Revolução de Saur

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Revolução de Saur
Parte de Guerra Fria e Guerra Civil do Afeganistão
Day after Saur revolution in Kabul (773).jpg
Parte externa do palácio presidencial, em Cabul, um dia após a revolução de Saur.
Período 27-28 de abril de 1978
Local Afeganistão
Resultado
Participantes do conflito
Flag of Afghanistan (1974–1978).svg República do Afeganistão Flag of Afghanistan (1978).svg Unidades Militares Revolucionárias
Flag of the People's Democratic Party of Afghanistan.svg PDPA
Líderes
Flag of Afghanistan (1974–1978).svg Mohammed Daoud Khan
Flag of Afghanistan (1974–1978).svg Abdul Qadir Nuristani
Flag of Afghanistan (1978).svg Mohammad Aslam Watanjar
Flag of Afghanistan (1978).svg Abdul Qadir Dagarwal
Flag of the People's Democratic Party of Afghanistan.svg Nur Mohammad Taraki
Flag of the People's Democratic Party of Afghanistan.svg Hafizullah Amin
Flag of the People's Democratic Party of Afghanistan.svg Babrak Karmal

A Revolução de Saur (em persa: انقلاب ثور) é o nome dado à tomada do poder político, no Afeganistão, pelos comunistas do Partido Democrático Popular do Afeganistão (PDPA), em 27 de abril de 1978. Saur é o segundo mês do calendário persa, em dari - o mês em que o levante ocorreu.[1]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 17 de abril de 1978, um membro proeminente da facção Parcham do PDPA, Mir Akbar Khyber (ou "Kaibar"), foi morto. Embora o governo emitisse um comunicado lamentando o fato, Nur Mohammad Taraki, do PDPA, afirmou que o próprio governo era responsável pelo assassinato de Khyber, crença partilhada por grande parte da intelectualidade de Cabul. Líderes do PDPA aparentemente temiam que Mohammed Daoud Khan estivesse planejando exterminá-los.

Durante as cerimônias fúnebres de Khyber, um protesto contra o governo ocorreu logo em seguida, e os líderes do PDPA, incluindo Babrak Karmal, foram, em sua maioria, presos. Hafizullah Amin, no entanto, foi colocado em prisão domiciliária, o que lhe deu oportunidade para ordenar uma revolta, que vinha sendo urdida por mais de dois anos[2] . Amin, sem ter a autoridade, instruiu os oficiais do exército da facção Khalq a derrubar o governo.

O golpe[editar | editar código-fonte]

O regime do presidente Mohammad Daoud Khan chegou a um fim violento na madrugada do dia 28 de abril de 1978, quando as unidades militares leais à facção Khalq do PDPA invadiram o Palácio Arg no coração de Cabul. O golpe de Estado foi estrategicamente planejado para esta data porque era uma sexta-feira, dia de adoração muçulmana, quando a maioria dos militares e funcionários do governo não trabalha. Com a ajuda da força aérea militar do Afeganistão, as tropas insurgentes superaram a resistência da Guarda Presidencial. Daoud e a maioria dos membros de sua família foram mortos.

O dia após a revolução Saur em Cabul.

O novo governo[editar | editar código-fonte]

O PDPA, dividido entre as facções Khalq e os Parcham, sucedeu ao regime de Daoud, formando um novo governo sob a liderança de Nur Muhammad Taraki, da facção Khalq. Em Cabul, o gabinete inicial parecia ter sido cuidadosamente construído de modo a atribuir os cargos de maneira alternada, aos Khalqis e aos Parchamis. Assim, Taraki (Khalqi) era o primeiro-ministro, Karmal (Parchami) era o vice-primeiro-ministro, e Hafizullah Amin (Khalqi) era o Ministro das Relações Exteriores.

Uma vez no poder, o partido implementou uma agenda socialista. Proclamou um estado ateísta[3] e empreendeu uma reforma agrária mal planejada, que não foi compreendida pelos afegãos. Além disso, mandou para as prisões, torturou ou matou milhares de membros da elite tradicional, do clero e da intelligentsia.[4]

Os novos governantes também proibiram a usura,[5] fizeram várias declarações sobre direitos das mulheres, igualdade entre os sexos e introduziram as mulheres na vida política. A maioria da população nas cidades, incluindo Cabul, viu a alteração com boas vindas ou eram ambivalentes em relação a essas políticas. No entanto, a natureza secular do governo tornou-se impopular entre os afegãos mais religiosos e conservadores das aldeias e do campo, favoráveis às restrições islâmicas tradicionais no tocante aos direitos das mulheres e aos modos de vida. A oposição tornou-se particularmente pronunciada após a ocupação da União Soviética do país no final de dezembro de 1979. Havia o temor de que o governo pró-soviético estivesse em perigo e pudesse ser derrubado por forças mujahidin.

Os Estados Unidos viram na situação uma oportunidade privilegiada para enfraquecer a União Soviética, e o movimento essencialmente sinalizou o fim da Era de Distensão, iniciada pelo ex-secretário de Estado Henry Kissinger. Em 1978, os Estados Unidos começaram então a treinar insurgentes e dirigir transmissões de propaganda para Afeganistão a partir do Paquistão.[6] Em seguida, no início de 1979, os oficiais de serviço diplomático norte-americano começaram a reunir líderes insurgentes estrangeiros para determinar as suas necessidades.[7] De acordo com o então Secretário de Estado dos EUA, Zbigniew Brzezinski, a ajuda da CIA aos insurgentes no Afeganistão foi aprovada em julho de 1979, seis meses antes da invasão soviética.[8] . Brzezinski afirmou que a ajuda aos insurgentes, iniciada sob a administração de Jimmy Carter, tinha a intenção de provocar a intervenção soviética e foi significativamente impulsionada sob a administração de Ronald Reagan, que estava empenhado em reverter a influência soviética no Terceiro Mundo.

Referências

  1. Barnett R. Rubin, The Fragmentation of Afghanistan (Yale University Press, 2002), p. 105 [1]
  2. Barnett R. Rubin, The Fragmentation of Afghanistan (Yale University Press, 2002), p. 104 [2]
  3. The Soviet-Afghan War:Breaking the Hammer & Sickle
  4. History of Afghanistan
  5. Library of Congress Country Studies Afghanistan. Communism, Rebellion, and Soviet Intervention.
  6. Tim Weiner, Blank Check: The Pentagon’s Black Budget (Warner Books, New York, 1990), p. 149.
  7. Conforme telegramas confidenciais do Departamento de Estado, que estavam entre os documentos encontrados na tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 4 de novembro de 1979, posteriormente publicados sob o título Documents from the Den of Espionage; vol. 29, p. 99.
  8. Vincent Javert, 'Interview with Brzezinski', (Le Nouvel Observateur, Paris, 15–21 Janeiro de 1998), p. 76.

Ver também[editar | editar código-fonte]