Taxi Driver

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Taxi Driver
Taxi Driver (PT/BR)
Pôster do filme
 Estados Unidos
1976 • cor • 113 min 
Direção Martin Scorsese
Produção Julia Phillips
Michael Phillips
Roteiro Paul Schrader
Narração Robert De Niro
Elenco Robert De Niro
Cybill Shepherd
Peter Boyle
Jodie Foster
Harvey Keitel
Género Drama
Crime
Thriller
Idioma inglês
Música Bernard Herrmann
Cinematografia Michael Chapman
Distribuição Columbia Pictures
Página no IMDb (em inglês)

Taxi Driver é um filme estado-unidense de 1976 dirigido por Martin Scorsese. É amplamente considerado um dos maiores filmes dos Estados Unidos, aclamado por sua performance forte e realismo gritante. O filme levou os atores Robert de Niro e Jodie Foster à fama e reconhecimento; Foster estava com apenas 14 anos durante as filmagens. Bernard Herrmann, conhecido por seu trabalho com Alfred Hitchcock, foi o responsável pela trilha sonora, que acabou sendo a última antes de sua morte. O filme foi considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significante" pela Biblioteca do Congresso dos EUA e foi selecionado para ser preservado no National Film Registry em 1994.

História[editar | editar código-fonte]

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Travis Bickle (De Niro) é um jovem de 26 anos frustrado e alienado do meio-oeste dos Estados Unidos, que alega ter sido recentemente dispensado do Corpo de Fuzileiros Navais. Ele sofre de insônia e consequentemente arranja um emprego como taxista na cidade de Nova Iorque, oferecendo-se para trabalhar no turno da madrugada. Travis passa o seu tempo livre assistindo a filmes pornográficos em cinemas imundos, dirigindo-se sem rumo pela periferia de Manhattan. Também observa Nova York de seu táxi e irrompe com violência contra o que julga ser a escória que contamina a cidade.

Travis é incomodado pelo que considera o declínio moral a seu redor, e quando Iris (Foster), uma prostituta de 12 anos de idade, entra no seu táxi certa noite para fugir de um cafetão. Travis torna-se obcecado em salvá-la, apesar da completa falta de interesse da jovem pela ideia, explicando que estava drogada quando tentou fugir e que o cafetão, Sport, é na verdade uma pessoa gentil e prestável.

Travis é também obcecado por Betsy (Shepherd), que trabalha no comitê eleitoral do senador Palantine, candidato à presidência, cuja campanha promete mudanças sociais drásticas. Ela inicialmente fica intrigada com Travis e, identificando-se com sua própria solidão, concorda em sair com ele. No encontro, entretanto, Travis leva-a a ver um filme pornô, e ela o abandona, perturbada.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

No rascunho original do roteiro, o roteirista Paul Schrader tinha feito de Sport uma personagem negra. Havia também outros papéis negativos de negros. Scorsese acreditou que isso daria ao filme um viés racista exagerado, então essas personagens foram alteradas para homens brancos, [1] apesar de o filme sugerir que o próprio Travis é racista. O roteiro original de Schrader também fazia o filme se passar em Los Angeles, o que foi alterado posteriormente para Nova York, já que havia muito mais táxis lá do que em Los Angeles na década de 1970.

Quando Bickle determina que vai assassinar o Senador Palantine, ele corta seu cabelo no estilo moicano. Tal detalhe foi sugerido pelo ator Victor Magnotta, amigo de Scorsese, que havia estado na Guerra do Vietnã. No filme, Magnotta teve um pequeno papel como um agente do Serviço Secreto. Mais tarde, Scorsese observaria que "Magnotta falou sobre alguns soldados que iam para a selva. Eles cortavam seus cabelos de um jeito particular; parecia um moicano... e você sabia que eles estavam em uma situação especial, do tipo de comando. Achamos que era uma boa ideia"[1] .

Na sua crítica do filme, o crítico de cinema Stephen Hunter sugere que a suposição de que Travis Bickle é um veterano da Guerra do Vietnã pode não estar correta. Hunter alega que o comportamento diante de armas de fogo e que as vestimentas militares da personagem são incongruentes para um veterano de guerra. A teoria de Hunter é que Bickle pode ter adotado essa persona como parte de seus problemas pessoais e psicológicos.

Enquanto se preparava para seu papel como Travis Bickle, Robert De Niro estava filmando 1900, de Bernardo Bertolucci. De acordo com Peter Boyle, ele "terminava de filmar numa sexta-feira em Roma, pegava um avião da Itália para Nova York" - cidade na qual ele obteve uma licença de taxista. Então, ia para uma garagem, onde pegava um táxi real e dirigia por Nova York, devolvendo o veículo antes de retornar para Roma novamente.[1] De Niro também reconheceu que, enquanto preparava o sotaque de Travis, nas folgas da filmagem de 1900, ele ia para uma base militar no norte da Itália e gravava o sotaque de alguns dos presentes no local, já que acreditava que seriam úteis a sua personagem.[1]

A atriz que interpretou a amiga de Iris no filme era uma prostituta de verdade, estudada por Jodie Foster para ajudar a compor seu papel.[1]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

O tiroteio no clímax do filme foi explícito visualmente.[2] Para conseguir a classificação R nos EUA, Scorsese acabou reduzindo a saturação das cores, deixando o vermelho do sangue menos vivo.[3] Em entrevistas posteriores, Scorsese comentou que ficou satisfeito pela mudança de cores, considerando-a uma melhora em relação à cena filmada originalmente, que foi perdida. No entanto, na edição especial do DVD, Michael Chapman, diretor de fotografia do filme, lamenta a decisão e o fato de não existirem mais cópias com as cores inalteradas.

Alguns críticos expressaram sua preocupação com a presença da jovem Jodie Foster durante o tiroteio. No entanto, Foster explicou que ela estava presente durante a montagem dos efeitos especiais usados durante a cena; o processo inteiro foi explicado e demonstrado para ela, passo a passo. Em vez de ficar traumatizada ou transtornada, Foster disse ter ficado "fascinada" e "entretida" pela preparação envolvida nos bastidores da cena.[1] Além disso, antes de ganhar o papel, Foster foi sujeitada a testes psicológicos para assegurar que seu papel não a afetaria emocionalmente, de acordo com as leis trabalhistas da Califórnia.[4]

John Hinckley, Jr.[editar | editar código-fonte]

Taxi Driver fazia parte das fantasias e delírios de John Hinckley, Jr.[5] [6] , os quais o motivaram a tentar assassinar o presidente Ronald Reagan em 1981, não sendo considerado culpado sob a alegação de insanidade. [7] [8] Hinckley declarou que suas ações eram uma tentativa de impressionar a atriz Jodie Foster, por quem era obcecado, tendo até imitado o corte de cabelo moicano que Travis Bickle usava no comício do candidato a presidência Palantine. Seu advogado concluiu sua defesa mostrando o filme para o júri.

Interpretações do final[editar | editar código-fonte]

Roger Ebert escreveu sobre o final do filme:

"Há muita discussão sobre o final, no qual vemos manchetes de jornais sobre o 'heroísmo' de Travis salvando Iris, e então Betsy entra no seu táxi e parece demonstrar admiração por ele, em vez do repúdio visto até então. Isso é uma cena imaginária, uma fantasia? Travis sobreviveu ao tiroteio? Estamos vendo seus últimos pensamentos antes de morrer? Essa cena pode ser aceita como verdadeira? Não sei se pode haver resposta para essas perguntas. A seqüência final toca como música, não drama: completa a história a um nível emocional, não literal. Não terminamos com um massacre, terminamos com redenção, que é o objetivo de tantos personagens de Scorsese."[9]

James Berardinelli, em sua crítica do filme discute contra a interpretação de Ebert, declarando:

"Scorsese e o roteirista Paul Schrader montam uma conclusão perfeita para Taxi Driver. Impregnado de ironia, o epílogo de cinco minutos dá ênfase às extravagâncias do destino. A mídia transforma Bickle em herói, sendo que, se ele tivesse sido um pouco mais rápido ao sacar sua arma contra o Senador Palantine, ele teria sido revelado como um assassino. Enquanto o filme se encerra, o misantropo foi aceito como um cidadão modelo, alguém que parte para cima de cafetões, traficantes e mafiosos para salvar uma garotinha".[10]

Na faixa de comentários do Laserdisc do filme, Scorsese reconheceu as diversas interpretações do final do filme como sendo um sonho de partida de Bickle. No entanto, ele admitiu que a última cena de Bickle fitando um objeto não visto deixa implícito que ele pode entrar em um estado raivoso e negligente no futuro, e que ele é como uma bomba-relógio.[11] O roteirista Paul Schrader confirma isso no seu comentário do DVD de 30 anos do filme, dizendo que Travis "não está curado pelo final do filme", e que "ele não será um herói na próxima vez".[12]

Prémios[editar | editar código-fonte]

Prêmios concedidos[editar | editar código-fonte]

  • CannesPalme d'Or
  • New York Film Critics Circle Award na categoria "Melhor Actor" – (Robert De Niro)
  • BAFTA Award na categoria "Melhor Atriz Coadjuvante" – (Jodie Foster)
  • BAFTA Award na categoria "Melhor Ator Estreante" – (Jodie Foster)
  • BAFTA Award na categoria "Trilha Sonora" – (Bernard Herrmann)

Indicações[editar | editar código-fonte]

  • Oscar na categoria "Melhor Filme"
  • Oscar na categoria "Melhor Ator" – (Robert De Niro)
  • Oscar na categoria "Melhor Atriz Coadjuvante" – (Jodie Foster)
  • Oscar na categoria "Melhor Trilha Sonora" – (Bernard Herrmann)
  • BAFTA Award na categoria "Melhor Ator" - (Robert De Niro)
  • BAFTA Award na categoria "Direção" – (Martin Scorsese)
  • BAFTA Award na categoria "Melhor Edição" – (Marcia Lucas, Tom Rolf, Melvin Shapiro)
  • DGA Award na categoria "Melhor Direção em Filme" – (Martin Scorsese)
  • Golden Globe na categoria "Melhor Actor - Drama" - (Robert De Niro)
  • Golden Globe Award na categoria "Melhor Filme" – (Paul Schrader)
  • Grammy Award na categoria "Melhor Roteiro Cinematográfico" – (Bernard Herrmann)
  • WGA Award na categoria "Melhor Drama para Cinema" – (Paul Schrader)

Dublagem no Brasil[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f Documentário do DVD: Making Taxi Driver
  2. David Robinson. "Down these mean streets" (The Arts). The Times. Sexta-feira, 20 de agosto de 1976. Nº 59787, col. C, pág. 7.
  3. Taxi Driver (em inglês) no Allmovie. Acessado em 16 de setembro de 2007.
  4. Entrevista com Foster por Boze Hadleigh (março/junho 1992)
  5. Taxi Driver: Its Influence on John Hinckley, Jr. Law.umkc.edu. Página visitada em 2012-04-04.
  6. Taxi Driver by Denise Noe
  7. The John Hinckley Trial & Its Effect on the Insanity Defense by Kimberly Collins, Gabe Hinkebein, and Staci Schorgl
  8. Verdict and Uproar by Denise Noe
  9. Crítica de Ebert de Taxi Driver, Rogerebert.com, 1 de janeiro de 2004. Acessada em 10 de março de 2007.
  10. ReelViews Movie Review
  11. Comentários no Laserdisc de Taxi Driver
  12. Comentário de Taxi Driver com Paul Schrader

Ligações externas[editar | editar código-fonte]