
  14. E. Gibbon, The Decline And Fall Of The Roman Empire, Vol. I, Chapter XXIV [5].
  15. L.W. Barnard, The Origins and Emergence of the Church in Edessa during the First Two Centuries A.D., Vigiliae Christianae, pp.161-175, 1968 (see pp. 162,165,167,169).
  16. Ball, W. Rome in the East: the transformation of an empire. [S.l.]: Routledge, 2001. p. 91. ISBN 978-0-415-24357-5
  17. David Frankfurter. Pilgrimage and Holy Space in Late Antique Egypt. Irfan Shahid. Arab Christian Pilgrimages. — BRILL, 1998 — p. 383 — ISBN 9789004111271
  18. ABGAR dynasty of Edessa
  19. The Cambridge History of Early Christian Literature
  20. Warwick Ball. Rome in the East: The Transformation of an Empire. — Routledge, 2000 — p. 95 — ISBN 9780415113762
  21. Annuario Pontificio 2013 (Libreria Editrice Vaticana 2013 ISBN 978-88-209-9070-1), "Sedi titolari", pp. 819-1013

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Westermann, Großer Atlass zur Weltgeschichte (em alemão)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]