Angela Merkel

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Angela Merkel
Angela Dorothea Merkel
Angela Merkel
Chanceler da Alemanha Alemanha
Mandato 22 de Novembro de 2005
Antecessor(a) Gerhard Schröder
Vida
Nascimento 17 de julho de 1954 (60 anos)
Hamburgo
 Alemanha Ocidental
Dados pessoais
Alma mater Universidade de Leipzig
Cônjuge Ulrich Merkel (1977—1982)
Joachim Sauer (1998—atualidade)
Partido CDU
Religião Luteranismo
Profissão Cientista (física)
Assinatura Assinatura de Angela Merkel

Angela Dorothea Merkel GCIH (Hamburgo, 17 de julho de 1954) é uma cientista e política alemã, desde 2005 chefe de governo de seu país (chanceler) e líder do partido União Democrata-Cristã (CDU) desde 2000. Foi descrita como a líder de facto da União Europeia e atualmente é referida pela revista Forbes como a segunda pessoa mais poderosa do mundo, a mais alta posição já alcançada por uma mulher.[1] [2]

Em setembro de 2013 sua coligação venceu por ampla maioria as eleições legislativas, sem contudo obter a maioria absoluta que lhe permitiria formar um terceiro mandato sem outras coligações.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Angela Merkel (pronúncia em alemão AFI[aŋˈɡeːla doʁoˈteːa ˈmɛʁkəl] Ltspkr.png ouça) nasceu Angela Dorothea Kasner, em Hamburgo, Alemanha Ocidental, filha de Horst Kasner (1926-2011),[3] natural de Berlim, e sua esposa Herlind, nascida Herlind Jentzsch, em 1928, em Danzig (hoje Gdańsk, Polônia), uma professora de inglês e latim. Sua mãe fora membro do Partido Social-Democrata da Alemanha.[4]

Em entrevista a Der Spiegel em 2000, Merkel declarou ser um quarto polaca.[5] Kasner foi o nome inventado pelo avô Ludwig Kazmierczak em 1930, depois de ter deixado Poznan na sua Polónia Natal, com destino à Alemanha[6] . O jornal semanal Preußische Allgemeine Zeitung, tentando estabelecer se esta referência se devia a seus avós maternos, Willi Jentzsch e Gertrud Drange, informou que, de acordo com suas pesquisas, ambos tinham ascendência alemã e viviam em Danzig, onde Willi Jentzsch era um professor ginasial.[7] Merkel tem um irmão, Marcus (nascido em 7 de julho de 1957) e uma irmã, Irene (nascida em 19 de agosto de 1964).

O pai de Merkel estudou teologia em Heidelberg e, depois, em Hamburgo. Em 1954, recebeu um pastorado na igreja de Quitzow (perto de Perleberg em Brandemburgo), que então estava na Alemanha Oriental, e a família mudou-se para Templin. Dessa forma, Merkel cresceu numa região rural a 80 km ao norte de Berlim. Gerd Langguth, um ex-membro sênior da União Democrática Cristã de Merkel, afirma em seu livro[8] que a possibilidade da família de viajar livremente do leste para a Alemanha Ocidental durante os anos seguintes, bem como a sua posse de dois automóveis, leva à conclusão de que o pai de Angela Merkel tinha uma relação "simpática" com o regime comunista, uma vez que tal liberdade e privilégios para um pastor cristão e sua família teriam sido impossíveis na Alemanha Oriental.

Como a maioria dos alunos, Merkel foi membro do movimento juvenil oficial de orientação socialista Juventude Livre Alemã (JLA). No entanto, ela não participou da Jugendweihe, uma cerimônia secular de transição para a vida adulta que era comum na Alemanha Oriental, e em vez disso foi confirmada (sacramento na Igreja Luterana). Mais tarde, na Academia de Ciências, ela tornou-se membro do conselho distrital da JLA e secretária para "Agitprop" (agitação e propaganda). Merkel afirmava que era secretária de cultura. Quando o presidente naquela época do distrito da JLA de Merkel a contradisse, ela insistiu que: "Segundo a minha memória, eu era secretária de cultura. Mas o que eu sei? Acredito que quando eu tiver 80, eu não vou saber mais de nada".[9] A avaliação de Merkel no curso obrigatório de marxismo-leninismo foi apenas genügend (suficiente, nota para aprovação) em 1983 e 1986.[10]

Na escola, aprendeu a falar russo fluentemente, e foi premiada por sua proficiência em russo e Matemática.[11] Merkel foi educada em Templin e na Universidade de Leipzig, onde estudou física de 1973 a 1978. Enquanto estudante, participou da reconstrução da ruína do Moritzbastei, um projeto estudantil iniciado para criar seu próprio clube e facilidades de recreação no campus. Tal iniciativa foi inédita na Alemanha Oriental naquele período, e inicialmente sofreu resistência da Universidade de Leipzig. No entanto, com o apoio da liderança local do Partido Socialista Unificado da Alemanha, o projeto foi autorizado.[12] Merkel trabalhou e estudou no Instituto Central de Físico-Química da Academia de Ciências em Berlim-Adlershof de 1978 a 1990. Depois de ser laureada com um doutorado por sua tese sobre química quântica,[13] trabalhou como pesquisadora e publicou vários trabalhos científicos.

Em 1989, Merkel se envolveu no crescente movimento democrático após a queda do Muro de Berlim, juntando-se ao novo partido Despertar Democrático. Após a primeira (e única) eleição democrática do Estado da Alemanha Oriental, tornou-se a porta-voz adjunta do novo governo interino pré-unificação liderado por Lothar de Maizière.[14]

Parlamentar e ministra[editar | editar código-fonte]

No primeira eleição geral pós-reunificação em dezembro de 1990, Merkel foi eleita para o Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão) pelo distrito eleitoral de Stralsund - Nordvorpommern - Rügen, que é coextensivo com o distrito de Vorpommern-Rügen. Este último manteve seu distrito eleitoral até hoje. Seu partido se fundiu com o alemão ocidental CDU[15] e ela se tornou Ministra da Mulher e da Juventude no terceiro gabinete de Helmut Kohl. Em 1994, foi nomeada ministra do Meio-Ambiente e da Segurança Nuclear, o que lhe deu maior visibilidade política e uma plataforma sobre a qual construir a sua carreira política. Como uma das protegidas de Kohl e a ministra mais jovem do seu gabinete, era referida por Kohl como "mein Mädchen" ("minha menina").[16]

Líder da oposição[editar | editar código-fonte]

Merkel enquanto deputada e porta-voz do governo ao lado de Lothar de Maizière, em agosto de 1990.

Quando o governo Kohl foi derrotado na eleição geral de 1998, Merkel foi nomeada secretária-geral do CDU. Nesta posição, Merkel coordenou uma série de vitórias eleitorais democrata-cristãos em seis das sete eleições estaduais apenas em 1999, quebrando a coalizão mantida entre o SPD e Partido Verde no Bundesrat, a casa legislativa que representa os estados. Após um escândalo de financiamento partidário, o que comprometeu muitos líderes do CDU (mais notadamente o próprio Kohl, que se recusou a revelar o doador de 2 milhões de marcos alegando que tinha dado a sua palavra de honra, e o então presidente do partido Wolfgang Schäuble, sucessor de Kohl escolhido a dedo, que também não quis cooperar), Merkel criticou seu ex-mentor Kohl e defendeu um novo começo para o partido sem ele. Ela então foi eleita para substituir Schäuble, tornando-se a primeira mulher presidente de seu partido, em 10 de abril de 2000. Sua eleição surpreendeu muitos observadores, uma vez que sua personalidade contrastava com o partido que ela tinha sido escolhida para liderar; Merkel é protestante, proveniente da região predominantemente protestante do norte da Alemanha, enquanto o CDU é um partido socialmente conservador e dominado por homens, e com bases concentradas no oeste e sul da Alemanha, e o CSU, seu partido irmão da Baviera, tem profundas raízes católicas.

Após sua eleição como líder da CDU, Merkel desfrutava de considerável popularidade entre a população alemã e era a favorita de muitos alemães para concorrer contra o chanceler Gerhard Schröder na eleição de 2002. No entanto, ela não recebeu apoio suficiente em seu próprio partido e, particularmente, no seu partido irmão (a União Social Cristã, ou CSU, da Baviera), e posteriormente foi atropelada politicamente pelo líder do CSU Edmund Stoiber, a quem ela finalmente cedeu o privilégio de concorrer contra Schröder. No entanto, ele perdeu uma grande vantagem nas pesquisas de opinião para acabar perdendo a eleição por uma margem muito pequena. Após a derrota de Stoiber, em 2002, além de seu papel como presidente do CDU, Merkel tornou-se líder da oposição conservadora na câmara baixa do Parlamento alemão, o Bundestag. Seu rival, Friedrich Merz, que ocupava o cargo de líder parlamentar antes da eleição de 2002, foi afastado para dar lugar a Merkel.

Merkel apoiou uma substancial agenda de reformas referente ao sistema social e econômico da Alemanha e foi considerada mais pró-mercado do que o seu próprio partido (CDU). Defendeu mudanças no direito do trabalho alemão, especificamente removendo barreiras para a demissão de funcionários e aumentando o número permitido de horas de trabalho semanais, argumentando que as leis existentes tornavam o país menos competitivo, porque as empresas não podiam controlar facilmente os custos do trabalho nas épocas que os negócios estavam em ritmo lento.[17]

Também defendeu que a energia nuclear na Alemanha deveria ser substituída menos rapidamente do que o governo Schröder tinha planejado.[18]

Merkel defendeu uma forte parceria transatlântica e a amizade germano-americana. Na primavera de 2003, desafiando a oposição pública forte, Merkel saiu em favor da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, descrevendo-a como "inevitável" e acusando o chanceler Gerhard Schröder de anti-americanismo. Criticou o apoio do governo quanto à adesão da Turquia à União Europeia, preferindo ao invés disso uma "parceria privilegiada". Com isso, refletia a opinião pública que se mostrava cada vez mais hostil em relação à adesão da Turquia à União Europeia.[19]

Trajetória até a eleição[editar | editar código-fonte]

Em 30 de maio de 2005, Merkel foi escolhida pela coligação CDU/CSU para concorrer contra o então chanceler Gerhard Schröder do SPD nas eleições nacionais de 2005. Seu partido começou a campanha com uma vantagem de 21 pontos sobre o SPD nas pesquisas de opinião nacionais, apesar de sua popularidade pessoal estar abaixo do chanceler que disputava a permanência no cargo. No entanto, a campanha do CDU/CSU sofreu[carece de fontes?] quando Merkel, tendo feito da competência econômica o centro da plataforma do CDU, confundiu duas vezes lucro bruto e lucro líquido durante um debate na televisão. Recuperou algum impulso depois que anunciou que iria nomear Paul Kirchhof, um ex-juiz do Tribunal Constitucional alemão e importante especialista em política fiscal, como Ministro das Finanças.[carece de fontes?]

Merkel e o CDU perderam terreno após Kirchhof ter proposto a introdução de um imposto fixo na Alemanha, novamente prejudicando o principal apelo do partido referente aos assuntos econômicos e convencendo muitos eleitores de que a plataforma do CDU de desregulamentação foi concebida para beneficiar apenas os ricos. Isso foi agravado pela proposta de Merkel de aumentar o IVA para reduzir o déficit da Alemanha e preencher a perda de receita decorrente de um imposto fixo. O SPD foi capaz de aumentar seu apoio, comprometendo-se simplesmente a não introduzir impostos fixos ou aumentar o IVA. Embora posição de Merkel tenha se recuperado após ela se distanciar das propostas de Kirchhof, ela manteve-se consideravelmente menos popular do que Schröder, e a vantagem do CDU caiu para 9% na véspera da eleição.

Em 18 de setembro de 2005, a coligação CDU/CSU de Merkel e o SPD de Schröder tiveram votações bem próximas nas eleições nacionais, com a CDU/CSU saindo vencedora com 35,3% (CDU, 27,8%/CSU, 7,5%) dos votos, vindo logo atrás o SPD, com 34,2%. Nem a coligação SPD-Verdes, nem a CDU/CSU e seus parceiros de coalizão preferenciais, o Partido Democrático Liberal, obteve assentos suficientes para formar uma maioria no Bundestag, e ambos Schröder e Merkel comemoraram a vitória. A grande coalizão entre CDU/CSU e SPD enfrentava o desafio de que ambas as partes exigiam a chancelaria. No entanto, após três semanas de negociações, os dois partidos chegaram a um acordo, no qual Merkel se tornaria chanceler e o SPD teria oito dos 16 assentos no gabinete.[20] O acordo de coalizão foi aprovado por ambas os partidos em conferências partidárias em 14 de novembro de 2005.[21] Merkel foi eleita chanceler pela maioria dos delegados (397 a 217) no Bundestag recém-eleito em 22 de novembro de 2005, mas 51 membros da coalizão governista votaram contra ela.[22]

Relatórios indicaram que a grande coalizão seguiria um conjunto de políticas, algumas das quais diferentes da plataforma política de Merkel como líder da oposição e candidata a chanceler. O objetivo da coalizão era cortar os gastos públicos, aumentando simultaneamente o IVA (de 16 a 19%), contribuições à seguridade social e a taxa máxima do imposto de renda.[23]

Merkel afirmou que o principal objetivo de seu governo seria o de reduzir o desemprego e que é em relação a esta questão que seu governo seria julgado.[24]

Chanceler[editar | editar código-fonte]

Em 22 de novembro de 2005, Merkel assumiu o cargo de chanceler da Alemanha depois de um impasse eleitoral que resultou em uma grande coalizão com o SPD.

Nas eleições federais em 27 de setembro 2009 enfrentou o candidato do SPD, Frank-Walter Steinmeier. O CDU/CSU conquistou a maioria dos votos e formou uma coligação dos partidos CDU/CSU e FDP. Em 28 de outubro de 2009 foi estabelecido o Governo Merkel II.[25]

É considerada uma centrista em questões sociais como o aborto e a homossexualidade.

Política externa[editar | editar código-fonte]

Presidente Barack Obama e Michelle Obama em 2009 visitaram a chanceler alemã Angela Merkel e seu marido, professor Joachim Sauer, na Prefeitura de Baden-Baden, Alemanha
Angela Merkel e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, na reunião do G-20 em 2012, no México.

Em 25 de setembro de 2007, Merkel encontrou com o 14º Dalai Lama para "conversas privadas e informais" em Berlim na Chancelaria em meio a protestos da China. Após isso, a China cancelou conversas separadas com autoridades alemãs, incluindo conversas com o ministro da Justiça Brigitte Zypries.[26]

Uma de suas prioridades era reforçar as relações econômicas transatlânticas ao assinar o acordo na Casa Branca para o Conselho Econômico Transatlântico, em 30 de abril de 2007. O Conselho é co-presidido pelas autoridades da União Europeia e dos EUA e visa eliminar barreiras ao comércio numa ainda mais integrada área de livre comércio transatlântica.[27] Este projeto tem sido descrito como ultra-liberal pelo político de esquerda francês Jean-Luc Mélenchon, temendo uma transferência de soberania dos cidadãos para as multinacionais e um alinhamento da União Europeia às instituições e política externa norte-americana.[28] [29]

Der Spiegel relatou que as tensões entre a chanceler Merkel e o presidente dos EUA Barack Obama[30] foram aliviadas durante uma reunião entre os dois líderes em junho de 2009. Comentando sobre a Conferência de Imprensa na Casa Branca realizada após a reunião, Spiegel afirmou: "É claro que a chanceler pouco mais reservada não poderia realmente interromper o charme ofensivo de Obama"... , mas para retribuir a diplomacia "de boa índole" de Obama, "ela foi nesta direção ... ao mencionar as experiências de irmã de Obama em Heidelberg, deixando claro que tinha lido sua autobiografia".[31]


Em 2006, Merkel expressou preocupação com a excessiva dependência de energia russa, mas recebeu pouco apoio de outros em Berlim.[32]

É a favor do Acordo de Associação entre Ucrânia e União Europeia, mas declarou em dezembro de 2012 que a sua implementação depende de reformas na Ucrânia.[33]

A 2 de Março de 2009 foi agraciada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.[34]

Israel[editar | editar código-fonte]

Merkel visitou Israel quatro vezes. Em 16 de março de 2008, foi a Israel nas comemorações do 60º aniversário do Estado judeu. Foi recebida no aeroporto pelo primeiro-ministro Ehud Olmert, uma guarda de honra e muitos dos líderes políticos e religiosos do país, incluindo a maior parte do gabinete israelense.[35] Até então, o presidente dos EUA George W. Bush tinha sido o único líder mundial que Olmert tinha agraciado com tal honraria no aeroporto.[36] [37] Merkel falara antes no parlamento de Israel, a única estrangeira que não era chefe de Estado a ter feito isso,[38] embora isso tivesse provocado alguma indignação da oposição de parlamentares israelenses de extrema direita.[39] Na época, Merkel também era tanto a presidente do Conselho Europeu como a presidente do G8. Merkel apoiou iniciativas diplomáticas israelenses, opondo-se à proposta de adesão palestina na ONU. No entanto, Merkel foi ofendida quando a construção de assentamentos continuou além da Linha Verde,[40] e sentiu-se pessoalmente traída pelo comportamento do governo israelense.[41]

Índia[editar | editar código-fonte]

Merkel e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, fizeram, em 2006, uma "Declaração Conjunta" enfatizando a parceria estratégica indo-alemã.[42] Ela focalizou na futura cooperação nas áreas de energia, ciência, tecnologia e defesa. Uma declaração semelhante, assinado durante a visita de Merkel a Índia em 2007, ressaltou os progressos substanciais ocorridos nas relações indo-alemãs e estabeleceu metas ambiciosas para o seu desenvolvimento no futuro.[42] A relação com Índia com base na cooperação e parceria foi reforçada com a visita de Merkel à Índia em 2011. A convite do governo da Índia, os dois países realizaram suas primeiras consultas intergovernamentais em Nova Delhi. Estas consultas estabeleceram um novo padrão na implementação da parceria estratégica, visto que a Índia tornou-se somente o terceiro país não-europeu com o qual a Alemanha teve este tipo de consultas abrangentes.[42] A Índia tornou-se o primeiro país asiático a realizar uma reunião de gabinete conjunto com a Alemanha, durante a visita de estado de Merkel.[43]

O governo indiano ofereceu o Prêmio Jawaharlal Nehru para Compreensão Internacional para o ano de 2009 para Merkel. Um comunicado emitido pelo Governo da Índia afirmou que o prêmio "reconhece a sua devoção pessoal e enormes esforços para o desenvolvimento sustentável e equitativo, para a boa governança e compreensão e para a criação de um mundo melhor posicionado para lidar com os desafios emergentes do século 21. "[42]

Crise de liquidez[editar | editar código-fonte]

Diante das grandes quedas nos mercados de ações em todo o mundo em setembro de 2008, o governo alemão atuou para ajudar a empresa hipotecária Hypo Real Estate com uma ajuda financeira que foi acordada em 6 de outubro, com os bancos alemães contribuindo com € 30 bilhões e o Bundesbank com € 20 bilhões para uma linha de crédito.[44]

Em 4 de outubro de 2008, um sábado, seguindo a decisão do Governo da Irlanda de garantir todos os depósitos em contas de poupança privada, uma ação que ela fortemente criticava,[45] Merkel disse que não havia planos para o governo alemão a fazer o mesmo. No dia seguinte, afirmou afinal que o governo iria garantir os depósitos de poupança privada.[46] No entanto, dois dias depois, em 6 de outubro de 2008 , verificou-se que a promessa era simplesmente um movimento político que não teria base legal.[47] Outros governos europeus mais à frente ou aumentaram os limites ou prometeram garantir os depósitos na íntegra.[47]

Derrota do multiculturalismo[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2010, Merkel disse em uma reunião de jovens membros de seu partido conservador União Democrata Cristã (CDU) em Potsdam que a tentativa de construir uma sociedade multicultural na Alemanha tinha "falhado completamente",[48] afirmando: "O conceito de que estamos vivendo agora lado a lado e estamos felizes com isso não funciona"[49] e que "nos sentimos ligados ao conceito cristão da humanidade, que é o que nos define. Qualquer um que não aceita isso está no lugar errado aqui".[50] Continuou dizendo que os imigrantes devem se integrar e adotar a cultura e os valores da Alemanha. Isto contribuiu para um crescente debate na Alemanha[51] sobre os níveis de imigração, seu efeito sobre a Alemanha e o grau em que os imigrantes muçulmanos tem se integrado à sociedade alemã.

Aprovação[editar | editar código-fonte]

No meio de seu segundo mandato, a aprovação de Merkel despencou no país, resultando em grandes perdas nas eleições estaduais de seu partido.[52] Uma pesquisa em agosto de 2011 revelou que sua coligação tinha apenas 36% de apoio em relação a uma coligação rival, que teve 51%.[53] No entanto, ela saiu-se bem em sua gestão da recente crise do euro (69% avaliaram seu desempenho como bom, em vez de fraco) e seu índice de aprovação chegou ao máximo histórico de 77% em fevereiro de 2012.[54]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Em 1977, Angela Kasner casou-se com o estudante de física Ulrich Merkel. O casal divorciou-se em 1982.[55] Seu segundo e atual marido é químico quântico e professor Joachim Sauer, que tem permanecido fora dos holofotes da mídia. Eles se conheceram em 1981,[56] tornaram-se parceiros mais tarde e casaram-se discretamente em 30 de dezembro de 1998.[57] Angela não tem filhos, mas Sauer tem dois filhos adultos de um casamento anterior.[58] Merkel é conhecida por não gostar de cachorros.[59]

Comparações[editar | editar código-fonte]

Como política mulher pertencente a um partido de centro-direita e que também é uma cientista, Merkel tem sido comparada na imprensa de língua inglesa com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher. Alguns têm se referido a ela como "Dama de Ferro", "Garota de Ferro", e até "A Frau de Ferro" (todos aludindo a Thatcher, cujo apelido era "A Dama de Ferro", além de também ter diploma científico, uma licenciatura em química em Oxford). Comentaristas políticos têm debatido quão semelhantes são suas agendas.[60] No decorrer de seu mandato, Merkel recebeu o apelido "Mutti" (de uma forma familiar do alemão para "mãe"), dito pelo Der Spiegel para se referir a uma figura de mãe idealizada dos anos 1950 e 1960.[61] Também tem sido chamada de "Chanceler de Ferro", em referência a Otto von Bismarck.[62]

Além de ser a primeira mulher chanceler alemã, a primeiro a representar a República Federal da Alemanha, que incluiu a ex-Alemanha Oriental (embora ela tenha nascido no lado ocidental e se mudado para o lado oriental poucas semanas depois de seu nascimento, quando seu pai decidiu voltar para a Alemanha Oriental como um pastor luterano[63] ), e a mais nova chanceler alemã desde a Segunda Guerra Mundial, Merkel é também a primeira nascida depois da Segunda Guerra Mundial, e a primeira chanceler da República Federal com formação em ciências naturais. Ela estudou física, enquanto seus antecessores estudaram direito, negócios, história ou eram oficiais militares, entre outros.

A Forbes nomeou-a a segunda pessoa mais poderosa do mundo em 2013.[64]

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Merkel foi criticada por estar pessoalmente presente e envolvida na entrega do Prêmio de Mídia M100[65] para o cartunista dinamarquês Kurt Westergaard. Isso aconteceu em um momento de debate emocional feroz na Alemanha sobre comentários depreciativos sobre os imigrantes muçulmanos feitas pelo ex-executivo do Deutsche Bundesbank Thilo Sarrazin.[66] O Conselho Central dos Muçulmanos[67] e o partido de esquerda[68] (Die Linke ou A Esquerda) bem como o Partido Verde Alemão[69] criticaram o ato da chanceler de centro-direita. O jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung escreveu: "Esta provavelmente será a nomeação mais explosiva de sua chancelaria até agora."[70] Outros elogiaram Merkel e consideraram a escolha um movimento corajoso e ousado para a causa da liberdade de expressão.

A posição de Merkel em relação aos comentários controversos por Thilo Zarrazin no que diz respeito aos muçulmanos e judeus foi inteiramente crítica. Segundo suas declarações pessoais, a abordagem de Zarrazin é "totalmente inaceitável" e contraproducente para os contínuos problemas de integração[71]

Em setembro de 2010, a respeito de um debate sobre a integração, Merkel disse ao jornal Frankfurter Allgemeine que "os alemães verão mais mesquitas".[72] Em outubro de 2010, após um discurso do Presidente da República Federal da Alemanha Christian Wulff durante o dia da reunificação alemã, ela declarou que "o Islã faz parte da Alemanha".[73]

Os membros de seu gabinete e a própria Merkel também apoiam e já estão introduzindo aulas e educação islâmicas nas escolas.[74] [75] [76] [77]

Declarações[editar | editar código-fonte]

Merkel acredita que a União Europeia não tem conseguido estabelecer alguns interesses comuns para as guerras comerciais do futuro, agora que se tem como objetivo manter a paz e a liberdade com o fim da Guerra Fria. E quanto aos assuntos internos, Merkel quer acelerar as reformas dos sistemas alemães: Na Alemanha estamos sempre enfrentando o perigo da nossa própria lentidão. Temos que acelerar as reformas.

Referências

  1. "Angela Merkel 'world's most powerful woman'", The Daily Telegraph, 24 de agosto de 2011.
  2. "Profile Angela Merkel", Forbes, 18 de abril de 2012. Página visitada em 11 de setembro de 2012.
  3. Merkels Vater gestorben - Termine abgesagt (em alemão) newsecho.de (03-09-2011). Visitado em 08-09-2011.
  4. "Was an Angela Merkels Mutter vorbildlich ist", Welt Online, 26 de setembro de 2008. Página visitada em 31 de julho de 2010. (em alemão) “'Nein, in der SPD bin ich nicht mehr.'”
  5. Mut zu Zwischentönen (em alemão) Spiegel (25-12-2000). Visitado em 19-08-2011.
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  7. Politik in den preußischen Genen? / "Bin zu einem Viertel polnisch": Nicht nur Elbinger Taxifahrer fragen nach Angela Merkels Wurzeln (em alemão) Webarchiv-server.de (22 de janeiro de 2011). Visitado em 15 de maio de 2012.
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  10. Glänzend in Physik, mäßig in der Ideologie (em alemão) Der Spiegel (31-01-2010). Visitado em 06-07-2010. ""Nach meiner Erinnerung war ich Kultursekretärin. Aber was weiß ich denn? Ich glaube, wenn ich 80 bin, weiß ich gar nichts mehr", sagt sie."
  11. Langguth, Gerd. Angela Merkel (em ). [S.l.]: DTV, August-2005. p. 50. ISBN 3-423-24485-2.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Gerhard Schröder
Chanceler da Alemanha
2005 — atualidade
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