Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb
| Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb | |
|---|---|
| Dr. Estranho Amor (PT) Dr. Fantástico (BR) |
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1964 • P&B • 93 min |
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| Produção | |
| Direção | Stanley Kubrick |
| Roteiro | Stanley Kubrick Terry Southern Peter George |
| Elenco original | Peter Sellers George C. Scott Sterling Hayden |
| Género | comédia, drama, suspense |
| Idioma original | inglês, russo |
IMDb: (inglês) (português) |
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Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (br: Dr. Fantástico / pt: Dr. Estranho Amor1 ), ou apenas Dr. Strangelove, é um filme anglo-americano de 1964, uma comédia de humor negro dirigida por Stanley Kubrick, com Peter Sellers e George C. Scott nos papeis principais, além das atuações de Sterling Hayden, Keenan Wynn, Slim Pickens e Tracy Reed. Baseado no romance Red Alert (também conhecido como Two Hours to Doom), um thriller da Guerra Fria de Peter George, o filme satirizou a tensão nuclear vivida pelo mundo à época.
A trama do filme mostra um general transtornado da Força Aérea Americana que ordena um primeiro ataque nuclear contra a União Soviética, e segue o Presidente dos Estados Unidos, seus assessores, os Chefes do Estado-Maior Conjunto e um oficial da Força Aérea Real Britânica, na medida em que tentam interromper os bombardeios a tempo de evitar um apocalipse nuclear, bem como a tripulação do B-52 que tenta cumprir sua missão.
A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos considerou o filme "culturalmente significativo" em 1989, e o escolheu para ser preservado no Registro Nacional de Filmes. Foi classificado como o terceiro filme na lista AFI's 100 Years…100 Laughs, que mostra os 100 principais filmes de comédia dos Estados Unidos de acordo com o American Film Institute.
Índice |
Elenco principal [editar]
- Peter Sellers como
- Capitão de grupo Lionel Mandrake, um oficial de intercâmbio britânico
- Presidente Merkin Muffley, o comandante-em-chefe americano, supostamente baseado no político Adlai Stevenson.
- Dr. Strangelove, ex-nazista especialista em guerra nuclear, confinado a uma cadeira de rodas e com uma mão incontrolável que aparentemente tem uma mente nazista própria. Strangelove é um pastiche de cientistas alemães como Wernher von Braun e estrategistas nucleares como Herman Kahn, Edward Teller (o pai da bomba de hidrogênio), e talvez até mesmo o líder do Projeto Manhattan, John von Neumann. 2
- George C. Scott como general Buck Turgidson, um general exagerado e patriota que não confia no embaixador De Sadesky, vagamente baseado no General da Força Aérea Curtis LeMay.
- Sterling Hayden como general Jack D. Ripper, paranóico e ultra-patriótico; seu nome é uma referência ao célebre serial killer Jack, o Estripador (Jack the Ripper).
- Slim Pickens como major T. J. "King" Kong, comandante e piloto do bombardeiro B-52 Stratofortress. Seu nome é uma óbvia referência a outro personagem cinematográfico, o gorila gigante King Kong.É com ele a cena mais lembrado filme, a do homem montado em uma bomba atômica que age como se estivesse domando um animal selvagem.
- James Earl Jones como tenente Lothar Zogg, o bombardeiro do B-52.3
- Keenan Wynn como coronel "Bat" Guano, oficial do exército que encontra Mandrake e Ripper.
- Peter Bull como o embaixador soviético Alexei de Sadesky.
- Shane Rimmer como o capitão "Ace" Owens, co-piloto do B-52.
- Tracy Reed como senhorita Scott, secretária e amante do general Turgidson, a única personagem feminina do filme. Reed também aparece como "Miss Relações Exteriores" (Miss Foreign Affairs), playmate da edição de junho de 1962 da revista Playboy4 que o major Kong está lendo no cockpit.5
Papéis múltiplos de Peter Sellers [editar]
A Columbia Pictures concordou em financiar o filme com a condição que Peter Sellers interpretasse pelo menos quatro papéis de destaque nele. A condição teria surgido a impressão do estúdio que muito do sucesso de Lolita (1962), o filme anterior de Kubrick, teria sido devido à performance de Sellers, na qual seu único personagem assume diversas identidades. Sellers também teve três papéis no filme The Mouse That Roared ([O rato que ruge]), de 1959. Kubrick aceitou a exigência, afirmando que "estas estipulações vulgares e grotescas são o sine qua non da indústria cinematográfica."6 7
Sellers acabou por interpretar apenas três dos quatro papéis que lhe foram escritos; também deveria interpretar o major da aeronáutica T. J. "King" Kong, comanda do B-52 Stratofortress, porém Sellers achou que sua carga de trabalho já estava excessiva, e que não saberia recriar com precisão o sotaque texano do personagem. Kubrick insistiu, e chegou mesmo a pedir ao roteirista Terry Southern, criado no Texas, que lhe gravasse as falas utilizando o acento correto; Seller chegou mesmo a aprender o sotaque e iniciou a filmar as cenas no avião, porém acabou torcendo seu tornozelo e teve de interromper os trabalhos no espaço apertado do cockpit cenográfico.6 7 8
Sellers teria improvisado boa parte de seu diálogo, enquanto Kubrick incorporava estes improvisos ao texto escrito para que fizessem parte do roteiro canônico, uma técnica conhecida como "retro-roteirização" (retroscripting).9
Sinopse [editar]
O General Ripper fica maluco e arma um plano para iniciar a Guerra Nuclear. Então as autoridades máximas dos EUA e da União Soviética tentam parar um avião-bombardeiro cuja tripulação recebera ordens de lançar uma bomba nuclear na Rússia.
Produção [editar]
Romance e roteiro [editar]
Kubrick começou com nada além de uma ideia vaga de fazer um thriller sobre um acidente nuclear, construíndo a partir do medo difundido na época da Guerra Fria a respeito.10 Enquanto pesquisava o assunto, Kubrick gradualmente se conscientizou do sutil e instável "balanço de terror" entre as potências nucleares. A seu pedido, Alistair Buchan, chefe do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, recomendou o romance Red Alert, de Peter George.11 Kubrick se impressionou com o livro, que também havia sido elogiado pelo teórico dos jogos e futuro vencedor do Prêmio Nobel de Economia, Thomas Schelling, num artigo escrito para o Bulletin of the Atomic Scientists e republicado pelo jornal britânico The Observer,12 e imediatamente comprou os seus direitos.13
Em colaboração com George, Kubrick começou a escrever um roteiro baseado no livro. Enquanto o escrevia, pôde fazer algumas consultas breves a Schelling e, posteriormente, Herman Kahn.14 Sua intenção original era filmar a história como um drama sério, mantendo o mesmo tom do livro; porém, como explicou posteriormente em entrevistas, enquanto escrevia a primeira versão do roteiro começou a ver a comédia inerente à ideia da destruição mútua assegurada. Segundo ele:
Minha ideia de fazê-la como uma comédia-pesadelo surgiu nas primeiras semanas de trabalho no roteiro. Descobri que, ao tentar dar mais corpo e imaginar as cenas em sua integridade, era necessário deixar de fora delas coisas que eram ou absurdas ou paradoxais, para evitar que se tornassem engraçadas; e estas coisas pareciam ser as mais próximas ao epicentro das cenas em questão.15
Após decidir fazer do filme uma comédia de humor negro, Kubrick trouxe Terry Southern como co-roteirista. A escolha foi influenciada pela leitura do romance cômico de Southern, The Magic Christian, que Kubrick havia recebido como presente de Peter Sellers6 (e que se tornou um filme do ator em 1969). Sellers também é considerado um co-roteirista não-creditado, por ter improvisado diversas de suas falas (que posteriormente foram adicionadas ao roteiro).
Recepção [editar]
O filme foi escolhido para ser preservado pelo Registro Nacional de Filmes (National Film Registry) dos Estados Unidos. Em 2000, os leitores da revista Total Film votaram-no como a 24ª maior comédia de todos os tempos. É um dos poucos filmes a terem recebido a classificação de 100% "Fresh" no site Rotten Tomatoes,16 e é considerado o 15º melhor filme de todos os tempos pelo site TopTenReviews Movies. Obteve a sexta posição na tabela de melhores de todos os tempos da seção de vídeo/DVD do site Metacritic, com uma média de 96,17 e atualmente ocupa a 30ª posição na lista de maiores filmes de todos os tempos do Internet Movie Database.18
O crítico de cinema americano Roger Ebert colocou Dr. Strangelove em sua lista de Grandes Filmes,19 afirmando que ele é "possivelmente a melhor sátira política do século". Também obteve o quinto lugar na lista das melhores direções do cinema feito pelo Instituto de Cinema do Reino Unido (British Film Institute), sendo a única comédia entre os dez primeiros.20
Premiações [editar]
- Recebeu quatro indicações ao Oscar, nas seguintes categorias: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Peter Sellers) e Melhor Roteiro Adaptado.
- Ganhou três prêmios no BAFTA, nas seguintes categorias: Melhor Filme Britânico, Melhor Filme e Melhor Direção de Arte em um Filme Britânico. Recebeu ainda outras 3 indicações, nas seguintes categorias: Melhor Ator Britânico (Peter Sellers), Melhor Ator Estrangeiro (Sterling Hayden) e Melhor Roteiro de um Filme Britânico.
- Ganhou o Prêmio Bodil de Melhor Filme Americano.
Referências
- ↑ Título em Portugal
- ↑ P.D. Smith, Doomsday Men: The Real Dr. Strangelove and the Dream of the Superweapon Macmillan (2007), p. 424-426.
- ↑ WSJ.com, artigo de James Earl Jones sobre o filme.
- ↑ O torso nitidamente trajando um biquíni indica que esta é a verdadeira edição de junho de 1962, que tinha um ensaio fotográfico chamado "A Toast to Bikinis" (um trocadinho com o Atol de Bikini, que à época havia sido utilizado como campo de testes para detonações nucleares), que mostrava as pinups no interior de um B-52. Grant B. Stillman, "Last Secrets of Strangelove Revealed", 2008.
- ↑ Para esta pose, Reed teria se deitado no chão, sobre seus seios, e teria utilizado a edição de janeiro de 1963 (vol. 41, nº 2) da revista Foreign Affairs para cobrir suas nádegas; apesar destas precauções sua mãe, a atriz inglesa Penelope Dudley Ward, teria ficado furiosa. Brian Siano, "A Commentary on Dr. Strangelove", 1995 e "Inside the Making of Dr. Strangelove", documentário incluído na edição especial de 40 anos do DVD do filme.
- ↑ a b c Terry Southern, "Notes from The War Room", Grand Street, ed. #49
- ↑ a b Lee Hill, "Interview with a Grand Guy": interview with Terry Southern
- ↑ Na biografia ficcional The Life and Death of Peter Sellers, sugere-se que Sellers teria fingido a contusão como forma de escapar da obrigação contratual de interpretar este quarto papel.
- ↑ "Inside the Making of Dr. Strangelove", documentário incluído da edição especial de 40 anos do DVD do filme.
- ↑ Brian Siano, "A Commentary on Dr. Strangelove", 1995
- ↑ Walker, Alexander. "Stanley Kubrick Directs", Harcourt Brace Co, 1972, ISBN 0-15-684892-9, citado em Siano, Brian. "A Commentary on Dr. Strangelove", 1995
- ↑ Entrevista de Thomas Schelling a Sharon Ghamari-Tabrizi, publicada em seu livro The Worlds of Herman Kahn; The Intuitive Science of Thermonuclear War (Harvard University Press, 2005) "Dr. Strangelove"
- ↑ Southern, Terry. "Check-up with Dr. Strangelove", artigo escrito em 1963 para a Esquire, porém não-publicado na época.
- ↑ Ghamari-Tabrizi, Sharon. "The Worlds of Herman Kahn; The Intuitive Science of Thermonuclear War", Harvard University Press, 2005.
- ↑ "My idea of doing it as a nightmare comedy came in the early weeks of working on the screenplay. I found that in trying to put meat on the bones and to imagine the scenes fully, one had to keep leaving out of it things which were either absurd or paradoxical, in order to keep it from being funny; and these things seemed to be close to the heart of the scenes in question.", Macmillan International Dictionary of Films and Filmmakers, vol. 1, p. 126
- ↑ Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964). Rotten Tomatoes. Página visitada em 14-8-2009.
- ↑ DVD/Video: All-Time High Scores. Metacritic. Página visitada em 6-3-2010.
- ↑ IMDb Top 250. Internet Movie Database. Página visitada em 28-12-2009.
- ↑ Roger Ebert, "Dr. Strangelove (1964)", 11 de julho de 1999
- ↑ Sight & Sound’s directors’ poll - British Film Institute (visitado em 9-5-2010).