Guerra Civil do Iêmen do Norte

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Guerra Civil do Iêmen do Norte
Parte da(o) Guerra Fria
North Yemen Civil War.jpg
Forças iemenitas realistas tentam repelir um ataque blindado egípcio
Data 1962 – 1970
Local Iêmen
Desfecho Retirada do Egito (1967)
Vitória republicana e creação da República Árabe do Iêmen (1970)
Combatentes
Realistas:
Flag of the Mutawakkilite Kingdom of Yemen.svg Reino do Iêmen
Flag of Arábia Saudita Arábia Saudita


Flag of Jordânia Jordânia
Mercenários

Republicanos:
República Árabe do Iêmen República Árabe do Iêmen
Flag of United Arab Republic.svg República Árabe Unida (Egito)
Principais líderes
Flag of the Mutawakkilite Kingdom of Yemen.svg Muhammad al-Badr
Flag of the Mutawakkilite Kingdom of Yemen.svg Bruce Conde
Flag of Saudi Arabia.svg Abdel Aziz al Saud
Flag of United Arab Republic.svg Gamal Abdel Nasser
Flag of United Arab Republic.svg Abdel Hakim Amer
República Árabe do Iêmen Abdullah as-Sallal
República Árabe do Iêmen Ali Qasim Almoayad
Forças
Flag of the Mutawakkilite Kingdom of Yemen.svg Forças em 1965:
20.000 semi-regulares[1]
200.000 milicianos tribais[1]
Centenas de mercenários[2]
Flag of United Arab Republic.svg 70.000 egipcios (1965)[3]
República Árabe do Iêmen 3.000 soldados iemenitas (1964)[4]
Vítimas
100.000 mortos[5] 26.000 mortos[6]

A Guerra Civil do Iêmen do Norte foi travada no Iêmen do Norte entre os monarquistas do Reino do Iêmen e facções da República Árabe do Iémen entre 1962-1970. A guerra começou com um golpe de Estado realizado pelo líder republicano, Abdullah as-Sallal, que destronou o recém-coroado Imam Al-Badr e declarou o Iêmen como república sob a sua presidência. O Imam fugiu para a fronteira da Arábia Saudita e conquistou apoio popular, e formou uma resistência às tribos legalistas conservadores no norte de seu reino.

Durante os confrontos entre os dois lados, os rebeldes formaram a República do Iémen, um Estado pan-árabe, que tinha fortes ligações com o regime de Nasser no Egito (que na época ainda era conhecido como a República Árabe Unida) e são referidos como "republicanos". Os guerrilheiros leais a Imam Muhammad eram conhecidos como "realistas", e receberam apoio material da Arábia Saudita e da Jordânia, e o apoio diplomático da Grã-Bretanha, bem como mercenários europeus contratados pelo sauditas, enquanto os republicanos foram apoiados pelo Egito e teriam recebido aviões de guerra da União Soviética.[7] Tanto as forças estrangeiras irregulares quanto as convencionais foram envolvidas. O presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, apoiou os republicanos com até 70.000 soldados. Apesar de vários movimentos militares e conferências de paz, a guerra afundou-se em um impasse. O comprometimento do Egito na guerra é considerado como tendo sido prejudicial ao seu desempenho na Guerra dos Seis Dias de junho de 1967, posteriormente Nasser passou a acreditar cada vez mais que seria difícil manter a participação do seu exército e começou a retirar suas forças para fora do Iêmen.

Em 1970, o Rei Faisal da Arábia Saudita, reconheceu a república e uma trégua foi assinada. Historiadores e militares egípcios referem-se à guerra como Vietnã do Iêmen,[8] em referência à Guerra do Vietnã. Já o historiador Michael Oren (atual embaixador de Israel nos EUA) escreveu que a aventura militar do Egito no Iêmen foi tão desastrosa que "a iminente Guerra do Vietnã poderia facilmente ter sido apelidada de Iêmen Americano."[9]

Referências

  1. a b Pollack, Kenneth M. (2002). Arabs at War: Military Effectiveness, 1948-1991. Studies in war, society, and the military. Lincoln, NE: University of Nebraska Press. pp. 54. ISBN 0803237332.
  2. The Egyptian-Yemen War | Egyptian perspectives on Guerrilla warfare | Infantry Magazine | Find Articles at BNET Youssef Aboul-Enein, 1 de enero de 2004.
  3. Pollack, Kenneth M. (2002). Arabs at War: Military Effectiveness, 1948-1991. Studies in war, society, and the military. Lincoln, NE: University of Nebraska Press. pp. 55. ISBN 0803237332
  4. Pollack, Kenneth M. (2002). Arabs at War: Military Effectiveness, 1948-1991. Studies in war, society, and the military. Lincoln, NE: University of Nebraska Press. pp. 53. ISBN 0803237332
  5. Twentieth Century Atlas - Death Tolls
  6. Pollack, Kenneth M. (2002). Arabs at War: Military Effectiveness, 1948-1991. Studies in war, society, and the military. Lincoln, NE: University of Nebraska Press. pp. 56. ISBN 0803237332.
  7. Sandler, Stanley. Ground Warfare: The International Encyclopedia. Vol.1 (2002): p.977. "Egypt immidiately began sending military supplies and troops to assist the Republicans... On the royalist side Jordan and Saudi Arabia were furnishing military aid, and Britain lent diplomatic support. In addition to the Egyptian aid, the Soviet Union allegedly supplied 24 Mig-19s to the republicans."
  8. Aboul-Enein, Youssef. "The Egyptian-Yemen War : Egyptian perspectives on Guerrilla warfare", Infantry Magazine, 2004-01-01. Página visitada em October 3, 2008.
  9. Oren (2002), p. 7