União Soviética

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de URSS)
Ir para: navegação, pesquisa
Союз Советских Социалистических Республик
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas

Federação

1922 – 1991
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Пролетарии всех стран, соединяйтесь!
(em russo Trabalhadores de todos os países, uni-vos!)
Hino nacional
"A Internacional"
(1922–1944)

"Hino nacional da União Soviética"
(1944–1991)
Localização de União Soviética
A União Soviética após a Segunda Guerra Mundial
Continente Eurásia
Capital MoscouPB (MoscovoPE)
Língua oficial Russo e outras 14 línguas
Religião Nenhuma [1] [2] [3] [4]
Governo Estado socialista unitário
Secretário-geral do Partido Comunista
 • 1922 - 1953 (primeiro) Josef Stalin
 • 1990 - 1991 (último) Vladimir Ivashko
Presidente do Soviete Supremo
 • 1922 - 1938 (primeiro) Mikhail Kalinin
 • 1988 - 1991 (último) Mikhail Gorbachev
Premier
 • 1922 - 1924 (primeiro) Vladimir Lenin
 • 1991 (último) Ivan Silayev
Período histórico Século XX
 • 30 de Dezembro de 1922 Revolução do Grande Outubro
 • 30 de Dezembro de 1922 Tratado da URSS
 • 9 de Maio de 1945 Vitória sobre a Alemanha Nazista
 • 4 de Outubro de 1957 Lançamento do Sputnik
 • 25 de dezembro de 1991 Pacto de Belaveja reconhecido e extinção decretada [5]
População
 • 1991 est. 293 047 571 
Moeda Rublo
Precedido por
Sucedido por
Flag of Russian SFSR (1918-1937).svg RSFS da Rússia
Flag of Transcaucasian SFSR.svg Transcaucásia
Flag of Ukrainian SSR.svg RSS da Ucrânia
Flag of Byelorussian SSR (1919-1927).svg RSS da Bielorrússia
Flag of Poland.svg Segunda República Polonesa
Comunidade de Estados Independentes Flag of the CIS.svg
Estónia Flag of Estonia.svg
Letónia Flag of Latvia.svg
Lituânia Flag of Lithuania.svg
Rússia Flag of Russia.svg
Geórgia Flag of Georgia.svg
Atualmente parte de
Membro de: SDN, ONU, Pacto de Varsóvia, COMECOM

União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS; em russo: Союз Советских Социалистических Республик, transliterado como Soyuz Sovetskikh Sotsialisticheskikh Respublik) ou simplesmente União Soviética (em russo: Советский Союз, transliterado como Sovetskij Soyuz), foi um Estado socialista localizado na Eurásia que existiu entre 1922 e 1991. Uma união de várias repúblicas soviéticas subnacionais, a URSS era governada por um regime unipartidário altamente centralizado comandado pelo Partido Comunista e tinha como sua capital a cidade de Moscou.[6]

A União Soviética teve suas raízes na Revolução Russa de 1917, que depôs a autocracia imperial. Após a revolta, os bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, derrubaram o governo provisório que tinha sido estabelecido. A República Socialista Federativa Soviética Russa foi então criada e a Guerra Civil Russa começou. O Exército Vermelho entrou em diversos territórios do antigo Império Russo e ajudou os comunistas locais a tomarem o poder. Em 1922, os bolcheviques foram vitoriosos, formando a União Soviética, com a unificação das repúblicas soviéticas da Rússia, Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia. Em 1924, após a morte de Lenin, houve a liderança coletiva da troika e uma breve luta política, quando então Josef Stalin chegou ao poder em meados dos anos 1920. Stálin associou a ideologia estatal ao marxismo-leninismo e iniciou um regime de economia planificada. Como resultado, o país passou por um período de rápida industrialização e coletivização, que lançou as bases de apoio para o esforço de guerra posterior e para o domínio soviético após a Segunda Guerra Mundial.[7] No entanto, Stálin reprimiu tanto os membros do Partido Comunista quanto elementos da população através de seu regime autoritário.

No início da Segunda Guerra Mundial, a União Soviética assinou um pacto de não-agressão com a Alemanha nazista, inicialmente para evitar um confronto, mas o tratado foi desconsiderado em 1941, quando os nazistas invadiram o território da URSS e deram início ao maior e mais sangrento teatro de guerra da história. As perdas soviéticas durante a guerra foram proporcionalmente as maiores do conflito, devido ao custo para adquirir vantagem sobre as forças das Potências do Eixo em batalhas intensas, como a de Stalingrado, que conduziram os soviéticos pela Europa Oriental até a captura de Berlim em 1945, infligindo a grande maioria das perdas alemãs durante a guerra.[8] Os territórios que a URSS conquistou das forças do Eixo na Europa Central e Oriental posteriormente se tornaram os Estados satélites do Bloco Oriental. Diferenças ideológicas e políticas com os seus homólogos do Bloco Ocidental, que era liderado pelos Estados Unidos, levou à formação de diversos pactos econômicos e militares que culminaram no longo período da Guerra Fria.

Um processo de desestalinização seguiu-se após a morte de Stálin, reduzindo os aspectos mais duros da sociedade soviética. Em seguida, a URSS passou a iniciar vários dos mais significativos avanços tecnológicos do século XX, incluindo o lançamento do primeiro satélite artificial e do primeiro voo espacial de um ser humano na história, fatores que criaram a corrida espacial. A crise dos mísseis de Cuba em 1962 marcou um período de extrema tensão entre as duas superpotências, o que foi considerado o mais próximo de um confronto nuclear mútuo. Na década de 1970, houve um relaxamento das relações internacionais, mas as tensões políticas foram retomadas com a invasão soviética do Afeganistão em 1979. A ocupação drenou recursos econômicos e arrastou-se sem alcançar resultados políticos significativos.[9] [10]

Na década de 1980 o último líder soviético, Mikhail Gorbachev, buscou reformar a União com a introdução das políticas glasnost e perestroika em uma tentativa de acabar com o período de estagnação econômica e de democratizar o governo. No entanto, as reformas de Gorbachev levaram ao surgimento de fortes movimentos nacionalistas e separatistas no país. As autoridades centrais então iniciaram um referendo, que foi boicotado pelas repúblicas bálticas e pela Geórgia e que resultou em uma maioria de cidadãos que votaram a favor da preservação da União como uma federação renovada. Em agosto de 1991, uma tentativa de golpe de Estado contra Gorbachev foi feita por membros linha-dura do governo, com a intenção de reverter as reformas. O golpe fracassou e o presidente russo Boris Yeltsin desempenhou um papel de destaque em sua derrota, o que resultou na proibição do Partido Comunista. Em 25 de dezembro de 1991, Gorbachev renunciou e as doze repúblicas restantes surgiram da dissolução da União Soviética como países pós-soviéticos independentes.[11] A Federação Russa, o Estado sucessor da República Socialista Federativa Soviética Russa, assumiu os direitos e obrigações da antiga União Soviética e tornou-se reconhecido como a continuação de sua personalidade jurídica.[12]

Nomes[editar | editar código-fonte]

A União Soviética também era conhecida como СССР, um acrônimo para União das Repúblicas Socialistas Soviéticas de acordo com seu nome em russo, Союз Советских Социалистических Республик (Soyuz Soviétskikh Sotsialistítchieskikh Respúblik). Apesar de originalmente escrita no alfabeto cirílico (russo), o mundo ocidental acabou por adotá-la como CCCP, "latinizando" as letras. A sigla ficou bastante conhecida no mundo ocidental, devido ao uso do acrônimo em uniformes em competições esportivas e outros objetos, em eventos culturais e tecnológicos ocorridos na URSS, como por exemplo navios, automóveis ou chapéus e capacetes de cosmonautas. Isto também se deve pelo destacamento da União Soviética em tais eventos, o que a fez mais conhecida em todo o mundo. Devido à grande simbologia e a fama que esta sigla trouxe; após a abolição de seu uso, junto com o fim da URSS, a Rússia, durante a gestão de Vladimir Putin, retomou o uso do nome do país, mas desta vez descrito como "Россия" (Rossiya), acompanhando a restauração do hino soviético, da águia bicéfala da Rússia czarista e da reutilização da bandeira com a foice e martelo como símbolo do exército russo. [13] [14] [15]

História[editar | editar código-fonte]

NoFonti.svg
Esta seção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde setembro de 2014). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Trechos sem fontes poderão ser removidos.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Domingo Sangrento, episódio ocorrido durante a Revolução de 1905 e que acelerou a queda do Império Russo.

O final do século XIX viu o surgimento de vários movimentos socialistas na Rússia czarista. Alexandre II foi assassinado em 1881 por terroristas revolucionários e o reinado de seu filho, Alexandre III (1881-1894), foi menos liberal, mas mais tranquilo. O último imperador russo, Nicolau II (1894-1917), foi incapaz de evitar que os acontecimentos da Revolução Russa de 1905, desencadeada pela mal sucedida Guerra Russo-Japonesa e pelo incidente conhecido como Domingo Sangrento.[16]

O levante foi controlado, mas o governo foi forçado a admitir grandes reformas, incluindo a concessão das liberdades de expressão e de reunião, a legalização dos partidos políticos, bem como a criação de um órgão legislativo eleito, a Duma do Império Russo. Essas medidas surtiram escasso efeito, visto que os partidos eram sistematicamente vigiados e a Duma era controlada pela aristocracia e pelo czar, que podia dissolvê-la a qualquer momento. Até 1905, o sistema político da Rússia czarista não possuía partidos políticos, com todo o poder concentrado nas mãos do imperador. Destaca-se que estas mudanças, embora significativas sob o ponto de vista político, não alteravam o quadro social da maior parte da população russa. A migração para a Sibéria aumentou rapidamente no início do século XX, particularmente durante a reforma agrária Stolypin. Entre 1906 e 1914, mais de quatro milhões de colonos chegaram naquela região.[17]

Em 1914, a Rússia entrou na Primeira Guerra Mundial, em resposta à declaração de guerra da Áustria-Hungria contra a Sérvia, que era aliada dos russos, e lutou em várias frentes ao mesmo tempo, isolada de seus aliados da Tríplice Entente. Em 1916, a Ofensiva Brusilov do Exército Russo quase destruiu completamente as forças militares da Áustria-Hungria. No entanto, a já existente desconfiança da população com o regime imperial foi aprofundada pelo aumento dos custos da guerra, muitas baixas e pelos rumores de corrupção e traição. Tudo isso formou o clima para a Revolução Russa de 1917, realizada em dois atos principais.[18] [19]

Revoluções e guerra civil[editar | editar código-fonte]

Apesar da Rússia, na época, ser um dos países mais poderosos do mundo em termos militares, apenas uma fina parte da população, os nobres, tinham boas condições de vida. Os camponeses eram terrivelmente pobres e trabalhavam de sol-a-sol os seus terrenos sem poder possuí-los. As sucessivas derrotas em várias guerras e batalhas durante a Primeira Guerra Mundial e o descontentamento geral da população fizeram com que a economia interna começasse a deteriorar-se. Nesta ocasião, emergem com força os Sovietes e o Partido Operário Social-Democrata Russo, fundado em 1898, e posteriormente dividido entre os mencheviques e os bolcheviques, dois termos análogos a minoria (меньше) e maioria (больше), em russo.[20]

Vladimir Lenin, o líder da Revolução de Outubro (também conhecida como Revolução Bolchevique).

Este quadro político-social foi profundamente alterado pela deflagração da Primeira Guerra Mundial. A Revolução de Fevereiro de 1917 caracterizou a primeira fase da Revolução Russa. A consequência imediata foi a abdicação do czar Nicolau II. Ela ocorreu como resultado da insatisfação popular com a autocracia czarista e com a participação negativa do país na Primeira Guerra Mundial. Ela levou à transferência de poder do czar para um regime republicano, surgido da aliança entre liberais e socialistas que pretendiam conduzir reformas políticas.[20]

As mudanças propostas pelos mencheviques, que haviam liderado a Revolução de Fevereiro, não alteraram o quadro social, pois o país continuava a sofrer grandes perdas em função da participação na Guerra. A insatisfação social, aliada à atuação dos bolcheviques, fez eclodir a Revolução de Outubro. O marco desta revolução foi a invasão do Palácio de Inverno pelos revolucionários. A Revolução de Outubro foi liderada por Vladimir Lênin, tornando-se a primeira revolução socialista do século XX.[20]

A saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial, o desejo da volta do poder da então elite russa e o medo de que o ideário comunista poderia propagar-se pela Europa e eventualmente pelo mundo, fez eclodir a Guerra Civil Russa, que contou com a participação de diversas nações. O então primeiro-ministro francês, George Clemenceau, criou a expressão Cordão Sanitário, com o intuito de isolar a Rússia bolchevique do restante do mundo. O idealismo dos bolchevique propagado para a população mais pobre foi o fator decisivo para a vitória dos partidários de Lênin.[20]

Após a Revolução de Outubro, uma guerra civil eclodiu entre o Exército Branco, que era anticomunista, e o novo regime soviético com o seu Exército Vermelho. A Rússia bolchevista perdeu seus territórios ucranianos, poloneses, bálticos e finlandeses ao assinar o Tratado de Brest-Litovsk, que acabou com as hostilidades com as Potências Centrais da Primeira Guerra Mundial. As potências aliadas lançaram uma intervenção militar mal sucedida em apoio de forças anticomunistas. Entretanto tanto os bolcheviques quanto o movimento branco realizaram campanhas de deportações e execuções contra os outros, episódio que ficou conhecido, respectivamente, como Terror Vermelho e Terror Branco. Até o final da guerra civil russa, a economia e a infraestrutura do país foram profundamente danificadas. Milhões de membros do movimento branco emigraram,[21] enquanto a fome russa de 1921 matou cerca de 5 milhões de pessoas.[22]

Unificação das repúblicas[editar | editar código-fonte]

Trotsky, Lenin e Kamenev no segundo congresso do PCUS (1919).

A República Socialista Federativa Soviética Russa em conjunto com as Repúblicas Socialistas Soviéticas da Ucrânia, Bielorrússia e Transcaucásia, formaram a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), ou simplesmente União Soviética, em 30 de dezembro de 1922. A República Socialista Russa era a maior e mais populosa das 15 repúblicas que compunham a URSS, e dominou a união durante toda a sua existência de 69 anos.[23]

Após a morte de Lenin, em 1924, uma troika foi designada para governar a União Soviética. No entanto, Josef Stalin, o então secretário-geral do Partido Comunista, conseguiu suprimir todos os grupos de oposição dentro do partido e consolidar o poder em suas mãos. Leon Trotsky, o principal defensor da revolução mundial, foi exilado da União Soviética em 1929 e a ideia de Stalin de "socialismo em um só país" tornou-se a linha principal. A contínua luta interna no Partido Bolchevique culminou no Grande Expurgo, um período de repressão em massa entre 1937 e 1938, durante a qual centenas de milhares de pessoas foram executadas, incluindo os membros e líderes militares originais do partido, que foram acusados de golpe de Estado.[24]

A oposição Stalin-Trotsky ia além de um conflito pessoal pelo poder, refletia em duas concepções diferentes do desenvolvimento do socialismo, que foi resolvido em favor de Stalin, com o apoio de Zinoviev e Kamenev. Marginalizado Trotsky (janeiro de 1925) a construção do "socialismo em um só país", liderado por Stalin exigia a eliminação de adversários da esquerda e da direita, e à existência no Komintern de uma estratégia internacional que seria compatível com os interesses do movimento comunista na União soviética. Após ser derrotado em sua posição, Trotsky foi forçado ao exílio no México, para ser morto em 1940 por Ramón Mercader , um agente hispanosoviético.

Era Stálin[editar | editar código-fonte]

A União Soviética entre 1927 e 1953 foi dominada por Josef Stalin (a chamada Era Stálin). Muitas vezes a URSS foi descrita como um estado totalitário, modelado por um líder que tinha todos os poderes, e que buscava reformar a sociedade soviética, com planejamento econômico agressivo, em especial, com uma varredura da coletivização da agricultura e do desenvolvimento do poder industrial. Ele também construiu uma enorme burocracia, o que sem dúvida foi responsável por milhões de mortes como resultado de vários expurgos e esforços de coletivização. Durante seu tempo como líder da URSS, Stalin fez uso frequente de sua polícia secreta, gulags e poder quase ilimitado, para remodelar a sociedade soviética. A subida ao poder definitivo de Joseph Stalin, como secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética ou Gensek entre 1927 e 1929, marcou o início de uma transformação radical da sociedade soviética. Em alguns anos, a face da União Soviética mudou radicalmente pela coletivização de terras e pela rápida industrialização realizada pelos muitos ambiciosos planos quinquenais.

Josef Stálin em 1943. Ele governou a URSS com mão-de-ferro, dos anos 1930 até a sua morte, em 1953.

Sob a liderança de Stalin, o governo lançou promoveu uma economia planificada, a industrialização do país, que em grande parte ainda era basicamente rural, e a coletivização da agricultura. Durante este período de rápida mudança econômica e social, milhões de pessoas foram enviadas para campos de trabalho forçado,[25] incluindo muitos presos políticos que se opunham ao governo de Stalin, além de milhões que foram deportados e exilados para áreas remotas da União Soviética. A desorganizada de transição da agricultura do país, combinada com duras políticas estatais e uma seca, levou à fome soviética de 1932-1933.[25] A União Soviética, embora a um preço muito alto, foi transformada de uma economia agrária para uma grande potência industrial em um pequeno espaço de tempo.[25]

Na mesma época em que Stalin começou a coletivização forçada, em 1929, ele também recriou a campanha contra a cultura nacional ucraniana, campanha essa que estava dormente desde o início da década de 1920. Foi na Ucrânia que a política de coletivização stalinista deparou-se com a mais ardorosa e violenta resistência — o que não impediu, entretanto, que o processo já estivesse praticamente completo por volta de 1932.[26]

Mesmo com o processo de coletivização já praticamente completo na Ucrânia, Stalin anunciou que a batalha contra os kulaks ainda não estava ganha — os kulaks haviam sido "derrotados, mas ainda não exterminados." Dado que, a essa altura, qualquer pessoa que por qualquer definição cabível pudesse ser classificada como um kulak já havia sido expulsa, morta ou enviada para campos de trabalho forçado, essa nova etapa da campanha soviética na Ucrânia teria o objetivo de aterrorizar os camponeses comuns.

Stalin começou estipulando metas de produção e entrega de cereais, exageradamente altas. O não cumprimento das exigências era considerado um ato de deliberada sabotagem. Após algum tempo, e com a produção e entrega inevitavelmente abaixo da meta, Stalin determinou que seus ativistas confiscassem dos camponeses todo o volume de cereais necessário para alcançar as metas estipuladas. As pessoas eram sentenciadas a dez anos de prisão e a trabalhos forçados pelo simples fato de colherem batatas, ou até mesmo por colher espigas de milho nos pedaços de terra privada que elas podiam gerir. Normalmente é dito que o número de ucranianos mortos na fome de 1932-33 foi de cinco milhões. De acordo com Robert Conquest, se acrescentarmos outras catástrofes ocorridas com camponeses entre 1930 e 1937, incluindo-se aí um enorme número de deportações de supostos kulaks, o grande total é elevado para entorpecentes 14,5 milhões de mortes.[27] [28]

No ano de 1936, o regime de Josef Stalin expulsou ou executou um número considerável de membros do Partido, entre eles muitos dos seus opositores, nos atos que ficaram conhecidos como os "Grandes Expurgos" (ver: repressão política na União Soviética). Apesar de tudo, eles acreditavam que este seria o caminho para o comunismo, mas o rumo dessa forma social já estava traçado de forma totalmente distinta do que Marx e Lenin pensavam, não mais sendo uma forma voltada para a dissolução do próprio Estado e das classes sociais, mas agora, o regime sob o comando de Josef Stalin, já era uma forma social voltada para a cristalização (a ideia de socialismo dentro de um só país). Entre as coisas que foram feitas com esse efeito contam-se as nacionalizações e a aniquilação física da classe burguesa que o NEP havia recriado, com recurso aos gulags (campos de trabalho na Sibéria). Alguns teóricos criticam esta forma que Stalin utilizou para liquidar a propriedade privada, por não concordarem com ela, e por acharem que ela só mancha a imagem do comunismo perante o mundo pois o mesmo efeito poderia ter sido obtido sem a aniquilação física daquela classe. O desastre e a truculência autoritária das políticas stalinistas contribuíram muito para a deturpação do conceito criado por Marx, de ditadura do proletariado. Após as nacionalizações, a economia foi planificada, de modo a que esta pudesse tirar proveito da sua nacionalização. De 5 em 5 anos passou-se a realizar planos quinquenais, nos quais se decidiam que fundos seriam aplicados e em que áreas.

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Após a vitória na Batalha de Berlim, durante a Segunda Guerra Mundial, soldados do Exército Vermelho içaram a bandeira soviética na varanda do Hotel Adlon, na capital alemã.

A política de apaziguamento promovida pelo Reino Unido e França sobre a anexação da Áustria e a invasão da Tchecoslováquia ampliou o poder da Alemanha nazista e colocou uma ameaça de guerra entre o regime de Adolf Hitler e a União Soviética. Na mesma época, o Terceiro Reich aliou-se ao Império do Japão, um rival dos soviéticos no Extremo Oriente e um inimigo declarado da URSS nas guerras de fronteira soviético-japonesas entre 1938 e 1939. Em agosto de 1939, após outro fracasso nas tentativas de estabelecer uma aliança antinazista com os britânicos e franceses, o governo soviético decidiu melhorar suas relações com os nazistas através da celebração do Pacto Molotov-Ribbentrop, prometendo a não-agressão entre os dois países e dividindo suas esferas de influência na Europa Oriental. Enquanto Hitler invadiu a Polônia e a França e outros países atuavam em uma frente única no início da Segunda Guerra Mundial, a URSS foi capaz de construir o seu exército e recuperar alguns dos antigos territórios do Império Russo, como resultado da invasão soviética da Polônia, da Guerra de Inverno e da ocupação dos países bálticos. Em 22 de junho de 1941, a Alemanha nazista rompeu o tratado de não-agressão e invadiu a União Soviética, com a maior e mais poderosa força de invasão na história humana e a abertura do maior teatro da Segunda Guerra Mundial.[29]

Embora o exército alemão tenha tido um considerável sucesso no início da invasão, o ataque foi interrompido na Batalha de Moscou. Posteriormente, os alemães foram sofreram grandes derrotas na Batalha de Stalingrado, no inverno entre 1942 e 1943,[30] e, em seguida, na Batalha de Kursk, no verão de 1943. Outra falha alemã foi o Cerco de Leningrado, em que a cidade foi totalmente bloqueada por terra entre 1941 e 1944 por forças alemãs e finlandesas, e sofreu uma crise de fome que matou mais de um milhão de pessoas, mas nunca se rendeu.[31] Sob a administração de Stalin e a liderança de comandantes como Georgy Zhukov e Konstantin Rokossovsky, as forças soviéticas chegaram à Europa Oriental entre 1944 e 1945 e tomaram Berlim em maio de 1945. Em agosto de 1945 o exército soviético venceu os japoneses em Manchukuo, na China, e na Coreia do Norte, contribuindo para a vitória dos Aliados sobre o Japão Imperial.[32] [33]

O período da Segunda Guerra Mundial (1941-1945) é conhecido na Rússia como a Grande Guerra Patriótica. Durante este conflito, que incluiu muitas das operações de combate mais letais da história da humanidade, as mortes de civis e militares soviéticos foram 10,6 milhões e 15,9 milhões, respectivamente,[34] representando cerca de um terço de todas as vítimas de todo o conflito. A perda demográfica total dos povos soviéticos foi ainda maior.[35] A economia e a infraestrutura soviéticas sofreram uma devastação massiva, mas a URSS emergiu como uma superpotência militar reconhecida após o fim da guerra.[36]

O Exército Vermelho ocupou a Europa Oriental depois da guerra, incluindo a Alemanha Oriental. Governos socialistas dependentes dos soviéticos foram instalados em Estados fantoches no chamado Bloco do Leste. Ao tornar-se a segunda potência nuclear do mundo, a União Soviética criou a aliança do Pacto de Varsóvia e entrou em uma luta pela dominação global com os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), período conhecido como Guerra Fria. A União Soviética apoiou movimentos revolucionários em todo o mundo, inclusive na recém-formada República Popular da China, na República Popular Democrática da Coreia e, mais tarde, na República de Cuba. Quantidades significativas de recursos soviéticos foram alocados em ajuda para os outros Estados socialistas.[37]

Guerra Fria[editar | editar código-fonte]

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, os países europeus estavam semi-destruídos e sem recursos para se reconstruírem sozinhos, com isso as superpotências resolveram ajudar cada um de seus aliados, com objetivo de não perderem áreas de influência.

Os Estados Unidos propõem a criação de um amplo plano econômico, o Plano Marshall, que tratava-se da concessão de uma série de empréstimos a baixos juros e investimentos públicos para facilitar o fim da crise na Europa Ocidental e repelir a ameaça do socialismo entre a população descontente.

Máxima extensão do chamado "Império Soviético" no planeta durante o período da Guerra Fria. Em vermelho estão os países sob governos comunistas e em laranja os países com com governos de tendências socialistas.

A União Soviética propôs-se a ajudar seus países aliados, com a criação do Conselho para Assistência Econômica Mútua (COMECON). O COMECON fora proposto como maneira de impedir os países-satélites da União Soviética de demonstrar interesse no Plano Marshall, e não abandonarem a esfera de influência de Moscou.

Em 1949 os Estados Unidos e o Canadá, juntamente com a maioria da Europa ocidental, criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), uma aliança militar com o objetivo de proteção internacional em caso de um suposto ataque dos países do leste europeu. Em resposta à OTAN, a URSS firmou entre ela e seus aliados o Pacto de Varsóvia (1955) para unir forças militares da Europa Oriental. Logo as alianças militares estavam em pleno funcionamento, e qualquer conflito entre dois países integrantes poderia ocasionar uma guerra nunca vista antes.

A Guerra da Coreia (1950-1953), a Guerra do Vietnã (1962-1975) e a Guerra do Afeganistão (1979-1989) são os conflitos mais famosos da Guerra Fria. Além da famosa tensão na Crise dos mísseis em Cuba (1962) e, também na América do Sul, a Guerra das Malvinas (1982). Entretanto, durante todo este período, a maior parte dos conflitos locais, guerras civis ou guerras inter-estatais foi intensificado pela polarização entre Estados Unidos e URSS (ver: guerra por procuração).

Durante esses 40 anos de Guerra Fria, o sistema socialista soviético foi expandido de tal forma que chegou a ter países socialistas do Extremo Oriente a Cuba. A maioria seguindo as ordens de Moscou. Este cenário de tensão mundial perdurou até 1991, quando a União Soviética acabou e consequentemente o fim de uma grande ameaça ao capitalismo e aos Estados Unidos. A Guerra Fria durou cerca de 45 anos e durante esse período o mundo já esteve perto da Guerra nuclear várias vezes.

Era Khrushchev[editar | editar código-fonte]

A extensão máxima territorial dos países do mundo sob a influência soviética, depois da Revolução Cubana de 1959 e antes da cisão sino-soviética de 1961

Stalin morreu em 5 de março de 1953, deixando um vazio de poder que levou a uma disputa interna no PCUS (Partido Comunista da União Soviética) pela liderança, entre Malenkov, Beria, Molotov e Khrushchov - este último vencedor. Como sucessor de Stalin, Khrushchov empreendeu uma política de denunciar os abusos do seu antecessor. Durante o Congresso de 1956 do PCUS, Khrushchov divulgou uma série de crimes de Stalin (ver: Discurso secreto), renegando a herança do estalinismo, estabelecendo, assim, uma nova postura e criando um novo paradigma para o comunismo internacional. A propaganda capitalista se utilizou muito dos argumentos engendrados por Khrushchov para fazer frente à URSS.

Nesta Era, houve a libertação de diversos prisioneiros políticos dos Gulags, um esforço sem precedentes foi realizado para a produção de bens de consumo, e também realizou numerosas reformas, muitas vezes citadas como precipitadas ou contraditórias, também esteve presente o Discurso secreto de Nikita Khrushchov, criticando o regime stalinista, e revelando os crimes de Stálin, e seus cultos à personalidade.

Não existe consenso quanto à contagem de vítimas do stalinismo. Determinadas estatísticas afirmam que entre 20 a 35 milhões de soviéticos morreram por fome, frio ou executados em campos de concentração ou de trabalhos forçados durante a época de Stalin.[38]

No plano externo, ele se utilizou da chamada, Coexistência pacífica, que afirmava que o bloco comunista poderia coexistir pacificamente com os Estados capitalistas. Esta teoria foi contrária ao princípio que o comunismo e o capitalismo eram antagônicos e nunca poderiam existir em paz. A União Soviética aplicou-a às relações entre o mundo ocidental e, em particular, com os Estados Unidos, os países da OTAN e as nações do Pacto de Varsóvia.

Isso repercutiu amplamente nos países socialistas da Europa Oriental (em 1956 ocorreria a Revolução Húngara que visava por fim ao aparato repressivo do regime stalinista, mas que logo foi esmagado com a intervenção da URSS), e na China com a ruptura sino-soviética nas décadas de 1950 e 1960. Durante os anos 1960 e início dos anos 1970, a República Popular da China, sob a liderança de seu fundador, Mao Tse-tung, que alegou que a atitude beligerante deveria ser mantida para os países capitalistas e, por isso, inicialmente rejeitou a coexistência pacífica considerando-a como revisionismo da teoria marxista.

Uma réplica do Sputnik 1, o primeiro satélite artificial, lançado em 1957 pela URSS.

Como resultado da guerra fria, a União Soviética viu-se envolvida em uma corrida pela conquista do espaço com os Estados Unidos. O programa espacial soviético começou com uma grande vantagem sobre o dos Estados Unidos. Devido a problemas técnicos para fabricar ogivas nucleares mais leves, os mísseis lançadores intercontinentais da URSS eram imensos e potentes se comparados com seus similares estadunidenses. Logo, os foguetes para seu programa espacial já estavam prontos como resultado do esforço militar soviético resultante da guerra fria. Assim, na época em que a Sputnik foi lançada, a capacidade de lançamento da URSS era de 500 kg, enquanto que a dos Estados Unidos era de 5 kg. A União Soviética foi a nação que tomou a dianteira na exploração espacial ao enviar o primeiro satélite artificial, o Sputnik 1, e o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin. Grande parte dos feitos espaciais da União Soviética devem-se ao talento do engenheiro de foguetes Sergei Korolev, o engenheiro-chefe do programa espacial soviético, que convenceu o líder Nikita Kruschov da importância da conquista do espaço.

No âmbito econômico, um esforço sem precedentes foi realizado para a produção de bens de consumo, e também realizou numerosas reformas na agricultura soviética. Mesmo não obtendo o resultado esperado. Por tais medidas precipitadas e contraditórias, Khrushchov é deposto pelo Politburo.

Era Brejnev[editar | editar código-fonte]

Presidentes Leonid Brezhnev e Jimmy Carter assinam os tratados de SALT II em Viena em 18 de junho de 1979.

Leonid Brejnev toma a União Soviética em uma difícil situação após a gestão contraditória de Khrushchov, os países mais próximos em meio à instabilidade, uma situação tensa com a República Popular da China, relações inconstantes, ora apocalípticas, ora amistosas com os Estados Unidos, a resistência da Iugoslávia ao Pacto de Varsóvia e uma divisão política dentro do partido.

A deposição de Khrushchov e a posse de Leonid Brejnev representaram a volta do poder stalinista no poder do partido, incluindo a burocracia que controlava a União Soviética na época de Stálin, mas que rachou-se por Khrushchov, em meio às suas medidas revisionistas.[39]

Brejnev desenvolve a política da Teoria da Soberania Limitada, uma política neo-stalinista, que pretendia manter a União Soviética como eixo socialista no mundo, com as demais nações alinhadas a Moscou. Esta política era caracterizada stalinista por manter a hegemonia socialista, promover o culto da personalidade e manter uma burocracia na política, cuja remoção, segundo Brejnev, era um exemplo de pensamento utópico e trotskista.[40]

Brejnev tentaria reabilitar o nome de Stálin, que não era pronunciado pelos líderes soviéticos havia quase dez anos, mas não conseguiu, uma vez que as autoridades e o povo ficaram divididos pelo que dissera Khrushchov a respeito de Stálin. Por outro lado, a simbologia comunista na época de Stálin, incluindo propagandas políticas, paradas militares, a expulsão de críticos ao regime e o próprio culto à personalidade, em menor escala, foram uma das principais características do regime de Brejnev.

Com o tempo, a situação política do país se estabilizou e o partido concordou em seguir uma linha neutra com relação à liberalização iniciada por Khrushchov. Foi durante a gestão de Brejnev que o hino soviético recuperou sua letra e propagandas a favor do partido eram lançadas na imprensa.[41]

Durante esta época, a URSS conseguiu atingir seu auge político, militar e econômico, tendo grande influência em todo o mundo, desde a economia até os esportes, e seu povo alcançou uma melhor qualidade de vida.[42]

A saúde e educação tornaram-se exemplos mundiais, a indústria crescia rapidamente e a ciência soviética desenvolvia novas tecnologias. A população abaixo da linha da pobreza no ano de 1975, segundo o Instituto Levada, era de 1,5%, o menor nível na história da Rússia.[43]

Em 1982, após duas décadas de governo, Brejnev morre inesperadamente em decorrência da ingestão de pentobarbitais, sendo sucedido pelo ex-agente secreto Iuri Andropov, que daria início a uma reforma política no país, interrompida por uma séria doença que o levou à morte, em 1984. Konstantin Chernenko, homem de confiança de Brejnev, abriu mão da aposentadoria e assumiu a presidência da URSS, mesmo idoso e doente. Após um ano de governo, Chernenko é internado às pressas e morre no início de 1985, representando o fim de uma geração de políticos soviéticos, caracterizados por manterem uma linha dura e conservadora. Sucederia-lhe no cargo o jovem Mikhail Gorbatchov, contando com um Politburô mais jovem, liberal e flexível.

Era Gorbachev[editar | editar código-fonte]

A partir do final dos anos 1970 começam a ficar claras as limitações do modelo soviético de economia planificada. A Crise do Petróleo dos anos 70 elevou a economia soviética, podendo o povo, em pleno regime socialista, consumir mais, muitas famílias puderam comprar novas tecnologias a mais, automóveis, fornos microondas e aparelhos eletrônicos, não eram novidade para muitos, mas mais de um automóvel e diversos aparelhos eletrônicos eram um sonho que dependiam de muita economia, e que agora tornava-se realidade para muitas famílias, dando um conforto material muito maior, sem ferir os princípios socialistas. O bem estar foi tanto, que as autoridades soviéticas chegavam a dizer que os países capitalistas estavam em crise.[43]

Por este profundo desenvolvimento econômico, político e militar, a economia soviética acabou estagnando no final dos anos 70, mas tal estagnação nem sequer chegava a ser classificada como crise, e nem previa que mais tarde, esta pequena estagnação se transformaria em uma crise profunda a ponto de desestruturar a economia soviética. Como a estagnação dos anos 1970 se transformou em uma crise profunda nos anos 80 a ponto de desestruturar a economia soviética é objeto de discusões até os dias de hoje. A comparação com a China que realizou uma transição mais bem sucedida para o capitalismo tem auxiliado a avaliar melhor o peso dos fatores estrutrurais e cojunturais nesta crise.[44]

Em termos estruturais a economia planificada talvez tenha sido a principal responsável pela crise, pois exigia que tudo que fosse produzido em todos os setores da economia estivesse planejado nos planos quinquenais. Na prática isto criava distorções, como excesso de determinados produtos (indústrias de base e de bens de capital) e escassez de outros (bens de consumo). Quando a produção de determinado produto era insuficiente para atender o consumo, ao invés dos preços subirem até inibir a demanda (como costuma ocorrer em uma economia de mercado) os produtos simplesmente se esgotavam e desapareciam da lojas e prateleiras dos supermercados.

Os custos militares da Guerra Fria já estavam insustentáveis para a URSS no fim dos anos 1970. O país mantinha forças armadas de quase dois milhões de homens, sendo 1 milhão mobilizados na Europa Oriental. Quando a China se aproxima dos Estados Unidos nos anos 1970 e passa a ameaçar a URSS a situação piora. A China estacionou quase 1 milhão de homens nas fronteiras com a União Soviética, e para contrabalançar, esta teve que estacionar outro 1 milhão de homens na fronteira com a China. Os custos desta mobilização permanente começavam a se mostrar insutentáveis no início dos anos 1980 com o envolvimento soviético no conflito do Afeganistão.

Segundo Angelo Segrillo, o fator militar não foi o fator principal da queda da URSS, pois o gasto soviético nesta área não cresceu significativamente, quando comparado com dados anteriores. A queda deveu-se principalmente a mudança do paradigma mundial de produção industrial, iniciado no início da década de 1970, passando do modelo Fordista, onde a produção era centralizada e com pouca flexibilidade, portanto mais adaptada ao modelo soviético, para o modelo Toyotista, descentralizado e flexível, incompátíveis com o modelo soviético de produção.[45] [46]

Retirada de tropas soviéticas após a Guerra Afegã-Soviética nos anos 1980.

Mikhail Gorbatchov foi o último dirigente soviético. Assumiu o cargo de secretário-geral da PCUS (Partido Comunista da União Soviética) em março de 1985, substituindo Konstantin Tchernenko, que faleceu naquele ano. O bom relacionamento com os membros do partido e a habilidade política foram fatores que credenciaram Gorbatchov a assumir o posto mais importante na hierarquia administrativa soviética. Defensor de ideias modernizantes, instituiu dois projetos inovadores: a perestroika (reconstrução econômica) e a glasnost (transparência política). A tentativa de modernização acelerada da perestroika e da glasnost viria como proposta "salvadora" de Gorbatchov, mas não conseguiria mais reverter a crise.

O ano de 1989 viu as primeiras eleições livres no mundo socialista, com vários candidatos e com a mídia livre para discutir. Ainda que muitos partidos comunistas tivessem tentado impedir as mudanças, a perestroika e a glasnost de Gorbachev tiveram grande efeito positivo na sociedade. Assim, os regimes comunistas, país após país, começaram a cair. A Polônia e a Hungria negociaram eleições livres (com destaque para a vitória do partido Solidariedade na Polônia), e a Tchecoslováquia, a Bulgária, a Romênia e a Alemanha Oriental tiveram revoltas em massa, que pediam o fim do regime socialista (ver: Revoluções de 1989).

A queda muro de Berlim em 9 de novembro de 1989.

E na noite de 9 de Novembro de 1989 o Muro de Berlim começou a ser derrubado depois de 28 anos de existência. Antes da sua queda, houve grandes manifestações em que, entre outras coisas, se pedia a liberdade de viajar. Além disto, houve um enorme fluxo de refugiados ao Ocidente, pelas embaixadas da RFA, principalmente em Praga e Varsóvia, e pela fronteira recém-aberta entre a Hungria e a Áustria, perto do lago de Neusiedl.

Em 1990, com a reunificação alemã, a União Soviética cai para o posto de quarto maior PIB mundial. Este quadro piora rapidamente com a nova crise da transição para o capitalismo nos anos 1990, quando a Rússia torna-se o 15º PIB mundial. Entre 1987 e 1988 a URSS abdica de continuar a corrida armamentista com os Estados Unidos, assinando uma nova série de acordos de limitação de armas estratégicas e convencionais. A URSS inicia a retirada do Afeganistão e começa a reduzir a presença militar na Europa Oriental. O governo soviético pressiona aliados pela negociação de paz em conflitos como a Guerra Civil Angolana, onde os termos para o fim do conflito são estabelecidos em acordo com os Estados Unidos, Angola, Cuba e África do Sul. Esta nova postura também significou a redução de todas as formas de apoio (político, financeiro e comercial) que esta potência dava a regimes aliados em todo o mundo.

No plano interno, Gorbatchov enfrentou grandes resistências da oligarquia e dos burocratas partidários (os Apparatchiks). A linha dura do partido via a postura de Gorbatchov no plano internacional como covarde e acusava-o de trair a URSS e o socialismo. Estes grupos eram contra a retirada do Afeganistão e defendiam que a URSS deveria intervir nos países da Europa Oriental que estavam passando por processos de democratização e abandonavam o socialismo, como a Polônia. Em 1991, setores mais belicistas do governo soviético defenderam que a URSS deveria ter apoiado o Iraque na Guerra do Golfo contra a coalizão de países liderada pelos Estados Unidos e passaram a criticar o governo Gorbatchov como fraco.

Na metade do ano de 1990 e início de 1991, a situação política e econômica na União Soviética se agravou e para tentar reverter essa crise o presidente Mikhail Gorbatchov, pensou em primeiro resolver o problema político e étnico soviético para depois reformar a economia. O novo Tratado da União dos Estados Soberanos foi um projeto de tratado que teria substituído o de 1922 (Tratado da Criação da URSS) e, portanto, teria substituído a União Soviética por uma nova entidade chamada União de Estados Soberanos, uma tentativa de Mikhail Gorbachev para recuperar e reformar o Estado soviético.

Colapso[editar | editar código-fonte]

Yeltsin em um tanque desafiando o Golpe de Agosto de 1991.

Em 19 de agosto de 1991, um dia antes de Gorbachev e um grupo de dirigentes das Repúblicas assinarem o novo Tratado da União, um grupo chamado Comité Estatal para o Estado de Emergência (Государственный Комитет по Чрезвычайному Положению, ГКЧП ', pronunciado GeKaTchePe) tentou tomar o poder em Moscou. Anunciou-se que Gorbachev estava doente e tinha sido afastado de seu posto como presidente. Gorbachev foi, então, em férias a Crimeia onde a tomada do poder foi desencadeada e lá permaneceu durante todo o seu curso. O vice-presidente da União Soviética, Gennady Yanaiev, foi nomeado presidente interino. A comissão de 8 membros, incluindo o chefe da KGB Vladimir Krioutchkov e o Ministro das Relações Exteriores, Boris Pougo, o ministro da Defesa, Dmitri Iazov, todos os que concordaram em trabalhar sob Gorbachev. Em 21 de agosto de 1991, a grande maioria das tropas que são enviadas a Moscou se coloca-se abertamente ao lado dos manifestantes ou são desertores. O golpe falhou e Gorbachev, que tinha atribuído à sua residência dacha na Crimeia, regressou a Moscou.

Após o seu regresso ao poder, Gorbachev prometeu punir os conservadores do Partido Comunista da União Soviética (PCUS). Demitiu-se das suas funções como secretário-geral, mas continua a ser presidente da União Soviética. O fracasso do golpe de Estado apresentou uma série de colapsos das instituições da união. Boris Yeltsin assumiu o controle da empresa central de televisão e os ministérios e organismos económicos.

Mundaças nas fronteiras nacionais após o colapso do Bloco do Leste e o fim da Guerra Fria.

A derrota do golpe e o caos político e econômico que se seguiu agravou o separatismo regional e acabou levando à fragmentação do país. Em setembro as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) declaram a independência em relação a Moscou. Em 1º de Dezembro, a Ucrânia proclamou sua independência por meio de um plebiscito que contou com o apoio de 90% da população. E entre outubro e dezembro 11 (com as 3 repúblicas bálticas e a Ucrânia) das 15 repúblicas soviéticas declaram independência. Em 21 de dezembro líderes da Federação Russa, Ucrânia e Bielorússia assinaram um documento onde era declarada extinta a União Soviética. E no seu lugar era criada a Comunidade dos Estados Independentes (CEI).

No dia de natal de 1991, em cerimônia transmitida por satélite para o mundo inteiro, Gorbatchov que estava há 6 anos no poder declara oficialmente o fim da URSS e renúncia a presidência do país e após isso, a bandeira com a foice e o martelo é retirada do Kremlin e a bandeira russa é colocada em seu lugar. A União Soviética se dissolveu oficialmente em 31 de dezembro de 1991, após 69 anos de existência. A Federação Russa ficou conhecida como sua sucessora, pois ficou com mais da metade do antigo território soviético, além da maioria do seu parque industrial e militar.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Extensão territorial da URSS.

A União Soviética localizava-se nas latitudes médias e do norte do Hemisfério Norte. Quase duas vezes e meia maior do que o território dos Estados Unidos, era um país de tamanho continental, apenas ligeiramente menor do que toda a América do Norte.[47] O território soviético tinha uma área total de 22 402 200 quilômetros quadrados, o que representava um sexto da superfície terrestre da Terra.[48] [49] Três quartos do país estava a norte do paralelo 50;[47] [48] a URSS era, no geral, muito mais próxima do Pólo Norte do que do equador.

Estendendo para sobre 62 710 quilômetros, a fronteira soviética era não somente a maior do mundo, como também a mais larga. Ao longo da fronteira terra quase 20.000 km, a União Soviética fazia fronteira com doze países, seis em cada continente. Na Ásia, seus vizinhos eram a Coreia do Norte, China, Mongólia, Afeganistão, Irã, e Turquia. Na Europa, limitou-se a Romênia, Hungria, Tchecoslováquia, Polônia, Noruega, e Finlândia. À exceção dos quilômetros gelados do Estreito de Bering, teria um décimo terceiro vizinho: os Estados Unidos. O restante dos 60.000 km de fronteira, era com o Oceano Ártico.[47] [48]

Ao norte, o litoral ártico é o domínio da tundra. Ao Sul da tundra estende-se o domínio da floresta boreal (taïga). Mais ao Sul ainda, a floresta enriquece-se de árvores com muitas folhas, que cobrem principalmente a parte oriental da planície europeia bem como o Sul da Rússia extremo-oriental. Para o Sul, a floresta degrada-se e se torna um estepe com poucas áreas com montanhas. Ainda há desertos no sul do país. E na parte europeia desenvolve-se sobre terras pretas muito férteis várias plantas de clima temperado.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Evolução demográfica da União Soviética (em vermelho) e das ex-repúblicas soviéticas (em azul) de 1961 até 2009.
Densidade populacional na URSS em 1982.

Os primeiros cinquenta anos do século XX da Rússia czarista e da União Soviética foram marcados por uma sucessão de desastres, cada um acompanhado por grandes perdas populacionais. Mortes em excesso no decorrer da Primeira Guerra Mundial e da Guerra Civil Russa (incluindo a fome pós-guerra) ascenderam a um total combinado de 18 milhões,[50] cerca de 10 milhões em 1930 e mais de 26 milhões entre 1941 e 1945. A população do pós-guerra soviético era 45 e 50 milhões menor do que teria sido se o crescimento demográfico pré-guerra tivesse continuado.[51]

A taxa de natalidade bruta da URSS diminuiu de 44,0 por mil habitantes em 1926 para 18,0 em 1974, em grande parte devido à crescente urbanização e ao aumento da idade média dos casamentos. A taxa de mortalidade bruta demonstrou um decréscimo gradual também - de 23,7 por mil em 1926 para 8,7 em 1974. Em geral, as taxas de natalidade das repúblicas do sul da Transcaucásia e da Ásia Central eram consideravelmente maiores que as do norte da União Soviética e, em alguns casos, até mesmo aumentaram no período pós-II Guerra, um fenômeno atribuído em parte as lentas taxas de urbanização e de casamentos, que tradicionalmente se realizavam mais cedo nas repúblicas do sul.[52] A Europa soviética mudou-se para a sub-fertilidade de substituição populacional, enquanto a Ásia Central Soviética continuou a apresentar crescimento populacional bem acima do nível de fertilidade de substituição.[53]

No final dos anos 1960 e 1970 houve uma reversão da trajetória declinante da taxa de mortalidade na URSS e foi especialmente notável entre os homens em idade de trabalho, mas também foi predominante na Rússia e em outras áreas predominantemente eslavas do país.[54] Uma análise dos dados oficiais do final dos anos 1980 mostrou que, após uma piora no final dos anos 1970 e início dos anos 1980, a mortalidade de adultos começou a melhorar novamente.[55] A taxa de mortalidade infantil aumentou de 24,7 em 1970 para 27,9 em 1974. Alguns pesquisadores consideraram o aumento como uma consequência da piora nas condições de saúde e serviços.[56] Os aumentos nas taxas de mortalidade infantil e de adultos não foram explicadas ou defendidas por oficiais soviéticos e o governo da URSS simplesmente parou de publicar todas as estatísticas de mortalidade por dez anos. Demógrafos e especialistas soviéticos em saúde permaneceram em silêncio sobre o aumento de mortalidade até o final da década de 1980, quando a publicação dos dados de mortalidade foram retomados e os pesquisadores puderam aprofundar as causas reais do fenômeno.[57]

Urbanização[editar | editar código-fonte]

Maiores cidades da  União Soviética (1989)

Moscou/Moscovo
Moscovo
São Petersburgo
São Petersburgo

Posição Cidade República População (em milhões)

Kiev
Kiev
Tashkent
Tashkent

1 Moscou/Moscovo Rússia 11,5
2 São Petersburgo Rússia 4,9
3 Kiev Ucrânia 2,7
4 Tashkent Usbequistão 2,1
5 Baku Azerbaijão 2,0
6 Minsk Bielorrússia 1,7
7 Carcóvia Ucrânia 1,5
8 Alma Ata Cazaquistão 1,4
9 Novosibirsk Rússia 1,4
10 Górki Rússia 1,36
Fonte: Citymayors

Grupos étnicos[editar | editar código-fonte]

Mapa de 1941 indicando os grupos étnicos da União Soviética.

O estado extensa multinacionais que os comunistas herdaram após a sua Revolução, que foi criado pela expansão czarista por quase quatro séculos. Alguns grupos de nações aderiram voluntariamente ao Estado, mas a maioria foram anexados à força. Os antagonismos nacionais desenvolvidos ao longo dos anos não se dirigiam só contra os russos, mas algumas vezes surgiram entre outras nações da União Soviética.

Por quase setenta anos, os líderes soviéticos tinham mantido que o atrito entre as muitas nacionalidades da União Soviética tinha sido erradicado e que a União Soviética era uma família de nações que vivem harmoniosamente (ver: Commissariado do Povo para as Nacionalidades). No entanto, o fermento nacional que abalou todos os cantos da União Soviética, na década de 1980 provou que setenta anos de regime comunista haviam falhado na erradicação das diferenças étnicas e nacionais e que as culturas e as religiões tradicionais reemergeriam à menor oportunidade. Esta realidade enfrentada por Gorbachev e seus colegas significava que, dada a baixa confiança no uso tradicional da força, teve de encontrar soluções alternativas para evitar o colapso da União Soviética.

As concessões atribuídas culturas nacionais e a autonomia limitada tolerada nas repúblicas da União durante o ano de 1920 levou ao desenvolvimento das elites nacionais e um senso de identidade nacional. A repressão posterior e a Russificação provocou ressentimento contra a dominação por parte de Moscovo e promoveu um maior crescimento da consciência nacional. Sentimentos nacionais foram exacerbadas no Estado soviético multinacional do aumento da concorrência por recursos, serviços e obras.

Religião[editar | editar código-fonte]

A URSS desde 1922 tornou-se um Estado ateísta. Em 1934, 28% das igrejas ortodoxas cristãs, 42% das mesquitas muçulmanas e 52% das sinagogas judaicas foram fechadas na URSS.[58] O ateísmo na URSS era baseado na ideologia marxista-leninista. Tal como o fundador do Estado soviético, Lenin falou o seguinte sobre a URSS e as religiões:

A religião é o ópio do povo: este ditado de Marx é a pedra angular de toda a ideologia do marxismo sobre religião. Todas as modernas religiões e igrejas, todos (…) os tipos de organizações religiosas são sempre considerados pelo marxismo como órgãos de reação burguesa, usados para a proteção da exploração e o assombro da classe trabalhadora.[59]

Demolição da Catedral de Cristo Salvador de Moscou em 1931.

O Marxismo-leninismo tem defendido firmemente o controle, repressão, e, em última análise, a eliminação das crenças religiosas. Dentro de cerca de um ano da revolução do estado expropriou todos os bens da Igreja, incluindo as próprias igrejas, e no período de 1922 a 1926, 28 bispos Ortodoxos Russos e mais de 1.200 sacerdotes foram mortos (um número muito maior foi objeto de perseguição).[60]

A Catedral de Cristo Salvador de Moscou, a sede da Igreja Ortodoxa Russa e seu templo mais sagrado, foi destruída em duas rodadas de explosões por ordens diretas de Stalin em 1931,[61] milhares de sacerdotes protestaram contra a decisão e foram presos e enviados à Gulags, em seu lugar os comunistas pretendiam construir o "Palácio dos Sovietes", a sede do governo stalinista[62] . A Igreja Ortodoxa Russa possuía 54.000 paróquias durante a Primeira Guerra Mundial, que foi reduzida para 500 em 1940.[60] A maioria dos seminários foram fechados, a publicação de escrita religiosa foi proibida.[60] Embora historicamente a grande maioria da Rússia fosse cristã, apenas 17% a 22% da população é atualmente cristã.[63]

Os números oficiais sobre o número de crentes religiosos na União Soviética não estavam disponíveis em 1989. Mas de acordo com várias fontes soviéticos e ocidentais, cerca de um terço da população da União Soviética, estado oficialmente ateu, professa uma crença religiosa.[carece de fontes?] O cristianismo e o islamismo estavam lutando pela maioria dos crentes. Cristãos dividiam-se em várias igrejas: ortodoxa, que teve o maior número de seguidores, a Igreja Católica, Batista e vários outros ramos protestantes. Havia muitas igrejas neste país (7.500 Igrejas Ortodoxas Russas em 1974). A maioria dos seguidores da islâmica era sunita. O judaísmo também teve muitos seguidores. Havia outras religiões praticadas por um número relativamente pequeno de fiéis, incluindo budismo lamaísmo e xamanismo (religião baseada em um espiritualismo primitivo). O papel da religião na vida quotidiana dos cidadãos soviéticos variava muito. Porque os preceitos religiosos islâmicos e os valores sociais de muçulmanos estão intimamente relacionados, a religião parece ter maior influência sobre os muçulmanos do que cristãos ou outros crentes. Dois terços da população soviética, porém, não tinha crenças religiosas. Cerca de metade das pessoas, incluindo membros do PCUS e altas autoridades em nível de governo eram ateístas. Portanto, para a maioria dos cidadãos soviéticos, a religião parecia irrelevante. Ainda assim, o Estado também passou a controlar as crenças dos russos e a perseguição religiosa sob o comando de Stálin fez com que muitos seguidores fossem perseguidos e enviados para Gulags.[carece de fontes?]

Política[editar | editar código-fonte]

A União Sovética era um estado comunista unipartidário. O governo da União Soviética implementava as decisões tomadas pela principal instituição política do país, o Partido Comunista da União Soviética (PCUS), que controlava toda a economia e a sociedade soviética. A constituição soviética estabelecia todas as instituições do governo e concedia aos cidadãos uma série de direitos políticos e civis. Uma casa legislativa, o Congresso dos Deputados do Povo, e sua comissão legislativa permanente, o Soviete Supremo, representavam o princípio da soberania popular. O Soviete Supremo, cujo presidente eleito servia de chefe de Estado, supervisionava o Conselho de Ministros, que exercia o poder Executivo. O presidente do Conselho de Ministros, cujo nome era aprovado pelo Soviete Supremo, por sua vez, atuava como chefe de Governo. O poder Judiciário, era formado por um sistema de tribunais encabeçado pela Suprema Corte. Conforme a Constituição Soviética de 1977, o governo possuía uma estrutura federativa, o que dava às repúblicas certa autonomia quanto à implementação de políticas, e oferecia às minorias nacionais uma aparente participação na administração de seus próprios assuntos.

Mas a partir dos anos 1980, o país começa a mudar radicalmente, com as reformas feitas por Mikhail Gorbatchov. No final dos anos 1980, o governo parecia ter muito em comum com os sistemas políticos das democracias liberais.

Líderes[editar | editar código-fonte]


Relações internacionais e forças armadas[editar | editar código-fonte]

Desfile militar anual em Moscovo, que comemora o aniversário 66 da Revolução de Outubro. O banner na parte superior se lê: "Glória ao PCUS!"

Desde a sua criação em 1922, a União Soviética sempre manteve uma política agressiva com os outros países do mundo (ver: ocupações soviéticas). Após a sua criação em 1922 ela passou cerca de 20 anos isolada do mundo pelos países capitalistas ocidentais. Após a Segunda Guerra Mundial a URSS emerge como superpotência mundial e controla um poderoso bloco socialista (ver: Império Soviético).

Durante a Guerra Fria as relações entre Estados Unidos e União Soviética se deterioram e somente a partir de 1985 é que começam as iniciativas eficazes de paz entre as duas superpotências. As relações entre a URSS e os seus países satélites na maioria das vezes foram de paz, mas houve países socialistas que acabaram saindo da área de influência de Moscou como China e Iugoslávia (ver: ruptura Tito-Stalin).

A União Soviética era membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, o país líder do Pacto de Varsóvia (aliança militar do bloco socialista) e membro do COMECON.

Além de desempenhar um papel decisivo nas relações internacionais nos tempos da Guerra Fria.

A União Soviética produziu equipamentos militares que são usados e reverenciados até os tempos atuais. Entre eles estão o fuzil AK-47 e o caça MiG-29. Deixou também uma grande quantidade de bombas atômicas à Federação Russa que especula-se manter em estoque 37 ogivas apenas herdadas do regime soviético. A estrutura física militar da Russia é em sua maioria também herdada do antigo regime. Deixou também muita sucata o que levanta debates em ecologistas em como armas químicas e biológicas são dispensadas no meio ambiente.

A URSS sempre foi uma potência militar, seu Exército, foi o responsável pelo suicídio de Adolf Hitler e por grande parte das exterminações dos nazistas na 2ª Guerra Mundial.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o Exército Vermelho foi o eixo do Pacto de Varsóvia, a organização militar de defesa mútua integrada pelos países do Bloco Socialista no Leste Europeu. O armamento nuclear soviético aumentou proporcionalmente ao dos americanos.

Depois de derrubado o regime soviético, em 1991, o Exército Vermelho foi desmantelado e desapareceu como tal. No entanto, o atual Exército da Federação Russa ainda utiliza muitos dos símbolos da organização do Exército Vermelho da União Soviética.

Divisões políticas[editar | editar código-fonte]

Constitucionalmente, a União Soviética era uma federação das Repúblicas Socialistas Soviéticas (RSSs) e da República Socialista Federativa Soviética Russa (RSFSR), embora a regra do altamente centralizado Partido Comunista soviético fez federalismo meramente nominal.

O Tratado sobre a criação de a URSS foi assinado em dezembro de 1922 por quatro repúblicas da fundação, a RSS da Rússia, RSS da Transcaucásia, RSS ucraniano e bielo-russa RSS.

Em 1924, durante a delimitação nacional na Ásia Central, o Uzbequistão e o Turcomenistão SSRs foram formadas a partir de partes do Turquestão do RSFSR de ASSR e duas dependências Soviética, a Khorezm e SSR Bukharan. Em 1929, o Tadjiquistão foi dividido a partir da RSS do Usbequistão. Com a Constituição de 1936, os constituintes da República Socialista Federativa Soviética da Transcaucásia, ou seja, da Geórgia, Arménia e Azerbaijão SSRs, foi elevada à repúblicas da União, enquanto o Cazaquistão e Quirquiatão foram separados da República Soviética da Rússia.

Em agosto de 1940 a União Soviética formou o RSS da Moldávia a partir de partes da RSS da Ucrânia e partes da Bessarábia anexou da Roménia, bem como anexo os Estados bálticos, a Estónia, Letónia e da Lituânia. O SSR Carélia Finlandesa, foi dividido a partir do RSFSR março 1940 e incorporada em 1956.

Entre julho 1956 e setembro de 1991, havia 15 repúblicas na União Soviética (ver mapa abaixo).

As Repúblicas da União Soviética (1956 — 1989)
Bandeira República Capital Mapa da União Soviética
1 Flag of Armenian SSR.svg RSS da Armênia Erevan
Republics of the Soviet Union
2 Flag of Azerbaijan SSR.svg RSS do Azerbaijão Baku
3 Flag of Byelorussian SSR.svg RSS da Bielorrússia Minsk
4 Flag of Estonian SSR.svg RSS da Estônia Tallinn
5 Flag of Georgian SSR.svg RSS da Geórgia Tbilisi
6 Flag of Kazakh SSR.svg RSS do Cazaquistão Alma-Ata
7 Flag of Kyrgyz SSR.svg RSS do Quirguistão Frunze
8 Flag of Latvian SSR.svg RSS da Letônia Riga
9 Flag of Lithuanian SSR.svg RSS da Lituânia Vilnius
10 Flag of Moldavian SSR.svg RSS da Moldávia Kishinev
11 Flag of Russian SFSR.svg RSFS da Rússia Moscow
12 Flag of Tajik SSR.svg RSS do Tajiquistão Dushanbe
13 Flag of Turkmen SSR.svg RSS do Turcomenistão Ashkhabad
14 Flag of Ukrainian SSR.svg RSS da Ucrânia Kiev
15 Flag of Uzbek SSR.svg RSS do Uzbequistão Tashkent

Economia[editar | editar código-fonte]

Nota de 3 rublo da União Soviética (1961)

A União Soviética tornou-se o primeiro país a adotar uma economia planificada, em que a produção e distribuição de bens eram centralizados e dirigidos pelo governo. A primeira experiência bolchevique no comando de uma economia foi a política do comunismo de guerra, que envolveu a nacionalização da indústria, a distribuiçãz centralizada de produção, a requisição coercitiva da produção agrícola e a tentativa eliminar a circulação de dinheiro, empresas privadas e livre comércio. Após o grave colapso econômico causado pela guerra, em 1921, Lenin substituiu o comunismo de guerra pela Nova Política Econômica (NEP), com a legalização do livre comércio e da propriedade privada para empresas de pequeno porte. A economia se recuperou rapidamente.[64]

Após um longo debate entre os membros do Politburo sobre o campo do desenvolvimento econômico, entre 1928 e 1929, após conquistar o controle do país, Josef Stálin abandonou a NEP e levou a economia soviética para o planejamento central completo, começando com a coletivização forçada da agricultura e a promulgação de uma legislação trabalhista draconiana. Os recursos foram mobilizados para a rápida industrialização, o que muito se expandiu a capacidade soviética na indústria e bens de capital pesados ​​durante a década de 1930.[64]

Cartaz soviético: "A fumaça das chaminés é a respiração da Rússia Soviética"

A preparação para a guerra foi uma das principais forças por trás de industrialização, principalmente devido à desconfiança do mundo capitalista.[65] Como resultado, a URSS foi transformada de uma economia agrária em uma grande potência industrial, abrindo o caminho para a sua emergência como uma superpotência após a Segunda Guerra Mundial.[66] Durante a guerra, a economia e a infraestrutura soviética sofreram uma devastação maciça e uma reconstrução extensa se fez necessária.[67]

Até o início dos anos 1940, a economia soviética tornou-se relativamente autossuficiente; na maior parte do período até a criação do Conselho para Assistência Econômica Mútua (Comecon), apenas uma parcela muito pequena dos produtos nacionais era comercializada internacionalmente.[68] Após a criação do Bloco do Leste, o comércio externo cresceu rapidamente. Ainda assim, a influência da economia mundial sobre a URSS era limitada por preços internos fixos e um monopólio estatal sobre o comércio exterior.[69] Grãos e manufaturas de bens sofisticados tornaram-se grandes fabricantes de artigos de importação por toda a década de 1960.[68]

Durante a corrida armamentista da Guerra Fria, a economia soviética estava sobrecarregada por gastos militares, fortemente pressionados por uma poderosa burocracia dependente da indústria de armas. Ao mesmo tempo, a União Soviética tornou-se o maior exportador de armas para o Terceiro Mundo. Quantidades significativas de recursos soviéticos durante a Guerra Fria foram alocados em ajuda para os outros Estados socialistas.[64]

Colheita de algodão na Armênia em 1930.

Desde a década de 1930 até o seu colapso no final de 1980, a forma como a economia soviética operava permaneceu essencialmente inalterada. A economia era formalmente dirigida pelo planejamento central, realizado pela Gosplan e organizada em planos quinquenais. Na prática, no entanto, os planos eram altamente agregados e provisórios, sujeitos a intervenção ad hoc por parte dos superiores. Todas as decisões econômicas fundamentais eram tomadas pela liderança política. Os recursos alocados e as metas dos planos eram normalmente denominadas em rublos e não em bens físicos. O crédito estava retraído, mas generalizado. A atribuição definitiva da produção foi conseguida através relativamente descentralizada, a contratação não planejada. Embora, em teoria, os preços foram legalmente definido de cima, na prática, os preços reais eram frequentemente negociados, e ligações informais horizontal (entre produtores fábricas etc) eram generalizadas.[64]

Uma série de serviços básicos eram financiados pelo Estado, como educação e saúde. No setor industrial, a indústria pesada e de defesa recebiam prioridade maior do que a produção de bens de consumo.[70] Os bens de consumo, especialmente fora das grandes cidades, muitas vezes eram escassos, de má qualidade e de escolha limitada. Sob economia fortemente controlada, os consumidores tinham quase nenhuma influência sobre a produção, de modo que as novas exigências de uma população com rendimentos crescentes não podiam ser satisfeitas por fornecimentos a preços rigidamente fixados.[71] Uma massiva economia secundária e não planejada enorme cresceu ao lado de um planejamento em níveis baixos, proporcionando alguns dos produtos e serviços que os planejadores não podiam fornecer. A legalização de alguns elementos da economia descentralizada foi tentada com a reforma de 1965.[64]

Trabalhadores de uma fábrica de potássio em Salihorsk, Bielorrússia, 1968

Embora as estatísticas da economia soviética não fossem confiáveis ​​e seu crescimento econômico difícil de estimar com precisão,[72] [73] pela maioria das contas, a economia continuou a se expandir até meados dos anos 1980. Durante os anos 1950 e 1960, a economia soviética experimentou um crescimento econômico comparativamente alto e aproximou-se do Ocidente.[74] No entanto, depois dos anos 1970, o crescimento, embora ainda positivo, diminuiu de forma constante, muito mais rápida e consistente do que em outros países, apesar de um rápido aumento do capital social (a taxa de aumento de capital só foi superada pelo Japão).[64]

No geral, entre 1960 e 1989, a taxa de crescimento da renda per capita na União Soviética ficou ligeiramente acima da média mundial (baseado em uma comparação com 102 países). De acordo com Stanley Fischer e William Easterly, o crescimento poderia ter sido mais rápido. Por seu cálculo, a renda per capita da União Soviética, em 1989, deveria ter sido duas vezes maior do que estava quando considerandos o valor do investimento, a educação e a população. Os autores atribuem esse desempenho ruim à baixa produtividade do capital no país.[75] Steven Rosenfielde afirma que o padrão de vida na verdade diminuiu como resultado de despotismo de Stalin e, embora tenha havido uma breve melhora após a sua morte, caiu em estagnação.[76]

Em 1987, Mikhail Gorbachev tentou reformar e revitalizar a economia com o seu programa perestroika. Suas políticas relaxaram o controle estatal sobre as empresas, mas ainda não permitiam que ele fosse substituído por incentivos de mercado, resultando em um declínio acentuado na produção. A economia, que já sofria com redução das receitas da exportação de petróleo, começou a entrar em colapso. Os preços ainda estavam fixos e a propriedade ainda era em grande parte estatal depois da dissolução da União Soviética.[64] [71] Na maior parte do período após a Segunda Guerra Mundial até o seu colapso, a economia soviética foi a segundo maior do mundo por PIB (PPC) e era a terceira maior do mundo em meados da década de 1980 e 1989,[77] embora em termos de PIB per capita, os soviéticos ainda estivessem atrás dos países do Primeiro Mundo.[78]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Energia[editar | editar código-fonte]

A DneproGES, na Ucrânia, uma das várias centrais hidrelétricas da União Soviética.

A necessidade de combustível diminuiu na União Soviética entre os anos 1970 e a década de 1980.[79] No início, este declínio cresceu muito rapidamente, mas gradualmente diminuiu entre 1970 e 1975. De 1975 e 1980, cresceu de maneira ainda mais lenta, apenas 2,6 por cento.[80] David Wilson, um historiador, acredita que a indústria de gás seria responsável ​​por 40 por cento da produção soviética de combustíveis até o final do século. Sua teoria não veio a ser concretizadas por conta do colapso da URSS.[81] A União Soviética, em teoria, teria continuado a ter uma taxa de crescimento econômico entre 2 e 2,5 por cento durante a década de 1990 por causa da área energética soviética.[82] No entanto, o setor de energia enfrentou muitas dificuldades, entre elas a alta despesa militar do país e as relações hostis com os países do Primeiro Mundo (era pré-Gorbachev).[83]

Em 1991, a União Soviética tinha uma rede de gasodutos de 82 mil quilômetros para petróleo bruto e outros 206 500 quilômetros para gás natural.[84] Petróleo e seus produtos derivados, gás natural, metais, madeira, produtos agrícolas e uma variedade de produtos manufaturados, principalmente máquinas, armas e equipamento militar, eram exportações da URSS.[85] Nas décadas de 1970 e 1980, a União Soviética fortemente contou com exportações de combustíveis fósseis para ganhar divisas.[68] Em seu pico em 1988, o país foi o maior produtor e o segundo maior exportador de petróleo bruto, sendo superado apenas pela Arábia Saudita.[86]

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

A estação espacial Mir, que foi desativada, em 1998.

A União Soviética colocava grande ênfase na área de ciência e tecnologia no âmbito da sua economia;[87] no entanto, os mais notáveis ​​sucessos soviéticos em tecnologia, como a produção do primeiro satélite espacial do mundo, normalmente eram da responsabilidade dos militares.[70]

Lenin acreditava que a URSS nunca iria dominar o mundo desenvolvido se permanecesse como um país tecnologicamente atrasado, como era quando a URSS foi fundada. As autoridades soviéticas mostraram seu compromisso com a crença de Lenin, desenvolvendo enormes organizações e redes de pesquisa e desenvolvimento. No início dos anos 1960, os soviéticos 40% das PhDs em química eram mulheres, em comparação com apenas 5% das que receberam tal graduação nos Estados Unidos.[88]

Em 1989, os cientistas soviéticos estavam entre os melhores treinados especialistas do mundo em diversas áreas, como física de energia, vários campos da medicina, matemática, soldagem e tecnologias militares. Devido aos rígidos planejamento e burocracia estatais, os soviéticos permaneceram muito atrás tecnologicamente em química, biologia e computadores quando comparado com o Primeiro Mundo.[70]

Iuri Gagarin, o primeiro humano a viajar pelo espaço.

Os cientistas soviéticos ganhou prêmios importantes em vários campos. Eles estavam na vanguarda da ciência em áreas, como matemática e em diversos ramos da física, física nuclear, química e astronomia. O físico-químico e físico Nikolay Semyonov foi o primeiro cidadão soviético a ganhar um Prêmio Nobel, em 1956,[89] entre vários outros ganhadores soviéticos da honraria. O matemático Sergei Novikov foi o primeiro cidadão soviético a ganhar uma Medalha Fields em 1970, seguido por Grigory Margulis em 1978 e Vladimir Drinfeld em 1990.[90]

O Projeto Sócrates, sob a administração do presidente estadunidense Ronald Reagan, determinou que a União Soviética se dirigia à aquisição de ciência e tecnologia de uma maneira que era radicalmente diferente do que os Estados Unidos faziam. No caso dos Estados Unidos, a priorização econômica estava sendo usada para a pesquisa e o desenvolvimento como meio de adquirir a ciência e tecnologia nos setores público e privado. Em contrapartida, a União Soviética estava ofensivamente e defensivamente adquirindo e utilizando tecnologia em todo o mundo, para aumentar a vantagem competitiva que eles adquiriram a partir da tecnologia, evitando assim que os Estados Unidos conseguissem uma vantagem competitiva. No entanto, além disso, o planejamento de base tecnológica da União Soviética era executado de uma maneira centrada no governo centralizado que dificultava muito a sua flexibilidade. Foi esta significativa falta de flexibilidade que foi aproveitada pelos Estados Unidos para minar a força da URSS e, assim, promover a sua reforma.[91] [92] [93]

Transportes[editar | editar código-fonte]

O transporte era um componente chave da economia do país. A centralização econômica do final dos anos 1920 e 1930, levou ao desenvolvimento de infraestruturas em grande escala, principalmente com a criação da Aeroflot, uma empresa de aviação.[94] O país tinha uma grande variedade de meios de transporte por terra, água e ar.[84] No entanto, devido à má manutenção, grande parte dos transportes soviéticos por estradas, água e pela aviação civil estavam ultrapassados e tecnologicamente atrasados em relação ao Primeiro Mundo.[95]

Um barco de transporte de mercadorias no rio Moscou em 1985, com o Kremlin ao fundo.

O transporte ferroviário soviética era o maior e mais intensamente utilizada no mundo;[95] também era melhor desenvolvida do que na maioria de seus colegas ocidentais.[96] No final dos anos 1970 e início da década de 1980, os economistas soviéticos clamavam pela construção de mais estradas para aliviar um pouco a carga das ferrovias e melhorar o orçamento do Estado soviético.[97] A rede de estradas e a indústria automobilística[98] permaneceram subdesenvolvidas[99] e estradas de terra eram comuns fora das grandes cidades.[100] Os projetos de manutenção das redes de transportes soviéticas mostraram-se incapazes de cuidar das poucas estradas que o país tinha. Nos anos 1980, as autoridades soviéticas tentaram resolver o problema das estradas, ordenando a construção de novas rodovias.[100] Enquanto isso, a indústria automobilística estava crescendo a uma taxa mais rápida do que a construção de estradas.[101] O subdesenvolvido da rede rodoviária levou a uma crescente demanda por transporte público.[102]

Apesar das melhorias, vários aspectos do setor dos transportes ainda estavam cheios de problemas devido à infraestrutura ultrapassada, falta de investimento, a corrupção e gerenciamento ruim. As autoridades soviéticas foram incapazes de atender à crescente demanda por infraestrutura e serviços de transporte. A frota mercante soviética, no entanto, era uma das maiores do mundo.[84]

Educação[editar | editar código-fonte]

Alunos soviéticos visitam a Checoslováquia em 1985.

Antes de 1917, a educação não era livre e só foi fornecida à nobreza. Estimativas de 1917 eram de que 75-85% da população russa era analfabeta. Anatoly Lunacharsky tornou-se o primeiro Narkompros (Comissariado do Povo para a Educação da Rússia Soviética).[103]

No início, as autoridades soviéticas colocado grande ênfase na eliminação do analfabetismo, portanto, pessoas que foram alfabetizadas foram automaticamente contratados como professores. Por um curto período de tempo, a qualidade foi sacrificada pela quantidade. Em se livrar do analfabetismo, as autoridades soviéticas foram bem sucedidos, e por volta de 1940, Josef Stalin podia anunciar que o analfabetismo tinha sido eliminado. No rescaldo da Grande Guerra Patriótica do sistema educacional do país expandiu-se dramaticamente. Essa expansão teve um efeito tremendo na década de 1960 quase todas as crianças soviéticas tinham acesso à educação, sendo a única excepção as crianças que vivem em áreas remotas. Nikita Khrushchev tentou melhorar a educação, tornando-a mais acessível e deixando claro aos filhos que a educação era intimamente ligado às necessidades da sociedade. A educação também se tornou uma característica importante na criação do Novo Homem Soviético.[103] (ver também: Homo sovieticus)

A educação era gratuita para todos na União Soviética. A acessibilidade para os cidadãos soviéticos para o ensino primário, secundário e técnico foram aproximadamente o mesmo que os Estados Unidos.[104]

Saúde[editar | editar código-fonte]

Cartaz soviético de 1930 alerta sobre a necessidade de pesar as crianças periodicamente, com três ilustrações de vários métodos de pesagem de um bebê.

Em 1917, antes da revolução, as condições de saúde eram significativamente piores do que a dos países desenvolvidos. Como Lenin mais tarde observou: "Ou o piolho vai derrotar o socialismo, ou socialismo vai derrotar os piolhos".[105] O princípio soviético de assistência médica foi concebido pelo Comissariado do Povo para a Saúde em 1918. O sistema de saúde era controlado pelo Estado e era fornecido aos seus cidadãos de forma gratuita, como um conceito revolucionário. O artigo 42 da Constituição Soviética de 1977 deu a todos os cidadãos o direito à assistência médica e acesso gratuito a todas as instituições de saúde na URSS. Antes de Leonid Brezhnev tornar-se p chefe de Estado, o sistema de saúde da União Soviética era considerado de qualidade por muitos especialistas estrangeiros. Isso mudou no entanto, a partir da adesão de Brezhnev e do mandato de Mikhail Gorbachev como líder, o sistema de saúde soviético passou então a ser duramente criticado por muitas falhas básicas, tais como a qualidade do serviço e a desigualdade na sua prestação.[106] O ministro da saúde Yevgeniy Chazov, durante o 19º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, apesar de destacar os sucessos soviéticos pelo fato do país ter o maior número de médicos e hospitais em todo o mundo, reconheceu que algumas áreas do sistema precisavam de melhorias e disse que bilhões de rublos soviéticos foram desperdiçadas.[107]

Após a revolução socialista, a expectativa de vida para todas as faixas etárias dos habitantes do país subiu. Esta estatística em si era visto por alguns como sinal de que o sistema socialista era superior ao sistema capitalista. Estas melhorias continuaram até a década de 1960, quando a expectativa de vida na União Soviética superou a dos Estados Unidos. Ela manteve-se estável durante a maior parte dos anos, embora na década de 1970, tenha caído um pouco, possivelmente por causa do abuso de álcool. Ao mesmo tempo, a mortalidade infantil começou a subir. Depois de 1974, o governo deixou de publicar estatísticas sobre o assunto. Esta tendência pode ser parcialmente explicada pelo aumento drástico do número de grávidas na parte asiática do país onde a mortalidade infantil era mais alta, apesar do declínio marcante na parte europeia mais desenvolvida da União Soviética.[108]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura da União Soviética passou por diversas fases durante a sua existência de 70 anos. Durante os primeiros onze anos depois da Revolução (1918-1929), houve uma relativa liberdade e artistas experimentaram vários estilos diferentes, em um esforço para encontrar um estilo distinto soviética da arte. Lenin queria que a arte fosse acessível ao povo russo.[109]

O governo incentivou uma série de tendências. Na arte e literatura, numerosas escolas, algumas tradicionais e outras radicalmente experimentais, proliferaram. Comunistas escritores como Máximo Gorki e Vladimir Mayakovsky eram ativos durante este tempo. Filmes, como um meio de influenciar uma sociedade iletrada, receberam o incentivo do Estado; muito das melhores datas diretor Serguei Eisenstein de trabalho deste período.

Mais tarde, durante o governo de Josef Stalin, a cultura soviética foi caracterizada pela ascensão e dominação do governo que impôs o estilo do realismo socialista, com todas as outras tendências a ser duramente reprimidas, com raras exceções (por exemplo, obras de Mikhail Bulgákov). Muitos autores foram presos e mortos.[110] Além disso, os religiosos foram perseguidos e enviados para gulags ou foram assassinados aos milhares. A proibição da Igreja Ortodoxa foi temporariamente suspensa em 1940, a fim de conseguir apoio para a guerra soviética contra as forças invasoras da Alemanha. Sob Stalin, símbolos de destaque, que não estavam em conformidade com a ideologia comunista foram destruídos, tais como igrejas ortodoxas e edifícios czarista.

Seguindo o Degelo de Kruschev no final dos anos 1950 e início dos anos 1960, a censura foi diminuída. Maior experimentação de formas de arte tornou-se admissível uma vez, com o resultado que mais sofisticado e sutil trabalho crítico começou a ser produzido. O regime de solta a sua ênfase no realismo socialista, assim, por exemplo, muitos protagonistas dos romances do autor Yury Trifonov se preocupado com os problemas da vida cotidiana em vez de construir o socialismo. Uma literatura underground dissidente, conhecido como samizdat, desenvolvido durante este período de atraso. Na arquitetura da era Kruchev principalmente com foco em design funcionalista em oposição ao estilo altamente decorados de época de Stalin.

Na segunda metade da década de 1980, as políticas de Gorbachev da perestroika e da glasnost expandiu significativamente a liberdade de expressão nos meios de comunicação e imprensa, acabou resultando na eliminação completa da censura, a liberdade total de expressão ea liberdade para criticar o governo.[111]

Feriados[editar | editar código-fonte]

Data Nome em português Nome local Observações
1º de janeiro Ano Novo Новый Год Início do novo ano civil
23 de fevereiro Dia do Exército Vermelho День Советской Армии и Военно-Морского Флота Revolução de Fevereiro (1917) e Formação do Exército Vermelho (1918)
Atualmente é chamado de День Защитника Отечества
8 de março Dia Internacional da Mulher Международный Женский День
12 de abril Dia do Cosmonauta День космонавтики O dia que Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem no espaço, em 1961
1º de maio Dia do Trabalho Первое Мая - День Солидарности Трудящихся
9 de maio Dia da Vitória День Победы Fim da Segunda Guerra Mundial, marcada pela conquista soviética da Alemanha nazista em 1945
7 de outubro Dia da Constituição da URSS День Конституции СССР Dia em que a constituição de 1977 foi aprovada
7 de novembro Revolução Socialista do Grande Outubro Седьмое Ноября Revolução de Outubro (1917). Era chamado День Примирения и Согласия

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Kowalewski, David. (October 1980). ""Protest for Religious Rights in the USSR: Characteristics and Consequences"". Russian Review 39.
  2. Ramet, Sabrina Petra. (Ed). "Religious Policy in the Soviet Union". [S.l.]: Cambridge University Press, 1993.
  3. Anderson. "Religion, State and Politics in the Soviet Union and Successor States". Cambridge, England: Cambridge University Press, 1994. ISBN 0-521-46784-5
  4. Loc.gov: "Anti-religious Campaigns". Visitado em 19 setembro 2011.
  5. O Pacto de Belaveja foi assinado em 8 de dezembro, mas Mikhail Gorbatchov só confirmou a extinção da URSS em 25 de dezembro. Assim, para a Rússia, a dissolução da URSS ocorreu em 9 de dezembro, enquanto que para a própria URSS, a dissolução ocorreu somente no dia 25 de dezembro.
  6. Bridget O'Laughlin (1975) Marxist Approaches in Anthropology Annual Review of Anthropology Vol. 4: pp. 341–70 (October 1975) doi:10.1146/annurev.an.04.100175.002013.
    William Roseberry (1997) Marx and Anthropology Annual Review of Anthropology, Vol. 26: pp. 25–46 (Outubro de 1997) doi:10.1146/annurev.anthro.26.1.25
  7. Robert Service. Stalin: a biography. [S.l.]: Picador, 9 de setembro de 2005. ISBN 978-0-330-41913-0 Visitado em 4 de setembro de 2013.
  8. Norman Davies: "Since 75%–80% of all German losses were inflicted on the eastern front it follows that the efforts of the Western allies accounted for only 20%–25%". Source: Sunday Times, 5 de novembro de 2006.
  9. David Holloway. Stalin and the Bomb. [S.l.]: Yale University Press, 27 de março de 1996. p. 18. ISBN 978-0-300-06664-7
  10. Turner 1987, p. 23
  11. Iain McLean. The concise Oxford dictionary of politics. [S.l.]: Oxford University Press, 1996. ISBN 978-0-19-285288-5
  12. "Russia is now a party to any Treaties to which the former Soviet Union was a party, and enjoys the same rights and obligations as the former Soviet Union, except insofar as adjustments are necessarily required, e.g. to take account of the change in territorial extent. [...] The Russian federation continues the legal personality of the former Soviet Union and is thus not a successor State in the sense just mentioned. The other former Soviet Republics are successor States.", United Kingdom Materials on International Law 1993, BYIL 1993, pp. 579 (636).
  13. "[http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/05/070504_bandeirasovieticafn.shtml Exército russo voltará a usar bandeira comunista". BBC Brasil
  14. "[http://www.yourdictionary.com/cccp CCCP Dictionary definition". Your Dictionary
  15. "[http://www.dgabc.com.br/Noticia/213698/presidente-russo-restaura-hino-e-causa-polemica-no-pais?referencia=navegacao-lateral-detalhe-noticia". Diário do Grande ABC
  16. Wood, 1979. p. 18
  17. N. M. Dronin, E. G. Bellinger (2005). "Climate dependence and food problems in Russia, 1900–1990: the interaction of climate and agricultural policy and their effect on food problems". Central European University Press. p. 38. ISBN 963-7326-10-3
  18. Allan Wildman, The End of the Russian Imperial Army, vol. 1 (Princeton, 1980): 76–80
  19. Hubertus Jahn, Patriotic Culture in Russia During World War I (Ithaca, 1995)
  20. a b c d Acton, Edward. Rethinking the Russian Revolution. [S.l.]: Oxford University Press US, 1990. ISBN 978-0-7131-6530-2 Visitado em 29 August 2010.
  21. Transactions of the American Philosophical Society. James E. Hassell (1991), p. 3. ISBN 0-87169-817-X
  22. Famine in Russia: the hidden horrors of 1921, International Committee of the Red Cross
  23. Richard Sakwa The Rise and Fall of the Soviet Union, 1917–1991: 1917–1991. Routledge, 1999. ISBN 9780415122900. pp. 140–143.
  24. Abbott Gleason (2009). A Companion to Russian History. Wiley-Blackwell. p. 373. ISBN 1-4051-3560-3
  25. a b c Getty, Rittersporn, Zemskov. Victims of the Soviet Penal System in the Pre-War Years: A First Approach on the Basis of Archival Evidence. The American Historical Review, Vol. 98, No. 4 (Oct. 1993), pp. 1017–49.
  26. Thomas Woods. A fome na Ucrânia - um dos maiores crimes do Estado foi esquecido. Visitado em 27 de dezembro de 2012.
  27. Thomas Woods. A fome na Ucrânia - um dos maiores crimes do Estado foi esquecido. Visitado em 27 de dezembro de 2012.
  28. Robert Conquest. The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivization and the Terror-Famine. [S.l.]: Oxford University Press, 1987.
  29. World War II Encyclopædia Britannica. Visitado em 9 de março de 2008.
  30. The Allies' first decisive successes: Stalingrad and the German retreat, summer 1942 – February 1943 Encyclopædia Britannica. Visitado em 12 de março de 2008.
  31. The Legacy of the Siege of Leningrad, 1941–1995. Cambridge University Press. Acessado em 29 de agosto de 2013.
  32. The Associated Press (8 de agosto de 2005). A Soviet Push Helped Force Japan to Surrender The Moscow Times.
  33. Lekic, Slobodan (22 de agosto de 2010). How the Soviets helped Allies defeat Japan San Francisco Chronicle.
  34. Erlikman, V.. Poteri narodonaseleniia v XX veke : spravochnik. Moskva: Russkai︠a︡ panorama, 2004. Note: Estimates for Soviet World War II casualties vary between sources ISBN 5-93165-107-1
  35. Geoffrey A. Hosking (2006). "Rulers and victims: the Russians in the Soviet Union". Harvard University Press. p. 242. ISBN 0-674-02178-9
  36. Reconstruction and Cold War Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Visitado em 27 de dezembro de 2007.
  37. Foreign trade from A Country Study: Soviet Union (Former). Library of Congress Country Studies project.
  38. Source List and Detailed Death Tolls for the Twentieth Century Hemoclysm (em inglês)
  39. [1]
  40. [2]
  41. [3]
  42. [4]
  43. a b http://countrystudies.us/russia/14.htm
  44. MEDEIROS, 2008
  45. [5]
  46. O declínio da URSS, um estudo das causas. Angelo Segrillo, 2000 Ed Record
  47. a b c Library of Congress Country Studies United States government publications in the public domain
  48. a b c World History Center
  49. Union of Soviet Socialist Republics Encyclopædia Britannica. Visitado em 2008-08-20.
  50. Mark Harrison. Accounting for War: Soviet Production, Employment, and the Defence Burden, 1940-1945. [S.l.]: Cambridge University Press, 2002-07-18. p. 167. ISBN 978-0-521-89424-1
  51. Geoffrey A. Hosking. Rulers and victims: the Russians in the Soviet Union. [S.l.]: Harvard University Press, 2006. p. 242. ISBN 978-0-674-02178-5
  52. Government of the USSR. Большая советская энциклопедия (em Russian). Moscow: State Committee for Publishing, 1977. p. 15. vol. 24. Visitado em 23 October.
  53. Anderson, Barbara A.. Growth and Diversity of the Population of the Soviet Union. [S.l.]: Annals of the American Academy of Political and Social Sciences, 1990. 155–77 pp. vol. 510. Visitado em 23 October.
  54. Vallin, J.; Chesnais, J.C.. Recent Developments of Mortality in Europe, English-Speaking Countries and the Soviet Union, 1960–1970. [S.l.]: Population Studies, 1970. 861–898 pp. vol. 29.
  55. Ryan, Michael. Life expectancy and mortality data from the Soviet Union. [S.l.: s.n.], 28 May 1988. p. 1,513–1515. vol. 296.
  56. Davis, Christopher; Feshbach, Murray. Rising Infant Mortality in the USSR in the 1970s. Washington, D.C.: United States Census Bureau. p. 95.
  57. Krimins, Juris. The Changing Mortality Patterns in Latvia, Lithuania and Estonia: Experience of the Past Three Decades. [S.l.: s.n.], 3–7 December 1990. Paper presented at the International Conference on Health, Morbidity and Mortality by Cause of Death in Europe.
  58. Religions attacked in the USSR (Beyond the Pale)
  59. Lenin, V. I.. About the attitude of the working party toward the religion. Collected works, v. 17, p.41. Visitado em 2006-09-09.
  60. a b c Country Studies: Russia-The Russian Orthodox Church U.S. Library of Congress, Accessed Apr. 3, 2008
  61. Time Magazine, December 14, 1931, mentioned demolition by liquid air cartridges; this is not corroborated by current Russian sources www.time.com
  62. A Catedral de Cristo Salvador. Site Ecclesia. Arquidiocese Ortodoxa Grega de Buenos Aires e América do Sul.
  63. Cole, Ethan Gorbachev Dispels 'Closet Christian' Rumors; Says He is Atheist Christian Post Reporter, Mar. 24, 2008
  64. a b c d e f g Gregory, Paul R.. The Political Economy of Stalinism: Evidence from the Soviet Secret Archives. [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. 218–20 pp. ISBN 0-521-53367-8
  65. Mawdsley, Evan. The Stalin Years: The Soviet Union, 1929–1953. [S.l.]: Manchester University Press, 1998. p. 30. ISBN 0-7190-4600-9
  66. Wheatcroft, S. G.; Davies, R. W.; Cooper, J. M.. Soviet Industrialization Reconsidered: Some Preliminary Conclusions about Economic Development between 1926 and 1941. [S.l.]: Economic History Review, 1986. 30–2 pp. vol. 39. ISBN 978-0-7190-4600-1
  67. Reconstruction and Cold War Library of Congress. Visitado em 23 de outubro de 2010.
  68. a b c Reconstruction and Cold War Library of Congress Country Studies. Visitado em 23 October 2010.
  69. IMF and OECD. A Study of the Soviet Economy. [S.l.]: International Monetary Fund, 1991. p. 9. vol. 1. ISBN 0-14-103797-0
  70. a b c Economy Library of Congress Country Studies. Visitado em 23 de outubro de 2010.
  71. a b Hanson, Philip. The Rise and Fall of the Soviet Economy: An Economic History of the USSR from 1945. London: Longman, 2003.
  72. Bergson, Abram. (1997). "How Big was the Soviet GDP?". Comparative Economic Studies 39 (1): 1–14. DOI:10.1057/ces.1997.1.
  73. Harrison, Mark. (1993). "Soviet Economic Growth Since 1928: The Alternative Statistics of G. I. Khanin". Europe–Asia Studies 45 (1): 141–167. DOI:10.1080/09668139308412080.
  74. Gvosdev, Nikolas. The Strange Death of Soviet communism: A Postscript. [S.l.]: Transaction Publishers, 2008. ISBN 1-4128-0698-4
  75. The Soviet Economic Decline, Historical and Republican Data (PDF) Banco Mundial (1994). Visitado em 23 October 2010.
  76. Rosefielde, Steven. (1996). "Stalinism in Post-Communist Perspective: New Evidence on Killings, Forced Labour and Economic Growth in the 1930s". Europe-Asia Studies 48 (6): 956–987. Taylor & Francis, Ltd..
  77. Central Intelligence Agency (1991). GDP – Million 1990 The World Factbook. Visitado em 12 June 2010.
  78. Central Intelligence Agency (1992). GDP Per Capita – 1991 The World Factbook. Visitado em 12 de junho de 2010.
  79. Wilson, David. The Demand for Energy in the Soviet Union. [S.l.]: Rowman and Littfield, 1983. 105 to 108 pp. ISBN 9780709927044
  80. Wilson 1983, p. 295.
  81. Wilson 1983, p. 297.
  82. Wilson 1983, p. 297–99.
  83. Wilson 1983, p. 299.
  84. a b c Central Intelligence Agency (1991). Soviet Union – Communications The World Factbook. Visitado em 20 de outubro de 2010.
  85. Central Intelligence Agency (1992). Soviet Union – Economy The World Factbook. Visitado em 23 de outubro de 2010.
  86. Hardt, John Pearce; Hardt, John P.. Russia's Uncertain Economic Future: With a Comprehensive Subject Index. [S.l.]: M.E. Sharpe, 2003. p. 233. ISBN 0-7656-1208-9
  87. Science and Technology Library of Congress Country Studies. Visitado em 23 de outubro de 2010.
  88. Rose Eveleth (12 December 2013). Soviet Russia Had a Better Record of Training Women in STEM Than America Does Today. Smithsonian.com. Acessado em 26 de junho de 2014.
  89. Prêmio NobelNikolay Semenov. Visitado em 15 de setembro de 2014.
  90. Instituto Matemático Steklov: Novikov, Sergei Petrovich. Visitado em 15 de setembro de 2014.
  91. MacFarland, Margo. (3 de maio de 1990). "Global Tech Strategies Brought to U.S". Washington Technology.
  92. Deckert, R.A.. "The science of uncovering industrial information", Business Journal of the Treasure Coast, 10 de outubro de 1990.
  93. "U.S. Firms Must Trade Short-Term Gains for Long-Term Technology Planning", Inside the Pentagon, 7 de março de 1991.
  94. Highman, Robert D.S.; Greenwood, John T.; Hardesty, Von. Russian Aviation and Air Power in the Twentieth Century. [S.l.]: Routledge, 1998. p. 134. ISBN 978-0-7146-4784-5
  95. a b Wilson 1983, p. 205.
  96. Wilson 1983, p. 201.
  97. Ambler, Shaw and Symons 1985, p. 166–67.
  98. Ambler, Shaw and Symons 1985, p. 168.
  99. Ambler, Shaw and Symons 1985, p. 165.
  100. a b Ambler, Shaw and Symons 1985, p. 167.
  101. Ambler, Shaw and Symons 1985, p. 169.
  102. Fundo Monetário Internacional e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico 1991, p. 56.
  103. a b Law, David A.. Russian Civilization. [S.l.]: Ardent Media, 1975. 300–1 pp. ISBN 978–0842205292
  104. Pejovich, Svetozar. The Economics of Property Rights: Towards a Theory of Comparative Systems. [S.l.]: Springer Science+Business Media, 1990. p. 130. ISBN 978-0-7923-0878-2
  105. Lane 1992, p. 353.
  106. Lane 1992, p. 352.
  107. Lane 1992, p. 352–53.
  108. Dinkel, R.H.. The Seeming Paradox of Increasing Mortality in a Highly Industrialized Nation: the Example of the Soviet Union. [S.l.: s.n.], 1990. 155–77 pp.
  109. 'On the other hand...' See the index of Stalin and His Hangmen by Donald Rayfield, 2004, Random House
  110. Rayfield 2004, pp. 317–320.
  111. "Gorbachev, Mikhail." Encyclopædia Britannica. 2007. Encyclopædia Britannica Online. 2 October 2007 <http://www.britannica.com/eb/article-9037405>. "Sob sua nova política de glasnost ("abertura"), um importante degelo cultural teve lugar: as liberdades de expressão e de informação foram significativamente ampliadas, a imprensa e radiodifusão foram autorizados a franqueza sem precedentes em sua reportagem e crítica; e legado do país de stalinista regimes totalitários acabou por ser completamente repudiada pelo governo. "

Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • MEDEIROS, Carlos (2008) Desenvolvimento econômico e ascensão nacional: rupturas e transições na Rússia e na China. p. 173-273. in: FIORI, José L.; SERRANO, Franklin & MEDEIROS, Carlos A. (2008) O mito do colapso americano. Ed. Record: SP e RJ.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre União Soviética