Zaiditas

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Os zaiditas constituem uma dissidência bastante antiga do xiismo. Atualmente são majoritários apenas no norte do Iémen, sendo minoritários no restante do país, cuja população é predominantemente sunita. No passado, esse grupo ocupava partes do antigo Império Persa, principalmente em torno do Mar Cáspio.

Desde a insurreição iniciada em setembro de 2014 e que culminou com a queda do governo de Abd Rabbuh Hadi, em fevereiro de 2015, os zaiditas passaram a constituir a força política dominante no país .[1]

História[editar | editar código-fonte]

O zaidismo deve seu nome a Zayd ibn Ali ibn al-Husayn, um dos filhos do quarto imam xiita, Zayn al-Abidin, que se rebelou inutilmente em Cufa, no ano de 740 d.C., contra o poder dos Omayyadi, que ele considerava usurpadores e hostis a Ahl al-Bayt (a família do profeta Muhammad). A revolta de Zayd foi a primeira a ocorrer depois do massacre de Karbala. Foi precedida por uma permanência de Zayd em Basra durante dois meses, e em Cufa, por mais um período. As motivações da revolta tinham raízes sociais e religiosas (entre outras causas, o movimento defendia a legitimidade da deposição do imam, no caso de falha no cumprimento de preceitos religiosos), que também marcaram o zaidismo durante muito tempo, caracterizando-o como um movimento muito perigoso, aos olhos do poder constituído.

A atividade do descendente de profeta Maomé não demorou a chamar a atenção do governo, o que obrigou Zayd a refugiar-se na mesquita da cidade, ajudado por algumas centenas de seguidores - bem menos numerosos do que os milhares que se tinham oferecido anteriormente para apoiá-lo contra os Omayyadi. O wali (governador) de Cufa, Yusuf ibn Umar al-Thaqafi, parente de Al-Hajjaj ibn Yusuf, conseguiu sufocar a resistência de Zayd, e seus seguidores, quando seu líder foi morto, retiraram seu corpo secretamente e providenciam um local secreto para sua tumba, tentando evitar ofensas ao seu cadáver. Apesar desses cuidados, Ysuf ibn Umar conseguiu descobrir o lugar do sepultamento. Desenterrou o cadáver e cortou a sua cabeça, enviando-a ao califa Hisham ibn Abd al-Malik, que a expôs em Damasco, Meca e, finalmente, em Medina.O corpo crucificado ficou exposto no depósito de lixo, em Cufa, por três anos.

A bandeira da revolta foi retomada pelo filho de Zayd, Yahya in Khorasan, que também não conseguiu ser vitorioso. No ano de 743, foi derrotada pelo wali Nasr ibn Sayyar. Apesar de derrotadas no campo de batalha, as ideias de Zayd semearam na população um profundo ódio contra a dinastia dos califas - ódio que foi o propulsor das primeiras e mais importantes manifestações da chamada revolução abássida.

Características gerais[editar | editar código-fonte]

Se, no campo da jurisprudência, o zaidismo não é muito diferente das maḏāhib sunitas, podendo até ser considerado "moderado", no campo político trouxe diversas novidades, a ponto de o movimento ser incluído entre aqueles considerados "extremistas" (a terminologia árabe usa a palavra ghuluww para caracterizar o movimento). O zaidismo, de fato, não exige ligações de sangue com os Hasânidas ou com os Husaynidas (descendentes de Hasan ou de Husayn, os dois filhos de Ali ibn Abi Talib e de Fatima Zarah ibn Mohamad) da Shia para pleitear a liderança da Islamismo. Determina porém que, legalmente, o poder será atribuído a quem souber guiar os muçulmanos contra os usurpadores e opressores, o que dá uma coloração "militante" ao movimento, contribuindo para que fosse considerado subversivo, nos primeiros séculos do Islã, assim como o dos kharijitas e o dos carmatas ismaelitas.

Referências

  1. Soguel, Dominique. "With full Houthi takeover of Yemen, civil war looms", 8 February 2015. Página visitada em 8 February 2015.
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