Apocalypse Now

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Apocalypse Now
Apocalypse Now (PT/BR)
Poster de divulgação.
 Estados Unidos
1979 • cor • 153 min 
Direção Francis Ford Coppola
Produção Francis Ford Coppola
Roteiro John Milius
Francis Ford Coppola
Baseado em Joseph Conrad
Elenco Marlon Brando
Robert Duvall
Martin Sheen
Frederic Forrest
Sam Bottoms
Laurence Fishburne
Albert Hall
Dennis Hopper
Género Guerra
Drama
Idioma Inglês
Francês
Vietnamita
Khmer
Lançamento Estados Unidos 15 de agosto de 1979
Brasil 26 de outubro de 1979
Orçamento US$ 31 milhões [1]
Receita US$ 83.471.511 [1]
Página no IMDb (em inglês)

Apocalypse Now é um filme épico de guerra norte-americano de 1979 dirigido por Francis Ford Coppola e escrito por John Milius,[2] baseado no livro Heart of Darkness de Joseph Conrad. Estrelado por Marlon Brando, Robert Duvall e Martin Sheen, o filme sobre a Guerra do Vietnã segue a história de seu personagem central, o oficial de operações especiais do Exército dos Estados Unidos Capitão Benjamin L. Willard (Sheen), do Comando de Assistência Militar, em uma missão para matar o renegado e presumido insano Coronel Walter E. Kurtz (Brando), das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos.

O filme tem sido notado pelos problemas encontrados para fazê-lo. Estes problemas foram narrados no documentário Hearts of Darkness: A Filmmaker's Apocalypse, que conta a história de Brando que chega no cenário acima do peso e completamente despreparado; cenários caros sendo destruídos pelo mau tempo; e seu ator principal (Sheen) sofrendo um ataque cardíaco enquanto no local. Problemas continuaram após a produção já que o lançamento foi adiado várias vezes enquanto Coppola editava milhares de vezes as sequências das filmagens.

Após seu lançamento, Apocalypse Now ganhou ampla aclamação crítica e seu efeito cultural e temas filosóficos têm sido amplamente discutidos desde então. Hoje é amplamente considerado como um dos maiores filmes de todos os tempos.[3] [4] [5] Honrado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes e nomeado ao Oscar de Melhor Filme e o Globo de Ouro de Melhor Filme - Drama, também foi considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante" e foi selecionado para preservação pelo National Film Registry, em 2000. Na enquete dos maiores filmes da Sight & Sound, o filme foi classificado na 14ª posição, além de aparecer na lista dos melhores filmes segundo o American Film Institute, em 2007.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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O Capitão do Exército dos Estados Unidos e veterano de operações especiais Benjamin L. Willard (Martin Sheen), volta a Saigon desde o seu envolvimento na Guerra do Vietnã, bebe muito e fica alucinando sozinho em seu quarto. Um dia os oficiais da inteligência militar Tenente-General Corman (G. D. Spradlin) e o Coronel Lucas (Harrison Ford) se aproximam dele com uma missão ultra-secreta para seguir o rio Nùng em selva remota, encontrar o trapaceiro Coronel Walter E. Kurtz das Forças Especiais e matá-lo. Kurtz aparentemente enlouqueceu e agora comanda sua própria tropa de montanheses dentro do neutro Camboja.

Willard se junta a uma Patrulha de Barcos da Marinha comandada por "Chief" Phillips (Albert Hall) e os tripulantes Lance (Sam Bottoms), "Chef" (Frederic Forrest), e "Clean" (Laurence Fishburne). Eles se encontram com o imprudente Tenente-Coronel Bill Kilgore (Robert Duvall), comandante de um esquadrão de helicópteros de ataque, que inicialmente zomba deles. Kilgore faz amizade com Lance, já que ambos gostam de surfar, e concorda em acompanhá-los até através da boca costeira cheia de Viet Congs no rio Nùng, devido às condições de surf. Em meio a ataques aéreos de napalm sobre os moradores e o som de Cavalgada das Valquírias tocando sobre os alto-falantes de helicópteros, a praia é tomada e Kilgore ordena os outros a surfarem em meio a fogo inimigo. Enquanto brinda nostalgicamente sobre um ataque anterior, Willard reúne seus homens à Patrulha de Barcos, transportados via helicóptero, e começam a viagem rio acima. Willard vasculha os arquivos de Kurtz, descobrindo que ele era um oficial de modelo e possível futuro General. Mais tarde a tripulação encontra um tigre e visitam um depósito de suprimentos da USO para um show das coelhinhas da Playboy que dá errado. Depois, a equipe inspeciona um barco civil em busca de armas, porém Clean entra em pânico e atira em todos a bordo. Willard friamente atira mando o único sobrevivência gravemente ferido para evitar qualquer atraso adicional de sua missão. A tensão surge entre ele e Phillips já que o Capitão acredita estar no comando da Patrulha de Barco, enquanto Chief prioriza outros objetivos além da missão secreta. Alcançando o caos de um posto avançado dos Estados Unidos em uma ponte sob ataque, Willard descobre que um comandante perdido, Capitão Colby (Scott Glenn), foi enviado em uma missão anterior para matar Kurtz.

Enquanto isso, Lance e Chef estão continuamente sob o efeito de drogas. Lance em particular tinge o rosto com pinturas de camuflagem e é retirado. No dia seguinte, após ler uma carta que foi entregue anteriormente a Patrulha de Barcos, abre uma granada de fumaça para se divertir, mas chama a atenção de inimigos escondidos nas árvores e, como resultado direto, o barco é alvejado, matando Clean e deixando Chief ainda mais hostil com Willard. Emboscados novamente, por guerreiros montanheses, voltam a atacar apesar das objeções do Capitão. Eventualmente, a tripulação cessa o ataque imediatamente quando Chief é empalado com uma lança e tenta puxar Willard para sua ponta antes de morrer. Depois, o Capitão confia nos dois membros sobreviventes da tripulação a missão, que inicialmente enfurece Chef e um breve discurso segue, mas eles relutantemente concordam em continuar rio acima, onde encontram as margens cheias de corpos mutilados. Chegando ao posto avançado do Coronel, finalmente, Willard vai para a vila com Lance, deixando Chef para trás com ordens de chamar um bombardeamento aéreo contra a aldeia caso não retornem.

No campo, os dois soldados são atendidas por um fotojornalista americano (Dennis Hopper), um maníaco que elogia a genialidade de Kurtz. À medida que avançam, Willard e Lance veem cadáveres e cabeças cortadas espalhadas sobre o Templo que serve como alojamento do Coronel e encontram Colby, que esta quase catatônico. Willard é preso e levado perante Kurtz (Marlon Brando), na escuridão do Templo, onde o ridiculariza como um garoto de recados. Enquanto isso, Chef prepara-se para chamar o ataque aéreo, mas é sequestrado. Posteriormente preso, Willard grita impotente, enquanto Kurtz derruba a cabeça decepada de Chef em seu colo. Depois de algum tempo, é liberado e dado em liberdade do composto. Kurtz disserta sobre suas teorias de guerra, a humanidade e a civilização ao elogiar a crueldade e dedicação dos Viet Congs. Discute sobre seu filho e pede ao Capitão para lhe falar tudo sobre ele caso morra. Naquela noite, enquanto os moradores cerimonialmente matam um búfalo-asiático, Willard entra na câmara do Coronel que está fazendo uma gravação em fita, e o ataca com um machete. Mortalmente ferido no chão, Kurtz sussurra suas palavras finais antes de morrer. Willard descobre obras datilografadas dos escritos do Coronel e os leva antes de sair. Desce as escadas de sua câmara e deixa sua arma cair. Os aldeões fazem o mesmo e permitem que ele pegue Lance pela mão e o leve para o barco. Os dois vão embora como as palavras finais do personagem de Brando ecoando assustadoramente em suas mentes.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Sheen (1990) como Capitão Benjamin L. Willard
Brando (1963) como Coronel Walter E. Kurtz
Um oficial veterano do exército norte-americano membro de operações especiais, que vem servindo no Vietnã por três anos. O soldado que o acompanha no início do filme relata que Willard é do 505º Batalhão, da elite da 173° Brigada Aérea, atribuído ao Comando de Assistência Militar. Mais tarde é indicado que trabalhou na inteligência/contraespionagem para a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, realizando operações e assassinatos secretos. Ambas as cenas também estabelecem que trabalhou na segurança de comunicações. Uma tentativa de se reintegrar na sociedade aparentemente falhou antes do momento em que o filme se passa (em 1969), e por isso retorna as selvas devastadas pela guerra, onde parece se sentir mais em casa.
Um oficial das Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos altamente condecorado com o 5º Grupo das Forças Especiais que aparentemente enlouqueceu. Dirige sua própria unidade militar fora do Camboja e é temido pelos militares dos Estados Unidos, tanto quanto os norte-vietnamitas e vietcongues.
Membro do 1º Batalhão, comandante do 9° Regimento de Cavalaria Aérea e fanático por surf. Kilgore é líder de um temperamento forte que ama seus homens, mas tem métodos que aparecem fora de sintonia com o cenário da guerra. Seu personagem é um composto de diversos personagens, incluindo o Coronel John B. Stockton, o General James F. Hollingsworth (destaque em The General Goes Zapping Charlie Cong de Nicholas Tomalin) e George Patton IV, também um oficial da West Point a quem Robert Duvall já conhecia.[7]
Um ex-chefe de cozinha cronicamente tenso de Nova Orleães que está horrorizado com a guerra ao seu redor.
O chefe de um navio que ao decorrer do filme frequentemente confronta Willard e suas ordens. Tem uma relação de pai e filho com Clean.
Um ex-surfista profissional da Califórnia. É conhecido por soltar ácido. Fica encantado com a tribo de vietnamitas, mesmo após participar do ritual de sacrifício.
O tripulante arrogante de dezessete anos de idade do barco de "Chief", nascido em South Bronx, Nova Iorque.
Um discípulo maníaco de Kurtz, que cumprimenta Willard. De acordo com o comentário do DVD de Redux, o personagem é baseado em Sean Flynn, um correspondente de notícias famoso que desapareceu no Camboja em 1970. Seu diálogo segue o do "arlequim" russo na história de Conrad.
Assessor de Corman e um especialista em informações gerais que dá a Willard sua missão. O nome do personagem é uma referência a George Lucas, que estava envolvido no início do desenvolvimento do roteiro com Milius e foi o diretor original destinado a dirigir o filme. Ford também retratou Han Solo na ópera espacial de Lucas Star Wars.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

Enquanto trabalhava como assistente para Francis Ford Coppola no filme The Rain People, George Lucas e Steven Spielberg encorajaram seu amigo e cineasta John Milius a escrever um filme sobre a Guerra do Vietnã.[8] Millius teve a ideia de adaptar a trama Heart of Darkness de Joseph Conrad para a Guerra. Ele havia lido o romance quando era um adolescente e foi lembrado sobre isso por um de seus professores de faculdade que tinha mencionado as várias tentativas infrutíferas para adaptá-lo em um filme.[9] [nota 1]

Copolla deu à Milius 15 mil dólares para escrever o roteiro com promessa de adicionais 10 mil se fosse realizado.[10] Milius diz que escreveu o roteiro em 1969[9] e que foi originalmente chamado de The Psychedelic Soldier.[11] Ele queria usar a história de Conrad como "uma espécie de alegoria. Teria sido simples demais para ter seguido o livro completamente".[10] Ele baseou as personagens Williard e um pouco de Kurtz em um amigo, Fred Rexer, que havia vivenciado a cena citada pela personagem de Marlon Brando onde os braços dos habitantes das vilas são decepados pelos Vietcongues. Milius mudou o título do filme para Apocalypse Now inspirado em um button popular entre os hippies na década de 1960 que dizia, "Nirvana Now".

O filme é baseado na obra Heart of Darkness, de Joseph Conrad. Nesse livro, o alter-ego de Conrad, Marlow, curioso das terras inexploradas ou quase inexploradas da África, resolve empregar-se numa companhia belga de extração de marfim. Uma vez no Congo, decepciona-se com o tratamento desumano dispensado aos nativos pelos colonizadores, e com o estado de abandono da colônia. É designado, então, para acompanhar o grupo que partirá em busca de Kurtz, um homem cheio de ideais humanitários, dotado de excepcionais qualidades intelectuais e artísticas, que há meses não manda notícias de si (nem do marfim). Tanto no filme quanto no livro, Kurtz parece ser o retrato da falência do humanitarismo sob interesses ambiciosos e egoístas.

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

Steve McQueen foi a primeira escolha de Coppola para atuar Willard, mas o ator não aceitou porque não queria deixar a América por 17 semanas. O papel também foi oferecido a Al Pacino, mas ele também não queria estar longe por tanto tempo e estava com medo de adoecer na selva, como aconteceu na República Dominicana durante as filmagens de The Godfather: Part II.[12] Jack Nicholson, Robert Redford e James Caan foram abordados para atuar tanto como Kurtz ou Willard.[13]

Coppola e Roos tinham ficado impressionados com o teste de Martin Sheen para o papel de Michael em The Godfather e ele se tornou sua melhor escolha para atuar Willard, mas o ator já havia aceitado outro projeto e Harvey Keitel foi escalado para o papel com base em seu trabalho em Mean Streets, de Martin Scorsese.[14] A filmagem começou três semanas depois. Dentro de alguns dias, Coppola estava descontente com as tomadas de Harvey Keitel como Willard, dizendo que o ator "achou difícil interpretá-lo como um espectador passivo".[13] Depois de ver as primeiras cenas, o diretor tomou um avião de volta para Los Angeles e substituiu Keitel por Sheen. No início de 1976, Coppola tinha persuadido Marlon Brando a atuar Kurtz por uma enorme taxa de 3,5 milhões de dólares pelo trabalho de um mês no local, em setembro de 1976. Dennis Hopper foi lançado como uma espécie de companheiro Boina Verde para Kurtz e quando Coppola o ouviu falar sem parar no local, ele se lembrou de colocar "as câmeras e camisa Montagnard nele, e nós filmamos a cena em que ele os recebe no barco".[13]

Filmagens[editar | editar código-fonte]

Em 1º de março de 1976, Coppola e sua família viajaram para Manila e lá alugaram uma casa grande para a filmagem de cinco meses.[13] Equipamentos de som e fotografia tinham vindo da Califórnia desde o final de 1975. O tufão Olga destruiu os conjuntos em Iba e em 26 de maio de 1976, a produção foi encerrada.[15] Dean Tavoularis lembra que "começou a chover cada vez mais e mais até que finalmente tudo ficou literalmente branco, e todas as árvores foram torcidas em quarenta e cinco graus".[15] Uma parte do grupo ficou presa em um hotel e os outros ficaram em pequenas casas que estavam imobilizados pela tempestade. O cenário das Coelhinhas da Playboy tinha sido destruído, arruinando filmagens de um mês que tinham sido programadas. A maior parte do elenco e equipe voltou para os Estados Unidos por seis a oito semanas. Tavoularis e sua equipe ficaram para explorar novos locais e reconstruir o cenário das Coelhinhas em um lugar diferente. Além disso, a produção teve seguranças vigiando constantemente durante a noite e um dia toda a folha de pagamento tinha sido roubada. De acordo com a esposa de Coppola, Eleanor, o filme tinha seis semanas de atraso e 2 milhões de dólares acima do orçamento.[15]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Cannes, 1979[editar | editar código-fonte]

Palma de Ouro atribuída a Apocalypse Now, no Festival de Cannes de 1979.

Uma versão de três horas de Apocalypse Now foi exibida como um "trabalho em progresso" no Festival de Cannes de 1979 e reuniu-se com aplausos prolongados.[16] Na conferência de imprensa posterior, Coppola criticou a mídia por atacá-lo junto a produção durante seus problemas de filmagem nas Filipinas e a pronunciou sua famosa frase, "Tivemos acesso a muito dinheiro, muito equipamento, e pouco a pouco ficamos insanos", e "Meu filme não é sobre o Vietnã, é o Vietnam".[16] O cineasta perturbou o crítico de jornal Rex Reed que supostamente saiu da conferência. Apocalypse Now ganhou a Palma de Ouro de melhor filme juntamente com Die Blechtrommel de Volker Schlöndorff - uma decisão que teria sido recebida com "algumas vaias e zombarias do público".[17]

Bilheteria[editar | editar código-fonte]

Apocalypse Now teve um bom desempenho nas bilheterias quando foi lançado em agosto de 1979.[16] O filme foi aberto inicialmente em um teatro em Nova Iorque, Toronto, e Hollywood, arrecadando 322.489 dólares americanos nos primeiros cinco dias. Foi rodado exclusivamente nestes três locais durante quatro semanas antes da abertura em um adicional de 12 salas de cinemas em 3 de outubro de 1979 e, em seguida, várias centenas de semanas seguintes.[18] O filme arrecadou mais de 78 milhões dólares americanos no mercado interno, com um total mundial de cerca de 150 milhões de dólares.[19] Foi relançado em 28 de agosto de 1987, em seis cidades para capitalizar o sucesso de Platoon, Full Metal Jacket, e outros filmes sobre a guerra do Vietnã.[20] Novas cópias de 70 milímetros foram rodadas em Los Angeles, São Francisco, San Jose, Seattle, St. Louis, e Cincinnati — cidades onde o filme foi bem sucedido financeiramente, em 1979. Foi lhe dado o mesmo tipo de lançamento, como a contratação exclusiva em 1979 sem logotipo ou créditos e as audiências receberam um programa impresso.[20]

Resposta crítica[editar | editar código-fonte]

Após o seu lançamento, Apocalypse Now obteve aclamação crítica quase universal. Em sua análise original, Roger Ebert escreveu: "Apocalypse Now atinge a grandeza não analisanda de nossa 'experiência no Vietnã', mas sim recriando, em caracteres e imagens, algo dessa experiência."[21] Ebert ainda adicionado o filme de Coppola à sua lista de Grandes Filmes, afirmando: "Apocalypse Now é o melhor filme do Vietnã, um dos maiores de todos os filmes, porque ele nós move além dos outros, aos lugares escuros da alma. Não se trata de guerra tanto quanto como a guerra nos mostra verdades que seria melhor nunca descobrir."[22] Em sua revisão para o Los Angeles Times, Charles Champlin escreveu, "em um uso nobre do meio e como uma expressão incansável de angústia nacional, que se eleva sobre tudo o que foi tentado por um cineasta norte-americano em um tempo muito longo".[18] Outros comentários, entretanto, foram menos positivos; Frank Rich da Time disse: "Embora grande parte da filmagem é de tirar o fôlego, Apocalypse Now é emocionalmente obtuso e intelectualmente vazio".[23]

Vários analistas têm debatido se Apocalypse Now é um filme anti-guerra ou pró-guerra. Evidências da mensagem anti-guerra do filme de alguns comentaristas incluem a brutalidade sem propósito da guerra, a ausência de liderança militar, e as imagens de máquinas destruindo a natureza.[24] Os defensores de sua postura pró-guerra, no entanto, veem esses mesmos elementos como uma glorificação da guerra e da afirmação da supremacia americana. De acordo com Frank Tomasulo, "os Estados Unidos impingem a sua cultura no Vietnã", incluindo a destruição de uma vila para que soldados posam surfar, afirmam a mensagem pró-guerra do filme.[24] Além disso, um fuzileiro naval chamado Anthony Swofford contou como seu pelotão assistia Apocalypse Now antes de ser enviado ao Iraque em 1990, a fim de ficar animado para a guerra.[25] De acordo com Coppola, o filme pode ser considerado anti-guerra, mas é ainda mais anti-mentira: "... o fato de que a cultura pode mentir sobre o que está realmente acontecendo na guerra, que as pessoas estão sendo brutalizadas, torturadas, mutiladas, e mortas, e de alguma forma apresentar isso como moral é o que me horroriza, e perpetua a possibilidade da guerra".[26]

Em maio de 2011, uma cópia digital recentemente restaurada de Apocalypse Now foi lançada nas salas de cinemas do Reino Unido, distribuído pela Optimum Releasing. A revista Total Film deu ao filme uma avaliação de cinco estrelas, afirmando: "Esta é a montagem original e não a do ‘Redux’ de 2001 (com o chocante interlúdio da fazenda francesa, desaparecido), digitalmente restaurada a tal patamar que você pode, de fato, ficar com o nariz cheio de napalm".[27] O site agregador de resenhas Rotten Tomatoes classificou o filme com 99 por cento de aprovação da crítica de cinema, com uma pontuação média de 8,9/10 comentários, e o consenso afirmou que a "assustadora e alucinatória guerra épica do Vietnã, de Francis Ford Coppola, é o cinema no seu mais audacioso e visionário".[28]

Principais prêmios e nomeações[editar | editar código-fonte]

Oscar 1980 (EUA)

Festival de Cannes 1979 (França)

Globo de Ouro 1980 (EUA)

  • Ganhou nas categorias de Melhor realizador/diretor (Francis Ford Coppola), Melhor actor coadjuvante/secundário (Robert Duvall), Melhor argumento original (Carmine Coppola e Francis Ford Coppola)

Academia Japonesa de Cinema 1981 (Japão)

  • Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".

BAFTA 1980 (Reino Unido)

  • Venceu nas categorias de "Melhor direção" e "Melhor ator coadjuvante/secundário" (Robert Duvall).
  • Indicado nas categorias de "Melhor ator" (Martin Sheen), "Melhor fotografia", "Melhor edição", "Melhor filme", "Melhor desenho de produção" e "Melhor trilha sonora".
  • Indicado ao "Prêmio Anthony Asquith" para "Música de filme".

Grande Prêmio BR do Cinema Brasileiro 2002 (Brasil)

  • Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".

Prêmio César 1980 (França)

  • Indicado na categoria de "Melhor filme estrangeiro".

Prêmio David di Donatello 1980 (Itália)

  • Venceu na categoria de "Melhor diretor - filme estrangeiro".

Notas

  1. No entanto, o cineasta Carroll Ballard afirma que Apocalypse Now foi ideia dele, em 1967, antes de Milius ter escrito o seu roteiro. Ballard tinha um acordo com o produtor Joel Landon e eles tentaram obter os direitos sobre o livro de Conrad, mas não tiveram sucesso. Lucas adquiriu os direitos, mas não conseguiu dizer a Ballard e Landon.[9]

Referências

  1. a b Box Office Mojo (em inglês). Visitado em 8 de novembro de 2013.
  2. "Apocalipse Now eleito o melhor filme dos ultimos 25 anos" Uol. Visitado em 07 de março de 2014.
  3. Apocalypse Now (Redux) (1979) (2001) (em inglês). Visitado em 09 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 04 de novembro de 2010.
  4. Apocalypse Now (1979) (em inglês) Film.u-net. Visitado em 09 de novembro de 2014.
  5. DVD Pick: Apocalypse Now - The Complete Dossier (em inglês) Homevideo.About.
  6. a b O'Connor 2012, p. 129.
  7. French 1998.
  8. Cowie 2001, p. 2.
  9. a b c Cowie 1990, p. 120.
  10. a b Cowie 2001, p. 5.
  11. Cowie 2001, p. 3.
  12. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Cowie2
  13. a b c d Cowie 1990, p. 122.
  14. Cowie 2001, p. 18.
  15. a b c Cowie 1990, p. 123.
  16. a b c Cowie 1990, p. 130.
  17. Sweeping Cannes (em inglês) Time (04 de junho de 1979). Visitado em 27 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 16 de dezembro de 2008.
  18. a b Cowie 1990, p. 131.
  19. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas Cowie14
  20. a b Harmetz, Aljean (20 de agosto de 1987). Apocalypse Now to Be Re-released (em inglês) New York Times. Visitado em 04 de dezembro de 2014. Cópia arquivada em 16 de dezembro de 2008.
  21. Ebert, Roger (1° de junho de 1979). Apocalypse Now (em inglês) Chicago Sun-Times. Visitado em 12 de novembro de 2014.
  22. Ebert, Roger (28 de novembro de 1999). Great Movies: Apocalypse Now (em inglês) Chicago Sun-Times. Visitado em 12 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 16 de dezembro de 2008.
  23. Rich, Frank (27 de agosto de 1979). Cinema: The Making of a Quagmire by Frank Rich (em inglês) Time. Visitado em 12 de novembro de 2014.
  24. a b Tomasulo, Frank. The Politics of Ambivalence: Apocalypse Now as Prowar and Antiwar Film. Nova Brunswick: Rutgers. 1990.
  25. Young, Marilyn B.. Now Playing: Vietnam. Bloomington: Organization of American Historians (OAH). 2004
  26. Lacy, Mark J. (Novembro–Dezembro de 2003). War, Cinema, and Moral Anxiety. JSTOR: 40645126.
  27. Apocalypse Now Review (em inglês) Total Film. Visitado em 29 de novembro de 2014. Cópia arquivada em 19 de maio de 2011.
  28. Apocalypse Now (em inglês) no Rotten Tomatoes

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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