Stanley Kubrick

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Stanley Kubrick
Stanley Kubrick
Auto-retrato de Stanley Kubrick no final dos anos 1940
Nascimento 26 de julho de 1928
Nova Iorque, EUA
Falecimento 7 de março de 1999
Hertfordshire, Inglaterra
Nacionalidade norte-americano
Ocupação cineasta
Principais trabalhos

Stanley Kubrick (Nova Iorque, EUA, 26 de julho de 1928Hertfordshire, Inglaterra, 7 de março de 1999) foi um dos cineastas mais importantes do século XX, responsável por uma obra polêmica, mas que gozou de uma excelente recepção crítica.

Em sua infância, o garoto do Bronx não era o que se podia chamar de "aluno exemplar". Raramente fazia as lições de casa e suas notas não eram das melhores. Mas apesar disso, tinha reconhecimento do pai em sua mente criativa. Foi este quem o encorajou a aprender xadrez (se tornou um especialista no esporte) e lhe deu sua primeira máquina fotográfica. Ainda na adolescência, visando a carreira como fotógrafo, conseguiu emprego na conceituada revista Look, mas logo Kubrick descobriu que o seu futuro estava ligado a outro tipo de câmera.

Estreou como cineasta de curta-metragens aos 22 anos. Aos 25, obteve uma grande ajuda financeira do pai, que penhorou a casa para a produção de Fear and Desire (1953), seu primeiro longa-metragem. Considerou o trabalho amador e, mesmo com algumas boas críticas, logo tratou de retirá-lo de circulação. Até hoje o filme permanece fora de catálogo, tendo sido exibido poucas vezes em festivais ou distribuído ilegalmente. Logo após Kubrick realizaria outro longa, A Morte Passou Por Perto (1955) (Killer's Kiss), outro filme pouco divulgado e de difícil acesso. Mas é a partir de O Grande Golpe (The Killing) (1956) que sua carreira começa a funcionar. A trama sobre um plano de assalto ganhou a atenção de alguns produtores. Apesar disso, teve dificuldades com a adaptação da novela Paths of Glory. O filme homônimo foi estrelado pelo astro Kirk Douglas, que ajudou a levantar o projeto após ele ter sido rejeitado pelos estúdios. Kubrick fez um dos filmes anti-guerra mais poderosos que o mundo do cinema já viu. Focado não em heróis, mas sim em covardes. Apesar das excelentes críticas, Glória Feita de Sangue (1957) (Paths of Glory) foi proibido em alguns países, incluindo a França.


Índice

[editar] Reconhecimento e Clássicos

Kirk Douglas gostou de trabalhar com Kubrick. Foi ele quem o chamou para dirigir o épico Spartacus (1960) após a tensa demissão do veterano diretor Anthony Mann. Mann já havia filmado boa parte da produção quando Kubrick, com apenas 29 anos, assumiu o seu lugar. A boa relação com Douglas viria por água a baixo quando diferenças criativas se confrontaram. Kubrick perdeu a batalha e se viu obrigado a filmar sem poder colocar algumas de suas idéias em prática. Mesmo com o sucesso do filme, ele decidiu que dali por diante só iria aceitar projetos que pudesse ter total liberdade criativa. E foi com esse pensamento que se muda para a Inglaterra em 1962. No mesmo ano começa as filmagens de Lolita (1962), clássico da literatura escrita por Vladimir Nabokov. A curiosidade sobre a adaptação da obra de Nabokov dá grande visibilidade ao filme, que mesmo imerso em polêmicas (a relação entre um homem de meia-idade e uma adolescente era a principal delas) se torna outro grande sucesso de crítica. Dois anos depois, o diretor lança outro clássico absoluto: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (1964) (Doutor Fantástico no Brasil; Doutor Estranhoamor em Portugal). Tendo como o tema a ameaça nuclear, o filme é uma comédia de humor negro com atuações e roteiro primorosos. Para atuar, Kubrick chamou o comediante inglês Peter Sellers, que se desdobra em três papéis, incluindo o de presidente dos Estados Unidos da América e George C. Scott (que alguns anos mais tarde se destacaria de vez em Patton, Rebelde ou Herói?). Entre os vários momentos clássicos está o final, com direito a um major cowboy montado sobre um míssil. Esse trabalho rendeu a Kubrick sua primeira indicação ao Oscar de melhor diretor.

Cinco anos de produção foram necessários para o desenvolvimento de 2001: Uma Odisséia no Espaço (1968) (2001: A Space Odissey), para muitos, a melhor ficção científica já filmada. Foi escrito ao mesmo tempo em que o livro homônimo de Arthur C. Clarke estava em produção. Clarke, inclusive, deu assistência na criação do roteiro. 2001 teve uma recepção fria da crítica, mas obteve sucesso junto ao público. Até hoje possui em sua força maior a música de Richard Strauss, Also sprach Zarathustra. Os efeitos especiais, inovadores para a época, garantiram ao filme um Oscar da categoria. Novamente indicado a melhor diretor, Kubrick vê o seu prêmio escapar. Logo após, chateado com o cancelamento do longa sobre Napoleão Bonaparte, ele segue para mais uma adaptação. Dessa vez o livro é A Laranja Mecânica (1971) (A Clockwork Orange) de Anthony Burgess, focado na violência humana e, principalmente, na da juventude. Causou grande polêmica na época de seu lançamento e foi acusado de incitar a bárbarie. Na história, quatro jovens de classe média passam o dia cometendo as maiores atrocidades: brigar, roubar, estuprar... são apenas algumas delas. A vida de um deles, Alex, (Malcolm McDowell) toma um rumo diferente quando o mesmo vai para a cadeia. Disparado o trabalho mais controverso do diretor, que lhe rendeu outra indicação ao prêmio da Academia e outra derrota.

Nos anos seguintes três filmes totalmente diferentes: um longuíssimo filme de época, um terror de gelar a espinha e a sua visão da Guerra do Vietnã. O primeiro é Barry Lyndon (1975). Linda obra saída de uma novela de William Makepeace Thackeray. Apesar de ser pouco conhecido, o filme é considerado por muito dos fãs de Kubrick, entre eles Martin Scorsese, como seu melhor trabalho. Pois nele é perfeitamente visível o seu perfeccionismo, característica marcante em sua carreira. Barry Lyndon, interpretado magistralmente por Ryan O'Neal, é uma espécie de "talentosa fraude" que inevitavelmente é expulso de onde quer que se meta. A fotografia do filme, dirigida por John Alcott - trabalhando sob a orientação técnica de Kubrick - e vencedora do Oscar, é outro momento inesquecível. Kubrick usou lentes criadas pela NASA para poder filmar alguns interiores. Detalhe: iluminados apenas com velas. Mesmo com todo o cuidado da produção, Barry Lyndon fracassou nos Estados Unidos, mas fez relativo sucesso na Europa. Levou quatro estatuetas douradas, mas de novo o admirável trabalho de Stanley como diretor não foi reconhecido pela maioria votante. Um novo sucesso mundial ele voltaria a ter com o clássico O Iluminado (1980) (The Shining), adaptação da obra de Stephen King. A história de uma família que passa uma temporada em um hotel nas montanhas até hoje faz sucesso onde quer que seja exibida. Quase no final dos anos 80, Kubrick resurgiria dando ênfase a guerra. Dessa vez a do Vietnã. Saída do livro de Gustav Hasford, Nascido Para Matar (1987) (Full Metal Jacket) é quase que uma versão "Kubrickiana" de Apocalypse Now. O filme é praticamente dividido em duas partes: a preparação para a guerra e o ambiente de combate. Kubrick disse que ficou frustrado com o fato de que antes da estréia do filme dois outros longas sobre o tema já tinham sido lançados com sucesso: Os Gritos do Silêncio (The Killing Fields) (1984) e Platoon (1986). Ainda como destaque da produção está o imenso set erguido em Londres para a batalha final.

[editar] Final de Carreira

Do seu último longa-metragem até De Olhos Bem Fechados (1999) (Eyes Wide Shut), passou-se um longo período sem nada assinado por Stanley. Lançado em 1999, o filme protagonizado pelo (até então) casal número um dos Estados Unidos, causou uma grande comoção entre os amantes da sétima arte. Tom Cruise e Nicole Kidman interpretam um casal em crise e foi adaptada de romance escrito por Arthur Schnitzler, chamado Traumnovelle. Dois anos foi o período de filmagem, tempo que o perfeccionismo de Kubrick achou necessário para a conclusão do filme, mas não o necessário para agradar a crítica e público. Kubrick faleceu no dia 7 de março de 1999, não testemunhando a fria recepção que seu último trabalho obteve. O último projeto cinematográfico em que esteve envolvido, mas que por questões de saúde não dirigiu, foi AI:Inteligência Artifícial, de Steven Spielberg.


[editar] Filmografia

ANO TÍTULO
ORIGINAL
TÍTULO
BRASIL
TÍTULO
PORTUGAL
1999 EYES WIDE SHUT DE OLHOS BEM FECHADOS DE OLHOS BEM FECHADOS
1987 FULL METAL JACKET NASCIDO PARA MATAR NASCIDO PARA MATAR
1980 THE SHINING O ILUMINADO SHINING
1975 BARRY LYNDON BARRY LYNDON
1971 A CLOCKWORK ORANGE A LARANJA MECÂNICA A LARANJA MECÂNICA
1968 2001: A SPACE ODISSEY 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO 2001: ODISSÉIA NO ESPAÇO
1964 DR. STRANGELOVE OR: HOW I LEARNED TO
STOP WORRYING AND LOVE THE BOMB
DR. FANTÁSTICO Dr. ESTRANHOAMOR
1962 LOLITA LOLITA LOLITA
1960 SPARTACUS SPARTACUS SPARTACUS
1957 PATHS OF GLORY GLÓRIA FEITA DE SANGUE
1956 THE KILLING O GRANDE GOLPE UM ROUBO NO HIPÓDROMO
1955 KILLER'S KISS A MORTE PASSOU POR PERTO
1953 FEAR AND DESIRE

DOCUMENTÁRIOS DE CURTA METRAGEM:

ANO TÍTULO
ORIGINAL
TÍTULO
BRASIL
TÍTULO
PORTUGAL
1953 THE SEAFARERS
1951 DAY OF THE FIGHT
1951 FLYING PADRE

[editar] Prémios e nomeações

  • Recebeu quatro nomeações ao Óscar de Melhor Realizador, por "Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb" (1964), "2001: A Space Odissey" (1968), "A Clockwork Orange" (1971) e "Barry Lyndon" (1975).
  • Recebeu três nomeações ao Óscar como produtor, por "Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb" (1964), "A Clockwork Orange" (1971) e "Barry Lyndon" (1975).
  • Recebeu cinco nomeações ao Óscar como argumentista, por "Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb" (1964), "2001: A Space Odissey" (1968), "A Clockwork Orange" (1971), "Barry Lyndon" (1975) e "Full Metal Jacket" (1987).
  • Ganhou um Óscar de Melhores Efeitos Especiais, por "2001: A Space Odissey" (1968).
  • Recebeu duas nomeações ao Globo de Ouro, na categoria de Melhor Realizador, por "A Clockwork Orange" (1971) e "Barry Lyndon" (1975).
  • Recebeu uma nomeação à Framboesa de Ouro de Pior Realizador, por "The Shining" (1980).
  • Ganhou em 1997 um Leão de Ouro, no Festival de Veneza, pela sua contribuição ao cinema.
  • Ganhou em 1997 um Prémio do Director's Guild of American, pelo conjunto da sua obra cinematográfica.
  • Ganhou em 1988 o Prémio Luchino Visconti (Itália), pela sua contribuição ao cinema.

[editar] Fatos Curiosos

  • Três de seus filmes, 2001: Uma Odisséia no Espaço, Dr. Fantástico e A Laranja Mecânica, estão listados entre os 50 maiores filmes de todos os tempos, pelo respeitado American Film Institute.[1]
  • A grande maioria de sua obra retrata personagens que sofrem um processo gradual de desintegração psicológica que muitas vezes as conduz à loucura. Em "Lolita", Humbert Humbert é lentamente consumido pelo ciúme e paranóia; em "Dr. Strangelove", um oficial do exército enlouquece com a pressão da Guerra Fria e desencadeia uma guerra nuclear entre as nações envolvidas; em "2001: Uma Odisséia no Espaço", HAL, apesar de ser uma máquina, apresenta padrões comportamentais humanos ao ponto de matar a tripulação humana da viagem, receando que pudesse ser desativado/morto por falhas; em "Laranja Mecânica", Alex é transformado em um ser pacífico contrário à sua natureza, e paralelamente o pacífico escritor enlouquece ao descobrir a verdadeira identidade do assassino da mulher; "Barry Lyndon" deixa se levar pelo poder e riqueza no filme homônimo de 1975; Jack, em "O Iluminado", enlouquece durante um inverno em um hotel desocupado e tenta matar sua família; em "Nascido para matar" o soldado Pyle enlouquece com o treinamento militar na primeira parte do filme, e na segunda parte os soldados no Vietnã apresentam um comportamento igualmente insano e frio; em "De Olhos Bem Fechados" Dr. Bill desenvolve uma paranóia irracional (ou talvez real?) de que sua esposa possa ser infiél a ele.
  • A grande maioria dos filmes de Kubrick possui ao menos uma cena importante que se passa em um banheiro.
  • Durante a década de 90 um cidadão inglês chamado Alan Conway se fez passar publicamente por Stanley Kubrick, e teve acesso à festas, boates e restaurantes famosos. Parte do seu sucesso na fraude é devido ao fato de que o verdadeiro Kubrick era recluso e reservado, ao ponto de que muitas pessoas nem ao menos sabiam como a aparência do diretor era. A história virou um filme em 2005, "Colour me Kubrick" (Totalmente Kubrick, título em português), estrelado por John Malkovich.
  • Um projeto que tentou realizar durante 30 anos era um filme sobre Napoleão Bonaparte. Após a sua morte em 1999, sua casa e escritório na Inglaterra foi aberta a um seleto grupo de jornalistas que tiveram a oportunidade de presenciar a dedicação de Kubrick ao projeto: uma sala repleta de mapas, ilustrações e "praticamente todos os livros já escritos sobre Napoleão" segundo um assistente do diretor.
  • Era avesso a dar entrevistas.
  • Após Spartacus, Kubrick só assumiu projetos sobre os quais tivesse absoluto controle. Algumas mudanças no roteiro do épico foram feitas pelo estúdio, o que desagradou o diretor. Por outro lado, os novos filmes de Kubrick iriam enfurecer os escritores dos quais os livros eram adaptados para as telas. Stephen King, autor de O Iluminado, criticou duramente o filme, alegando que Kubrick, além de modificar sua história, também não retratou o mesmo clima de terror de seu livro. Durante a década de 90 King produziria sua versão própria para um filme da TV. Nabokov disse ter admirado o filme Lolita, mas se mostrou extremamente aborrecido por ter perdido tempo em criar um e adaptar um roteiro que mais tarde seria tão modificado por Kubrick que ficaria irreconhecível ao original. O escritor Anthony Burgess nutriu um ódio pessoal pelo diretor, ao ponto de que, em uma de suas versões para o teatro de seu livro Laranja Mecânica, um personagem fisicamente parecido com Kubrick era espancado até a morte pelos drugues de Alex.
  • Segundo R. Lee Ermey, Kubrick repugnava a falta de profissionalismo dos atores e suas personalidades mimadas. Ainda segundo ele, um dos motivos para seus múltiplos takes repetidos era o fato de que "os atores memorizavam mas não compreendiam as falas. Somente após 40 takes os atores finalmente entravam no papel e paravam de simplesmente repetir as palavras para finalmente atuar naturalmente".
  • Outra teoria para seus takes repetidos era a de que Kubrick poderia assim manipular seus atores ao limite desejável. Apesar de parecer um ato aparentemente frio e desumano, os resultados com a atriz Shelley Duvall em O Iluminado parecem ter funcionado. Após mais de 100 takes (um recorde) os gritos de desespero da atriz na cena "Here is Johnny" pareciam reais. Talvez por que fossem reais.
  • Foi convidado para dirigir a continuação do sucesso O Exorcista, mas recusou porque queria desenvolver seu próprio filme de terror.
  • Teve grandes problemas de relacionamento durante as filmagens de O Iluminado. Consta que o ator Jack Nicholson teria ficado enfurecido com Kubrick devido ao seu perfeccionismo, dizendo-lhe que "só porque você é perfeccionista não quer dizer que seja perfeito". Aparentemente, Kubrick, que sofria de insônia, também ligava para o autor Stephen King de madrugada para fazer-lhe perguntas religiosas.
  • Ganhou um documentário a seu respeito, chamado Stanley Kubrick:Imagens de Uma Vida (Stanley Kubrick: A Life in Pictures/2001). O filme foi narrado pelo astro de sua última obra, Tom Cruise.
  • Kubrick morreu exatamente 666 dias antes de 2001, na Inglaterra, o verdadeiro lar que adotou após brigas com a indústria cinematográfica de seu país (EUA).
  • Pelas suas características foi diagnosticado como portador de autismo de alto desempenho.

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