Revolução Sandinista

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A Revolução Sandinista (em espanhol: Revolución Nicaragüense ou Revolución Popular Sandinista) refere-se ao processo ocorrido na Nicarágua entre 1979 e 1990, sob a égide da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) - assim chamada em memória do guerrilheiro Augusto César Sandino -, envolvendo a luta armada contra o regime ditatorial de Anastasio Somoza Debayle, a derrubada do ditador e os subsequentes esforços da FSLN para reformar a sociedade e a economia do país, mediante a instauração de um governo democrático progressista de esquerda ao longo daqueles onze anos.

A revolução não foi importante apenas para a Nicarágua, mas também para toda a América Central e o continente americano, durante a Guerra Fria.

Ato no Dia Internacional da Mulher trabalhadora em Manágua, 8 de março de 1988.

Origens da Revolução Sandinista[editar | editar código-fonte]

A definição do período correspondente à Revolução Sandinista pode suscitar controvérsias, pois não houve uma declaração formal de guerra que definisse o seu início. Quanto ao seu final geralmente se considera o dia em que o antigo regime cai ou o dia em que cessaram as hostilidades (o que poderia ser posterior à queda do antigo regime), ou mesmo uma data posterior, que incluiria o período de reconstrução e estabelecimento do novo regime, após a tomada do poder pela FSLN. Uma definição bastante ampla do período da revolução nicaraguense poderia até mesmo considerar o ano de fundação da FSLN, em 1961, até a vitória eleitoral de Violeta Chamorro em 1990, pela União Nacional Opositora, que marca o fim do primeiro período dos revolucionários sandinistas no poder.

Uma definição mais restrita seria a de que seu início remonta à década de 1970, quando começa propriamente a resistência armada à ditadura da família Somoza, culminando com a derrubada da Anastasio Somoza Debayle, em 19 de julho de 1979.

De todo modo, a compreensão do processo revolucionário sandinista requer o entendimento de um contexto histórico onde se destacam:

  1. A rebelião de 1926, liderada pelo guerrilheiro Augusto César Sandino, contra a ocupação da Nicarágua por fuzileiros navais, . Iniciado com apenas 29 homens, o movimento ampliou-se até o assassinato de Sandino, em 1934 pelas mãos de Anastasio Somoza García. A figura épica de Sandino transformou-se em um ícone e está presente nas raízes da Revolução Sandinista.
  2. A Revolução Cubana, que inspirou vários movimentos revolucionários da esquerda em diferentes países da América Latina, os quais, em muitos casos derrotados, acabaram por suscitar a instauração de regimes ditatoriais de direita .
  3. A queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e a Reunificação Alemã, em 3 de outubro de 1990, que marcam o final da Guerra Fria e da polarização do mundo entre os blocos capitalista (países membros da OTAN, liderada pelo Estados Unidos) e socialista (países membros do Pacto de Varsóvia, sob a égide da URSS). Também em 1990 a derrota eleitoral de Daniel Ortega, da FSLN, para Violeta Chamorro, da Unión Nacional Opositora (formada por uma ampla coalizão de partidos, majoritariamente de centro), marca o fim da Revolução Sandinista. A partir daí, quase todas as principais conquistas sociais foram revertidas pelos governos liberais e conservadores que se seguiram. A FSLN evoluiu para um partido de esquerda que só voltaria ao poder após vencer as eleições gerais da Nicarágua de 2006.

Processo revolucionário[editar | editar código-fonte]

A segunda intervenção do Estados Unidos, na Nicarágua, terminou em 1933 quando o Partido Liberal, liderado por Juan Bautista Sacasa, ganha a eleição. Em 1º de janeiro de 1933 não havia nenhum soldado norte-americano em solo nicaraguense, mas em 1930 os E.U.A. tinham formado um corpo de segurança, a Guarda Nacional, preparada para assumir o papel dos soldados americanos, por Anastasio Somoza García. Em 21 de fevereiro de 1934, o coronel Elias Riggs, do Exército norte-americano, e Somoza, apoiado pela Guarda Nacional, matam Sandino que tinha lutado contra a intervenção americana e era o líder inconteste da oposição a essa intervenção. O corpo do general Sandino foi enterrado pelos soldados de Somoza e até hoje é desconhecido o paradeiro de seus restos mortais. Este foi o primeiro ato de uma série que levou à eleição de Somoza como presidente da Nicarágua, em 1936, com o apoio dos Estados Unidos, marcando o início de uma ditadura da família de Somoza, sempre apoiada pelos Estados Unidos e patrocinando os interesses daquele país.[1]

No início da década de 1960, os ideais da esquerda e as lutas de libertação dos povos colonizados estavam em pleno processo e produzindo resultados. Em 1º de janeiro de 1959 entram em Havana as forças revolucionárias que haviam derrotado a ditadura de Fulgêncio Batista em Cuba. Na Argélia formara-se a Frente de Libertação Nacional para lutar pela independência do país, então dominado pela França. Na Nicarágua os vários movimentos contra a ditadura de Somoza resultariam na formação da Frente de Libertação Nacional da Nicarágua, que seria o embrião do que ficou conhecido mais tarde como a Frente Sandinista de Libertação Nacional.

A situação económica na Nicarágua, em meados do século XX, foi prejudicada pela queda dos preços dos produtos agrícolas exportados, como algodão e café. Politicamente, o Partido Conservador da Nicarágua sofreu uma divisão, e uma facção, que era popularmente chamada de mosquitoes, vai trabalhar com o regime de Somoza.

Anastasio Somoza García é executado pelo poeta nicaraguense Rigoberto López Pérez em 1956. Ligados a esta acção, estavam Carlos Fonseca e Tomas Borge. Em outubro de 1958, Ramon Torrents inicia uma série de ações de guerrilha que constituem o início da luta armada contra a ditadura de Somoza. Em junho de 1959 ocorre o evento conhecido como El Chaparral, numa parte do território hondurenho, na fronteira com a Nicarágua, onde a coluna guerrilheira "Rigoberto López Pérez", sob o comando de Rafael Somarriba e integrada também por Carlos Fonseca, foi detectada e destruída pelo Exército de Honduras, em coordenação com os serviços de inteligência da Guarda Nacional da Nicarágua.[2]

Depois de "El Chaparral" se deram várias ações armadas mais em agosto morria o jornalista Manuel Díez Sotelo, em setembro Carlos Haslam, em dezembro Heriberto Reyes, um ano após os eventos ocorrem "El Dorado" e realizou uma série de ações que resultam mortos, entre outros, Luis Morales, Julio Alonso, Manuel Baldizón e Erasmo Montoya.[3] A oposição convencional, já liderada pelo Partido Comunista da Nicarágua, não tinha sido capaz de formar uma frente comum contra a ditadura. A oposição à ditadura foi estabelecido em torno das organizações estudantis pelo subterrâneo. Entre seus líderes, e no início da década dos anos 1960, Carlos Fonseca Amador.

Em 1957 Carlos Fonseca Amador, Silvio Mayorga, Tomás Borge, Madriz Heriberto Carrillo e Osvaldo formam a primeira célula que é identificado com os princípios do proletariado. Em outubro, no México formaram o Comitê Revolucionário da Nicarágua, presidido por Eden Pastora Gómez, Juan José Ordóñez, Roger Hernandez e Porfirio Molina.

Em Março de 1959, que institui a Juventud Democrática Nicaragüense (JDN), na sua constituição estão envolvidos, entre outros, Carlos Fonseca e Silvio Mayorga. Esta organização tinha por objetivo chegar a jovens estudantes urbanos. Mais tarde, naquele mesmo ano para abrir caminho para a Juventud Revolucionaria Nicaragüense (JRN), um grupo que mantinha uma forte atividade internacional. Em 21 de fevereiro de 1960 participam de uma conferência de exilados na Nicarágua Maracaibo (Venezuela), organizado pela Frente Unida da Nicarágua (FUN) (uma coligação de várias forças contra Somoza). Fonseca participou da conferência, como um delegado da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua (UNAN) e Silvio Mayorga, como representante do JRN, onde assinaram o manifesto "Intervención sangrienta: Nicaragua y su pueblo"(Intervenção sangrenta: Nicarágua e seu povo) e seu "Programa mínimo" que reuniu-se com outros colegas que, em seguida, formar a FSLN. Logo após a organização da Frente Interno da Resistência que, segundo Fonseca o primeiro auxiliar do Exército Defensor do Povo Nicaragüense.

A JRN teve uma presença muito limitada na Nicarágua (foi mais ativa nas centros de exílio de nicaragüenses: Costa Rica, México ou Cuba), mas contatado Juventude Patriótica Nicaragüense (JPN), ligado ao Partido Conservador e fundada em 12 de janeiro de 1960 e que envolveu, entre outros, José Benito Escobar, Germain Pomares, Salvador Buitrago, Roger Vasquez, Julio Buitrago, Daniel Ortega, Fernando Gordillo, Manolo Morales, Jorge Navarro , Orlando Quiñonez, Ignacio Briones, German Vogl e Joaquín Solís Piura, no calor dos acontecimentos da Revolução Cubana e sua influência na América Latina. O JPN é definido como o grupo de jovens comprometidos com a democracia e a justiça social sem seguir o padrão de qualquer partido. Em suas fileiras eram ativos Julio Buitrago e José Benito Escobar que se tornariam importantes líderes do FSLN.

Em 1960, o JPN faz uma série de manifestações em várias cidades da Nicarágua, Managua, Matagalpa e Carazo. Estas manifestações são devidas à repressão de estudantes resultou na morte de vários deles e para apoiar o novo governo cubano teve dificuldade com o governo Somoza. O JPN desempenhou um papel importante na mobilização contra a ditadura. Sua linha de ação estava fora dos partidos da oposição, como o Partido Socialista da Nicarágua ou do Partido Comunista e longe da oposição conservadora. Fonseca promove a entrada do JPN por Marcos Altamirano, que sabia das atividades anteriores. Altamirano logo chega ao Secretário-Geral da organização.

Éden Pastora, com cinco nicaragüenses mais integrados no movimento guerrilheiro Frente Revolucionária Sandino em Las Segovias.

No começo de 1961 é fundado o Movimento Nova Nicarágua (MNN), envolvendo pessoas do mundo da educação, tais como Carlos Fonseca, Silvio Mayorga, Tomas Borge , Gordillo, Navarro e Francisco Buitrago, José Benito Escobar, as pessoas de ambientes trabalhistas como Germain Pomares e até mesmo os pequenos empresários, como Julio Jerez Suarez. MNN também participou da Santos Lopez, uma guerrilha que lutou com Augusto César Sandino.

O Movimento Nova Nicarágua estabeleceu sua base em três cidades, Manágua, Leon e Estelí. Embora a sua sede tenha sido nas proximidades de Honduras. Sua primeira atividade pública foi realizada em março de 1961 em apoio à Revolução Cubana e, em protesto contra a posição de que o governo da Nicarágua com Cuba, totalmente dobrado aos interesses americanos. O MNN é dissolvido para dar lugar a Frente de Libertação Nacional.[4]

Os Somoza[editar | editar código-fonte]

Os governos da família Somoza se alinharam completamente com os interesses dos Estados Unidos. A família se tornou uma das famílias mais ricas na América Central para controlar a riqueza nacional da Nicarágua para seus próprios interesses e fomentar a corrupção. Durante os anos 1950 e 60 do século XX, a estabilidade do regime ditatorial teve um notável desenvolvimento econômico, que nunca foi compartilhado com participação acionária grandes massas da população em extrema pobreza e miséria. A oposição ao regime foi duramente perseguida, resultando em assassinatos e tortura e forçando o exílio aqueles que tomaram posse contra o poder estabelecido. A repressão foi reforçada em 1964.

O terremoto em Manágua de 1972 foi um marco na corrupção, a ajuda internacional às vítimas teria sido desviada, deixando as pessoas afetadas pela catástrofe, sem assistência. A situação econômica se agravou e aumentou o descontentamento entre a população.

O FSLN[editar | editar código-fonte]

Os diversos movimentos de oposição foram convergentes, resultando no início dos anos 1960 o nascimento da FSLN, a organização que levaria a luta contra a ditadura.

A FSLN era uma organização heterogênea, em que pessoas de diferentes ideologias estavam envolvidos com uma inclinação marxista marcou as referências à Revolução Cubana e Argélia. Ele não tinha nenhuma ligação com qualquer parte do país e sua ideologia baseada nas ideias e lutas de Augusto Sandino (guerrilheiro nicaragüense que combateram os Estados Unidos na década de 1930 e foi assassinado por Somoza).

As forças governamentais dos vários governos Somoza conseguiram conter a luta armada travada pela FSLN, que sofreu pesadas derrotas como Pancasán em 1967 ou a casa "Las Termópilas" em 1969. No início da década de 1970 é um amplo apoio popular para o Sandinista, tanto na cidade (centros educacionais e de emprego) e áreas rurais. A FSLN sofreu uma divisão das três tendências que nascem lutando separadamente. Mesmo nessa conjuntura, os acertos são relevantes e produzem ações como "A ofensiva de outubro". Em 1976, Carlos Fonseca Amador morre em combate, perdeu acusando a organização.

Começo do triunfo revolucionário[editar | editar código-fonte]

Em meados dos anos 1970, líderes de setores econômicos do país e da Igreja Católica começam a se alinhar contra o governo Somoza. Formaram um movimento de oposição liderado por Pedro Joaquín Chamorro Cardenal, dono do jornal La Prensa, o maior do país e forçar o governo a fazer algumas mudanças. Este grupo oposição encontrou apoio nas fileiras do Partido Democrata, dos Estados Unidos e o governo de Jimmy Carter, que promoveu uma política externa mais respeitosa com os Direitos Humanos.

Em 10 de janeiro de 1978 é assassinado Pedro Joaquín Chamorro. O assassinato é atribuído ao regime e desencadeou uma grande preocupação entre as classes média e empresarial do país. Na insurreição de fevereiro ocorre no bairro Monimbó de Masaya e em agosto se realiza a tomada do Palácio Nacional por uma tendência da FSLN liderada por Eden Pastora. A negociação para a libertação de seqüestrados políticos no Palácio Nacional faz com que muitos presos políticos sejam libertados e possam ser publicados e transmitir um apelo para que a população faça uma insurreição.

A revolta torna-se generalizada e a repressão do governo endurece vindo a realizar ataques contra civis. Isso torna a ganhar apoio da FSLN e protestos começaram a chegar de países estrangeiros para pressionar o regime de Somoza para buscar uma solução negociada para o conflito.

Em março de 1979, diversas unidades sandinistas firmam acordo em junho e fez a chamada para a "Ofensiva Final" e chama uma greve geral. As tentativas do governo americano, por meio da OEA (Organização dos Estados Americanos), deter o avanço da frente. O governo dos Estados Unidos tenta destacar a trazer as tropas da OEA na Nicarágua, mas não obtendo o apoio necessário dos países presentes na organização.

Então, tenta resolver colocar as tropas na Costa Rica para intervir na Nicarágua, mas esta operação também fracassou. Como as tentativas de negociar com a FSLN para a composição da Junta de Governo de Reconstrução Nacional. Finalmente, os Estados Unidos da América são obrigados a pedir que Anastasio Somoza renuncie à presidência da Nicarágua, em uma tentativa de controlar a situação. Somoza é substituído pelo presidente do Congresso, Francisco Urcuyo, que em um de seus primeiros atos como presidente apelou para a FSLN se desarmar. A resposta sandinista foi a de aumentar o avanço e Urcuyo deixa o país. A Guarda Nacional entra em colapso e a Frente Sandinista de Libertação Nacional entra em Manágua, em 19 de julho de 1979 termina a fase ditatorial de Somoza assumindo as responsabilidades de governo, através da Junta de Governo de Reconstrução Nacional.

Governos Revolucionários[editar | editar código-fonte]

Junta de Governo de Reconstrução Nacional[editar | editar código-fonte]

Na entrada de Manágua em 19 de julho de 1979, o FSLN foi seguido pela introdução da Junta de Governo de Reconstrução Nacional, que foi composta por cinco membros. O coordenador do mesmo, que serviu como presidente, foi Daniel Ortega Saavedra da FSLN que é acompanhado de Sergio Ramírez e Moises Hassan, ambos também sandinistas e o empresário Alfonso Robelo Callejas, completado de Violeta Chamorro, a viúva de Pedro Joaquín Chamorro, (o que seria o sucessor de Ortega ao final do processo revolucionário em 1990) como independente. Ele estabeleceu um Conselho de Estado com representação de vários grupos sociais (políticos, sindicalistas, mulheres …) e se dispôs a funcionar como um legislador, até a convocação e realização de eleições.

O controle do Diretório Nacional da FSLN(composto por 9 comandantes FSLN: Tomas Borge, Daniel Ortega, Victor Tirado, Humberto Ortega, Henry Ruiz, Jaime Wheelock, Bayardo Arce, Luis Carrión e Carlos Núñez) sobre a Junta de Governo fez membros independentes deixarem o mesmo um ano depois sendo substituídos por outros 2 membros não-sandinistas, Arturo Cruz e Rafael Cordova Rivas. O governo comprometeu-se com as políticas indicadas acima e em 1981 o governo de Ronald Reagan nos Estados Unidos, impôs um bloqueio econômico e passou a financiar anti-sandinista grupos armados conhecidos como os "contras". Nicarágua procurou o apoio da União Soviética e Cuba e em 1982 com a URSS assinou um pacto de cooperação econômica.

Eleições 1984[5] [editar | editar código-fonte]

Em 4 de novembro de 1984, as eleições foram realizadas, mas não sem controvérsia, a contra-revolução e ao boicote por alguns partidos da oposição, no qual o candidato da Força Sandinista de Libertação Nacional Daniel Ortega ganhou 67% votos e a FSLN foi o partido majoritário no parlamento com 61 lugares dos 96 disponíveis. Estas eleições legitimaram para muitos países estrangeiros, o governo sandinista, mas não conseguiu parar a agressão contra ele. Dos 1.551.597 cidadãos com direito a voto registrado em julho do mesmo ano votaram 1.170.142 representando 75,41% dos eleitores os resultados foram:

Partido Candidato à presidencia  % do voto obtido
Frente Sandinista de Liberación nacional (FSLN) Daniel Ortega 66,97%
Partido Conservador Democrático (PCD) Clemente Guido 17,04%
Partido Independiente Liberal (PIL) Virgilio Godoy 9,60%
Partido Popular Social Cristiano (PPSC) Mauricio Díaz 5,56%
Partido Comunista de Nicaragua (PCdeN) Allan Zambrana 1,45%
Partido Socialista de Nicaragua (PSN) Domingo Sánchez Sancho, 1,31%
Movimiento de Acción Popular Marxista Leninista (MAP-ML) Isidro Téllez 1,03%

Voto nulo = 6%.

O gabinete foi forçado a declarar o estado de emergência para lidar com a agressão armada, de onde foram retirados alguns direitos civis e houve restrição da liberdade de expressão, mas o jornal da oposição, La Prensa, com linha editorial cercando a contra-revolução, seguiu editando assim e as emissões de estações de rádio permaneceu pertencentes à Igreja Católica. governo também eleito se viu obrigado a impor o serviço militar obrigatório (chamado (SMP) Serviço Militar Patriótico), já que era muito impopular.

Em 1988 começou as conversações sobre um processo de paz que culminou nas eleições em fevereiro de 1990.

Eleições 1990[6] [editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1990 são realizadas eleições gerais, em que os sandinistas perderam. Para lidar com a FSLN formaram a União Nacional de Oposição (UNO), uma coalizão de partidos liderada por Violeta Chamorro, uma membro da Junta de Reconstrução Nacional e viúva de Pedro Joaquín Chamorro, assassinado por Somoza, em 10 de janeiro de 1978, pondo assim fim ao período revolucionário.

Eleições gerais da Nicaragua em 1990  %
UNO 54,74%
FSLN 40,82%
MUR 1,18%
Outros partidos 3,26%

Desde o momento do seu início, no âmbito da direção técnica e ajuda política e financeira do governo norte-americano, a existência da UNO foi marcada por deformações estruturais graves resultantes da sua própria natureza. Na sua atual conformação concorreram as correntes mais diversas da gama política e ideológica nicaragüense: a liberal-conservadora - tradicionalmente anti-comunista e pró-EUA, os marxistas-leninistas da linhagem de Moscou, os partidários abertamente defensores da luta de classes e os inimigos do capitalismo no seu estado mais elevado de desenvolvimento. Paradoxos de uma aliança eleitoral heterogênea e frágil. [7]

A constituição da coalizão da UNO foi:

  • 3 tendências liberais: PLI, PLC e PALI
  • 3 conservadores: ANC, PNC e APC
  • 3 sociais-cristãos: PPSC, PDCN e PAN
  • 3 social-democratas: PSD, MDN e PSN
  • 1 comunista ortodoxo: PC de Nicarágua
  • 1 partido unionista da América Central: PIAC

Pós-1979: Mudanças[editar | editar código-fonte]

Como qualquer processo revolucionário que atingiu os porões da sociedade, com a Revolução na Nicarágua houve várias mudanças importantes que reformulou a sociedade nicaraguense, transformando-o em um país mais complexo do que nunca. As consequências diretas da Revolução pode ser estruturado em três vertentes principais:

Economia[editar | editar código-fonte]

A Revolução derrubou a pesada carga do regime Somoza que impusera a economia nicaragüense e que deformou o país a criar um grande e moderno centro, Manágua, de onde o poder de Somoza emanava de todos os cantos do território, e, em seguida, uma economia rural, com traços semifeudais com poucos bens produtivos, tais como algodão, açúcar e outros produtos agrícolas tropicais. Todos os setores da economia da Nicarágua foram determinadas, em grande parte se não todos, pelos Somoza ou os funcionários e adeptos em torno do regime, se possuem diretamente marcas agrícolas e trustes, ou colocando-os ativamente por proprietários locais ou estrangeiros. É fato que Somoza respondia por 20% de toda a terra rentável na Nicarágua. Enquanto isto não é correto, Somoza ou seus adeptos possuíam ou transferiram a posse de bancos, portos, comunicações, serviços e grandes quantidades de terra.[8]

Todos os setores da economia foram reestruturados, realmente caminhando para uma economia mista sistema. No entanto, o maior impacto, economicamente, definido pela Revolução estava dentro do setor primário: a Reforma Agrária.

A Revolução Sandinista trouxe imensa reestruturação e reformas a todos os três setores da economia. No setor primário, o Revolução apresentou a reforma Agrária, não como aquele que poderia ser planejada com antecedência, desde o início da Revolução, mas como um processo que se desenvolverá ao longo do pragmaticamente diferentes condições, econômicas, políticas e de organização , que surgem durante todo o período de Revolução.[9]

As reformas económicas gerais necessários à recuperação a economia ineficiente e impotente da Nicarágua. Como um "país do terceiro mundo", Nicarágua, tem uma economia baseada na agricultura, subdesenvolvida e sensíveis ao fluxo de preço de mercado dos seus produtos agrícolas, como café e algodão. A revolução visualizou uma economia rural, bem defasada tecnologicamente e, ao mesmo tempo, devastada pela guerrilha e, em breve vir a guerra civil com os Contras.

"Artigo 1 da Lei de Reforma Agrária diz que a propriedade é garantido, se trabalhada de forma eficiente e que não poderia haver formas diferentes de propriedade:

  • Propriedade do Estado(com a terra confiscada dos Somoza)
  • Propriedade cooperativa(parte das terras confiscadas, mas sem os certificados individuais de propriedade, a ser trabalhado de forma eficiente)
  • Bem comum(em resposta a reivindicação de pessoas e comunidades a partir das regiões de Miskito no Atlântico)
  • Propriedade individual (desde que esta seja explorada de forma eficiente e integrada aos planos nacionais de desenvolvimento) [10]

Os princípios que presidiram a reforma Agrária foram os mesmos para a Revolução: o pluralismo, a unidade nacional e da democracia econômica.[11]

A Reforma Agrária da Nicarágua foi desenvolvida em quatro fases:

  1. Primeira fase (1979): o confisco das propriedades dos Somoza e seus adeptos.
  2. Segunda fase (1981): Lei da Reforma Agrária de 19 de julho de 1981.
  3. Terceira fase (1984-1985): Cessão maciça de terra, individualmente, respondendo às demandas dos camponeses.
  4. Quarta fase (1986): Lei da Reforma Agrária, de 1986, ou "reforma da lei de 1981".

Revolução Cultural[editar | editar código-fonte]

A Revolução Sandinista trouxe muitas melhorias e desenvolvimento cultural. Sem dúvida, o mais importante foi o planejamento e execução da Cruzada Nacional de Alfabetización. A campanha de alfabetização utilizou alunos do ensino secundário, estudantes universitários, bem como os professores como professores voluntários. Dentro de cinco meses, eles reduziram o total taxa de analfabetismo de 50,3% para 12,9%.[12]

Como resultado, em setembro de 1980, a UNESCO galhordou a Nicarágua com o "Prêmio Nadezhda K. Krupskaya" por sua campanha de alfabetização bem-sucedida. Este foi seguido pelas campanhas de alfabetização de 1982, 1986, 1987, 1995 e 2000, os quais também foram premiados pela UNESCO.[13] A Revolução também fundou um Ministério da Cultura, um dos três únicos na América Latina na época, e estabeleceu uma marca editorial novo, chamado Editorial Nueva Nicarágua e, baseado nele, começou a imprimir livros de edições baratas base raramente vistos por nicaragüenses. Ele também fundou um Instituto de Estúdios del Sandinismo(Instituto de Estudos de Sandinismo), onde impressos de todo o trabalho e os papéis de Augusto César Sandino e aqueles que cimentou as ideologias do FSLN assim, como Carlos Fonseca, Ricardo Morales Avilés e outros. Os principais programas em larga escala dos sandinistas recebeu reconhecimento internacional por seus ganhos em alfabetização, saúde, educação, acolhimento às crianças, sindicatos, e reforma agrária.[14] [15]

Militar[editar | editar código-fonte]

Desde que o projeto político da Revolução era "anti-imperialista", classista, popular e revolucionário[16] o crescimento militar também foi uma conseqüência direta da Revolução. Já em 1981 (1980 para alguns elementos) um movimento anti-sandinista, o Contrarrevolución(Contrarrevolução) ou apenas Contras, já estava tomando forma e lugar na fronteira com o Honduras. Um conflito armado, então, surgiria em algum momento, somando-se a guerras civis na América Central. Mais tarde, Contras, fortemente apoiado pela CIA e, apesar de secretamente, por membros do governos, abriu uma "segunda frente" no Atlântico e na fronteira com a Costa Rica, tornando a década de 1980 um papel ainda mais década tensa. Com a guerra civil abertura de fissuras no projeto nacional-revolucionário, o orçamento militar cresceu em números de dinheiro e homens. O Servicio Militar Patriótico (Serviço Militar Patriótico), um projeto obrigatório, foi criada para ajudar a defender a Revolução.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

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1926[editar | editar código-fonte]

Sandino retorna à Nicarágua para iniciar a luta anti-imperialista

1933[editar | editar código-fonte]

Saída dos marines norte-americanos e criação da Guarda Nacional

1934[editar | editar código-fonte]

Sandino assassinado pela Guarda Nacional chefiada por Somoza

1936[editar | editar código-fonte]

Anastácio Somoza dá um golpe de Estado e constitui um governo pró-EUA

1956[editar | editar código-fonte]

Assassinato de Anastácio Somoza e ascensão de seu filho, Luis Somoza Debayle

1960[editar | editar código-fonte]

Fundação da Frente Sandinista de Libertação Nacional/FSLN

1978[editar | editar código-fonte]

Assassinato do jornalista Joaquim Chamorro, do La Prensa. União da oposição em Frente Ampla

1979[editar | editar código-fonte]

Vitória da revolução, queda de Somoza e instalação da Junta Provisória

1984[editar | editar código-fonte]

Primeiras eleições livres na Nicarágua. Vitória sandinista.

1990[editar | editar código-fonte]

Vitória de Violeta Chamorro nas eleições, derrotando Daniel Ortega, líder sandinista.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

AVELLAR, Sérgio – 20 anos de digestão – pequena crônica de um país que se perdeu, extraído da Internet (sem editora).

BARCELLOS, Caco – Nicarágua: a revolução das crianças. Mercado Aberto, Porto Alegre, 1982

FERRARI, Sergio: “Nicarágua há 25 anos da insurreição sandinista”. Adital, 2004

HOBSBAWM, Eric – A Era dos Extremos. Companhia das Letras, São Paulo, 2002.

LOWY, Michael. O marxismo na América Latina. Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 1999

MAREGA, Marisa – A Nicarágua Sandinista.Brasiliense, São Paulo, 1982.

SAAVEDRA, Humberto Ortega – 50 anos de luta Sandinista. Quilombo, São Paulo, 1980.

Referências

  1. BOSCH, Juan. De Cristobal Colón a Fidel Castro. El caribe, frontera imperial. La Habana: Editorial de Ciencias Sociales(ed.), 1983. ISBN.
  2. A estrela de Nicarágua. Foto Histórica
  3. WHEELOCK ROMÁN, Jaime. Editorial de ciencias sociales, editado por Ernesto Chávez Álvarez. Frente Sandinista: Hecia la ofensiva final. 1980. Ciudad de La Habana
  4. Matilde Zimmermann. Fundación del FSLN, 1960-1964. Visitado em 26 de enero de 2009 de 2009.
  5. Elections in the Americas : a data handbook / ed. by Dieter Nohlen, Vol. 1. [Oxford] [u.a.] : Oxford Univ. Press, 2005. Pp.502.
  6. "Bases de datos políticos de las Américas", Center for Latin America Studies, University of Georgetown http://pdba.georgetown.edu/Elecdata/Nica/nica90.html
  7. "Paradoxes from an heterogeneous and fragile electoral Alliance", CAJINA, Roberto, Id. ant. Pag. 44 e ss.
  8. SOLÁ MONSERRAT, Roser. "Geografía y Estructura Económicas de Nicaragua" (Nicaragua's Geography and Economical Structure). Universidad Centroamericana. Managua, Nicaragua, 1989. Second Edition.
  9. "Agrarian Productive Structure in Nicaragua", SOLÁ MONSERRAT, Roser. 1989. Pag 69 and ss.
  10. Ib. ant. Itálico nos termos de "propriedade" são desta edição
  11. Ibid. ant.
  12. Hanemann, Ulrike. "Nicaragua's Literacy Campaign" (DOC), UNESCO. Página visitada em 2007-07-02.
  13. B. Arrien, Juan. "Literacy in Nicaragua" (PDF), UNESCO. Página visitada em 2007-08-01.
  14. Background History of Nicaragua
  15. globalexchange.org Report on Nicaragua
  16. Managua: Sección de Formación Política del Ejército Popular Sandinista, 1981. (Managua: Seccion of Political Formation of Sandinist Popular Army), 38 pgs; source from CRAJINA, Roberto: "Transición política y reconversión militar en Nicaragua, 1990-1995" (Political Transition and Military Restructuring in Nicaragua, 1990-1995).

Filmografia[editar | editar código-fonte]

  • Latino, de Haskell Wexler. Sobre intervenção norte-americana na Nicarágua Sandinista.
  • Nicarágua - entre a guerra e o sonho (1990), da TV dos Trabalhadores. Documentário sobre as eleições de 1990 e a vitória de Violeta Chamorro sobre o governo sandinista.
  • Sob fogo cerrado (1983), de Roger Spottiswoode. Sobre a queda de Anastácio Somoza da Nicarágua.

Ver também[editar | editar código-fonte]