Détente

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Détente é uma palavra francesa que significa distensão ou relaxamento. O termo tem sido usado em política internacional desde a década de 1970. De uma maneira geral, o termo pode ser empregado para se referir a qualquer situação internacional na qual nações que tinham anteriormente um relacionamento hostil (sem, no entanto, estarem em um estado de guerra declarada) passam a restabelecer relações diplomáticas e culturais, apaziguando seu relacionamento e diminuindo o risco de conflito declarado.

O termo é mais freqüentemente utilizado em referência à redução geral de tensão entre a União Soviética e os Estados Unidos da América durante a Guerra Fria, ocorrido no final da década de 1960 (após a Crise dos mísseis de Cuba) até o início dos anos 1980. A détente avançou paulatinamente até os Encontros de Cúpula de Reykjavík, em 1986, e de Washington (Intermediate-Range Nuclear Forces Treaty), em (1987), quando Ronald Reagan e Gorbatchev assinaram o fim da Guerra Fria. Há, todavia, quem defenda que a Guerra Fria continuou de facto até o colapso e conseqüente dissolução da URSS em 1991.

Histórico[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1970, nas administrações de Nixon e Ford, nos EUA, e de Brezhnev na URSS, a Guerra Fria sofreu grandes modificações com a implementação da détente pelas duas potências. A URSS buscava mostrar ao público como a nova política de coexistência pacífica, com o fim da corrida armamentista era algo positivo, bem como tentava se vangloriar por isso.[1] Cumpre destacar que essa foi uma política adotava pelas nações aos fins da década de 60 com medo de uma guerra nuclear, que dado o poderio armamentista de ambas as potências, teria consequências ainda mais desastrosas que as guerras anteriores, ainda, por lado da URSS, com o interesse de ter suas fronteiras no leste Europeu reconhecidas.

As principais motivações para a détente, conforme mencionado acima, era o medo do desencadeamento de mais uma guerra, pois o poder militar da URSS não era mais inferior àquele detido pelos EUA. Ainda, com essa nova política, desejavam expandir o comércio entre as nações, bem como reduzir a capacidade nuclear, buscando a suficiência, por parte dos EUA. Cumpre destacar que a détente, apesar da tentativas dos governos de mostrar o contrário, não foi livre de críticas, principalmente pelo Congresso e população estadunidense, que acreditavam que grande parte os atos decorrentes da détente, como o SALT, e os tratados de Helsinque favoreciam a URSS em detrimento dos EUA, entendimento esse compartilhado também pelo escritor soviético exilado Aleksandr Solzhenitsyn,[2] que alertava os EUA sobre os perigos da détente indicando que o desconhecimento dos EUA a respeito do regime soviético é produto da distância, da falta de informação, da estreiteza dos pontos de vista e das interpretações tendenciosas dos observadores e comentaristas. A população temia a política de détente tanto por medo do avanço nuclear da URSS como também pela mesma significar um afastamento dos EUA sobre a violação dos direitos humanos que ocorria no governo soviético, manifestação evidente após a assinatura dos acordos de Helsinki, fato este também criticado pelo escritor acima mencionado.

Dentre os motivos que levaram ao fracasso da détente, pode-se mencionar a insatisfação popular dos americanos, das questões pessoais, principalmente do presidente Nixon, que se isolava na tomada de decisões com o secretário Kissinger, sofrendo diversas críticas dos demais membros da administração e deixando de se aproveitar de seu conhecimento. Por outro lado, à época, tiveram conflitos internacionais que alarmaram a situação entre os países, como a Guerra do Vietnã, a imigração de judeus para os EUA e as guerras travadas entre Síria, Egito e Israel, que contavam com o apoio de cada um dos lados e frequentes ameaças de uma potência para outra. Por fim, teve-se os conflitos com o Congresso americano, que acreditando que os acordos e medidas tomados no âmbito da détente era unilaterais e favoreciam apenas os EUA, dessa forma, propuseram várias emendas e restrições que não agradaram a URSS, conforme notícia de 15/01/75.[3] Ainda, membros da administração, como o secretário de Defesa James Schlesinger, advertiu o congresso em 75 que reduções unilaterais do poderio norte-americano não eram positivas para a détente, e que apesar desta, ainda existiam inúmeras divergências entre os EUA e a URSS, decorrente de seus sistemas sociais e objetivos políticos econômicos, de forma que períodos de cooperação iriam inevitavelmente se intercalar com períodos de contestação, como de fato ocorreu, e os EUA deveriam estar preparados para isso.[4] De forma geral, apesar das tentativas das duas potências de manter uma coexistência pacífica, inúmeras divergências ideológicas, políticas e econômicas manifestadas em atitudes pessoais, domésticas e internacionais refletiram a impossibilidade dessa política no longo prazo, refletida principalmente em conflitos internacionais nos quais havia ameaças de ambos os lados e nas manifestações domésticas que contrariavam essa política.

Referências


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