Kars

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Turquia Kars
Khorzene, Karuts' K'aghak
 
—  Distrito (ilçe)  —
Vista da cidade desde a fortaleza
Vista da cidade desde a fortaleza
Mapa dos distritos da província de Kars
Mapa dos distritos da província de Kars
Kars está localizado em: Turquia
Kars
Localização de Kars na Turquia
40° 36' N 43° 06' E
Região Anatólia Oriental
Província Kars
Administração
 - Governador (kaymakam) Eyüp Tepe [1]
 - Prefeito (belediye başkanı) Nevzat Bozkuş (2009, AKP) [2]
Área [3]
 - Distrito (ilçe) 1 805 km²
Altitude 1 768 m (5 801 pés)
População (2012)[4]
 - Distrito (ilçe) 111 597
    • Densidade 61,83/km2 
 - Urbana 78 100
Código postal 36000
Prefixo telefónico 474
Sítio Governo distrital: www.kars.gov.tr
Prefeitura: www.kars.bel.tr

Kars é uma cidade e distrito (em turco: ilçe) do extremo nordeste da Turquia. É a capital da província homónima e faz parte da Região da Anatólia Oriental. O distrito tem 1 805 km² de área e em 2012 a sua população era de 111 597 habitantes (densidade: 61,8 hab./km²), dos quais 78 100 moravam na cidade.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A região é referida na historiografia romana, nomeadamente por Estrabão, com o nome de Chorzene ou Khorzene (Ptolemeu refere-a como Chorsa), como fazendo parte da antiga Armênia. Os historiadores armênios da Idade Média referem-se à cidade por vários nomes armênios, nomeadamente Karuts´ K´aghak´ (cidade de Kars), Karuts´ Berd, Amrots´n Karuts´ (ambos significando "fortaleza de Kars") e Amurn Karuts´ ("Kars inexpugnável").

O nome atual em armênio é Kars (Կարս) ou Ghars (Ղարս), em georgiano Karsi (ყარსი) ou Kari (კარი) na forma antiga; em azeri é chamada Qars. A grafia em turco otomano era (قارص).

História[editar | editar código-fonte]

Poucas regiões do mundo foram objeto de tantas mudanças de domínio nacional quanto o extremo nordeste da Turquia, onde fica Kars. Essa região ao sul do Cáucaso teve sucessivos e múltiplos senhores desde a Idade Média. Ali se alternaram principalmente Rrussos e Turcos. A cidade também ficou foi disputada pelos Persas, mais tarde pelos Georgianos e pelos Armênios. Ali houve ainda intervenções dos Britânicos.

Período Medieval[editar | editar código-fonte]

Pouco se sabe sobre a antiga história de Kars além do fato de que a cidade teve sua própria dinastia de governantes armênios e que foi capital de uma região conhecida então com Vanand. Durante o século IX (por volta de 888) se tornou parte dos territórios dos Dinastia dos Bagrátidas. Kars foi capital desse reino pelo curto período de 928 a 961, quando foi construída a catedral da cidade, mais tarde denominada Igreja dos Santos Apóstolos.[5]

Em 963, pouco depois que a capital bagrátida foi transferida para Ani (Turquia), Kars passou a ser capital de outro reino independente, também de nome Vanand. A real extensão dessa independência em relação a "Ani" era incerto e relativo, pois os soberanos eram sempre parentes dos senhores de Ani. Depois da Ani ser tomada pelo Império Bizantino em 1045, o título de "Rei dos Reis" Bagratidas, que era do rei de Ani, passou para o senhor de Kars.

Em 1064, logo depois da tomada de Ani pelo Turcos seljúcidas, o Rei Armênio de Kars, Gagik II, teve que pagar homenagem aos vitoriosis para evitar que esses sitiassem sua cidade. Em 1065 Gagik cedeu o controle de Kars ao Império Bizantino, mas logo os Seljúcidas tomaram a cidade novamente. Em 1206/1207 Kars foi anexada pelos Georgianos e da família Zakarid-Mxargrzeli que já governara sonre "Ani". Esse controle foi mantido até a década de 1230, tendo, mais uma vez, Kars sido dominada pelos Turcos.

Em 1387 a cidade se rendeu a Tamerlão , tendo sido frágeis suas fortificações. Mais governantes Turcos se seguiram até 1534, quando o exército Otomanos capturaram a cidade. As fortificações da cidade foram reconstruídas pelo Sultão "Otomano" Murad III, tendo sido fortes o suficiente para resistir ao cerco por Nadir Shah do Império Afsharida em 1731. Kars se tornou sede de um Sandjak do Vilaiete Turco de Erzurum, no Império Otomano.

Era Moderna[editar | editar código-fonte]

Em 1807 Kars resistiu com sucesso a ataques do Império Russo, mas foi dominada depois de um cerco em 23 de junho de 1828, pelo Conde e General Ivan Paskevich tendo 11 mil Pouco depois, Kars retornou ao domínio "Otomano" e o limite entre os Impérios "Otomano" e "Russo" ficou muito próximo à cidade. Durante a Guerra da Criméia, uma guarnição Turca comandada por oficiais britânicos, dentre eles o General William Fenwick Williams , mantiveram os "Russos" fora da cidade durante o "cerco de Kars". Porém, depois que a guarnição britânica foi devastada pela cólera e faltaram alimentos, a cidade se rendeu ao General russo Mouravieff em novembro de 1855.

A fortaleza mais uma vez foi atacada pelos "Russos" na Batalha de Kars, durante a Guerra russo-turca de 1877–1878, sob o comando dos Generais Mikhail Tarielovich Loris-Melikov e Lazarev Ivan Davidovich. Ao fim dessa guerra Kars foi transferida para o Império Russo pelo Tratado de Santo Estêvão e a cidade se tornou capital do Oblast de Kars, incluído os distritos da própria Kars, Ardahan, Kağızman e Oltu. De 1878 a 1881 mais de 82 mil Muçulmanos dos territórios antes controlados pelos Otomanos emigraram do Império Turco, dos quais cerca de 11 mil saíram de Kars. Ao mesmo tempo muitos Gregos e Armênios imigraram para região de Kars, vindo do Império Otomano e outras regiões Transcaucasianas.

De acordo com o Censo Russo de 1892, os russos eram 7%, os Gregos eram 13,5%, os Curdos 15%, os Armênios 21,5%, Turcos 24%, Karapapaks 14%, e os Turcomenos eram 5% da população do Oblast de Kars.[6]

Durante a Primeira Grande Guerra, Kars foi um dos principais objetivos do Exército Otomano durante Batalha de '"Sarıkamış" na Campanha do Cáucaso. A Rússia cedeu Kars, Ardahan e Batumi ao Império Otomano pelo Tratado de Brest-Litovsk em 3 de Março de 1918. Porém, nesse época Kars estava sob o comando efetivo das forças Armênias e Russas não Bolchevistas. O "Império Otomano" capturou Kars em 25 de Abril de 1918, mas no Armistício de Mudros (outubro de 1918) foi forçada recuar até sua antiga fronteira.

Os "Otomanos" se recusaram a sair de Kars, com seu governador militar constituiu um governo provisório, o Governo do Sudoeste do Cáucaso, liderado por Fahrettin Pirioglu, que reclamou a soberania Turca sobre Kars e sobre as cidades falantes de Turco e islâmicas, tais como Batumi e Gyumri. Muito da área próxima a Kars foi ocupada (Gyumri). pela República Democrática da Armênia (DRA) em Janeiro de 1919, mas o governo pró-Turco permaneceu na cidade até a chegada das tropas britânicas, que dissolveram esse governo em 19 de Abril de 1919, predendo suas lideranças e mandando-as como exilados para Malta.

Em Maio de 1919, Kars ficou sob domínio da "República Armênia" e se tornou capital da província de Vanand. Rusgas entre revolucionários do Movimento Nacional Turco e tropas fronteiriças da Armênia em Oltu levaram a uma invasão da República Armênia por quatro batalhões Turcos sob o comando do General Kazım Karabekir, iniciando a Guerra Turco-Armênia. Nessa guerra, em 30 de outubro de 1920, foi novamente tomada pelos Turcos. De acordo com os termos do Tratado de Alexandropol (hoje Gyumri, Armênia), assinado por representantes da Armênia e da Turquia em 2 de Dezembro de 1920, a República Democrática da Armênia cedeu mais de 50% do seu território pré-guerra e abriu mão de todos territórios garantidos pelo Tratado de Sèvres.

Com a invasão Bolchevique na Armênia, o Tratado de Alexandropol foi anulado pelo Tratado de Kars (23 de Outubro de 1921), assinado entre a Turquia e União Soviética. Por esse tratado os Soviéticos dominaram a Adjara (hoje na Geórgia) e a Turquia ficou com a províncias de Kars, Iğdır, Ardahan. Esse tratado estabelecia relações pacíficas entre ambas nações, mas já no início de 1939, diplomatas britânicos perceberam intenções da União Soviética no sentido de alterar mais uma vez as fronteiras. Em mais de uma ocasião, os soviéticos quiseram negociar com os turcos a permissão para que ''armênios tivessem ao menos um acesso às sagradas e históricas ruínas de Ani. A Turquia não aceitou essas pretensões.

Período pós 2ª Guerra[editar | editar código-fonte]

Depois da Segunda Grande Guerra, a União Soviética buscou anular o Tratado de Kars e ganhar novamente o território cedido aos turcos. Em 7 de Junho de 1945, o Ministro da Relações Exteriores Soviético Vyacheslav Molotov declarou aos turcos que as regiõoes deveriam retornar à União Soviética como posse das repúblicas, tanto da Geórgia, como da Armênia. A Turquia ficou em situação difícil, queria manter boas relações com o poderoso vizinho soviético, mas também não queria perder os territórios. Os turcos não tinha nenhuma intenção de sustentar uma guerra com a emergente super potência, mas, no outono de 1945, tropas soviéticas se posicionaram na fronteira turca, visando uma invasão iminente.

Era o início da longa Guerra Fria. Houve uma firme posição do líder britânico Winston Churchill contra essas pretensões territoriais nas áreas onde os soviéticos queriam exercer sua influência. Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Harry S. Truman optou por uma posição mais neutra, não intervencionista. A situação manteve a área num conflito latente, porém, não efetivado.

Situação atual[editar | editar código-fonte]

Em 4 de abril, os Turcos fecharam a fronteira em Kars, no ponto de passagem para a Armênia (já independente da extinta URSS). Essa ação marcava o protesto da Turquia contra a captura de territórios do Azerbaijão por tropas Armênias e de Nagorno-Karabakh, na chamada Guerra de Nagorno-Karabakh. Desde então a fronteira se mantém fechada de forma hostil.

Há hoje intenções crescentes no sentido de reabrir a fronteira, mesmo com os líderes de ambas nações sem intenções de mudar o clima de desentendimento e com o Azerbaijão, junto com grupos nacionalistas turcos, também forçar no sentido de manter o isolamento na fronteira. Naif Alibeyoğlu, prefeito de Kars declarou em 2006 que a abertura da fronteira seria vantajosa para a economia da região e para um renascimento da cidade.[7]

População[editar | editar código-fonte]

População Kars [carece de fontes?] (1878 – 2012)
1878 1897 1913 1922 1970 1990 2000 2007 2012
8 672 20 891 12 175 129 789 54 000 78 455 78 473 76 992 78 100
   +140,9%  -41,7%  +966%  -58,4%  +45,3%  +0%  -1,9%  +1,4%

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Em função da junção das culturas Armênia, Curda, Caucasiana, Russa e Turca, os prédios de Kars apresentam uma notável variedade de estilos de arquitetura.

Cidadela[editar | editar código-fonte]

O Castelo de Kars (Kars Kalesi), também chamado de Cidadela, está no topo de uma colina rochosa que domina a paisagem da cidade. Seus muros datam do período Armênio Bagratida (há trecho originais sobreviventes no lado norte), mas sua atual forma data provavelmente do século XIII, quando o domínio sobre cidade era da Dinastia Zakárida.

A cidadela ostenta cruzes em diversos locais, incluindo uma "khachkar" (pedra memorial esculpida, típica da Armênia) com inscrições em Armênio na torre mais oriental. Isso demonstra que o que se dizia repetidamente, que esse castelo fora construído no final do século XVI por Murad III, Sultão Otomano durante a guerra com o Império Safávida, não é correto. Murad pode tê-lo reconstruído parcialmente, pois muitas das paredes são similares à diversas construções "Otomanas" (como em Ardahan).

Durante o século XIX a cidadela perdeu as funções defensivas, tendo sido construídas diversas fortalezas externas para proteção em volta de Kars. Essas novas torres de defesa se mostraram eficazes em 1855, durante o Sítio de Kars.

Outras construções[editar | editar código-fonte]

  • Mais abaixo do Castelo fica uma Igreja Armênia conhecida como Arak'elos, Catedral de Kars (Igreja dos Apóstolos), construída em 930. Apresenta um planta e construção de "quatro conchas" (um quadrado central com quatro "apsis" circulares) com um Domo esférico. No lado de fora, o cilindro central apresenta doze baixo-relevos de homens, supostamente os doze apóstolos. O domo tem um teto cônico. Em 1579, a Igreja foi transformada em Mesquita e, por volta de 1880, passou a ser uma Igreja Ortodoxa Russa. Os Russos construíram novos pórticos na frente das três entradas da Igreja. Construíram também uma Torre de Sino, agora não mais existente. Foi usada como almoxarifado nos anos 1930, abrigou um pequeno museu de 1963 até o final dos anos 1970. Esteve abandonada por duas décadas até voltar a ser uma Mesquita em 1998.
  • A "Taşköprü" (Ponte de Pedra) é uma ponte sobre o rio Kars construída em 1725, próximo da qual há três casas de banho.

Personalidades notáveis[editar | editar código-fonte]

São relacionados à cidade:

Acessos[editar | editar código-fonte]

Kars é servida por estação ferroviária da TCDD (Ferrovias Estatais da Turquia). Essa ferrovia continua em território da Armênia até Gyumri, porém esse trecho não é usado desde 1993. Há proposta para construção de um ramal para conectar Karsc com Akhalkalaki na Geórgia, e daí para a capital Tbilisi, indo até Baku no Azerbaijão.[8]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Kars İlı (em turco) yerelnet.org.tr YerelNET. Visitado em 21 de maio de 2013.
  2. Kars Beledıyesı (em turco) www.yerelnet.org.tr YerelNET. Visitado em 21 de maio de 2013.
  3. Districts of Turkey (em inglês) www.statoids.com Administrative Divisions of Countries ("Statoids") (2 de fevereiro de 2008). Visitado em 21 de maio de 2013. Cópia arquivada em 26 de maio de 2010.
  4. a b Base de dados do sistema de registo de população baseada em moradas (ABPRS) (em turco) www.tuik.gov.tr Instituto de Estatística da Turquia (TURKSTAT). Visitado em 21 de maio de 2013.
  5. The Capitals of Armenia by Sergey Vardanyan
  6. (em russo) Brockhaus and Efron Encyclopedic Dictionary. "Kars oblast". St. Petersburg, Russia, 1890-1907
  7. "Kars battles for access to Armenia and beyond", Turkish Daily News, July 30th 2006.
  8. Railway Gazette International February 2009 p54 with map

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Kars


  • Kars (em turco) kurumsal.kulturturizm.gov.tr Portal institucional do Ministério da Cultura e Turismo. Visitado em 21 de maio de 2013.