Coluna Prestes

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A Coluna Prestes foi um movimento político-militar brasileiro existente entre 1922 e 1927 e ligado ao tenentismo de insatisfação com a República Velha, exigência do voto secreto, defesa do ensino público e a obrigatoriedade do ensino secundário para toda população.

Motivos e consequências[editar | editar código-fonte]

Comando da Coluna. Luís Carlos Prestes é o terceiro sentado, da esquerda para a direita

O movimento contou com lideranças das mais diversas correntes políticas, mas a maior parte do movimento era composta por capitães e tenentes da classe média, donde originou-se o ideal do "Soldado Cidadão". Deslocou-se pelo interior do país pregando reformas políticas e sociais e combatendo o governo do então presidente Artur Bernardes e, posteriormente, de Washington Luís.

Em sua marcha pelo Brasil, os integrantes da Coluna Prestes denunciavam a pobreza da população e a exploração das camadas mais pobres pelos líderes políticos. Sob o comando principal de Luís Carlos Prestes (chefe de estado-maior), a Coluna Prestes enfrentou as tropas regulares do Exército ao lado de forças policiais de vários estados, além de tropas de jagunços, estimulados por promessas oficiais de anistia.

Partindo do município de Santo Ângelo, que hoje abriga o Memorial da Coluna Prestes, o movimento percorreu vinte e cinco mil quilômetros pelo interior do Brasil durante dois anos e meio. Apesar dos esforços, a Coluna Prestes não conseguiu a adesão da população. A longa marcha foi concluída em fevereiro de 1927, na Bolívia, perto de nossa fronteira, sem cumprir seu objetivo, disseminar a revolução no Brasil.

A Coluna Miguel Costa-Prestes poucas vezes enfrentou grandes efetivos do governo. Em geral, eram utilizadas táticas de despistamento para confundir as tropas legalistas.

O movimento liderado por Carlos Prestes contribui para disseminar os problemas do poder concentrador oligárquico da República Velha, culminando na Revolução de 1930. Projeta a figura de Luís Carlos Prestes, que posteriormente entra no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Prestes foi chamado por esta marcha de cavaleiro da esperança na luta contra os poderes dominadores da burocracia e dos setores elitistas.

Polêmicas[editar | editar código-fonte]

Em 1998, o Centro de Pesquisa e Documentação (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, abriu um conjunto de 70 mil cartas, manuscritos e fotos de Juarez Távora. Um dos sobreviventes da Revolta do Forte de Copacabana, de 1922, a primeira revolta tenentista, Távora formava com Prestes e Miguel Costa a cúpula da Coluna. Entre a papelada de seu arquivo, havia cartas escritas e recebidas por esses líderes. As mensagens revelam que o grupo não era recebido com festas por onde passava. Saques, estupros, assassinatos e outras atrocidades deixavam a população aterrorizada. Ao saber da chegada dos revoltosos, a população costumava fugir por medo das atrocidades espalhadas pelos adversários da coluna.[1]

No livro Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios)[2] a escritora Eliane Brum relata depoimentos de sobreviventes à passagem da Coluna Prestes. A Autora refaz, 70 anos depois, os 25 mil quilômetros da Coluna Prestes. Faz uma viagem no tempo para recosturar a colcha de lembranças dos verdadeiros derrotados e arranca da penumbra a face escura da Coluna Prestes

Referências

  1. NARLOCH, Leandro. Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil . Editora Leya, 2009.
  2. Coluna Prestes: o avesso da lenda; Brum, eliane; Editora Artes e Ofícios, 1994 - ISBN 8585418389

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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