Invasão de Granada

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Invasão de Granada
Guerra Fria
US Army Rangers parachute into Grenada during Operation Urgent Fury.jpg
Rangers do Exército dos Estados Unidos saltam de páraquedas em Granada durante a Operação Fúria Urgente.
Data 25 de outubro15 de dezembro de 1983
Local Granada
Desfecho Vitória dos Estados Unidos e de seus aliados
Combatentes
 Estados Unidos
Aliados:
 Antígua e Barbuda
 Barbados
Dominica
 Jamaica
Santa Lúcia
São Vicente e Granadinas
Organização dos Estados Americanos
Granada Governo Revolucionário de Granada
 Cuba
 União Soviética (conselheiro)
Comandantes
Estados Unidos Ronald Reagan
Estados Unidos Vice-almirante Joseph Metcalf III
Estados Unidos Major-general Norman Schwarzkopf
Granada Hudson Austin
Cuba Pedro Tórtolo
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Yuri Andropov
Forças
Estados Unidos 7 300 soldados
OEA: 353 combatentes
Granada ~1 500 soldados
Cuba 722 soldados
Baixas
Estados Unidos 19 mortos e 116 feridos Granada 45 mortos e 358 feridos
Cuba 25 mortos, 59 feridos e 638 capturados

A Invasão de Granada (codinome: Operação Fúria Urgente) foi uma invasão da nação insular de Granada por forças militares dos Estados Unidos e outros países, em resposta a um golpe de estado liderado pelo vice-primeiro-ministro Bernard Coard, em 14 de outubro de 1983, que depôs o então primeiro-ministro granadino, Maurice Bishop, posteriormente executado, a 19 de outubro do mesmo ano, conjuntamente com outros membros do seu governo.

Em 25 de Outubro de 1983, os Estados Unidos, Barbados, Jamaica e membros da Organização de Estados do Caribe Oriental desembarcaram navios em Granada, derrotaram a resistência granadina e derrubaram o governo de Coard. O dia 25 de Outubro é um dia de festa nacional em Granada, chamada Dia de Acção de Graças, para comemorar este acontecimento.[carece de fontes?]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 13 de Março de 1979, um golpe de estado sem derramamento de sangue, liderado pelo líder do Movimento New Jewel, Maurice Bishop, havia destituído o governo de Eric Gairy para estabelecer um governo marxista-leninista, que rapidamente se alinhou à União Soviética e a Cuba.

O novo governo começou a construir um aeroporto internacional com a ajuda de Cuba. O então Presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, indicou este aeroporto e vários outros sítios como provas de um processo de militarização de proporções importantes, em curso no Caribe, apoiado pela URSS e Cuba, o que tornaria Granada uma ameaça potencial aos Estados Unidos. O governo americano acusou Granada de construir as instalações para ajudar no transporte de armas soviéticas destinadas a insurgentes nos países centro-americanos. O governo de Bishop afirmava que o aeroporto fora construído para albergar aviões comerciais, que transportavam turistas.

Em 14 de Outubro de 1983, uma facção liderada pelo vice-primeiro-ministro Bernard Coard rompeu com Bishop. Posteriormente, forças ligadas a Coard executaram Bishop, apesar dos protestos da população, a favor do primeiro-ministro. O Governador-Geral de Granada, Paul Scoon, foi colocado em prisão domiciliar.

A Organização de Estados do Caribe Oriental (OECS) pediu ajuda aos Estados Unidos, Barbados e Jamaica. Segundo Mythu Sivapalan, do New York Times (29 de Outubro de 1983), esse pedido formal teria sido feito por solicitação do próprio governo dos Estados Unidos, que já havia decidido realizar acções militares contra o regime de Coard.

Os oficiais dos Estados Unidos citaram o golpe e a instabilidade política num país próximo das suas próprias fronteiras, bem como a presença de estudantes de medicina americanos na Universidade de St. George de Granada, como as razões para a acção militar. Sivapalan também afirmou que essa última razão foi apresentada para ganhar apoio público, mais do que como um motivo real para a invasão, já que menos de 600 dos 1000 civis não granadinos na ilha eram dos Estados Unidos.[1]

Tanto Cuba como Granada, quando viram que os navios americanos estavam se dirigindo para Granada, enviaram mensagens urgentes prometendo que os estudantes americanos estavam a salvo e pediram que não ocorresse uma invasão. [...] Não há indicações que a administração tenha feito um decidido esforço para evacuar os americanos pacificamente. [...] Os oficiais reconheceram que não houve nenhuma tendência para tentar negociar com as autoridades granadinas.

A invasão[editar | editar código-fonte]

Um helicóptero americano CH-53D pousando ao lado de uma metralhadora ZU-23-2 abandonada pelos granadinos.

A invasão, que começou às 05:00 do dia 25 de outubro, foi a primeira grande operação realizada pelo exército dos Estados Unidos desde a Guerra do Vietnam. A luta durou vários dias e o número total de tropas americanas alcançou cerca de 7000 combatentes, aos quais se juntaram 300 combatentes da OECS.

As forças invasoras encontraram 1.500 soldados granadinos e cerca de 600 cubanos, a maioria dos quais engenheiros militares. Não há provas de que militares de outros países estivessem em Granada.

Fontes oficiais dos Estados Unidos afirmam que os defensores estavam bem preparados, bem posicionados e opuseram forte resistência, o que obrigou os americanos a pedir reforços, na tarde de 26 de outubro. Porém, a superioridade total naval e aérea das forças invasoras (incluindo helicópteros e artilharia naval de apoio) era indiscutível.

Entre os norte-americanos houve 19 mortos e 116 feridos.[2] Pelo menos 69 granadinos morreram, dos quais 45 militares e pelo menos 24 civis, e houve também 358 soldados feridos. Cuba teve 25 mortos em combate, 59 feridos e 638 foram feitos prisioneiros.

Reação nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

No mês posterior à invasão, a revista Time afirmou que a invasão teve amplo apoio popular.[3] Um grupo de estudo do Congresso dos Estados Unidos concluiu que a invasão havia sido justificada, já que os estudantes americanos poderiam ter sido tomados como reféns, da mesma forma que os diplomatas americanos no Irã, quatro anos antes. O estudo do grupo fez com que Tip O'Neill mudasse sua posição, passando a apoiar a operação.[3]

Porém, alguns membros do grupo de estudo deixaram de concordar com suas conclusões. O membro do congresso Louis Stokes afirmou que "Nem uma única criança americana nem um único cidadão americano estava correndo perigo ou posto em situação de refém antes da invasão". Uma parte do congresso denunciou a invasão e sete deputados do Partido Democrata, liderados por Ted Weiss, tentaram levar adiante uma moção de censura a Reagan.[3]

Oposição e crítica internacional[editar | editar código-fonte]

Granada integrava a Commonwealth e após a invasão pediu ajuda a outros membros da Comunidade. Reino Unido e Canadá, entre outros, se posicionaram contra a invasão.[4] A Primeira-Ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, pessoalmente se opunha à invasão estadunidense, e seu Secretário de Exteriores, Geoffrey Howe, declarou à Câmara dos Comuns, no dia anterior à invasão, que não tinha conhecimento de qualquer possível invasão americana e que o próprio Ronald Reagan teria dito que isto não aconteceria. Reagan diria mais tarde que "ela [Thatcher] foi muito firme e continuava insistindo que cancelássemos nosso desembarque em Granada. Não podia lhe dizer que já havia começado".[5]

Depois da invasão, a Primeiro-Ministra Thatcher escreveu ao Presidente Reagan:

"Esta ação será vista como intervenção de um país ocidental nos asuntos internos de uma pequena nação independente, apesar do seu regime pouco simpático. Peço-lhe que considere isto no contexto mais amplo de nossas relações Oriente-Ocidente e em relação ao fato de que teremos de apresentar nos próximos dias ao nosso parlamento e ao povo a colocação de mísseis Cruise neste país… Não posso deixar de dizer que estou profundamente preocupada com seu último comunicado.".[6]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Granada: helicóptero norte-americano abandonado na praia, após a invasão.

Após a vitória americana, o governador-geral de Granada, Paul Scoon, nomeou um novo governo e, em meados de Dezembro, as forças dos Estados Unidos retiraram-se.

A invasão mostrou problemas com a "máquina de informação" do governo dos Estados Unidos, que Time descreveu como "um tanto desorganizada," três semanas depois da invasão. Por exemplo, o Departamento de Estado americano afirmou falsamente que havia sido descoberta uma grande tumba que continha 100 corpos de habitantes de Granada, mortos por forças comunistas.[3]

Também foram preocupantes os problemas de falta de informação do exército americano, o que agravou as dificuldades enfrentadas pelas forças invasoras. Não se sabia, por exemplo, que os estudantes estavam em campi diferentes, o que motivou um atraso de trinta horas no resgate dos estudantes do segundo campus.[3]

Ordem de batalha[editar | editar código-fonte]

Forças dos EUA e forças aliadas terrestres[editar | editar código-fonte]

EUA
  • 22ª Unidade Anfíbia da Marinha
  • 82ª Divisão Aerotransportada: grande contingente
  • 75º Regimento Ranger
  • SEALs da Marinha: especificamente a Equipe Seal 5 e DEVGRU
  • Força Delta
  • 160ª Regimento de Operações Especiais de Aviação Night Stalkers

Forças navais dos EUA[editar | editar código-fonte]

Esquadrão Anfíbio Quatro USS Guam USS Barnstable County, USS Manitowoc, USS Fort Snelling, USS Trenton

Grupo de Tarefas Independentes USS Independence, USS Richmond K. Turner, USS Coontz, USS Caron, USS Moosbrugger, USS Clifton Sprague, USS Suribachi

Além disso, os seguintes barcos apoiaram as operações navais: USS America, USS Aquila, USS Aubrey Fitch, USS Briscoe, USS Portsmouth, USS Recovery, USS Saipan, USS Sampson. USS Samuel Eliot Morison y USS Taurus.

Notas

  1. Cole, op. cit., p.1, 57
  2. Cole, op. cit., p. 6, 62
  3. a b c d e Magnuson, Ed. (21 de Novembro 1983). "Getting Back to Normal". Time. Página visitada em 26 de outubro de 2013.
  4. Cole, op. cit., p. 50
  5. Reagan, Ronald (1990). An American Life page 454.
  6. Thatcher, Margaret (1993) The Downing Street Years page 331.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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