Guerra Civil do Camboja

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Guerra Civil do Camboja
Parte da(o) Guerra do Vietnã (Segunda Guerra da Indochina)
Cambodia sm04.png
Cambodia
Data 1967–1975
Local Camboja/República Khmer
Desfecho Queda da República Khmer ao Khmer Vermelho, a criação de Kampuchea Democrático
Início do Genocídio cambojano.
Posterior derrota do Khmer Vermelho.
Combatentes
Flag of Cambodia.svg Reino do Camboja (1967-1970)
Flag of the Khmer Republic.svg República Khmer
Flag of the United States.svg Estados Unidos
Flag of South Vietnam.svg Vietnã do Sul
Flag of Cambodia.svg Frente Unida Nacional do Kampuchea
 :

Flag of Vietnam.svg Vietnã do Norte
FNL Flag.svg Viet Cong (NLF)

Principais líderes
Flag of the Khmer Republic.svg Lon Nol CPKbanner.svg Pol Pot
Forças
~250,000 tropas das FANK ~100,000 (60,000) Khmer Vermelho
Vítimas

A Guerra Civil Cambojana foi um conflito que envolveu as forças do Partido Comunista do Kampuchea (conhecido como o Khmer Vermelho) liderado por Pol Pot e os seus aliados na República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (NLF, ou , pejorativamente, Viet Cong) contra as forças governamentais do Camboja do Presidente da República o Marechal Lon Nol (após Outubro de 1973, a República Khmer), que eram apoiados pelos Estados Unidos e a República do Vietnã (Vietnã do Sul).

Em Março de 1970 Lon Nol derrubou o príncipe Norodom Sihanouk em um golpe de Estado, com a ajuda dos Estados Unidos, porque Norodom tinha simpatia com a luta do Vietnã do Norte e do Vietcong contra o governo do Vietnã do Sul e os militares americanos durante a Guerra do Vietnã, assim a República Khmer seria proclamada.

A luta foi agravada pela influência e as ações dos aliados dos dois beligerantes. A participação do Exército Popular do Vietnã (Exército do Vietnã do Norte) foi concebida para proteger as suas bases, áreas e santuários na região leste do Camboja, sem que a acusação de seu esforço militar no sul do Vietnã teria sido mais difícil. Os EUA foi motivado pela necessidade de ganhar tempo para a sua retirada do Sudeste Asiático e para proteger seu aliado, o Vietnã do Sul. Forças americanas, do Sul e Norte Vietnamitas participaram diretamente (em um momento ou outro) na luta. O governo central foi auxiliado principalmente por meio da aplicação de campanhas maciças de bombardeios aéreos dos EUA e ajuda material e financeira direta.

Após cinco anos de luta feroz que trouxe enormes baixas, a destruição da economia, a fome da população, e atrocidades graves, o governo republicano foi derrotado em 17 de Abril de 1975, quando o Khmer Vermelho vitorioso proclamou a criação do Kampuchea Democrático. Assim, tem sido alegado, que a intervenção dos EUA no Camboja contribuiu para a eventual tomada do poder pelo Khmer Vermelho, que cresceu a partir de 4000 em número, em 1970, para 70.000 em 1975. Este conflito, embora uma guerra civil nativa, foi considerada como a maior parte da Guerra do Vietnã (1963-1978), que também envolveram os vizinhos Reino do Laos, Vietnã do Sul e Vietnã do Norte .

A eclosão da guerra civil[editar | editar código-fonte]

Em 11 de março de 1967, quando o príncipe Norodom Sihanouk estava visitando a França, uma rebelião estourou em uma área próxima a Samlaut na província de Battambang, onde os aldeões enfurecidos atacaram uma brigada cobradores de impostos. Com o valor dos quadros dos líderes locais do Partido Comunista do Camboja (PCC), a insurgência ganhou força na região. Lon Nol, atuando na ausência do príncipe, mas com sua permissão, respondeu por decretar a lei marcial, centenas de camponeses foram mortos e vilarejos destruídos durante a repressão. Norodom retornou em março, quando abandonou sua posição de centro e ordenou pessoalmente a prisão de Khieu Samphan, Nim Hu e Hou Yuon, líderes "contra-governo" e todos aqueles que escaparam ao nordeste. Nesse ano, o PCC deu origem ao Khmer Vermelho, liderado por Pol Pot, Ieng Sary e Son Sen, o líder maoísta "Maquisards", a guerrilha foi nomeada assim devido a etnia Khmer que predomina no Camboja. Em 17 de janeiro de 1968, foi lançada a primeira ofensiva dos guerrilheiros, que não tinha mais de 4.000-5.000 soldados, em grande parte do país, posteriormente o número de guerrilheiros cresceu para 100.000. Em 11 de Maio de 1969, o príncipe Norodom Sihanouk congratulou-se com a restauração de relações diplomáticas normais com os Estados Unidos e criou um novo Governo de Salvação Nacional com Lon Nol como primeiro-ministro , ele disse: "Somos uma nova carta de jogo contra os comunistas asiáticos que atacam o país antes do fim da Guerra do Vietnã ".

Durante todo o conflito, a guerrilha recebeu apoio do Vietnã do Norte, a China e a União Soviética que lhe enviaram armas. Em contraste, estavam os EUA enviando ao governo de Lon Nol armas para combater os comunistas.

Golpe de Estado[editar | editar código-fonte]

Em 12 de Março de 1970, o Primeiro-Ministro fechou o porto de Sihanoukville para os norte-vietnamitas e fez um ultimato ao príncipe Norodom Sihanouk para sair do Camboja dentro de 72 horas - porque este apoiava o comunismo - juntamente com os Vietcongs e o Exército Popular do Vietnã do Norte em uma ação militar. Norodom partiu, primeiro para Moscou (União Soviética) e, em seguida a Pequim (China), exigindo ajuda do Exército Popular do Vietnã do Norte (EPVN) e ao Vietcong por serem companheiros do Khmer Vermelho. Em 18 de março, Lon Nol solicitou à Assembléia Nacional votar pelo futuro do líder principesco da nação e a monarquia constitucional foi abolida com a proclamação da República Khmer em que Lon foi seu primeiro presidente.

O massacre dos vietnamitas[editar | editar código-fonte]

Rumores sobre uma possível ofensiva do EPVN a Phnom Penh eram evidentes por si mesmas. A paranóia tomou por uma onda de violência contra 400.000 pessoas de etnia vietnamita, Lon esperava usar os vietnamitas como reféns contra as atividades do Vietcong e do EPVN presos em campos de detenção. Nas cidades e aldeias do país, soldados e civis cambojanos assassinaram seus vizinhos vietnamitas e, em 15 de Abril desse ano, os corpos de 800 vietnamitas (bem como de sul-vietnamitas) que aparecem flutuando no rio Mekong. O Vietnã do Norte, o Vietnã do Sul e o Vietcong condenaram e denunciaram o massacre de seus conterrâneos, também os não cambojanos - mesmo aqueles que não eram membros da comunidade budista - condenaram os assassinatos.

Atentados contra o Primeiro-Ministro e o Presidente[editar | editar código-fonte]

Durante a guerra em 21 de agosto de 1972, houve um ataque contra o primeiro-ministro Son Ngoc Thanh, pelo Khmer Vermelho durante a sua viagem para o Ministério (na capital Phnom Penh) quando uma bomba explodiu em um carro estacionado na orla da estrada. Três guarda-costas ficaram feridos e dois dos três suspeitos foram detidos pelo corpo de segurança de Son. Em 17 de Março de 1973 (menos de um ano depois), o ex-oficial So Potha, filho do príncipe deposto Norodom Sihanouk, sequestrou um avião de caça e lançou duas bombas sobre o palácio presidencial, mais de 20 soldados morreram e 35 ficaram gravemente feridos. Algumas horas mais tarde, o presidente Lon Nol foi à rádio do país e acusou "há um grupo de traidores e inimigos que querem destruir a República. Este foi uma clara tentativa de me matar." Naquele mesmo mês, Norodom visitaria as "áreas libertadas" do país pela guerrilha, incluindo o sítio histórico de Angkor Wat, (datado dos séculos IX e XIII), cuja silhueta aparece na atual bandeira do Camboja, suas visitas foram usados como propaganda guerrilheira e não como influência real sobre assuntos políticos.

A queda de Phnom Penh[editar | editar código-fonte]

Em 12 de abril de 1975, perante o avanço das forças do Khmer Vermelho, integrantes da embaixada dos EUA foi evacuada, juntamente com o presidente Lon Nol, seu irmão Lon Non e todo o gabinete governamental e muitos estrangeiros, incluindo os residentes e jornalistas correspondentes de vários meios de comunicação, evacuaram a capital Phnom Penh, antes da sua queda nas mãos de Pol Pot. As 10 da manhã de 17 de Abril, foi ouvido na rádio a voz do general Se Mey Chan, das Forças Armadas Nacional Khmer (FANK), que anunciou a rendição da capital.

Quando o vitorioso Khmer Vermelho entrou na capital no mesmo dia, o povo cambojano os acolheu com alegria e flores acreditando que tudo iria mudar com o fim da guerra e a chegada da paz. Isso foi sob a influência do fim da Guerra do Vietnã pela a queda de Saigon, Vietnã do Sul, nas mãos dos Vietcongues e norte-vietnamitas em 30 de abril desse mesmo ano e do triunfo do Pathet Lao no Laos sobre o Governo de Souvanna Phouma nessa época. Nunca imaginaram que o pior viria a seguir.

Os campos da morte[editar | editar código-fonte]

Logo após a vitória, os "vermelhos" fizeram com que a população saísse massivamente de Phnom Penh, em caráter obrigatório, para campos de trabalho forçado de colheita de arroz, esses campos são a versão "crioula" dos campos de concentração da Alemanha nazista e os gulags da União Soviética. Ali torturaram e assassinaram (por ordens de Pol Pot) dezenas de milhares de pessoas que não compartilham de sua ideologia, e várias pessoas que usavam óculos foram vítimas de de fuzilamento, só porque tinham de usá-los e também aqueles que sabiam ler e escrever, porque muitos dos Khmeres eram analfabetos. Isso provocou um êxodo em massa de refugiados na vizinha Tailândia, que estavam em acampamentos de ajuda humanitária da Cruz Vermelha Internacional. Adotou-se o nome oficial para o país de Kampuchea Democrático. Norodom Sihanouk renunciou ao cargo de chefe de Estado em abril de 1976, a recém-eleita Assembleia Nacional, composta apenas por membros do Partido Comunista do Camboja, proclamou novo presidente do país, até então vice primeiro-ministro e comandante em chefe das Forças Armadas, Khieu Samphan.

Invasão vietnamita[editar | editar código-fonte]

Em 1978, houve incidentes na fronteira envolvendo tropas Cambojanas com as do Vietnã, de modo que este país (reunificado após a queda de Saigon), invadiu o Camboja em 1979, terminando o terror e as violações dos direitos humanos que foram feitas nos campos de trabalho forçados e foram revelados ao mundo as atrocidades dos "vermelhos". Calcula-se que entre 800 mil a 2,5 milhões de cambojanos tenham morrido em conseqüência da fome, de doenças ou em campos de extermínio. Foi proclamada a República Popular do Kampuchea, mas mesmo assim continuou oposição armada do Khmer Vermelho leais a Norodom Sihanouk contra as tropas vietnamitas e o governo de Samrin, que enfrenta também a oposição da Frente Nacional de Libertação do Povo Khmer, liderada pelo ex-primeiro-ministro Son Sann, apoiado pelos EUA.

O país mergulha no caos político, econômico e social. Em junho de 1982, as forças oposicionistas formam uma aliança, cujos dirigentes são Sihanouk (presidente), Son Sann (primeiro-ministro) e um dos líderes do Khmer Vermelho, Khieu Samphan, (vice-presidente). A aliança recebe o apoio da China e dos EUA. A URSS prossegue auxiliando o governo de Samrin. Norodom foi chefe de um governo de oposição no exílio (1982-1987).

Diante de uma série de vitórias da aliança oposicionista, em setembro de 1989, o Vietnã inicia a sua fase de retirada da nação, a Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou um plano de paz em 1990 que foi aceita por todas as facções, o qual previa o estabelecimento de um regime democrático.

Em 1991, Norodom Sihanouk foi nomeado presidente nacional do Conselho Supremo e recuperou o trono ao ser reimplantada a monarquia parlamentar no Camboja em 1993 e formou-se um governo de coligação formado pelo Partido Popular de Camboja (PPC) de Hun Sen e os monarquistas do Funcinpec, do príncipe Norodom Ranariddh, filho do monarca. A coalizão se desfez em meados de 1997, ambas as partes, pegaram em armas e iniciaram fortes combates na capital e no norte do país. Hun Sen tomou o poder em um golpe de Estado e anunciou a realização de eleições livres no ano seguinte (1998). Atualmente, o país desfruta de uma paz estável, após sofrer de guerra e violações dos direitos humanos.

Referências

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  2. Marek Sliwinski, Le Génocide Khmer Rouge: Une Analyse Démographique (L’Harmattan, 1995).
  3. Banister, Judith, and Paige Johnson (1993). "After the Nightmare: The Population of Cambodia." In Genocide and Democracy in Cambodia: The Khmer Rouge, the United Nations and the International Community, ed. Ben Kiernan. New Haven, Conn.: Yale University Southeast Asia Studies.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Nalty, Bernard C. Air War over South Vietnam: 1968-1975. Washington DC: Air Force History and Museums Program, 2000.
  • Sutsakhan, Lt. Gen. Sak, The Khmer Republic at War and the Final Collapse. Washington DC: U.S. Army Center of Military History, 1984.
  • Chandler, David P. The Tragedy of Cambodian History. New Haven CT: Yale University Press, 1991.
  • Deac, Wilfred P. Road to the Killing Fields: the Cambodian Civil War of 1970-1975. College Station TX: Texas A&M University Press, 1997.
  • Dougan, Clark, David Fulghum, et al, The Fall of the South. Boston: Boston Publishing Company, 1985.