Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989

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Praça Tian'anmen, onde ocorreram os principais protestos.

O Protesto na Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) em 1989, mais conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial, ou ainda Massacre de 4 de Junho consistiu em uma série de manifestações lideradas por estudantes na República Popular da China, que ocorreram entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989. O protesto recebeu o nome do lugar em que o Exército Popular de Libertação suprimiu a mobilização: a praça Tian'anmen, em Pequim, capital do país. Os manifestantes (em torno de cem mil) eram oriundos de diferentes grupos, desde intelectuais que acreditavam que o governo do Partido Comunista era demasiado repressivo e corrupto, a trabalhadores da cidade, que acreditavam que as reformas econômicas na China haviam sido lentas e que a inflação e o desemprego estavam dificultando suas vidas. O acontecimento que iniciou os protestos foi o falecimento de Hu Yaobang. Os protestos consistiam em marchas (caminhadas) pacíficas nas ruas de Pequim.

Devido aos protestos e às ordens do governo pedindo o encerramento dos mesmos, se produziu no Partido Comunista uma divisão de critérios (opiniões) sobre como se deveria responder aos manifestantes. A decisão tomada foi suprimir os protestos pela força, no lugar de atenderem suas reivindicações. Em 20 de maio, o governo declarou a lei marcial e, na noite de 3 de junho, enviou os tanques e a infantaria do exército à praça de Tian'anmen para dissolver o protesto. As estimativas das mortes civis variam: 400 a 800 (segundo o jornal estadunidense The New York Times[1] ), 2 600 (segundo informações da Cruz Vermelha chinesa[2] [3] ) e sete mil (segundo os manifestantes[carece de fontes?]). O número de feridos é estimado em torno de sete mil e dez mil, de acordo com a Cruz Vermelha[3] . Diante da violência, o governo empreendeu um grande número de arrestos para suprimir os líderes do movimento, expulsou a imprensa estrangeira e controlou completamente a cobertura dos acontecimentos na imprensa chinesa. A repressão do protesto pelo governo da República Popular da China foi condenada pela comunidade internacional.

No dia 4 os protestos estudantis se intensificam muito. No dia 5 de junho, um jovem solitário e desarmado invade a Praça da Paz Celestial e anonimamente faz parar uma fileira de tanques de guerra. O fotógrafo Jeff Widener, da Associated Press, registrou o momento e a imagem ganhou os principais jornais do mundo. O rapaz, que ficou conhecido como "o rebelde desconhecido" ou o homem dos tanques" foi eleito pela revista Time como uma das pessoas mais influentes do século XX. Sua identidade e seu paradeiro são desconhecidos até hoje.[4]

Reformas[editar | editar código-fonte]

Desde 1978, Deng Xiaoping havia liderado uma série de reformas políticas e econômicas, que buscavam o estabelecimento gradual de uma economia de mercado e certa liberalização política que se distanciavam do sistema estabelecido por Mao Tse-tung. No princípio de 1989, estas reformas políticas e econômicas haviam levado dois grupos à insatisfação com o governo.

O primeiro grupo incluía estudantes e intelectuais, os quais acreditavam que as reformas não eram suficientes e que a China necessitava reformar o seu sistema político, dado que as reformas econômicas somente afetavam os fazendeiros e os trabalhadores das fábricas. Além disso, os intelectuais estavam descontentes com os controles políticos e sociais que exercia o Partido Comunista da China. Somado a isso, este grupo conhecia a liberalização política empreendida na União Soviética com o nome de Glasnost, por Mikhail Gorbachev. O segundo grupo estava constituído principalmente por trabalhadores industriais das cidades, que acreditavam que as reformas haviam sido demasiada distantes. As reformas econômicas haviam começado a causar inflação e desemprego, o que dificultava suas vidas.

Em 1989, o principal apoio do governo estava constituído por trabalhadores rurais, que viram como seus recursos melhoraram consideravelmente durante a década de 1980, como resultado da reformas do Partido. Entretanto, este apoio tinha uma utilidade limitada porque os trabalhadores rurais estavam distribuídos por todo o país, e permaneceram desorganizados e com dificuldades para se mobilizar, ao contrário dos grupos urbanos, que se organizaram em escolas e nos locais de trabalho.

O acontecimento que desencadeou a marcha de protestos foi a morte, por doença, do ex-Secretário Geral do Partido Comunista chinês Hu Yaobang, que havia sido expulso do governo por Deng Xiaoping, em fevereiro de 1987. Hu era visto como um liberal e sua expulsão, em resposta aos protestos estudantis de 1987, foi encarada como injusta, em determinados círculos. Além disso, a morte de Hu permitiu aos cidadãos chineses expressarem seu descontentamento com seus sucessores, sem temor da repressão política, pois o resultado de expulsar o povo do funeral de um ex-Secretário Geral do partido havia sido estranho[carece de fontes?].

Início dos protestos[editar | editar código-fonte]

Os protestos começaram como pequenos distúrbios, na forma de orações por Hu Yaobang e reivindicações para que o partido revisasse a visão oficial da figura de Hu. Os protestos cresceram depois das notícias de enfrentamentos com a polícia; os estudantes acreditavam que os meios de comunicação chineses estavam distorcendo a natureza de suas atividades, o que incrementou o apoio aos seus protestos. No funeral de Hu, um grande grupo de estudantes encontrou-se na praça de Tian'anmen e pediu uma audiência com o primeiro-ministro Li Peng, amplamente reconhecido como o rival político de Hu, petição que não foi atendida. Em consequência, os estudantes iniciaram um chamamento à greve nas universidades de Pequim. Em 26 de abril, um editorial no Diário do Povo, após um discurso interno feito por Deng Xiaoping, acusou aos estudantes de criar tumultos. O discurso não foi bem recebido pelos estudantes, e em 29 de abril, 50 mil estudantes foram às ruas de Pequim, fazendo pouco caso dos avisos para dispersão realizados pelas autoridades e insistiram na retirada do dito no discurso.

Em Pequim, a maioria dos estudantes da cidade participou nos protestos com o apoio de seus instrutores e outros intelectuais. Os estudantes rechaçaram as associações oficiais de estudantes controladas pelo Partido Comunista e estabeleceram suas próprias associações. Os estudantes enxergavam a si mesmos como patriotas chineses, herdeiros do Movimento Quatro de Maio pela "ciência e a democracia" de 1919. Os protestos evocavam também as recordações dos Protestos de Tian'anmen de 1976, que levaram à expulsão da Camarilha dos Quatro. Desde suas origens, no funeral de Hu Yaobang, considerado pelos estudantes como um defensor da democracia, a atividade estudantil se desenvolveu gradualmente durante o curso dos seus protestos, desde contra a corrupção política até demandas de liberdade de imprensa ou a reforma do controle sobre o Estado por parte do Partido Comunista da China e de Deng Xiaoping, o líder chinês de fato. Também se realizaram algumas tentativas, que parcialmente obtiveram êxito, de entrar em conta(c)to com estudantes e operários de outras cidades.

Ainda que os protestos iniciais fossem realizados por estudantes e intelectuais que acreditavam que as reformas de Deng Xiaoping não haviam sido suficientemente profundas e que a China necessitava reformar seu sistema político, logo atraíram o apoio dos trabalhadores urbanos, que acreditavam, por seu lado, que as reformas tinham sido profundas demais. Isso ocorreu porque os líderes focaram seus protestos na corrupção, protesto que ambos os grupos exerciam em comum, e porque os estudantes foram capazes de invocar arquétipos chineses em seu benefício.

Em contraste com os protestos de 1987, que foram realizados principalmente por estudantes e intelectuais, os protestos de 1989 conseguiram um amplo apoio dos trabalhadores urbanos, alarmados pela inflação crescente e a corrupção. Em Pequim foram apoiados por uma ampla fração da sociedade. Em outras cidades, como Ürümqi, Xangai e Chongqing, conseguiram porcentagens similares de apoio, e mais tarde, em Hong Kong, Taiwan e nas comunidades chinesas da América do Norte e Europa.

Os protestos se intensificam[editar | editar código-fonte]

Em 4 de maio, aproximadamente cem mil estudantes e trabalhadores marcharam em Pequim pedindo reformas para a liberdade de expressão e um diálogo formal entre as autoridades e os representantes dos estudantes. O governo recusou a proposta de diálogo tal como lhe era apresentada, mostrando-se contrário a falar com as organizações estudantis oficiais. Em 13 de maio, grandes grupos de estudantes ocuparam a praça de Tiananmen e iniciaram uma greve de fome, pedindo ao governo a retirada da acusação realizada no editorial do Diário do Povo e que começassem as conversas com os representantes eleitos pelos estudantes. Centenas de estudantes seguiram a greve de forme e receberam o apoio de outros milhares de estudantes e moradores de Pequim, que continuaram os protestos durante toda a semana.

Os protestos e as greves começaram em muitas universidades de outras cidades, de onde muitos estudantes viajaram a Pequim, a fim de se unirem às manifestações. Geralmente, as manifestações na praça de Tiananmen mantinham uma certa ordem, com marchas diárias de estudantes de várias universidades de Pequim mostrando sua solidariedade com o boicote às aulas acadêmicas e com o desenvolvimento dos protestos. Os estudantes cantaram "A Internacional" em várias manifestações e mostraram assim mesmo seu apoio ao socialismo chinês ajudando a polícia a prender três homens da província de Hunan que haviam lançado tinta sobre um grande retrato de Mao que se encontrava ao norte da praça de Tianamen.[5] Um destes homens, Yu Dongyue, permaneceu na prisão até 22 de fevereiro de 2006.[6]

A estratégia principal dos manifestantes se baseou em uma greve de fome empreendida por um número estimado entre centenas e mais de mil estudantes. Esta greve alcançou grande repercussão no povo chinês. Ainda que não tenha sido observado nos aspectos grevistas da emaciação, uma lenda urbana chinesa, persistente até a atualidade, afirma que alguns deles morreram de fome.[7]

Foram feitas algumas tentativas parcialmente satisfatórias para os propósitos dos manifestantes com o objetivo de negociar com os governantes da República Popular da China, que estavam perto, nos edifícios centrais do Partido Comunista em Zhongnanhai. Na ocasião da visita de Gorbachov em maio, muitos jornalistas dos meios de comunicação estrangeiros estiveram presentes na China. A cobertura que realizaram dos protestos foi intensiva e geralmente favorável aos manifestantes, mas pessimista em relação as possibilidades de alcançarem seus objetivos. Perto do final dos protestos, em 30 de maio, foi erigida uma estátua da deusa da democracia na praça, esculpida por estudantes de belas artes, que constituíu um símbolo visual dos protestos para os telespectadores que seguiam a cobertura em todo o mundo.

O Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China, juntamente com anciãos do partido (oficiais do governo e do partido já aposentados mas que ainda exerciam influência política), tinham, em princípio, a esperança de que os protestos teriam uma vida curta ou que reformas de característica cosmética satisfariam aos manifestantes. Desejavam evitar a violência tanto quanto fosse possível, e confiaram inicialmente no aparato (poderio) do partido, para persuadir os estudantes a abandonarem os protestos e voltarem aos seus estudos.

A dissolução[editar | editar código-fonte]

Mesmo com o governo chinês declarando a lei marcial em 20 de maio, continuaram as manifestações. A greve de fome se aproximava do fim da terceira semana, e o Governo decidiu acabar com o assunto antes de que se produzissem mortes. Depois de uma deliberação entre os líderes do Partido Comunista, foi ordenado o uso da força militar para resolver a crise, e Zhao Ziyang foi despojado da liderança política como resultado de seu apoio aos manifestantes. O Partido Comunista decidiu deter a situação, antes que fossem mais longe.

Os soldados e tanques das divisões 27 e 28 do Exército Popular de Libertação foram enviados para tomar o controle da cidade. Ainda que o Governo tenha ordenado a todos os civis de Pequim que permanecessem em suas casas, mediante emissões da televisão e por megafones, as advertências não foram levadas em conta e muitos manifestantes pacíficos foram atacados por soldados; a violência exercida teve como resultado enormes baixas civis e algumas mortes de soldados. O governo chinês atestou a morte de várias centenas de pessoas.

A entrada das tropas na cidade recebeu a oposição ativa de muitos cidadãos de Pequim, cuja resistência causou baixas entre os militares. Os cidadãos construíram grandes barricadas nas estradas, que diminuíram a velocidade do progresso dos tanques, mas a praça ficou vazia na noite de 4 de junho, por decisão dos manifestantes. O combate continuou nas ruas que rodeavam a praça, com os manifestantes avançando repetidamente contra as tropas armadas do Exército Popular de Libertação, o qual respondeu com fogo automático. Muitos cidadãos feridos foram postos a salvo por condutores de riquixás, que se aventuraram em terra de ninguém, entre os soldados e a multidão, e levaram os feridos aos hospitais mais próximos.

A dispersão do protesto se viu simbolizada nos meios de comunicação ocidentais pela fotografia de um manifestante solitário, tomada em 5 de junho, de pé, frente a uma coluna de tanques, detendo seu avanço. O homem continuou de pé desafiante, encarando os tanques durante um longo período de tempo, antes de ser expulso do lugar. Apesar dos esforços, até hoje os meios de comunicação ocidentais foram incapazes de identificar a figura solitária. A Revista Time o elogiou, considerando-o como uma das cem pessoas mais influentes do século XX. Pouco depois do incidente, o diário britânico Sunday Express o identificou como Wang Weilin, um estudante de 19 anos de idade; entretanto, a veracidade dessa identificação é duvidosa. Bruce Herschensohn, assistente especial do presidente dos Estados Unidos Richard Nixon e membro da equipe de Ronald Reagan, assegurou que ele foi executado quatorze dias depois da revolta, por um pelotão de fuzilamento. Jan Wong escreveu que esse homem segue com vida e está escondido na área rural da China. William Bell, escritor canadense, assegura que o estudante se chamava Wang Aimin e foi executado em 9 de junho.

Na própria praça teve um debate entre os que, como Han Dongfang, desejavam retirar-se pacificamente, e os que, como Chai Ling, desejavam permanecer na praça mesmo com o risco de que houvesse um banho de sangue. Os partidários da retirada ganharam, e os manifestantes deixaram a praça. O governo da República Popular da China assegurou que não morreu ninguém na praça, um feito que, de acordo com os testemunhos dos que estiveram na praça, parece ser tecnicamente certo, mas não fala das baixas durante a aproximação à praça. O número de mortos e feridos segue sendo um segredo de estado. Um funcionário não identificado da Cruz Vermelha chinesa assegurou que houve 2.600 mortos, 2 mil cidadãos feridos e que se perdeu contato com 400 soldados. De acordo com as universidades, morreram 23 estudantes. O Comitê Central de Associações Autônomas da Universidade de Tsinghua falou em 4 mil mortos e 30 mil feridos. Chen Xitong, o prefeito de Pequim, informou 26 dias depois dos acontecimentos, que 36 estudantes e dezenas de soldados morreram, ascendendo até um total de 200 mortos, e 3 mil civis e 6 mil soldados feridos.[8] Os repórteres estrangeiros que estavam em Pequim afirmaram que morreram ao menos 3 mil pessoas. Foram criadas algumas listas de baixas a partir de fontes clandestinas, que falavam em 5 mil mortos.[9] Entretanto, é interessante frisar que os documentos da NSA, desclassificados em 1999, mostram que a inteligência estadunidense estimou entre 180 e 500 a quantidade de mortos. Dessa forma, as estimativas do governo chinês concordam com a estimativa oficial americana. Por outra parte, antes de o governo de Pequim restabelecesse o controle das notícias na China por completo, uma emissão em inglês desde Pequim afirmou que havia morto ao menos 3 mil estudantes. Ao mesmo tempo, a Cruz Vermelha chinesa informou que sua conta havia alcançado os 2.600 mortos - e seguia crescendo. Dado que é impossível obter acesso a informações objetivas devido à lei marcial, todavia não se consegue verificar as discrepâncias entre as diferentes fontes.

Depois da dissolução dos protestos de Pequim em 4 de junho, estes continuaram em grande parte da China durante uns dias. O governo da República Popular da China foi incapaz de finalizar esses protestos fora de Pequim, sem a perda de um número significativo de vidas.

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Prisões e demissões[editar | editar código-fonte]

Durante e após a repressão dos protestos foram realizadas tentativas de prender e perseguir os líderes do Movimento Democrática da China, em especial Wang Dan, Chai Ling e Wu'er Kaixi. Wang Dan foi aprisionado e enviado à prisão, e mais tarde foi-lhe permitido emigrar para os Estados Unidos. Wu'er Kaixi fugiu para Taiwan. Atualmente está casado e trabalha como comentarista político da Televisão Nacional Taiwanesa. Chai Ling fugiu para a França e mais tarde se mudou para os Estados Unidos.

Os trabalhadores que foram presos em Pequim foram julgados e executados. Entretanto, os estudantes, muitos oriundos de famílias relativamente influentes, receberam sentenças muitos mais suaves. Inclusive Wang Dan, o líder estudantil que encabeçava a lista dos mais procurados, acabou passando somente sete anos na prisão.

No governo, Zhao Ziyang, que havia se oposto à lei marcial foi expulso do poder, e Jiang Zemin, governante de Shangai, que não esteve envolvido nos acontecimentos, tomou posse do cargo de presidente da República Popular da China. O acesso de Jiang ao poder foi interpretado, frequentemente, como uma recompensa por parte de Deng Xiaoping pela capacidade de Jiang em manter a ordem em Shanghai, que contrastou com o caos existente na capital. Os membros do governo prepararam um informe do incidente, que foi publicado no Ocidente em janeiro de 2001 com o nome de Documentos de Tiananmen, que oferece o ponto-de-vista do governo chinês sobre os manifestantes e foi proporcionado por uma fonte anônima.

Os dois apresentadores da CCTV, a televisão central da China, que informaram o 4 de junho foram despedidos poucos dias depois dos acontecimentos. Wu Xiaoyong, o filho de um membro do Comitê Central do Partido Comunista da China, e o vice-primeiro Ministro Wu Xueqian, foram expulsos do Departamento de Programas em Inglês da Rádio Internacional da China. Qian Liren, diretor do Diário do Povo, o jornal do Partido Comunista da China, foi expulso devido aos artigos em apoio aos estudantes.

Cobertura da imprensa[editar | editar código-fonte]

Bicicletas contra tanques (foto representativa, simbólica do massacre chinês). A bicicleta, partida ao meio e piso afundado são as trilhas resultantes da passagem do tanque por lá. Escultura polaca em homenagem às vitimas.

Os protestos da praça de Tian'anmen danificaram a reputação da República Popular da China nos países ocidentais. Os meios de comunicação ocidentais tinham sido convidados para cobrir a visita de Mikhail Gorbachev em maio, e se encontravam, portanto, em uma posição excelente para cobrir ao vivo a repressão do governo chinês, especialmente a BBC e a CNN. Os manifestantes aproveitaram essa oportunidade, criando cartazes dirigidos à opinião pública internacional. A cobertura foi facilitada pelos conflitos governamentais acerca da maneira de tratar os protestos, o que teve como resultado que as emissões não foram interrompidas imediatamente.

Durante a dissolução dos protestos, em 4 de junho, foi ordenado à CNN que finalizasse suas transmissões, que ainda desafiou essas ordens e cobriu os protestos através do telefone, mas o Governo desabilitou as ligações por satélite. A única cadeia de televisão que pôde gravar no interior da praça na noite de 3 a 4 de junho foi a TVE. A maioria das cadeias se encontravam no Hotel Pequim, desde onde não se tinha contato visual com a praça de Tian'anmen.[10]

As imagens dos protestos junto com a queda do comunismo na União Soviética e no Leste Europeu contribuíram para formar a opinião e a política ocidentais sobre a República Popular da China durante a década de 1990 e os primeiros anos do século XXI. Produziu-se uma considerável simpatia pelos protestos estudantis no Ocidente e, quase imediatamente, os Estados Unidos e a União Europeia anunciaram um embargo sobre o comércio de armas, e a imagem da década de 1980 da China como um país que empreendia reformas e um contra-peso aliado contra a União Soviética foi revista para de um regime autoritário muito repressivo. Os protestos de Tian'anmen foram mencionados frequentemente nos Estados Unidos como argumento contra a liberalização do comércio com a China e como evidência de que o governo da China era uma ameaça para a paz mundial e os interesses dos Estados Unidos.

Entre os estudantes chineses no estrangeiro, os protestos de Tian'anmen causaram a formação de serviços de notícias na Internet como China News Digest e da organização não governamental China Support Network nos Estados Unidos. Ainda, formaram-se organizações como a Aliança Chinesa pela Democracia e a Federação Independente de Estudantes e Intelectuais Chineses, ainda que o impacto político dessas organizações tivesse diminuído na segunda metade da década de 1990.

Espera por reformas políticas[editar | editar código-fonte]

Em Hong Kong, a repressão violenta dos protestos de 1989 provocou o temor de que a República Popular da China não cumpriria com suas promessas da ideia Um país, dois sistemas na iminente transferência da soberania em 1997. Uma consequência deste temor foi que o novo governador de Hong Kong, Chris Patten, tentou expandir a franquia do Conselho Legislativo de Hong Kong, o que trouxe consigo tensões com o governo chinês.

O fim dos protestos de 1989 mancharam a crescente sensação de liberalização política que esteve bem vista nos últimos anos da década de 1980, o que resultou no esquecimento de muitas das reformas democráticas propostas durante a década. Ainda que se tenha produzido um certo incremento na liberdade individual desde 1989, as discussões sobre as mudanças estruturais do governo e o papel do partido comunista na China continuam sendo tabu.

No entanto, apesar de algumas expectativas, sobretudo de fora da China, de que o governo chinês seria derrubado, deposto pelo Movimento Democrático da China, durante os primeiros anos do século XXI, o Partido Comunista da China continua tendo o controle do país e o movimento estudantil que iniciou em Tiananmen se desestruturou completamente.

Impacto econômico[editar | editar código-fonte]

Nos dias imediatamente posteriores à dissolução dos protestos, a ala conservadora do Partido Comunista tentou remover algumas das reformas de liberalização do mercado que haviam sido empreendidas como parte da reforma econômica da China, e restituir os controles administrativos sobre a economia. No entanto, estes esforços encontraram a dura resistência dos governantes das províncias e foram abandonados completamente, no princípio da década de 1990, devido ao fim da União Soviética e a chamada "viagem ao sul" de Deng Xiaoping, visita que o dirigente chinês fez em 1993 a zonas do sul onde se haviam iniciado reformas econômicas mais ambiciosas. A "viagem ao sul" supôs a demonstração da competência das reformas por parte do líder chinês, diante dos setores conservadores que desejavam paralisar ou inclusive reverter muitas dessas medidas. A continuidade da reforma econômica provocou um intenso crescimento econômico na década de 1990, o que devolveu ao governo uma boa parte do apoio que havia perdido em 1989. Além disso, nenhum dos dirigentes atuais do governo chinês desempenhou um papel decisivo na decisão de reprimir pela força os manifestantes, e uma das figuras destacadas do governo, o atual primeiro-ministro Wen Jiabao, foi ajudante de Zhao Ziyang e o acompanhou em seus encontros com os manifestantes.

Por outro lado, os líderes estudantis de Tiananmen foram incapazes de produzir um movimento ou ideologia coerentes. Muitos destes líderes provinham de setores da sociedade relativamente bem estabelecidos e perceberam-se mais tarde como pessoas sem contato com a gente comum. Além disso, muitas das organizações que nasceram como consequência dos protestos de Tiananmen logo perderam força devido a lutas internas. Entretanto, um bom número de ONGs estabelecidas nos Estados Unidos com o objetivo de formular e propor as reformas democráticas na China e protestar contra as violações dos direitos humanos que ocorreram no país continuam seus trabalhos. Uma das mais antigas e importantes, China Support Network, fundada em 1989 por um grupo de ativistas estadunidenses e chineses em resposta à repressão em Tiananmen.

Impacto interno[editar | editar código-fonte]

Na atualidade, muitos chineses não consideram a liberalização política imediata como uma medida sábia, mostrando preferência por uma democratização lenta. São apontados como causas a valorização da prosperidade e o incremento da influência internacional da República Popular da China, assim como as dificuldades que experimenta a Rússia desde o fim da Guerra Fria e a queda da União Soviética. Muitos jovens chineses, frente ao ressurgir econômico da China, estão mais consciencializados com o desenvolvimento econômico, o nacionalismo chinês, a restauração do prestígio internacional da China e percebem a atitude do governo em respeito a assuntos como o status político de Taiwan ou o conflito pelas Ilhas Diaoyu com o Japão como dificuldades.

Entre os intelectuais da China, o impacto dos protestos de Tian'anmen criou um certo vazio criativo. Os intelectuais que se encontravam na vintena durante os protestos tendem a apoiar menos ao governo da República Popular da China que os jovens estudantes nascidos depois do fim das reformas de Deng Xiaoping.

Para os operários das indústrias nas cidades, a continuação das reformas de mercado na década de 1990 trouxe consigo uma melhora no seu nível de vida, junto a uma certa incerteza sobre o crescimento econômico. Seus protestos contra a corrupção local continuaram sendo frequentes, e se estima que ocorreram centenas a cada ano. O Partido Comunista da China mostrou-se reticente ao sofrer a publicidade negativa de reprimir os protestos e, dado que se dirigiram a dirigentes locais e posto que não consistiam em reclamações de reformas mais profundas e não estavam coordenados com outras cidades, não foram considerados uma ameaça.

Atualmente, em contraste com a situação de 1989, as principais áreas de descontentamento na China parecem ser as zonas rurais, que têm visto como seu progresso parou durante a década de 1990 ao não ter participado do boom econômico da década. Porém, da mesma forma que a falta de organização e a dispersão dos camponeses impediu que se mobilizassem em apoio ao Governo em 1989, esses fatores também inibem a mobilização desse grupo contra o Governo na atualidade.

Atualmente[editar | editar código-fonte]

Assunto controverso, na China[editar | editar código-fonte]

O protesto na Praça de Tian'anmen, em 1989, é, no entanto, um tabu político na China, e falar sobre ele é considerado inapropriado ou arriscado. A única opinião dos meios de comunicação realiza-se no ponto de vista do Partido Comunista: que foi uma ação apropriada para assegurar a estabilidade. Todos os anos há manifestações em Hong Kong contra a decisão do partido. A Praça de Tian'anmen é patrulhada, frequentemente, a cada 4 de junho, para impedir qualquer tipo de comemoração.

Após a mudança do governo central de 2004, muitos membros do Governo mencionaram os sucessos da Praça de Tian'anmen. Em Outubro de 2004, durante a visita do presidente Hu Jintao a França, declarou que "o Governo empreendeu uma ação determinada para acalmar a confusão política, em 1989, que permitiu à China desfrutar de um desenvolvimento estável". Insistiu também em que o ponto de vista do Governo, no que diz respeito ao incidente, não se alteraria.

Em março de 2004, o Primeiro Ministro Wen Jiabao disse, numa conferência de imprensa, que durante a década de 1990 se produziu uma grave tormenta política na República Popular da China, o que provocou a queda da União Soviética e as mudanças radicais no Leste Europeu. Declarou que o Comitê Central do Partido Comunista estabeleceu, com êxito, uma política de portas abertas e protegeu o "percurso do socialismo com características chinesas".

Em janeiro de 2006, um contrato com o Google confirmou que o assunto continua, todavia, muito sensível para o governo chinês, pois a web chinesa do Google (Google.cn), aplica restrições locais às buscas de informação sobre a revolta da Praça de Tian'anmen, assim como com outros assuntos como o independentismo tibetano, a proibição do grupo religioso Falun Gong, considerado uma seita pelo governo chinês, ou as relações com Taiwan. Quando as pessoas buscam tópicos censurados , ele irá listar o seguinte informe, na parte inferior da página em chinês, "De acordo com a leis locais, regulamentações e políticas, uma parte das pesquisas resultantes não é mostrado." O desbloqueio dos artigos na Wikipédia sobre os protestos de 1989, tanto em versão em inglês como em chinês, são considerados a causa do bloqueio da Wikipédia como um todo pelo governo chinês.

Em 15 de maio de 2007, o líder da pró-Pequim "Aliança Democrática para o Aperfeiçoamento de Hong Kong" provocou muitas críticas quando disse que "não houve um massacre" durante os protestos, como não havia "ninguém intencional ou indiscriminadamente atirando". Ele disse que isso mostrou que Hong Kong "não foi suficientemente maduro" por acreditar em estrangeiros que alegam que um massacre ocorreu. Ele disse que Hong Kong mostrou, através da sua falta de patriotismo e identidade nacional, assim, "não está pronto para a democracia até 2022".[11] Seus comentários foram amplamente condenados.

Em 4 de junho de 2007, no aniversário do massacre, um anúncio[12] que dizia "prestar tributo às fortes mães das vítimas de 4 de junho", foi publicada no jornal Chengdu Evening News. A questão está atualmente sendo investigada pelo governo chinês, e três editores do jornal foram expulsos.[13] [14] O responsável pela aprovação do anúncio disse que nunca tinha ouvido falar da repressão de 4 de junho e tinha sido dito a ele que a data foi uma referência a uma catástrofe em uma mina.[15]

Em 2006, o programa americano da PBS "Frontline" difundiu um trecho filmado na Universidade de Pequim, onde participavam muitos dos estudantes que participaram nos protestos de 1989. A quatro estudantes foram exibidos um retrato do homem-tanque, mas nenhum deles pode identificar o que estava acontecendo na foto. Alguns responderam que era um desfile militar, ou um trabalho artístico.

Embargo da União Europeia e dos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

A União Europeia e os Estados Unidos mantêm um embargo sobre a venda de armas à República Popular da China, por causa da repressão violenta dos protestos, dezoito anos depois. A República Popular da China pediu a suspensão do embargo durante muitos anos, durante os quais recebeu um apoio variável de membros do Conselho Europeu. Gerhard Schröder juntou-se a Jacques Chirac, pedindo a suspensão do embargo.

O embargo armamentístico foi discutido na Cúpula/cimeira UE-China nos Países Baixos de 7 a 9 de dezembro de 2004. No transcurso da cúpula, a República Popular da China tentou incrementar a pressão sobre o Conselho Europeu advertindo que poderia arranhar a relação entre China e a UE. O vice-ministro do exterior chinês Zhang Yesui aplicou ao embargo o adjetivo de "obsoleto" para os meios de comunicação, e acrescentou: "se o embargo for mantido, as relações bilaterais se ressentirão definitivamente". Ao final, o Conselho Europeu não suspendeu o embargo. A porta-voz da UE, Françoise le Bail, disse que persistiam as preocupações sobre o respeito aos direitos humanos na República Popular da China. Mas ao mesmo tempo, a União Europeia formulou a promessa de trabalhar pela suspensão do embargo. Bernard Bot, o Ministro de Assuntos Exteriores holandês, que exercia a presidência europeia nessa época, disse "estamos trabalhando assiduamente, mas... o momento não é o adequado para suspender o embargo". Depois da cúpula, o Conselho confirmou que tem a intenção de trabalhar pela suspensão do embargo. Wen Jiabao, primeiro-ministro da República Popular da China disse depois do encontro que o embargo não reflete as boas relações entre China e a União Europeia.

A China continua pressionando para que o embargo seja suspenso, e alguns estados membros tendem a relaxar sua oposição. Jacques Chirac pediu que o embargo fosse suspenso em meados de 2005. Entretanto, a lei anti-secessão de Taiwan aprovada em Pequim (março de 2005), incrementou as tensões e atrapalhou a intenção de suspender o embargo. Alguns membros do Congresso norte-americano propuseram também restrições à transferência de tecnologia militar à União Europeia se esta suspendesse o embargo. Dessa forma, o Conselho Europeu fracassou no intento de alcançar um consenso e mesmo com França e Alemanha fazendo pressão para que fosse suspenso o embargo, não se tomou nenhuma decisão nas reuniões seguintes.

O Reino Unido tomou posse na Presidência da União Europeia em 2005, tornando impossível a suspensão do embargo durante seu mandato. O Reino Unido sempre mostrou reservas a respeito da suspensão do embargo. Além disso, o fracasso da Constituição Europeia e os desacordos a respeito do Pressuposto Europeu e a Política Agrícola Comum passaram em importância o embargo de armas à China.

A política mudou também nos países mais favoráveis à suspensão do embargo. Gerhard Schröder perdeu as eleições federais em setembro de 2005. Sua oponente, Angela Merkel, tomou posse do cargo de Chanceler em 22 de novembro de 2005 e mostra uma firme oposição à suspensão do embargo. Nicolas Sarkozy, atual presidente da república francesa e sucessor de Jacques Chirac, tampouco é partidário de suspender o bloqueio de armas à China.

Além disso, o Parlamento Europeu opõe-se reiteradamente à suspensão do embargo de armas. Ainda que não seja necessária sua benevolência para suspender o embargo, muitos entendem que deve refletir o desejo do povo europeu.

O embargo de venda de armas limitou as opções da China para prover-se de tecnologia militar. Entre as fontes que buscou estão alguns países que pertenciam ao bloqueio soviético, grupo com quem teve uma relação tensa como resultado da separação entre a China e a União Soviética. Outros provedores são Israel e África do Sul.

Compensações[editar | editar código-fonte]

Embora o governo chinês nunca tenha reconhecido ter algo em relação ao incidente, em abril de 2006 foi feito um pagamento à família de uma das vítimas - esse foi o primeiro caso da publicidade do governo oferecer recurso à família de uma vítima dos protestos. O pagamento foi considerado uma "assistência", dada a Tang Deying (唐德英) cujo filho, Zhou Guocong (chinês simplificado: 周国聪; tradicional chinesa: 周國聰) morreu com 15 anos de idade, enquanto estava sob custódia policial em Chengdu, em 6 de junho de 1989, dois dias após o Exército chinês ter dispersado os manifestantes de Tian'anmen. A mulher disse que lhe foi pago 70000 yuan (cerca de USD$ 8,700.00).[16] Isso tem sido bem acolhido por vários ativistas chineses, mas foi considerado por alguns como uma medida destinada a manter a estabilidade social e não acreditam prenunciar uma mudança na posição oficial do Partido.

Principais envolvidos[editar | editar código-fonte]

  • Zhao Ziyang, Secretário Geral do Partido Comunista da China
  • Li Peng, Premier da República Popular da China
  • Wen Jiabao, ex-premier da República Popular da China
  • Wang Dan, Wu'er Kaixi, Chai Ling. Líderes estudantis dos protestos.
  • Liu Xiaobo, famoso dissidente chinês
  • Yu Dongyue, ex-jornalista chinês que atirou ovos no retrato de Mao Zedong na Praça
  • Bei Dao, poeta (influência ideológica do movimento, que durante os protestos estava participando de uma conferência em Berlim)
  • Cui Jian, o chamado "pai do rock chinês," cuja canção "Nothing to My Name" foi considerada o hino não oficial dos estudantes e participantes dos protestos [17] [18]
  • "Tank Man", o rebelde desconhecido que ficou de pé diante de uma linha de tanques de guerra que ser aproximavam da praça

Referências Culturais[editar | editar código-fonte]

Livros, filmes e shows de TV na China[editar | editar código-fonte]

  • Political Struggles in China's Reform Era by Yang Jisheng, por apresentar uma entrevista secreta com Zhao Ziyang e rejeitar a posição do governo chinês no protesto.[19]
  • Em 2006, o romance Forbidden City, de William Bell, uma versão fictícia dos protestos, foi banida.[carece de fontes?]
  • Summer Palace foi banido em 2006, supostamente porque teria sido rodado sem permissão, mas mais provavelmente por sua menção aos protestos.[20]
  • Collection of June Fourth Poems, uma coletânea de poemas sobre os protestos.[21]
  • Escritos e entrevistas com Zhao Ziyang ou Bao Tong são proibidas.[22] [23] e, assim como Conversations with Zhao Ziyang in House Arrest de Zong Fengmin, não foram publicados por pressão governamental.[24] Contudo, Prisoner of the State: The Secret Journal of Premier Zhao Ziyang foi publicado em maio de 2009 depois que tapes foram contrabandeados para fora da China.
  • Transmissões internacionais, tais como as da CNN, são bloqueadas em televisões de hotéis chineses e em residências de estrangeiros, na ocasião do aniversário anual do evento.[25]

Canções[editar | editar código-fonte]

Este evento tem inspirado muitas referências em músicas e álbuns artísticos – seja para uso polítíco ou não político.

A banda inglesa de rock The Cure, durante um concerto em Roma em 4 de junho de 1989, dedicou sua última interpretação, "Faith," a "todos que morreram hoje na China." O cantor Robert Smith estendeu a canção com letras de improviso sobre alguém que segurava uma arma em sua boca insistindo que disesse "Yes" para a questão "Do you love me?", mas defrontando com uma recusa na resposta. A gravação "bootlegged" desta versão de 15 minutos é conhecida como "Tiananmen Faith". No mesmo ano, Joan Baez escreveu e gravou seu hino folk "China" em comemoração à revolta democrática. A gravação de temática histórica de Billy Joel's "We Didn't Start the Fire", lançada em 1989, menciona o evento no trecho "China's under martial law."

A canção Tin Omen da banda canadense de música industrial Skinny Puppy é uma referência ao massacre.

O grupo de rock progressivo Marillion escreveu uma canção chamada "The King of Sunset Town" que insinua imagens do incidente da Praça da Paz Celestial, tais como "a puppet king on the Fourth of June" e "before the Twenty-Seventh came". A canção foi gravada em seu álbum Seasons End em setembro de 1989.

A banda de rock e folk music The Hooters se refere ao evento em seu hit 500 Miles (do album Zig Zag, gravado em 1989), uma versão adaptada de canção folk dos anos de 1960. O terceiro verso começa com as palavras: "A hundred tanks along the square, One man stands and stops them there, Someday soon the tide'll turn and I'll be free" (Uma centena de tanques ao longo da praça, um homem fica de pé e para diante deles, um dia desses a maré virá e eu serei livre)."

A banda System of a Down se referiu ao evento nas linhas iniciais da canção "Hypnotize", versos que são: "Why don't you ask the kids at Tiananmen Square, was fashion the reason why they were there?" (Por que você não pergunta as crianças da Praça da Paz Celestial se era apenas por onda que elas estavam lá?)

Shiny Happy People do R.E.M. é supostamente uma irônica referência de um texto insolentemente traduzido a partir de propaganda chinesa que fazia considerações sobre o massacre dois anos antes que a canção foi gravada.[26] O texto aparentemente relata como a política seria controlada pelos que têm marionetes em posição de poder, e não por estudantes revoltados, idealistas e infelizes, no chão da Praça da Paz Celestial. A ideia é que a propaganda é frequentemente utilizada para encobrir fraquezas crônicas do sistema político. A música é tocada de maneira zombadora como forma de encorajar candidatos políticos desconhecidos a serem otimistas mesmo diante de um cenário totalmente adverso.

A banda americanda de thrash metal Slayer gravou a canção "Blood Red" em seu álbum de 1990 intitulado "Seasons in the Abyss", inspirado nos incidentes. A obra inclui as linhas: "Peaceful confrontation meets war machine, Seizing all civil liberties... No disguise can deface evil, The massacre of innocent people." No mesmo ano, outra banda americana de thrash metal Testament gravou "Seven Days of May" protestando contra o massacre de Pequim (apesar de os fatos terem se desenrolado em 3 de junho, não em maio) em seu álbum "Souls of Black", incluindo as palavras: "In the square they play the game, That's when the tanks and the army came... They called the murders minimal, Described their victims as criminals... Dead souls like you and me, Who only wanted free society (Na praça eles jogam o jogo, até que chegam os tanques e exércitos... Minimizaram os assassinatos, descreveram as vítimas como criminosos... almas mortas como você e eu, que somente queriam uma socidedade livre".

A banda inglesa pop anarquista Chumbawamba gravou uma canção chamada "Tiananmen Square" em seu álbum de 1990 Slap!. As letras são construídas em torno do fato de que o Exército de Libertação Popular assassinou o povo. "Tank Man, o rebelde desconhecido" é também citado ("You must've seen it, the boy in the white shirt" (Você deve ter visto ele, o garoto com a camiseta branca).

Sinéad O'Connor, em seu álbum de 1990 I Do Not Want What I Haven't Got, faz referência às mortes do massacre em sua canção "Black Boys on Mopeds" com as seguintes linhas de abertura:"Margaret Thatcher on TV, Shocked by the deaths that took place in Beijing" (Margaret Thatcher na TV, chocada pelas mortes que ocorreram em Pequim).

Os ingleses góticos da Siouxsie and the Banshees gravaram a canção "The Ghost in You" para seu álbum Superstition em 1991. O assunto: uma pessoa que testemunhou o massacre retornando à praça e relembrando as terríveis emoções que ali vivenciou.

Roger Waters, ex-componente do Pink Floyd, se referiu ao massacre na canção "Watching TV" de seu álbum de 1992 Amused to Death. Em 1996, Nevermore gravou a faixa intitulada "The Tiananmen Man" em seu álbum The Politics of Ecstasy. Mais uma obra sobre o O Rebelde Desconhecido que ficou de pé em frente aos tanques na praça.

Em 2006 a cantora folk chinesa Li Zhi escreveu a canção "The Square", na qual os sons dos projéteis atirados, das ambulâncias e da voz da mãe de TAM, Mrs. Ding, foram sampleadas.[27] In 2007 Hed PE wrote a song entitled "Tiananmen Squared" on their Insomnia album.

Calogero (cantor francês) também tem uma uma canção chamada "Tien An Men".

A banda portuguesa Kalashnikov has a song called Tiananmen Tiananmen. O refrão da canção diz "Tiananmen Tiananmen, kill another yellow men" (Tiananmen Tiananmen, mate outros homens amarelos"

A banda italiana CCCP Fedeli alla linea incluiu uma canção chamada "Tien An Men" em seu EP de 1990 Ragazza Emancipata.

Em 2009, a banda indie de Hong Kong My Little Airport escreveu "Donald Tsang, Please Die" depois que Tsang sugeriu que o massacre da Praça da Paz Celestial é insignificante comparado ao atual poder econômico da China. As letras incluem "Imagine today Donald someone chopped off your hand, twenty years later that somebody has become the Chief Executive. Will you stop seeking justice because of his achievement?"[28]

Rancid, banda punk, faz referência ao evento em sua canção "Arrested in Shanghai", com a linha "So I protest the massacres at the Tiananmen Square//My friends said yo, stay away man, you better not go fucking back there". A música reflete sobre a questão da censura da mídia e da carência de liberdades democráticas na China atual[29]

O grupo de hip-hop australiano Hilltop Hoods menciona a praça em uma de suas canções: "I feel like throwing a flag of protest in Tiananmen Square"

Esportes[editar | editar código-fonte]

Simultâneo ao auge dos protestos e do massacre da Praça da Paz Celestial ocorreu o torneio de tênis Aberto da França, o qual foi coincidentemnte vencido pelo chinês americano Michael Chang. Com 17 anos, ele se tornou o homem mais jovem a vencer um Grand Slam, recorde que até hoje é mantido. O memorável quarto round vitorioso de Chang sobre o então número um do mundo Ivan Lendl ocorreu exatamente em 5 de junho de 1989 — o dia seguinte ao auge do massacre — e ele frequentemente se refere ao massacre da Praça da Paz Celestial como o ímpeto adicional para vencer o torneio:

"A lot of people forget that Tiananmen Square was going on. The crackdown that happened was on the middle Sunday at the French Open, so if I was not practicing or playing a match, I was glued to the television, watching the events unfold...I often tell people I think it was God's purpose for me to be able to win the French Open the way it was won because I was able to put a smile on Chinese people's faces around the world at a time when there wasn't much to smile about"

(Muitos deixavam de dar atenção ao que estava acontecendo na Praça da Paz Celestial. A grande ofensiva foi efetuada quando era o meio-dia de domingo no Aberto da França, então, se não estava treinando ou disputando uma partida, grudava os olhos na televisão, para assistir o desenrolar dos fatos... Frequentemente digo às pessoas que era um propósito de Deus que eu vencesse o Aberto da França da forma como venci, pois consegui colocar um sorriso no rosto do povo chinês ao redor de todo o mundo em um momento em que não havia muita razão para sorrir)

[30]

Televisão[editar | editar código-fonte]

A primetime special[31] hosted by Tom Brokaw honored both the Tiananmen Square pro-democracy demonstrations in Beijing and the fall of the Berlin Wall in that momentous year for human rights around the world, 1989.

A série South Park apresentou um episódio abordando garotos que assistiam um fictício Russel Crowe Show. Em um dos segmentos do show, o apresentador Russel Crowe visita a Praça da Paz Celestial (que ele chama de "Teeny-Man Square") e menciona um "bonzer massacre back in '89".

Em 24 de setembro de 1990, a série Star Trek: The Next Generation faz referência a uma aeronave chamada USS Tiananmen Square como uma das muitas aeronaves destruídas em uma batalha contra os Borg, em Battle at Wolf 359, no episódio vencedor do Emmy Award "The Best Of Both Worlds, Part 2", em honra aos manifestantes.

A âncora de notícias da CNN Kyra Phillips esboçou crítica em março de 2006 quando comparou os protestos da juventude em 2006 na França, no qual posteriormente foi decidido que ninguém foi morto, aos protestos da China, dizendo "Sort of brings back memories of Tiananmen Square, when you saw these activists in front of tanks. (Alguma lembrança da Praça da Paz Celestial vem a memória quando você vê estes ativistas a frente de tanques"[32] CNN's Chris Burns told French Foreign Minister Philippe Douste-Blazy that her comments were "regrettable" and would receive some disciplinary actions.[33]

Em abril de 2006, a série da PBS Frontline produziu um episódio de nome "The Tank Man", que examinou o papel deste personagem nos protestos da Paz Celestial em 1989 e as mudanças desencadeadas desde então no P.R.C. economica e politicamente.

No episódio dos Simpsons Goo Goo Gai Pan quando a família de Homer visita Pequim, há uma placa em que se lê, "On this spot in 1989, nothing happened (Neste local em 1989, nada aconteceu)", na Praça da Paz Celestial, uma referência à negação e censura do governo chinês no que ser refere aos protestos. Uns dos personagens inclusive repete a cena do "Tank Man (rebelde desconhecido)" quando fica de pé em frente a uma linha de tanques deixada por Madame Wu.

Em 3 de junho de 2009 a BBC colocou no ar o documentário "Kate Adie returns to Tiananmen", no qual a repórter Kate Adie retorna à China e relembra os eventos que testemunhou em 1989.[34]

Filmes[editar | editar código-fonte]

O filme Rapid Fire, estrelado por Brandon Lee, retrata imagens das mortes na Praça da Paz Celestial. No filme o personagem de Brandon Lee é filho de um funcionário do governo americano que morreu no massacre; sua morte que direciona o cinicismo e a fúria do personagem de Lee no desenrolar do enredo. Próximo do fim, o personagem interpretado por Powers Booth entrega-lhe uma pasta que, supostamente, conteria informações adicinoais por trás da morte de seu pai.

Summer Palace (2006) do diretor chinês Lou Ye contém cenas reeditadas das ruas de Pequim durante os dias em que ocorreram os protestos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1]
  2. "Reavaliação de quantos morreram nas repressões militares em Pequim", The New York Times, 21 de junho de 1989
  3. a b BBC Frontline - "A Memória de Tiananmen" (1989)
  4. Ele e os tanques
  5. [2]
  6. [3]
  7. [4]
  8. [5]
  9. [6]
  10. (em espanhol)
  11. Ambrose Leung, "Fury at DAB chief's Tiananmen tirade", Page 1, South China Morning Post, May 16, 2007
  12. an ad
  13. China investigates Tiananmen ad
  14. Chengdu Evening News editors fired over Tiananmen ad
  15. [7]
  16. China makes 1989 Tiananmen payout
  17. Matusitz, Jonathan. (23 May 2007). "Semiotics of Music: Analysis of Cui Jian's 『Nothing to My Name;' The Anthem for the Chinese Youths in the Post-Cultural Revolution Era". International Communication Association.
  18. "Cui Jian: The man who rocks China", The Independent, 14 November 2005. Página visitada em 28 February 2009.
  19. In China, Two Books but One Party, Washington Post, 12 March 2005.
  20. Higgins, Charlotte (5 September 2006). Director hailed at Cannes faces five-year film ban in China. The Guardian.
  21. China: ban on anthology of poems about Tiananmen Square movement. Reporters Without Borders. 7 September 2007.
  22. Yufang, Xu (7 November 2002). The fading of Jiang's 'Three Represents', Asia Times.
  23. Reporter seeking secret documents arrested. Independent Online. 31 May 2005.
  24. Trying times for journalists in China, Asia Times, 29 August 2006.
  25. Fifteenth anniversary of the Tiananmen Square massacre, Reporters Without Borders, 2 June 2004.
  26. The 111 Wussiest Songs of All Time (No. 1) – AOL Music. Music.aol.com. Página visitada em 9 November 2009.
  27. °Ù¶ÈËÑË÷_ÀîÖ¾ ¡¶¹ã³¡¡• Ìì°²ÃÅ.
  28. Oiwan Lam (18 May 2009). Hong Kong: Donald Tsang, please die!. Global Voices Online. Página visitada em 9 November 2009.
  29. RANCID LYRICS – Arrested In Shanghai. Azlyrics.com. Página visitada em 9 November 2009.
  30. Quitting was an option for Michael Chang
  31. Robert F. Kennedy Human Rights Award Primetime Special (Full Version). Snagfilms.com. Página visitada em 9 November 2009.
  32. "French protests 'Tiananmen'", FIN24, 28 March 2006. Página visitada em 29 March 2007.
  33. "Observer: Just a little comment", 'Financial Times', 30 March 2006, p. 14. Página visitada em 5 August 2008.
  34. Kate Adie returns to Tiananmen. BBC. 3 June 2009.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989
  • The New Emperors: China in the Era of Mao and Deng, Harrison E. Salisbury, Nueva York, 1992, Avon Books, ISBN 0-380-72025-6.
  • The Tiananmen Papers, The Chinese Leadership's Decision to Use Force Against their Own People—In their Own Words, compilado por Zhang Liang, Editado por Andrew J. Nathan y Perry Link con prólogo de Orville Schell, PublicAffairs, Nueva York, 2001, 514 páginas, ISBN 1-58648-012-X Uma revisão intensiva e sinopse dos documentos "The Tiananmen na publicação Foreign Affairs pode ser encontrado em Sinopse na publicação Foreign Affairs.
  • Quatro de Junho: A verdadeira história, Tian'anmen Papers/Zhongguo Liusi Zhenxiang Volumes 1–2 (Edição China), Zhang Liang, ISBN 962-8744-36-4
  • Red China Blues: My Long March from Mao to Now, Jan Wong, Doubleday, 1997, 416 páginas, ISBN 0-385-48232-9 (Contém, além de abundante material autobiográfico, a narração de um testemunho ocular da dispersão do protesto e a base para estimar o número de baixas.)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]