Ocupação da Nicarágua pelos Estados Unidos

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Ocupação da Nicarágua pelos Estados Unidos
Parte da(o) Guerras das Bananas
Sandinoflagusmc.jpg
Marines dos EUA com a bandeira capturada de Augusto César Sandino na Nicarágua, 1932.
Data 1912 - 1933
Local Nicarágua
Desfecho Vitória inicial dos Estados Unidos;
retirada das tropas estadunidenses após 22 anos de ocupação.
Combatentes
 Estados Unidos
Flag of Nicaragua.svg Governo da Nicarágua
Flag of Nicaragua.svg Liberais da Nicarágua (1912 e 1927 na Batalha de La Paz Centro)
Flag of Nicaragua.svg Sandinistas (1927-1933)
Principais líderes
US Naval Jack 45 stars.svg William Henry Hudson Southerland
Estados Unidos Smedley Butler
Flag of Nicaragua.svg Benjamín Zeledón (1912)
Flag of Nicaragua.svg Luis Mena Vado (1912)
Flag of Nicaragua.svg Augusto César Sandino (1927-1933)

A ocupação da Nicarágua pelos Estados Unidos de 1912 a 1933 foi parte de um conflito maior conhecido como Guerras das Bananas. A ocupação militar começou formalmente em 1912, apesar de várias outras operações ocorrerem antes da invasão em grande escala. As intervenções militares na Nicarágua foram destinadas a impedir a construção do Canal da Nicarágua por qualquer nação, com exceção dos Estados Unidos. A Nicarágua assumiu um estatuto de quase-protetorado sob o Tratado Bryan-Chamorro de 1916. A ocupação terminou com Augusto César Sandino, um revolucionário nicaraguense, liderando exércitos de guerrilha contra as tropas norte-americanas. Além disso, com o início da Grande Depressão, tornou-se dispendioso para o governo estadunidense manter sua ocupação; dessa forma, as tropas foram retiradas em 1933.

Conflito[editar | editar código-fonte]

Rebelião de Estrada[editar | editar código-fonte]

Em 1909, o presidente da Nicarágua, José Santos Zelaya do Partido Liberal Constitucionalista enfrentava a oposição do Partido Conservador, liderado pelo governador Juan José Estrada de Bluefields que recebia o apoio do governo estadunidense. Os Estados Unidos haviam limitado presença militar na Nicarágua, tendo apenas um navio Marinha dos Estados Unidos patrulhando ao largo da costa de Bluefields, a fim de proteger vidas e os interesses dos cidadãos estadunidenses que viviam ali. O Partido Conservador pretendia derrubar Zelaya, o que levou à rebelião de Estrada em dezembro de 1909. Dois estadunidenses, Leonard Groce e Lee Roy Cannon foram capturados e acusados por supostamente aderir à rebelião e plantar minas. Zelaya ordenou a execução dos dois e rompeu relações com os Estados Unidos.[1] [2]

As forças de Chamorro e do General Juan Estrada, cada um liderando revoltas conservadoras contra o governo de Zelaya, haviam capturado três pequenas cidades na fronteira com a Costa Rica e estavam fomentando uma rebelião aberta na capital, Manágua.[3] navios de guerra estadunidenses à espera fora do México e Costa Rica [4] foram colocados em posição.

Mapa da Nicarágua

Zelaya renunciou em 14 de dezembro de 1909 [5] e seu sucessor escolhido a dedo, José Madriz, foi eleito pelo voto unânime liberal da assembléia nacional da Nicarágua em 20 de dezembro. O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Philander C. Knox advertiu que os Estados Unidos não iriam retomar as relações diplomáticas com a Nicarágua até que Madriz demonstrasse que se tratava de um "governo responsável... disposto a fazer reparações pelos seus erros" cometidos para os cidadãos norte-americanos. [6] [7] Em seu pedido de asilo concedido pelo México, Zelaya foi escoltado por uma guarda armada para a canhoneira mexicana General Guerrero e partiu de Corinto para Salina Cruz no México, na noite de 23 de dezembro, com o Albany na escolta, mas não agindo. [8] [9] [10]

Como uma capitânia do Esquadrão Expedicionário da Nicarágua, sob o almirante William W. Kimball, o Albany passou os próximos cinco meses na América Central, principalmente em Corinto, mantendo a neutralidade na rebelião em andamento, às vezes sob críticas por parte da imprensa dos Estados Unidos e interesses comerciais que estavam incomodados com a atitude "amigável" de Kimball para a administração liberal de Madriz.[11] [12] [13] Em meados de março de 1909, a insurgência liderada por Estrada e Chamarro entrou convenientemente em colapso e com a resistência evidente e inesperada de Madriz, os Esquadrão Expedicionário da Nicarágua dos Estados Unidos completou a sua retirada das águas da Nicarágua. [14]

Em 27 de maio de 1910, o Major do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos, Smedley Butler, chegou na costa da Nicarágua com 250 fuzileiros navais, com a finalidade de garantir a segurança em Bluefields. O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Philander C. Knox, condenou as ações de Zelaya, favorecendo Estrada. Zelaya sucumbiu à pressão política estadunidense e fugiu do país, deixando José Madriz como seu sucessor. Madriz, por sua vez teve de enfrentar um avanço das revigoradas forças rebeldes do leste, que culminou com a sua renúncia. Em agosto de 1910, Juan Estrada tornou-se presidente da Nicarágua, com o reconhecimento oficial dos Estados Unidos. [15]

Rebelião de Mena[editar | editar código-fonte]

A administração de Estrada permitiu ao presidente William Howard Taft e ao secretário de Estado Philander C. Knox aplicar a política da Diplomacia do Dólar. O objetivo era minar a força financeira europeia na região, que ameaçava interesses estadunidenses para a construção de um canal no istmo, e também proteger o investimento privado norte-americano na exploração dos recursos naturais da Nicarágua. A política abriu as portas para os bancos estadunidenses a emprestar dinheiro para o governo da Nicarágua, garantindo aos Estados Unidos o controle sobre as finanças do país.[16] :143

Em 1912, o conflito político contínuo na Nicarágua entre as facções liberais e conservadoras se deteriorou a tal ponto que os investimentos estadunidenses pela Diplomacia do Dólar do presidente William H. Taft incluindo empréstimos substanciais para o frágil governo de coalizão do presidente conservador Juan José Estrada estavam em perigo. O Ministro da Guerra, General Luis Mena Vado, obrigou Estrada a renunciar. Ele foi substituído por seu vice-presidente, o conservador Adolfo Díaz. [17]

A relação de Díaz com os Estados Unidos levou a um declínio em sua popularidade na Nicarágua. Os sentimentos nacionalistas surgiram no exército nicaraguense, incluindo Luis Mena, o Secretário de Guerra. Mena conseguiu conquistar o apoio da Assembleia Nacional, acusando Díaz de "vender o país para os banqueiros de Nova York". Díaz pediu auxílio ao governo estadunidense, quando a oposição Mena se transformou em rebelião. Knox apelou ao presidente Taft para a intervenção militar, argumentando que a ferrovia nicaraguense de Corinto a Granada estava ameaçada, interferindo com os interesses dos Estados Unidos.[16] :144

Em meados de 1912, Mena persuadiu a assembleia nacional da Nicarágua para nomeá-lo sucessor de Díaz quando o mandato de Díaz expirasse em 1913. Quando os Estados Unidos se recusaram a reconhecer a decisão do assembléia da Nicarágua, Mena se rebelou contra o governo Díaz. Uma força liderada pelo general liberal Benjamín Zeledón, com a sua fortaleza em Masaya, rapidamente chegou para auxiliar Mena, cuja sede ficava em Granada.[18] [19]

Díaz, contando com o apoio tradicional do governo estadunidense a facção conservadora nicaraguense, deixou claro que não poderia garantir a segurança dos cidadãos e bens estadunidense na Nicarágua e solicitou intervenção dos Estados Unidos. Nas duas primeiras semanas de agosto de 1912, Mena e suas forças capturaram navios a vapor no Lago Manágua e no Lago Nicarágua, que pertenciam a uma companhia ferroviária dirigida pelos interesses dos Estados Unidos. Os insurgentes atacaram a capital, Manágua, submetendo-a a um bombardeio de quatro horas. O ministro estadunidense George Wetzel telegrafou para Washington para enviar tropas para proteger a embaixada dos Estados Unidos. [20] [21]

Na época que a revolução eclodiu, a canhoneira USS Annapolis (PG-10) da Frota do Pacífico estava em patrulha rotineira na costa oeste da Nicarágua. No verão de 1912, 100 fuzileiros navais estadunidenses chegaram a bordo do USS Annapolis. Eles foram acompanhados pelo retorno de Smedley Butler do Panamá com 350 fuzileiros navais. O comandante das forças americanas era o almirante William Henry Hudson Southerland, que juntou-se ao coronel Joseph Henry Pendleton e 750 fuzileiros navais. O objetivo principal foi assegurar a estrada de ferro de Corinto a Manágua.

Ocupação de 1912[editar | editar código-fonte]

Dos 1.100 membros do exército dos Estados Unidos que intervieram na Nicarágua, 37 foram mortos em ação. Uma vez que o poder estava novamente nas mãos de Díaz, os Estados Unidos passaram a retirar a maioria de suas forças do território nicaraguense, deixando cem fuzileiros navais para "proteger a embaixada norte-americana em Manágua." A presença estadunidense na Nicarágua permitiu a manutenção da paz por cerca de 15 anos, garantindo a influência dos Estados Unidos na política e na economia do país[16] .


Ocupação de 1927[editar | editar código-fonte]

Uma guerra civil eclodiu entre as facções liberais e conservadoras em 2 de maio de 1926, com os liberais capturando Bluefields e José María Moncada Tapia capturando Puerto Cabezas em agosto. [16] :291 O Dr. Juan Bautista Sacasa declarou-se presidente constitucional da Nicarágua em Puerto Cabezas em 1 de dezembro. [16] :292 Após a renúncia de Emiliano Chamorro Vargas, o Congresso da Nicarágua selecionou Adolfo Diaz como designado, que, em seguida, solicitou a intervenção do presidente Calvin Coolidge. .[16] :292-293 Em 24 de janeiro de 1927, os primeiros elementos das forças estadunidenses chegaram, com 400 marines. [16] :293

As forças do governo foram derrotadas em 6 de fevereiro em Chinandega, seguido de mais uma derrota em Muy Muy, levando-nos desembarques marinhos em Corinto e ocupação do Forte de La Loma em Manágua. [16] :294-295 O Esquadrão de Observação Ross E. Rowell chegou em 26 de fevereiro, o qual incluiu DeHavilland DH-4.[16] :296 Em março, os estadunidenses tinham 2.000 soldados na Nicarágua, sob o comando do General Logan Feland.[16] :297 Em maio, Henry Stimson intermediou um acordo de paz que incluía o desarmamento e prometeu eleições em 1928. [16] :297-299 No entanto, o comandante liberal Augusto César Sandino, e 200 de seus homens recusaram-se a abandonar a revolução.[16] :299

Em 30 de junho, Sandino tomou a mina de ouro de San Albino, condenou o governo conservador, e atraiu recrutas para continuar as operações.[16] :308 No mês seguinte, ocorre a Batalha de Ocotal. Apesar do conflito adicional com os rebeldes de Sandino, os Estados Unidos supervisionaram eleições que foram realizadas em 4 de novembro de 1928, com Moncada como o vencedor.[16] :349 Manuel Giron foi capturado e executado em fevereiro de 1929, e Sandino retirou-se por um ano no México.[16] :350-351

A administração Hoover iniciou a retirada estadunidense de tal modo que por fevereiro de 1932, apenas 745 homens permaneceram.[16] :354 O Dr. Juan Sacasa foi eleito presidente na eleição de 6 de novembro de 1932.[16] :359 A Batalha de El Sauce foi o último grande engajamento da intervenção dos Estados Unidos. [16] :360


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The Citizen, Honesdale, PA December 1, 1909
  2. The New York Times, November 23, 1909
  3. The Ogden Standard, December 8, 1909
  4. The Ogden Standard, November 27, 1909
  5. New York Tribune, December 17, 1909
  6. New York Tribune, December 21, 1909
  7. The Los Angeles Herald, December 21, 1909
  8. The Pensacola Journal, December 17, 1909
  9. The Los Angeles Herald, December 26, 1909
  10. The Los Angeles Tribune, December 21, 1909
  11. The Salt Lake Tribune, January 14, 1910
  12. The Washington Herald, January 29, 1910
  13. Annual Report of the Secretary of the Navy for the Fiscal Year 1910, p. 803
  14. The Marion Daily Mirror, March 16, 1910
  15. Langley, Lester D. (1983). The Banana Wars: An Inner History of American Empire, 1900-1934. Lexington: University Press of Kentucky.
  16. a b c d e f g h i j k l m n o p q r Musicant, Ivan (1990). The Banana Wars: A History of United States Military Intervention in Latin America from the Spanish-American War to the Invasion of Panama. New York: MacMillan Publishing.
  17. Musicant, Ivan (1990). The Banana Wars: A History of United States Military Intervention in Latin America from the Spanish-American War to the Invasion of Panama. New York: MacMillan Publishing.
  18. Nicaragua: A Country Study. Washington: GPO for the Library of Congress, 1993, edited by Tim Merrill
  19. The Banana Wars: United States Intervention in the Caribbean, 1898-1934, by Lester D. Langley, pp. 60-70
  20. Nicaragua: A Country Study. Washington: GPO for the Library of Congress, 1993, edited by Tim Merrill
  21. The Banana Wars: United States Intervention in the Caribbean, 1898-1934, by Lester D. Langley, pp. 60-70