Kampuchea Democrático

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Democratic Kampuchea official name.svg
Kâmpŭchéa Prâcheathippadey
Kampuchea Democrático
1979 Flag of Cambodia.svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Hino nacional
Dap Prampi Mesa Chokchey
("O Glorioso 17 de Abril")
Localização de KD
Continente Ásia
Capital Phnom Penh
12° 15' N 105° 36' E
Língua oficial Khmer
Governo Ditadura Comunista
Primeiro-ministro
 • 1975-1976 Norodom Sihanouk
Khieu Samphan (Pol Pot foi o líder de facto desde o início até o fim do regime)
Moeda Nenhuma, já que o dinheiro foi abolido

Kampuchea Democrático,[1] [2] [3] [4] também referido como Kampuchea Democrática[5] [6] (khmer:Democratic Kampuchea official name.svg, transl. Kâmpŭchéa Prâcheathippadey ) foi um Estado que existiu no Sudeste Asiático, onde hoje se localiza o Camboja, entre os anos de 1975 e 1979. Foi fundado pelas forças do Khmer Vermelho, quando as mesmas derrubaram o regime da República Khmer, regido pelo general Lon Nol. Os comunistas se referiam ao governo anterior como Angkar Loeu ("organização superior"),[7] e os membros da liderança do Partido Comunista do Kampuchea (PCK) referíam-se a si mesmos como Angkar Pavedat, durante esse período.[8]

Pol Pot era o líder do Khmer Vermelho; em 1979 o território do Camboja (então conhecido pelo nome de Kampuchea Democrático) foi invadido por tropas do exército da República Socialista do Vietnã, e foi instalada a República Popular do Kampuchea (ou Camboja), como estado substituto ao Kampuchea Democrático. O governo dirigido por Heng Samrin tornou-se aliado do governo vietnamita e da URSS, similar àquele instalado em Laos em Dezembro de 1975. As forças do Khmer Vermelho - que haviam promovido um banho de sangue quando dominavam todo o país - se reagruparam na região da fronteira com a Tailândia, mantendo as mesmas estruturas políticas aplicadas no Kampuchea Democrático nas regiões que ainda controlavam. Sua sobrevivência deveu-se ao apoio da China e à ajuda financeira e militar (fornecimento de armas) dos EUA, razão pela qual a maioria dos países do Ocidente continuaram a reconhecê-lo como o governo legítimo do Camboja.

Em Junho de 1982 o Governo de Coalizão do Kampuchea Democrático foi formado.[9]

História[editar | editar código-fonte]

Em 1970, o general Lon Nol e a Assembléia Nacional depuseram o rei Norodom Sihanouk, então chefe de estado. Sihanouk, opondo-se ao novo governo, formou uma aliança com o Khmer Vermelho contra o governo recém-estabelecido pelo general Lon Nol. Ao mesmo tempo, aconteciam bombardeios ilegais na região leste do Camboja, onde algumas tropas do Viet Cong (Frente Nacional para a Libertação do Vietname) se escondiam. Os bombardeios foram autorizados pelo presidente Richard Nixon e coordenados pelo seu conselheiro pessoal, Henry Kissinger. Tais bombardeios eram ilegais, pois os Estados Unidos não haviam declarado guerra oficialmente ao Camboja. Mais de 539,129 toneladas de bombas foram jogadas sobre o Camboja, mais que o triplo do total de bombas jogadas sobre o Japão na Segunda Guerra Mundial. Apesar dos bombardeios, o Khmer Vermelho, que contava com amplo apoio popular no campo, conseguiu tomar a capital Phnom Penh em 17 de Abril de 1975. O rei Norodom Sihanouk permaneceu como uma figura poderosa no governo até 1976.

Após a queda de Phnom Penh, o Khmer Vermelho imediatamente evacuou a capital. As estradas nas adjacências da cidade estavam lotadas de homens, mulheres e crianças oriundos da capital e de outras cidades, evacuadas à força pelo Khmer Vermelho. Phnom Penh – cuja população era de aproximada mente 3 milhões de pessoas, incluindo refugiados dos bombardeios – foi totalmente esvaziada praticamente do dia para a noite. Evacuações como essa ocorreram também em Battambang, Kampong Cham, Siem Reap, Kampong Thom e outras regiões.

O Khmer Vermelho justificou as evacuações alegando que não era possível transportar comida suficiente para alimentar uma população urbana de mais de dois milhões de pessoas, desta forma, as pessoas, então teriam que ser levadas até a comida. O Khmer Vermelho estava determinado a transformar o país em uma nação agrária na qual a corrupção e o "parasitismo" da vida urbana fossem completamente erradicados.

O Khmer Vermelho afirmava que seu objetivo era construir uma sociedade mais igualitária. Entretanto, algumas pessoas eram "mais iguais" do que outras. Membros do partido comunista, líderes de facções camponesas locais que de alguma maneira cooperaram com o Partido, membros das Forças Armadas do Khmer Vermelho e oficiais da Angkar tinham um padrão de vida mais elevado que o resto da população.

Dado à rigidez de sua ideologia revolucionária, é um tanto surpreendente o fato de que os membros do mais alto escalão do Khmer Vermelho mostrassem uma inclinação para o nepotismo que superava até mesmo a elite da era monárquica. Laços familiares eram importantes, tanto por motivos culturais quanto pela desconfiança em relação aos desconhecidos, especialmente comunistas pró-Vietnã. A ganância era, também, uma das razões do nepotismo. Diferentes ministérios, como por exemplo, o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Indústria e Exportação eram controlados e explorados pelas poderosas famílias de membros do Khmer Rouge. A administração das corporações diplomáticas era uma atividade especialmente lucrativa no governo pseudo-socialista feudalista do Khmer Vermelho.

Imediatamente após sua vitória no mês de abril, houve incidentes desagradáveis entre o Khmer Vermelho e o governo do Vietnã em maio de 1975. No mês seguinte, Pol Pot e Ieng Sary visitaram Hanói e propuseram um tratado de aliança entre as duas nações. O tratado teve uma recepção fria por parte dos líderes vietnamitas.

Frente a uma crescente tensão com membros do Khmer Vermelho e a antipatia vietnamita pelas políticas radicais do governo do Kampuchea Democrático, a liderança vietnamita decidiu por apoiar os movimentos de resistência contra o Khmer Vermelho, o que resultou no surgimento de muitos focos de resistência na área da fronteira leste. A paranóia de guerra alcançou níveis dramáticos. Em Maio de 1978, ouviu-se anunciar na Rádio Phnom Penh que se cada soldado cambojano matasse pelo menos 30 vietnamitas, apenas 2 milhões de soldados seriam necessários para exterminar toda a população vietnamita, que na época era de 50 milhões de pessoas. Aparentemente a liderança do Khmer Vermelho, em Phnom Penh tinha grandes ambições territoriais, o que incluía a retomada da região do Delta do Rio Mekong, que eles consideravam um território khmer.

Massacres de vietnamitas étnicos por tropas do Khmer Vermelho se intensificaram na área da fronteira leste após o levante de Maio. Em Novembro, Vorn Vet liderou um golpe de estado frustrado contra Pol Pot. Haviam, então dezenas de milhares de cambojanos e vietnamitas exilados em território vietnamita. Em 3 de dezembro de 1978 a Rádio Hanói anunciou a formação da Frente Unida Nacionalista Cambojana para Salvação Nacional (FUNCSN ou KNUFNS, como é conhecida internacionalmente). A FUNCSN era um grupo heterogêneo formado por exilados cambojanos comunistas e não-comunistas e partilhavam da antipatia ao regime de Pol Pot e uma quase total dependência do apoio vietnamita. A FUNCSN defendia a legitimidade de uma futura invasão vietnamita no Kampuchea Democrático e pelo estabelecimento, por conseguinte, de um regime satélite no Camboja.

No meio tempo, com o passar do ano de 1978, o ritmo do genocídio e das incursões violentas na área leste ultrapassaram todos os limites e o governo de Hanói sentiu que era chegada a hora de agir e, em 22 de dezembro de 1978 o exército vietnamita lançou sua ofensiva com o objetivo de derrubar o governo de Pol Pot e por um fim ao genocídio no Kampuchea Democrático. Uma força de ataque composta de 120.000 tropas, consistindo de unidades de infantaria combinados a cavalaria blindada com forte apoio da artilharia marchou em direção ao oeste vinda das regiões camponesas das províncias no Sudeste cambojano. Após 17 dias de ofensiva, Phnom Penh foi capturada em 7 de janeiro de 1979. A nova administração recebeu amplo apoio político e militar do Vietnã, bem como da URSS. Durante a década de 1980, as principais preocupações do regime vigente eram a reconstrução do país, restauração da economia local e o combate à resistência do Khmer Rouge tantos por meios políticos quanto militares.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Resolução do Parlamento Europeu sobre o Camboja - Parlamento Europeu, ata de 3 de julho de 2003.
  2. Aviso de Diário da República 47/84 SÉRIE I de Sexta-feira 24 de Fevereiro de 1984 - junho armazenamento armas bacteriológicas. pt.legislacao.org. Página visitada em 2009-09-27.
  3. 1970: Mao Tse-tung intervém no Camboja - Deutsche Welle, 24 de outubro de 2009.
  4. Camboja inicia processo legal para julgar os Khmers Vermelhos - UOL Últimas notícias, 3 de julho de 2006.
  5. [1]
  6. [2]
  7. Cambodia Since April 1975. Centro de Estudos do Sudeste Asiático, Universidade do Norte do Illinois. Página visitada em 26-11-2007.
  8. A History of Democratic Kampuchea (1975-1979). monument-books.com. Página visitada em 26-11-2007.
  9. COALITION GOVERNMENT OF DEMOCRATIC KAMPUCHEA. countrystudies.us. Página visitada em 2007-11-16.