Cevada

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Campo de cevada

Campo de cevada
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Poales
Família: Poaceae
Género: Hordeum
Espécie: H. vulgare

A cevada (Hordeum vulgare) é uma gramínea cerealífera e representa a quinta maior colheita e uma das principais fontes de alimento para pessoas e animais. A área cultivada no mundo chega a 530 000 km². O seu período de germinação é de um a três dias. Suas flores são dispostas em espigas, na extremidade do colmo, e os aquénios, amarelados e ovoides.

É uma cultura tipicamente de inverno que não tolera o alagamento, sendo resistente a seca quando comparada ao trigo, mas exigente em relação à fertilidade do solo.

A cevada fornece uma farinha alimentícia e o produto resultante da germinação artificial dos grãos (malte) é utilizado na fabricação da cerveja e de outros produtos. Os grãos torrados e moídos são usados na fabricação de uma bebida sem cafeína de aspecto semelhante ao do café. A cevada é ainda empregada em alimentação animal como forragem verde e na fabricação de ração.[1]

No Brasil, a malteação é o principal uso econômico da cevada, já que o país produz apenas 30% da demanda da indústria cervejeira.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

Cultivo da cevada iniciou entre 6000 a.C. e 7000 a.C., na área atualmente ocupada no Oriente Médio, sendo nessa época o principal cereal utilizado na alimentação humana, mais tarde substituída pelo trigo.[2]

Tablete com a contabilidade das rações de cevada distribuídas a adultos e crianças pelo rei Urukagina (aprox. 2350 a.C.).

A primeira evidência arqueológica é do Epipaleolítico, em Ohalo, perto do Mar da Galileia. Os resquícios encontrados foram datados de aproximadamente 8500 a.C.[3] O primeiro indício de cevada domesticada ocorrem em sítios neolíticos Acerâmicos, como no Tell Abu Hureyra, na Síria. A cevada é cultivada na Coreia desde o período da Cerâmica Mumun (c. 1500-850 a.C.)[4]

Cerveja de cevada foi provavelmente a primeira bebida desenvolvida por humanos no Neolítico.[5] A cevada foi mais tarde utilizada como moeda.[5] No Egito foi utilizada tanto como ingrediente do pão como da cerveja.

Na Europa Medieval, pão feito de cevada era considerado comida de gente humilde, enquanto produtos feitos de trigo eram consumidos pelas classes mais altas.[6] A batata substituiu massivamente a cevada, na Europa Oriental no século 19 como alimento.[7]

Cevada cervejeira[editar | editar código-fonte]

É a cevada destinada a produção de cerveja. O grão de cevada destinado à indústria cervejeira precisa apresentar uma série de características, entre as quais, germinação mínima de 95%, percentagem de grãos classe 1 acima de 85% e teor de proteína não excedendo 12%.[8]

O malte é produzido a partir da modificação do endosperma do grão, através da germinação sob condições de ambiente controladas que ativa as enzimas, desencadeando modificações químicas dos principais componentes do grão (amido, proteínas, etc.), deixando o produto pronto para a fabricação de cervejas.[8]

Principais produtores de cevada[editar | editar código-fonte]

Cevada.
Dez maiores produtores de cevada — 2009
(milhões de toneladas)
 Rússia 17.9
 França 12.9
 Alemanha 12.3
 Ucrânia 11.8
 Canadá 9.5
 Austrália 8.1
 Turquia 7.3
 Reino Unido 6.8
 Estados Unidos 4.9
 Polónia 4.0
Total Mundial 152
Fonte:
ONU FAO
[9]

Cevada no Brasil[editar | editar código-fonte]

O Brasil produz cevada em escala comercial desde 1930.[10] Dentre os vários tipos de cevada explorados, a cevada cervejeira é a única produzida comercialmente no Brasil.[8]

A produção brasileira de cevada está concentrada na Região Sul, com cultivo também nos estados de Goiás, de Minas Gerais e de São Paulo, sendo cultivada em mais de 140 mil hectares, e a produção é de aproximadamente 380 mil toneladas. Há três maltarias em atividade, instaladas no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo.[1] O resto da cevada é importada de países como Argentina e Uruguai.[11]

O ciclo total da cultura até a colheita no Brasil é de aproximadamente 110 dias.[10]

Cevada em Portugal[editar | editar código-fonte]

A produção de cevada para malte em Portugal tem uma longa tradição, alternando períodos de quase auto-suficiência com épocas de ausência de plantio desta espécie.[12] O plantio é realizado em Novembro e meados de Janeiro, dependendo da região.[12]

Variedades[editar | editar código-fonte]

  • Scarlett – Origem alemã, com características de rusticidade, adequada a situações de sequeiro. Em regadio deve ter-se especial cuidado com a densidade de sementeira, pois o excesso de biomassa estrutural aumenta o risco de acama.[12]
  • Prestige - Variedade referência em termos de qualidade tecnológica, porém a elevada susceptibilidade às principais doenças tornam a sua produção pouco competitiva quando comparada com outras variedades, pois é necessário realizar tratamentos com fungicidas.[12]
  • Pewter – Variedade com resistência à doenças, isto aliado a uma estatura da planta mais baixa que Scarlett, tornam esta variedade particularmente adequada para situações de regadio.[12]
  • Braemar – Pertencente ao grupo de novas variedades com elevado peso do grão, por isso, evidenciando, bom rendimento à calibragem mesmo em condições de sequeiro. Variedade de palha relativamente alta, susceptível à acama.[12]
  • BRS 180, desenvolvida pela Embrapa, uma cevada de seis fileiras, adaptada às condições do cerrado brasileiro, cuja peculiaridade é ser resistente ao excesso de nitrogênio ( que aumenta o índice de proteína do cereal e o torna inadequado para a indústria malteira).[13]
  • BRS 195, de duas fileiras, tem se mostrado resistente à mancha marrom.[13]

Pragas[editar | editar código-fonte]

A cevada pode ser atacada por um grande número de doenças, destacando-se as seguintes:[12]

  • Oídio, causado pelo fungo Erysiphe Blumeria graminis;
  • Rincosporiose, causada pelo fungo Rhynchosporium secalis;
  • Helminthosporiose, causada pelo fungo Pyrenophora teres;
  • Pé negro, causado pelo fungo Gaeumamomyces graminis;
  • BYDV, vírus do ananicamento amarelo da cevada.

Contra-indicações[editar | editar código-fonte]

A cevada, assim como o trigo, o malte, a aveia e o centeio, possui o glúten em sua composição, desta forma, não deve ser consumido por portadores da doença celíaca, já que a mesma traz como consequência ao organismo (caso consumido estes alimentos), uma atrofiação nas mucosas do intestino delgado, prejudicando o organismo e a absorção de diversos nutrientes.

Referências

  1. a b c Cevada, página da EMBRAPA.
  2. NSLC.wustl.edu (em inglês)
  3. Zohary, Daniel; Maria Hopf. Domestication of Plants in the Old World: The Origin and Spread of Cultivated Plants in West Asia, Europe, and the Nile Valley. 3rd. ed. [S.l.]: Oxford University Press, 2000. 59–69 pp. ISBN 0198503571.
  4. Crawford, Gary W.; Gyoung-Ah Lee. (2003). "Agricultural Origins in the Korean Peninsula". Antiquity 77 (295): 87–95. ISSN 0003-598X. (em inglês)
  5. a b Pellechia, Thomas. Wine : the 8,000-year-old story of the wine trade. Philadelphia: Running Press, 2006. p. 10. ISBN 1560258713. (em inglês)
  6. McGee, Harold (1986). On Food and Cooking: The Science and Lore of the Kitchen. Unwin. ISBN 0-04-440277-5.(em inglês)
  7. Roden, Claudia. The Book of Jewish Food. [S.l.]: Knopf, 1997. p. 135. ISBN 0394532589.
  8. a b c A cevada cervejeira em São Paulo. Departamento de Sementes, Mudas e Matrizes. CATI.
  9. FAOSTAT.fao.org (em inglês)
  10. a b AMABILE, Renato Fernando. A evolução das pesquisas com a cevada no Brasil.
  11. VITAL, Nicholas. Os donos da cerveja. Istoé Dinheiro, Fevereiro/2008.
  12. a b c d e f g Cultura da cevada dística para malte, Manual de Boas Práticas Agrícolas, Novembro 2009.
  13. a b Novas variedades de cevada malteira são testadas no Cerrado, EMBRAPA, (25/11/2004).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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