Guerra Civil Chinesa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde novembro de 2013). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Guerra Civil Chinesa
Shangtang.jpg
Exército Popular de Libertação a atacar posições do governo na defensiva em Shangtang
Data Campanhas de Cerco; Abril de 1927 - Dezembro de 1936
Confrontos intermitentes, janeiro de 1941 - julho de 1945
Guerra em grande escala; março de 1946 - maio de 1950
Guerra declarada encerrada pela República da China em 1991[1]
Local China
Desfecho
Status *vitória militar comunista na China
*República Popular da China estabelecida na China continental
*Governo da República da China transferido para Taipei
*Nenhum tratado de paz ou armistício é assinado[2] [3]
Combatentes
Naval Jack of the Republic of China.svg Exército Nacional Revolucionário do Kuomintang
Flag of the Republic of China.svg República da China
Partido Comunista da China
Depois de 1949:
 República Popular da China
Principais líderes
Commander-in-Chief Flag of the Republic of China.svg Chiang Kai-shek

Flag of the Republic of China.svg Bai Chongxi
Flag of the Republic of China.svg Chen Cheng
Flag of the Republic of China.svg Li Zongren
Flag of the Republic of China.svg Yan Xishan
Flag of the Republic of China.svg He Yingqin

Mao Zedong
Zhu De
Peng Dehuai
Lin Biao
He Long
Forças
4,300,000 (Julho de 1945)[4]
3,650,000 (Junho de 1948)
1,490,000 (Junho de 1949)
1,200,000 (Julho de 1945)[4]
2,800,000 (Junho de 1948)
4,000,000 (Junho de 1949)
Vítimas:
1928–1936: ~2,000,000 Vítimas militares

1945–1949: ~1-3 milhões de mortes [5]

Guerra Civil Chinesa (19271937; 19461949) é o nome dado a uma série de conflitos entre forças chinesas nacionalistas e comunistas. Sua localização temporal é discutível, e de modo geral refere-se à Guerra Civil Chinesa apenas como a fase final ocorrida após o término da Segunda Guerra Mundial; no entanto o conflito remonta ao fim da dinastia Qing, em 1911.

As hostilidades irromperam em 1927, durante a expedição de Chiang Kai-shek ao norte, com o expurgo de antiesquerdistas do Kuomintang ("Partido Nacional do Povo", nacionalista, fundado pelo médico Sun Yat-sen) e uma série de levantes comunistas urbanos fracassados. O poder comunista foi então melhor estabelecido na área rural, e seus defensores utilizavam táticas de guerrilha para neutralizar a força nacionalista, que era superior. Após uma campanha de três anos, Chiang finalmente conseguiu destruir os sovietes Jiangxi (bases rurais comunistas) criados por Mao Tsé-Tung, mas após a Grande Marcha (1934-1935), os comunistas conseguiram reinstalar-se em Yan'an, no norte do país.

Os confrontos entre os dois lados reduziram-se com a invasão japonesa de 1937, e, até o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, uma difícil trégua foi mantida, enquanto se lutava contra um inimigo comum. A violência interna irrompeu logo após o final da guerra, ressurgindo em uma base muito maior em abril de 1946 - depois de o general norte-americano George Marshall ter fracassado em conseguir um acordo estável.

Durante o primeiro ano do conflito, as tropas nacionalistas obtiveram ganhos territoriais, incluindo a capital comunista de Yan'an. Entretanto, logo em seguida, o moral do Kuomitang começou a desmoronar face às bem-sucedidas operações militares dos comunistas, diminuindo a confiança em sua administração, e no final de 1947 uma vitoriosa contra-ofensiva comunista estava a caminho. Em novembro de 1948, Lin Piao completou a conquista da Manchúria, onde os nacionalistas perderam meio milhão de homens, muitos dos quais desertaram para o lado comunista. Na China Central, os nacionalistas perderam Xandong e em janeiro de 1949 foram derrotados na batalha de Huai-Huai (perto de Xuzhou). Pequim caiu em janeiro, e Nanjing e Xangai em abril. A República Popular da China foi proclamada (1 de outubro de 1949) e a vitória comunista completou-se quando o governo nacionalista fugiu de Chongqing para Taiwan, em dezembro daquele ano.


A Primeira Frente Unida[editar | editar código-fonte]

Sun Yat-sen, líder do Kuomintang (KMT), procurou a ajuda de potências estrangeiras para derrotar os senhores da guerra que tinham tomado o controle do norte da China após a queda da dinastia Qing em 1911 com a Revolução de Xinhai. As democracias ocidentais ignoraram os esforços do líder nacionalista para atrair ajuda. No entanto, em 1921, Sun Yat-sen voltou-se para a União Soviética. Fazendo uso do pragmatismo político, os líderes soviéticos lançaram uma política ambígua apoiando o KMT de Sun ao mesmo tempo que o recém-fundado Partido Comunista da China (PCC). Os soviéticos esperavam a consolidação dos comunistas, mas estavam preparados para a vitória de qualquer lado. Assim começou a luta pelo poder entre os nacionalistas e comunistas.

Em 1923, numa declaração conjunta em Xangai de Sun e um representante soviético a União Soviética se comprometeu a ajudar na unificação nacional da China. Conselheiros soviéticos - o mais importante dos quais, Mikhail Borodin, um agente do Komintern - começaram a chegar à China em 1923 para apoiar a reorganização e consolidação do KMT com as linhas defendidas pelo Partido Comunista da União Soviética. O PCC recebeu as instruções do Komintern para cooperar com o KMT e os seus membros foram encorajados a se juntar a eles, desde que as partes mantivessem suas identidades, formando assim a Primeira Frente Unida entre as duas partes. O PCC ainda era um agrupamento pequeno na época: tinha 300 membros em 1922 e em 1925 possuía apenas 1.500 militantes. O KMT possuía 150.000 soldados em 1922. Conselheiros soviéticos ajudaram os nacionalistas a criar um instituto de políticas para a formação de propagandistas em técnicas de mobilização de massas e em 1923 Chiang Kai-shek é enviado a Moscou para a realização de estudos políticos e militares durante vários meses. Chiang havia sido um dos tenentes de Sun Yat-sen, desde os tempos da Sociedade da Aliança, o movimento político precursor do KMT. Ao retornar no final de 1923, Chiang Kai-shek participou da criação da Academia Militar de Whampoa fora de Cantão, cidade sede do governo durante a aliança KMT-PCC. Em 1924, Chiang Kai-shek passa a liderar a academia e começa sua ascensão ao cargo de sucessor de Sun Yat-sen como líder do KMT e unificador de toda a China sob o governo nacionalista.

Expedição do Norte (1926 - 1928) e o cisma no Kuomintang[editar | editar código-fonte]

O Generalíssimo Chiang Kai-shek em março de 1945.

Apenas alguns meses depois da morte repentina de Sun, Chiang Kai-shek, na sua qualidade de comandante-em-chefe do Exército Nacional Revolucionário, iniciou a Expedição do Norte, que há muito era adiada. Foi uma ação contra os senhores da guerra e pretendia a unificação da China sob a liderança do KMT.

No entanto, em 1926, o KMT foi dividido em facções de esquerda e direita, enquanto a facção comunista interna também crescia. Em março de 1926, após abortar uma tentativa de rapto, Chiang Kai-shek despediu seus consultores soviéticos, impôs restrições à participação dos membros do PCC na liderança, e ascendeu como líder proeminente do KMT. A União Soviética, ainda querendo evitar uma cisão entre Chiang e o PCC, ordenou que os comunistas facilitassem a Expedição do Norte, através de atividades clandestinas. A expedição foi finalmente iniciada por Chiang em Cantão, em Julho de 1926.

A princípios de 1927, a rivalidade entre o KMT e o PCC levou a uma ruptura nas fileiras revolucionárias. O PCC e a facção esquerdista do KMT decidiram transferir a sede do governo nacionalista de Guangzhou a Wuhan. Mas Chiang, cuja Expedição do Norte estava resultando em êxito, ordenou às suas tropas destruir o aparato do PCC em Xangai. Chiang, com a ajuda do submundo de Xangai, alegando que as atividades comunistas eram socialmente e economicamente destrutivas, pegou de surpresa os comunistas e sindicalistas, em Xangai, prendendo e executando centenas deles em 12 de abril de 1927. O expurgo aprofundou o abismo entre Chiang e o governo de Wuhan de Wang Jingwei (batalha finalmente vencida por Chiang Kai-shek) destruindo também a base urbana do PCC. Chiang, expulso do KMT por estes eventos, estabeleceu um governo rival em Nanquim. Naquela época a China teve três capitais: o regime dos senhores da guerra reconhecido internacionalmente e com sede em Pequim, os comunistas e esquerdistas do KMT em Wuhan, e o regime civil-militar de direita em Nanquim, que continuaria sendo a capital nacionalista durante a próxima década.

As previsões do Komintern pareciam fadadas ao fracasso. Estabeleceu-se uma nova política em que o PCC deveria promover levantes armados nas cidades e no campo como um prelúdio para uma futura onda revolucionária. Os comunistas tentaram em vão tomar cidades como Nanchang, Changsha, Shantou e Cantão, e os camponeses da província de Hunan empreenderam uma revolta rural conhecida como Levantamento da colheita de outono. A insurreição foi liderada por Mao Tse-tung.

Mas, em meados de 1927, o PCC estava atravessando sua pior fase. Os comunistas tinham sido expulsos de Wuhan por seus aliados da esquerda do KMT, que, por sua vez, foram derrubados por um regime militar.

O KMT retomou sua campanha contra os senhores da guerra e capturam Pequim em junho de 1928, na sequência do qual a maior parte da China Oriental estava sob o comando de Chiang e do Governo da Nanquim que se tornou internacionalmente reconhecido como o único governo legítimo da China. Os nacionalistas anunciaram que tinham alcançado a primeira fase das três previstas pela doutrina de Sun Yat-sen para a revolução, ou seja, a unificação militar, a tutela política, e, finalmente, a democracia constitucional. Sob a liderança do KMT a China estava se preparando para iniciar a segunda fase.

Campanhas Anticomunistas (1927 - 1937)[editar | editar código-fonte]

Durante a Revolução Agrária, os ativistas do Partido Comunista recuaram a clandestinidade ou ao interior, onde promoveram um levante militar (o Levante de Nanchang em 1 de Agosto de 1927), uniram forças aos rebeldes camponeses remanescentes e passaram a gerenciar várias áreas do sul da China. Os esforços dos nacionalistas para sufocar a revolta fracassaram, mas danificou seriamente o campo comunista.

Depois de Chiang Kai-shek abortar um golpe para derrubá-lo conduzido por Feng Yuxiang, Wang Jingwei e Yan Xishan, dedicou seus esforços para desfazer os focos de atividade comunista. As duas primeiras campanhas falharam e a terceira foi abortada devido ao incidente de Mukden. A quarta campanha (1932-1933) começou com algumas vitórias, mas as tropas de Chiang cometeram grande erro em tentar atingir o coração da República Soviética da China sob Mao Tse-tung. Finalmente, no final de 1933, Chiang lançou uma quinta campanha orquestrada pelos seus consultores alemães que implicaram no cerco sistemático da região soviética de Jiangxi com fortins fortificados. No outono de 1934, os comunistas enfrentam a possibilidade real de serem completamente derrotados. Parecia que era chegada a hora de dar o golpe de misericórdia no PCC, para atacar depois os últimos senhores da guerra antes de possam começar a atacar seus ocupantes japoneses na Manchúria.

Mapa da Longa Marcha das forças de Mao.

Em outubro de 1934, os comunistas decidiram realizar uma grande retirada para o oeste para escapar das forças do KMT que os perseguiam. Esta retirada terminou quando os comunistas chegaram a Shaanxi, foi prorrogada por um ano e 6.000 quilômetros, passou a ser conhecida posteriormente como a Longa Marcha. Foi durante esse episódio, que Mao Tse-tung chegou à frente como líder comunista. Em sua retirada, o exército comunista confiscou bens e armas dos senhores locais e proprietários de terras, além de recrutar os camponeses e os pobres, solidificando seu apelo entre o povo.


Guerra Sino-Japonesa (1937 - 1945)[editar | editar código-fonte]

Soldados japoneses lutam em Xangai durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.

Durante a invasão e ocupação da Manchúria pelos japoneses, Chiang Kai-shek se recusou a aliar-se com os comunistas para lutar contra os japoneses, já que considerava os primeiros uma ameaça maior. Em 12 de dezembro de 1936, os generais Zhang Xueliang e Yang Hucheng, ambos do KMT, seqüestraram Chiang Kai-shek e ordenaram-lhe para assinar uma trégua com os comunistas. Esse episódio se tornaria conhecido como o Incidente de Xi’an. As duas partes concordaram em suspender as hostilidades e formar uma Segunda Frente Unida, que se concentrariam todas as suas energias contra os japoneses.

No entanto, a aliança era apenas nominal. A verdadeira colaboração e coordenação entre o KMT e o PCC foram mantidas minimamente durante toda a Segunda Guerra Mundial. No meio da Segunda Frente Unida, os comunistas e o Kuomintang ainda estavam procurando obter ganhos territoriais na "China Livre" (ou seja, áreas não ocupadas pelos japoneses ou governadas por governos fantoches). A situação atingiu a um ponto que no final de 1940 e início de 1941, confrontos de considerável importância tiveram lugar entre as forças comunistas e do KMT. Em dezembro de 1940, Chiang Kai-shek exigiu a retirada do Novo Quarto Exército do PCC, nas províncias de Anhui e Jiangsu. Os novos comandantes do Exército Quarto fizeram à retirada exigida pelo KMT, mas foram emboscados por forças nacionalistas que infligiram-lhes uma retumbante derrota em janeiro de 1941. Este conflito, conhecido como o Incidente do Novo Quarto Exército, enfraqueceu a posição do Partido Comunista da China central e acabou com qualquer possibilidade de cooperação entre as duas facções que já se apressavam em tomar posições à frente de uma guerra civil inevitável.

Fim da guerra e a luta pelo poder (1945-1947)[editar | editar código-fonte]

O lançamento da bomba atômica sobre as cidades japonesas e a entrada da URSS na Guerra do Pacífico levou os japoneses a se renderem muito mais rápido que os chineses tinham imaginado. Os termos da rendição incondicional do Japão, emitidos pelos Estados Unidos, as tropas japonesas foram requisitadas a não se entregarem aos comunistas, mas ao KMT.

O súbito fim da Segunda Guerra Mundial no Extremo Oriente, levou à entrada de tropas da União Soviética para as províncias manchus com o objetivo de tomar as posições japonesas e receberem a rendição de 700.000 soldados nipônicos estacionados na região. Naquele mesmo ano, Chiang Kai-shek teria se convencido de que não dispunha de meios para evitar a influência que o PCC teria na Manchúria após a retirada prevista dos soviéticos. Para evitar isso, chegou-se a um acordo com os russos para que atrasem sua retirada até que o KMT tivesse transferido para a região uma quantidade suficiente dos seus melhores homens e equipamentos. Os soviéticos usaram a prorrogação de permanência para desmantelar todo o parque industrial Manchu e remover para o seu país devastado pela guerra.

O general George Marshall chegou à China, participando de negociações para uma cessação das hostilidades entre o KMT e o PCC, segundo termos se formaria um governo de coalizão que acomodaria todas as facções políticas e militares da China. Nem os comunistas (representados por Zhou Enlai) nem os enviados por Chiang Kai-shek estavam dispostos a cederem em determinados fundamentos e abandonarem os territórios adquiridos após a rendição japonesa. A trégua fracassou na primavera de 1946 e, embora as conversas fossem retomadas, Marshall recebeu a ordem de se retirar em janeiro de 1947.

Últimas etapas do conflito (1946-1949)[editar | editar código-fonte]

Com o colapso das negociações de paz entre o Kuomintang e o Partido Comunista Chinês, a guerra total entre estas duas forças são retomadas. A União Soviética forneceu ajuda limitada para os comunistas, e os Estados Unidos ajudaram os nacionalistas com centenas de milhões de dólares em suprimentos, equipamentos militares e munições, bem como o transporte aéreo de muitas tropas nacionalistas da região central da China à Manchúria, uma área que Chiang Kai-Shek via como estrategicamente vital para a defesa Nacionalista nas zonas controladas contra um avanço comunista.

Tardiamente, o governo nacionalista também tentou obter o apoio popular através de reformas internas. O esforço foi em vão, no entanto, por causa da corrupção desenfreada no governo, que vinha acompanhada ao caos político e económico, incluindo hiperinflação maciça. No final de 1948, a posição nacionalista era desoladora. As tropas nacionalistas desmoralizadas e indisciplinadas não mostraram-se páreo para o Exército de Libertação Popular dos comunistas. Os comunistas estavam bem estabelecidos no norte e nordeste, enquanto os nacionalistas, que tinham uma vantagem em número de homens e armas, controlavam território e população muito maior do que os seus adversários, e contava com o apoio internacional considerável, no entanto, sofreu com a falta de moral e a corrupção desenfreada que reduzia grandemente a sua capacidade de luta e o seu apoio civil. Especialmente durante a II Guerra Mundial, o melhor das tropas nacionalistas ou foram feridos ou mortos, enquanto os comunistas haviam sofrido perdas mínimas.

Depois de inúmeros reveses operacionais na Manchúria, em especial a tentativa de tomar as grandes cidades, os comunistas foram finalmente capazes de aproveitar a região e capturar grandes formações nacionalistas. Isso lhes forneceu os tanques, artilharia pesada, e outros armas combinadas ativas necessárias para processar as operações de ofensiva ao sul da Grande Muralha. Em janeiro de 1949, Pequim foi tomada pelos comunistas, sem uma luta. Entre abril e novembro, as grandes cidades passaram do controle nacionalista para o controle comunista, com resistência mínima. Na maioria dos casos, a zona rural circundante e as pequenas cidades estavam sob influência comunista, muito antes das cidades - parte da estratégia da guerra popular. Uma das batalhas decisivas foi a Campanha de Huai Hai.

Finalmente, o Exército de Libertação Popular saiu vitorioso. Em 1 de outubro de 1949, Mao Tse-tung proclamou a República Popular da China. Chiang Kai-shek, 600.000 tropas nacionalistas, e cerca de dois milhões de refugiados simpatizantes dos Nacionalistas, predominantemente do governo anterior e as comunidades de negócios do continente, recuaram para a ilha de Taiwan e proclamaram a República da China. Depois disso, só restava bolsões isolados de resistência aos comunistas no continente, como no extremo sul. Em dezembro de 1949, Chiang proclamou Taipei, Taiwan, a capital provisória da República, e continuou a afirmar que seu governo era a única autoridade legítima de toda a China, enquanto o governo da República Popular da China fez o mesmo.

Os dois lados depois de 1950[editar | editar código-fonte]

Em geral, se esperava a queda do governo nacionalista como resultado de uma invasão comunista de Taiwan. Em princípio, os Estados Unidos não demonstraram um grande interesse em apoiar artificialmente o governo de Chiang Kai-shek em seu julgamento final. A situação mudou completamente após a invasão da Coréia do Sul por tropas norte-coreanas em janeiro de 1950, resultando na Guerra da Coréia. Nestas circunstâncias, foi considerado politicamente inviável nos Estados Unidos permitir uma vitória comunista sobre o KMT. O presidente dos EUA Harry S. Truman ordenou a Sétima Frota dos Estados Unidos evitarem qualquer possibilidade de invasão comunista de Taiwan.

Alguns historiadores americanos têm postulado que a perda da China continental para os comunistas deu ao senador Joseph McCarthy a possibilidade de depurar o Departamento de Estado dos Estados Unidos a suspeita de elementos pró-chineses. Além disso, é possível que John Fitzgerald Kennedy não contasse com verdadeiros especialistas no Extremo Oriente, ao formular a sua política em relação ao Vietnã, o que se pode concluir que a Guerra Civil Chinesa podia ter uma relação causal com a Guerra do Vietnã.

Enquanto isso, na década de 1950 e 1960, ocorreu confrontos intermitentes nas zonas costeiras do continente. No entanto, a falta de vontade norte-americana de serem arrastados para um conflito de maior importância deixou Chiang Kai-shek longe de poder "reconquistar o continente", como gostava de repetir constantemente. Aeronaves da República da China bombardearam alvos no continente e sucessivos grupos de operações especiais norte-americanos desembarcaram com freqüência na China continental, matando soldados da República Popular da China, seqüestrar membros do PCC, destruindo infra-estruturas e apreendendo documentos. A República da China perdeu cerca de 150 homens em um ataque em 1964.

O Exército da República da China realizou incursões de baixa intensidade naval, perdendo alguns navios em várias escaramuças com o Exército Popular. Em junho de 1949, a República Popular da China declarou o bloqueio de todos os portos na China comunista e sua marinha tentou interceptar todos os navios estrangeiros, principalmente de origem britânica e do bloco soviético. Como a rede ferroviária do continente era subdesenvolvida, o comércio Norte-Sul dependia fortemente do tráfego marítimo. As atividades navais da República Popular da China também causaram sérias dificuldades para os pescadores do continente.

Depois de perderem no continente, cerca de 1.200 soldados do KMT conseguiram fugir para a Birmânia, de onde continuaram a travar os ataques da guerrilha contra o sul da China. Seu líder, o general Li Mi permaneceu na folha de pagamento do governo da República da China, que lhe concedeu o título nominal de governador de Yunnan. No inicio, os Estados Unidos apoiaram os rebeldes e a CIA emprestou a sua ajuda. Após os protestos emitidos pelo governo birmanês na ONU, os EUA pressionou a República da China para retirar a sua guerrilha. Até o final de 1954 cerca de 6.000 soldados teriam deixado a Birmânia e Li Mi afirmou que dissolveu suas tropas. No entanto, milhares de homens mantiveram firmes e continuaram a receber materiais e ordens secretas da República da China, e às vezes reforços. As incursões na China comunista foram cessando gradualmente até o final de 1960, com a melhoria da infra-estrutura da RPC. Restos das tropas do Kuomintang mantiveram-se permanentemente na área participando do comércio de ópio.

As Crises no Estreito de Taiwan[editar | editar código-fonte]

Embora os EUA a considerassem um fardo militares, a República da China via as suas ilhas de Fujian como fundamentais para qualquer futura tentativa de reconquistar a China continental. Em 3 de setembro de 1954, eclode a Primeira Crise do Estreito de Taiwan após bombardeios realizados pelo Exército Popular sobre Quemoy, ameaçando tomar as ilhas Dachen. Em 20 de Janeiro de 1955, o Exército Popular tomou Kiang Yi Shan produzindo baixas na guarnição nacionalista de 720 homens que defendiam a ilha. Em 24 de janeiro do mesmo ano, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Resolução Formosa, que autoriza o presidente a defender as ilhas menores pertencentes à República da China. O presidente Dwight Eisenhower, em vez de embarcar em sua defesa, pressionou Chiang Kai-shek a evacuar os seus 11.000 soldados e 20.000 civis das ilhas Dachen, deixando-as cair nas mãos da RPC. A Ilha Nanchi também foi abandonada, deixando apenas as maiores ilhas de Quemoy e Matsu. A Primeira Crise do Estreito de Taiwan terminou em março de 1955 com a cessação dos ataques realizados pelo Exército Popular diante das ameaças norte-americanas de usar armas nucleares.

A Segunda Crise do Estreito de Taiwan começou em 23 de agosto de 1958 após um intenso bombardeio de artilharia a Quemoy, terminando em novembro do mesmo ano. As patrulhas da República Popular da China fizeram um bloqueio às ilhas, cortando suas linhas de fornecimento. Embora os Estados Unidos descartassem um plano nacionalista para bombardear as baterias de artilharia do continente, foram entregues imediatamente caças e mísseis antiaéreos. Também deram navios de assalto anfíbio para o trabalho de fornecimento, já que um navio nacionalista tinha sido afundado na entrada do porto, bloqueando-o completamente. Em 25 de Outubro, a República Popular anunciou um cessar-fogo que deveria ser realizado apenas em dias ímpares, de modo que Quemoy seria bombardeado em dias pares. No final da crise, Quemoy tinha recebido 500.000 impactos de artilharia junto com 3.000 civis e 1.000 soldados mortos ou feridos. Os acontecimentos de Quemoy e Matsu são extremamente importantes em vista das eleições para a presidência dos Estados Unidos de 1960. À medida que iam transcorrendo a década de 1960 o fogo da artilharia foi sendo substituído por panfletos.

Em janeiro de 1979, a República Popular da China anunciou a sua intenção de parar de atacar Quemoy e Matsu. Os confrontos entre os dois lados continuaram, apesar do aumento de tensões e manobras militares e disparos de mísseis por parte da República Popular da China que caracterizaram a Terceira Crise do Estreito de Taiwan. Desde a década de 1980 tem havido um crescente intercâmbio econômico entre ambas as partes, embora a área do estreito de Taiwan continua a ser muito sensível capaz de acolher um conflito armado entre as duas Chinas. O clima político mudou após a democratização de Taiwan e de uma maior visibilidade do movimento de independência de Taiwan na década de 1990.


Consequências[editar | editar código-fonte]

O conflito envolve a coexistência de duas Chinas: a República Popular da China, de frente para o estado de Taiwan, continuação oficial da "Primeira República". Taiwan aparece inicialmente frágil, mas a Guerra Fria faz novamente Chiang Kai-shek como um aliado essencial dos Estados Unidos na Ásia. A decolagem econômica do país contribui em seguida para manutenção do regime, que se democratizou progressivamente. Nenhum tratado de paz foi assinado entre os dois países. Em 1991, o regime de Taiwan declara considerar o conflito como acabado. O consenso de 1992 constitui uma primeira tentativa de aproximação. Em 2005, ocorre o contato oficial mais importante e pacífico desde 1945, entre o Partido Comunista Chinês e o Kuomintang, levando ao acordo KMT- PCC.

Em 2009, a China comunista ainda não reconhece Taiwan, considerada uma “província rebelde”, e Taiwan não declara formalmente a sua independência, embora ambos os países doravante vinculem relações comerciais e o Kuomintang e o Partido Comunista Chinês efetuam uma reconciliação. O estatuto político de Taiwan continua a ser um grande problema geopolítico.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Kuomintang[editar | editar código-fonte]

Partido Comunista[editar | editar código-fonte]

Senhores da Guerra[editar | editar código-fonte]

Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. News.bbc.co.uk
  2. Tsang, Steve. Government and Politics. [S.l.: s.n.]. 241 pp.
  3. Tsang, Steve. The Gold War's Odd Couple: The Unintended Partnership Between the Republic of China and the UK, 1950–1958. [S.l.: s.n.]. 62 pp.
  4. a b Hsiung, James C. Levine, Steven I. [1992] (1992). M.E. Sharpe publishing. Sino-Japanese War, 1937–1945. ISBN 156324246X.
  5. http://www.scaruffi.com/politics/massacre.html