Guerra nuclear

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Guerra nuclear, ou guerra atômica, é uma guerra na qual são usadas armas nucleares. Só foram usadas armas nucleares em combate no final da Segunda Guerra Mundial, nos bombardeamentos nucleares das cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, por apenas um dos lados — os Estados Unidos. Em geral a discussão pode ser dividida em vários subgrupos:

  • Na guerra nuclear limitada são apenas usadas pequenas quantidades de armas, sendo o seu alvo principal o ataque às forças militares opositoras;
  • Na guerra nuclear total são usadas grandes quantidades de armas, dirigidas a um país inteiro, independentemente dos alvos poderem ser militares ou civis.

De Hiroshima a Semipalatinsk[editar | editar código-fonte]

Os Estados Unidos são a única nação que alguma vez usou armas nucleares, tanto em guerra como contra populações civis, tendo lançado duas bombas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki em 1945.

Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos desenvolveram e mantiveram uma força estratégica baseada no bombardeiro “B-29”, que seria capaz de atacar qualquer potencial agressor, partindo de bases situadas no país. A possibilidade de um ataque nuclear aos ‘EUA’ era considerada como remota, visto que nenhuma outra nação possuía tal armamento. Sendo assim, muitas estrategistas receavam que um general mal-intencionado pudesse lançar um ataque à União Soviética sem para tal estar superiormente autorizado (como era sugerido no livro Fail-safe e no filme de Stanley Kubrick, Dr. Strangelove (Dr. Estranho Amor em Portugal, Dr. Fantástico no Brasil)). Para diminuir este medo, os EUA colocaram as armas nucleares debaixo do controle de uma nova instituição, a United States Atomic Energy Commission (AEC). Na eventualidade de uma guerra, os bombardeiros do Strategic Air Command (SAC) seriam movidos para bases da AEC para serem carregados de bombas, processo que demoraria várias horas.

Durante alguns anos muitos americanos foram se convencendo da invulnerabilidade dos Estados Unidos a um ataque nuclear. De facto julgava-se que a ameaça nuclear dissuadiria qualquer ataque aos EUA. Simultaneamente, havia também alguma discussão sobre a possibilidade de colocar o arsenal da AEC sobre supervisão internacional ou de colocar limites ao seu desenvolvimento.

Em 29 de Agosto de 1949 a União Soviética testou a sua primeira bomba nuclear em Semipalatinsk no Cazaquistão. Cientistas do Projecto Manhattan tinham avisado há tempo que a União Soviética haveria de criar a sua própria bomba nuclear. Mesmo assim, o efeito deste facto no pensamento e planeamento militares nos EUA foi enorme.

A proliferação das armas nucleares aumentou consideravelmente, e países como o Reino Unido e a França testaram as suas primeiras bombas atómicas em 1952 e 1960, respectivamente. Refira-se que o arsenal nuclear dos países da Europa ocidental era insignificante, quando comparado com os das superpotências, sendo as armas dos EUA e da URSS, as que mais preocupação causariam ao mundo durante o resto do século XX.

A guerra fria[editar | editar código-fonte]

Embora os EUA tivesse agora capacidade nuclear, a URSS tinha uma vantagem enorme, em termos de armas. Em caso de qualquer troca de hostilidades, a URSS facilmente lançariam bombas nos EUA, enquanto estes teriam alguma dificuldade em fazer o mesmo.

A introdução maciça do motor a jacto, usados para equipar aviões interceptores, alterou este balanço, reduzindo a efectividade da frota de bombardeiros dos EUA. Em 1949, Curtis LeMay é colocado no comando do SAC e instituiu um programa de actualização dos bombardeiros para funcionarem a jacto. No início da década de 50, foram introduzidos os B-47 e os B-52, aumentando a capacidade de atacar a URSS mais facilmente.

Antes do desenvolvimento de uma força capaz de mísseis estratégicos na União Soviética, a doutrina de guerra seguida pelas nações ocidentais baseava-se no uso de um grande número de pequenas armas nucleares usadas tacticamente. É discutível se esse uso poderia ser considerado como “limitado”. No entanto, acreditava-se que os EUA usariam as suas armas nucleares estratégicas, caso a URSS usasse as suas contra alvos civis.

Alguns receios sobre a crescente capacidade nuclear da URSS vieram ao de cima durante a década de 50. A estratégia defensiva adoptada pelos EUA foi de dispor à volta das grandes cidades fortes dispositivos de defesa, incluindo aviões interceptores, mísseis terra-ar e canhões, como o Projecto Nike ou Skysweeper. No entanto isto era uma fraca resposta, quando comparada com a construção de enorme frota de bombardeiros nucleares. A estratégia principal seria de penetrar em massa na URSS, porque devido à sua grande extensão não seria possível a defesa credível de todo o território.

Esta lógica ganhou raízes na estratégia de combate dos EUA e persistiu durante os anos da guerra fria. Enquanto a força estratégica dos Estados Unidos fosse superior à da União Soviética, não havia razão para preocupações. Para além disso, a URSS não conseguiria montar uma força militar equivalente à dos EUA, porque o país estava devastado economicamente.

Uma nova revolução de pensamento ocorreu com a introdução do míssil balístico intercontinental (ICBM), que a URSS testou com sucesso no final dos anos 50. Para levar uma ogiva a um alvo, o míssil era muito mais barato que um bombardeiro, e fazia o mesmo efeito. Além do mais, nessa altura não havia tecnologia capaz de interceptar um míssil balístico devido à sua velocidade e capacidade de voar a grande altitude.

Fotos de silos de mísseis soviéticos lançaram uma onde de pânico nos militares norte-americanos, algo parecido com o que tinha acontecido uns anos antes quando do lançamento do Sputnik 1. Políticos americanos, entre os quais o – na altura senador – John Kennedy, sugeriram que se fizesse uma trégua entre ao dois países. No entanto, tratava-se de um estratagema político, e a administração americana sabia que não seria possível uma situação destas sem pôr em causa a segurança militar. Um possível resultado desta situação poderia ser os soviéticos pensarem que existia de facto alguma vulnerabilidade, e sentirem-se tentados a atacar. Depois de Kennedy ter sido eleito presidente em 1960, a trégua foi convenientemente esquecida, e foi dada a maior prioridade nacional ao desenvolvimento de programas militares como o avião-espião e o satélite de reconhecimento, que foram desenhados e produzidos para verificar o progresso dos soviéticos.

Problemas estiveram prestes a acontecer aquando da crise dos mísseis de Cuba, em 1962, mas a União Soviética recuou, do que poderia ter sido a faísca para uma guerra nuclear e decidiu aumentar em massa a construção de mísseis para uso interno. Nos fins da década de 60, o número de ICBMs e ogivas era tão elevado nos dois lados, que tanto os EUA como a URSS tinham a capacidade de destruir completamente a infra-estrutura do outro país. Por consequência foi criado sistema de equilíbrio de poder conhecido por “mutually assured destruction” (MAD), pensando-se que a possibilidade de uma guerra termonuclear seria tão mortífera, que nenhuma das potências arriscaria começá-la.

Nos finais da década de 70, cidadãos da URSS e dos EUA (e de todo o mundo) viviam esta situação há mais de uma década, tendo-se completamente enraizado na cultura popular. Uma guerra destas, se começasse, mataria muitos milhões de pessoas directamente, e com a possibilidade de induzir um Inverno nuclear, que levaria à morte de grande parte da humanidade, e certamente, ao colapso da civilização como a conhecemos. Muitos filmes como The Day After, Threads, WarGames, e Dr.Strangelove retrataram este cenário, tal como Planet of the Apes (1968-1973) e Mad Max (1979-1985).

De acordo com o relatório de 1980 do Secretário Geral das Nações UnidasGeneral and Complete Disarmament: Comprehensive Study on Nuclear Weapons”, era estimado que existissem cerca de 40 000 ogivas nucleares, equivalentes a 13 000 megatoneladas de TNT. Em comparação, quando da erupção do vulcão Tambora em 1815, terá havido uma explosão equivalente a 1000 megatoneladas de TNT. Muitas pessoas acreditam que uma guerra nuclear total resultaria na extinção da espécie humana.

A ideia de que qualquer conflito nuclear pudesse levar à “MAD” (Destruição Mútua Assegurada) era um desafio para os estrategas militares, particularmente para os dos EUA e seus aliados europeus da NATO/OTAN, que acreditavam que uma eventual invasão da Europa ocidental pelos soviéticos por forças convencionais seria bem sucedida, o que levaria depois à necessidade do confronto nuclear.

Um interessante número de conceitos foi desenvolvido. Os primeiros ICBMs eram pouco precisos, o que levaria ao conceito do contra-ataque às cidades – ataques dirigidos à população do inimigo, que levaria ao colapso da vontade de lutar destes. Esta parecia ser a interpretação dos americanos da posição soviética, embora a estratégia soviética não fosse claramente anti-população.

Durante a guerra fria, a União Soviética investiu em grandes infra-estruturas para protecção civil, tais como “bunkers anti-nuclear” e “armazéns de comida não degradável”. Nos EUA, em comparação, poucas ou nenhumas preparações foram feitas para os civis, exceptuando as construções individuais feitas nos quintais por algumas pessoas. Esta situação fazia parte de uma estratégia deliberada, dando a ideia que deixando a sua população desprotegida, os EUA não teriam intenções de serem os primeiros a lançar um ataque nuclear, já que as suas cidades seriam totalmente dizimadas na retaliação.

Os EUA também marcaram a sua posição nesta altura, ao apontarem os seus mísseis às cidades soviéticas em vez de o fazerem a alvos militares. Isto reforçava a tese anterior, já que não faria sentido, se os soviéticos atacassem primeiro, os EUA irem retaliar em silos de mísseis vazios, sendo as cidades, os únicos alvos que restariam para retaliar. Em contraste, se os EUA tivessem apostado na construção de protecções para as populações e apontado os seus mísseis aos silos soviéticos, isso podia levar os soviéticos a pensar que os americanos planeavam um primeiro ataque, onde eliminariam os mísseis soviéticos ainda nos silos, e conseguiriam sobreviver ao contra-ataque nos seus abrigos. Desta forma, os dois lados tinham a garantia (teórica) que nenhum atacaria primeiro, e que a guerra, não havendo um primeiro ataque, nunca aconteceria.

Esta estratégia tinha no entanto uma falha crítica, descoberta pelos analistas militares mas mal vista pelos militares americanos. As forças militares convencionais da NATO estacionadas no teatro de guerra europeu eram em número menor do que as suas congéneres soviética e do Pacto de Varsóvia. Enquanto os países ocidentais investiram em força em armas convencionais altamente tecnológicas para contrariar este défice numerário, assumia-se que em caso de um ataque soviético (que se julgava que começaria por uma ‘marcha de tanques em direcção ao cenário do Mar do Norte), e em face de uma possível derrota convencional, não restaria outra hipótese senão a retaliação por meio de armas nucleares tácticas. Muitos analistas entendiam que num caso destes a escalada para a guerra nuclear total seria inevitável.

Então, enquanto a política oficial dos EUA era claramente baseada em não serem os primeiros a atacar, em caso de guerra nuclear, a realidade era de que em face à desvantagem convencional das forças da NATO, obrigariam os EUA, ou a abandonar a Europa Ocidental à sua sorte, ou a usar as armas nucleares na sua defesa. Mesmo considerando que as investigações sobre o poderio soviético, após o colapso da União Soviética, mostravam que afinal, a sua capacidade tinha sido sobrestimada, a doutrina oficial da NATO teve uma falha crítica desde o início, porque a possibilidade da guerra termonuclear tinha sido bastante real, no caso de ter existido conflito.

Esta grande falha, embora ignorada pela comunidade militar, depressa ganhou o interesse do público, tendo sido produzidos muitos livros e filmes, baseados nestas teorias e noutras fragilidades da chamada política da “destruição mútua garantida” (MAD).

À medida que a tecnologia dos mísseis melhorava, o alvo foi mudado para as forças de contra-ataque: aquelas que directamente atacam os meios inimigos de fazer a guerra. Esta era a doutrina dominante a partir de 1960. Para além disso, houve o desenvolvimento de ogivas (pelo menos nos EUA) capazes de levar pequenas cargas explosivas, mais precisas e com uma explosão mais ‘limpa’ (deixando menos radioactividade e por um período mais curto). Em qualquer conflito, portanto, os estragos seriam limitados, numa primeira fase, a alvos militares, evitando-se ataques perto de áreas civis. O argumento era de que a destruição de uma cidade seria uma vantagem militar para o atacado: O inimigo tinha gasto as armas e perdido a ameaça da destruição, ao passo que o atacado se via dispensado de defender a cidade e continuava com o seu potencial militar intacto.

Apenas se o conflicto nuclear fosse estendido a um grande número de pequenos ataques, perdendo-se assim o estoque das pequenas armas de precisão, se lançariam ataques menos precisos, que poderiam atingir populações, a partir de submarinos.

Outra grande mudança na doutrina nuclear foi o desenvolvimento de submarinos com capacidade de lançar mísseis nucleares, os SLBM. Foi venerado por teóricos militares por ser uma arma capaz de assegurar um ataque surpresa, não destruía a capacidade de retaliar e por isso tornava a guerra nuclear menos provável. No entanto, depressa foi percebido que os submarinos seriam capazes de ‘escapar’ até às costas inimigas, diminuindo o ‘tempo de aviso’, o tempo entre a detecção do lançamento e o impacto de mais de meia-hora para menos de 3 minutos. Esta grande melhoria da credibilidade de um ‘ataque surpresa’ por uma das facções teoricamente daria a possibilidade de eliminar a ‘cadeia de comando’, ou pelo menos de a diminuir drasticamente antes de poder ordenar um contra-ataque. Veio fortalecer a noção de que uma guerra nuclear poderia ser ganha, contribuindo fortemente para o aumento da tensão entre os dois blocos e no aumento drástico dos orçamentos militares. Os submarinos e o seu sistema de mísseis era muito caro (um submarino nuclear completamente equipado podia custar mais que o PIB de uma pequena nação), mas o custo maior deveu-se ao desenvolvimento das defesas anti-submarino, tanto em terra como no mar e no melhoramento e reforço da ‘cadeia de comando’. Em consequência os gastos militares dispararam em flecha.

O facto permanence de que o uso de armas nucleares tácticas causariam a morte, a destruição e o sofrimento numa imensa escala, e que mesmo o uso limitado teria um impacto global. Até mesmo se fossem feitos esforços consideráveis para a protecção das populações civis, apenas em parte diminuiriam o efeito catastrófico da guerra nuclear.

Preocupações atuais[editar | editar código-fonte]

Os medos atuais da Guerra nuclear centram-se agora na Índia, que fez o seu primeiro teste em 18 de Maio de 1974, chamado de “Buda sorridente”, e no Paquistão, que fez o primeiro teste em Maio de 1998, dois países que deixam muita gente nervosa devido aos seus diferendos históricos, religiosos, e uma disputa territorial sobre Caxemira, aliadas à possessão mútua de armas nucleares (embora em pequeno número). Ambos empreenderam várias guerras à volta do conflito de Caxemira, e a região como um todo é considerada altamente volátil, havendo conflitos no Afeganistão e no Oriente Médio, que influenciam consideravelmente a política do Paquistão, assim como vários assassinatos de pessoas importantes do seu governo, e incidentes entre as facções hindus e muçulmanas. Estudos recentes, feitos pela CIA, citam o conflito entre a Índia e o Paquistão como o que mais provavelmente poderá dar origem a uma guerra nuclear.

No caso do Paquistão, o seu instável governo e a ameaça de que radicais islamitas posam tomar o poder e por consequência o controle do arsenal nuclear, fez crescer maiores medos, aumentados pelo facto de um dos principais membros do programa de desenvolvimento nuclear ser Sultan Bashiruddin Mahmood, grande simpatizante dos taliban.

Outra questão que preocupa os analistas é o possível conflito entre os Estados Unidos e a China por causa de Taiwan. Embora forças económicas tenham conseguido diminuir a possibilidade de um conflito militar, continua a temer-se que o aumento da capacidade militar e que um passo na direcção da independência de Taiwan possam colocar a situação fora de controle.

Um terceiro ponto de potencial conflito reside no Oriente Médio, onde Israel, que pensa-se, que possua entre 100 a 400 ogivas nucleares (embora isto nunca tenha sido admitido oficialmente). Israel tem estado envolvida em guerras com os seus vizinho em várias ocasiões, e devido ao seu pequeno território, não conseguiria evitar uma eventual invasão, o que poderia levar ao conflito nuclear em alguns cenários.

Existe ainda a preocupação que alguns estados como o Irã e a Coreia do Norte, que em 2006 realizou um teste Nuclear subterrâneo, e testou mísseis de longo alcance, capazes de atingir a costa oeste dos EUA. O terrorismo nuclear de organizações não estatais pode começar uma guerra nuclear mais facilmente do que nações que possuem esse armamento, visto que nesse caso estavam sujeitas a retaliação igual. Dispersados geograficamente, e com muita mobilidade, as organizações terroristas não são tão facilmente desencorajadas pela ameaça da retaliação. Para além disso, tendo o colapso da União Soviética posto termo à ‘guerra fria’, aumentou grandemente o risco de armas nucleares poderem ser obtidas no mercado negro.

Uma nota positiva foi dada pela África do Sul, após a transição do regime do apartheid. Esta reconheceu ter construído armas nucleares, para serem usadas em última instância numa eventual guerra de "raças"(diferentes etnias), mas que, após a transição, teriam sido destruídas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]