Baçorá

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Uma vista da cidade de Barsra.
Mapa do Iraque com a localização de Baçorá.

Baçorá, Bassorá, Bassora ou Basra (em árabe: البصرة; transl.: al-Baṣrah) é uma das três maiores cidades do Iraque. Capital da província homônima, a cidade é o principal porto do país. Encontra-se às margens do Chate Alárabe, a 55 km do golfo Pérsico e a 545 km de Bagdá.

Etimologia e uso[editar | editar código-fonte]

O topônimo parece advir do verbo árabe baçara, "ver; saber, conhecer", do substantivo árabe baçar, "vista, raio visual, olhar, visão, olho; perspicácia". O termo evoluiu em português, a partir do século XVI, de "Baçoraa" e "Boçorá" para a forma atual "Baçorá".[1]

A imprensa brasileira emprega correntemente a transliteração inglesa "Basra";[2] [3] [4] esta forma, que não encontra respaldo nas fontes onomásticas tradicionais em português, é a de uso comum no país. Em Portugal, o Diário de Notícias emprega a forma "Baçorá,[5] enquanto que o Expresso e a Visão alternam entre o uso de "Basra"[6] [7] e Baçorá[8] [9]

História[editar | editar código-fonte]

Baçorá foi fundada em 636 como um acampamento militar para os exército do Califa Omar, alguns quilômetros ao sul da atual cidade, lugar ainda hoje marcado por um tell. Após derrotar as forças sassânidas, o comandante muçulmano Utba ibn Ghazwan acampou no local, originalmente um assentamento persa chamado Vaheštābād Ardašīr, que fora destruído pelos árabes.[10] A função originalmente militar do sítio é indicada pelo nome árabe, البصرة al-Basra (ver Etimologia e uso, acima).

São de Baçorá o sufi Hasan al-Basri (642-728) e Al-Hariri (1054-1122), poeta e gramático árabe.

A cidade tornou-se um centro comercial florescente até a sua ocupação pelo Império Otomano, quando sua importância declinou.

Durante a Primeira Guerra Mundial, as forças britânicas de ocupação modernizaram o porto, que passou a ser o mais importante do Iraque. Na Segunda Guerra Mundial, Baçorá foi um importante ponto de transferência de carga enviada pelos Aliados à União Soviética. No final da guerra, a cidade contava 93 000 habitantes.

A Universidade de Baçorá foi fundada em 1964.

Em 1977, a sua população chegou a cerca de 1,5 milhão de habitantes, mas tornou a cair durante a Guerra Irã-Iraque, quando a cidade foi repetidamente bombardeada pelas forças iranianas, que nunca chegaram a tomá-la.

Forças britânicas patrulham a área de Baçorá, em 2003.

Durante a Guerra do Golfo, em 1991, a cidade voltou a ser bombardeada, desta vez pela coalizão chefiada pelos EUA.[11] Após o conflito, Baçorá foi o centro da revolta dos xiitas do sul do Iraque contra os governantes sunitas de Bagdá. O levante estalou em 2 de março de 1991, com base na promessa da administração de George Bush no sentido de derrubar o regime de Saddam Hussein. Pelo menos 3 000 pessoas morreram em Baçorá, sem que os revoltosos recebessem o apoio da coalizão.

Com a invasão do Iraque, em 2003, Baçorá foi mais uma vez palco de manobras de guerra. Entre março e maio daquele ano, a periferia da cidade assistiu aos combates mais intensos da invasão. Baçorá foi tomada por forças britânicas em 6 de abril. A segurança do sul do país ficou a cargo de uma força multinacional chefiada pelos britânicos, que passaram o controle da região ao governo iraquiano no final de 2007.[12] No início de 2008, é local de conflito entre as forças do governo iraquiano e os seguidores do clérigo xiita radical Moqtada al-Sadr.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Conforme a fonte, Baçorá é classificada como a segunda ou terceira maior cidade do Iraque, após a capital Bagdá (e Mossul, no norte do país). Sua população é de 1 700 000 habitantes, segundo algumas estimativas (2003),[13] ou de 2 015 947 habitantes (janeiro de 2005), segundo outras fontes.

Os árabes perfazem quase 100% da população. Mais de 99% dos habitantes são muçulmanos, dos quais 90% são xiitas e 9%, sunitas. Baçorá é a cidade mais importante do sul do Iraque, região predominantemente xiita.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Terminal petrolífero em Baçorá (2007).

Localizada no sul do Iraque, às margens do Chate Alárabe, Baçorá dista 55 km do golfo Pérsico e 545 km da capital, Bagdá. A área em torno da cidade é uma importante produtora de petróleo, com 64% das reservas iraquianas. Baçorá abriga refinarias (com capacidade para cerca de 140 000 barris diários) e indústrias químicas. A cidade conta com um aeroporto internacional.

A região é fértil para a agricultura, que produz tâmaras, arroz, milho, cevada, milhete e trigo.

Clima[editar | editar código-fonte]

Com temperaturas médias de mais de 40°C no verão e de 12°C no inverno, a área em torno de Baçorá é uma das mais quentes do planeta.

Notas

  1. José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, verbete "Baçorá".
  2. EUA bombardeiam Basra; cidade tem água para dois dias, O Estado de S. Paulo, 28 de março de 2008.
  3. Com bombas em Basra, EUA entram em guerra de xiitas, Folha de S. Paulo, 29 de março de 2008.
  4. Iraque demite comandante em Basra, depois do combate, O Globo, 16 de abril de 2008.
  5. O mais político dos generais, Diário de Notícias, 12 de abril de 2008.
  6. Jornal Expresso, resultado da pesquisa por "Basra", visitado em 23 de abril de 2008.
  7. «Mártires de Saddam» e objectivos militares, Revista Visão, 25 de março de 2003.
  8. Jornal Expresso, resultado da pesquisa por "Baçorá", visitado em 23 de abril de 2008.
  9. A tempestade de Bagdad, Revista Visão, 26 de março de 2003.
  10. Segundo a Encyclopædia Iranica, Ehsan Yarshater, Columbia University, p. 851.
  11. Onlineauftritt thurnfilm Documentário de Siegwart Horst Günther: Der Arzt und die verstrahlten Kinder von Basra - Uranmunition und die Folgen 2004.
  12. "UK troops return Basra to Iraqis", BBC News, 2007-12-16.
  13. Thomas Brinkhoff: City Population.
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