Nelson Mandela
| Nelson Mandela |
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|---|---|
| 10º presidente da África do Sul |
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| Mandato | 27 de abril de 1994 a 16 de junho de 1999 |
| Vice-presidente | Frederik Willem de Klerk Thabo Mbeki |
| Antecessor(a) | Frederik Willem de Klerk |
| Sucessor(a) | Thabo Mbeki |
| 19º Secretário-geral do Movimento Não-Alinhado | |
| Mandato | 3 de setembro de 1998 a 14 de junho de 1999 |
| Antecessor(a) | Andrés Pastrana |
| Sucessor(a) | Thabo Mbeki |
| Vida | |
| Nome completo | Nelson Rolihlahla Mandela |
| Nascimento | 18 de julho de 1918 (93 anos) Mvezo, Cabo Oriental |
| Nacionalidade | Sul-Africano |
| Primeira-dama | Graça Machel |
| Partido | |
| Profissão | Advogado |
| Residência | Houghton Estate, África do Sul |
| Filhos | Makaziwe Mandela Makgatho Mandela |
Nelson Rolihlahla Mandela (Mvezo, 18 de julho de 1918[1]) é um advogado, ex-líder rebelde e ex-presidente da África do Sul de 1994 a 1999. Principal representante do movimento antiapartheid, como ativista e transformador da história africana. Considerado pela maioria das pessoas um guerreiro em luta pela liberdade, era considerado pelo governo sul-africano um terrorista.
Sua vida foi retratada nos filmes “Invictus” (2009) e "Goodbye Bafana" (2007), mostrando sua conversão em ativista com métodos pacíficos, vindo a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1993.
Passou a infância na região de Thembu, antes de seguir carreira em Direito. Em 1990 foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz,[2] que foi recebido em 2002. Na África do Sul também é conhecido como 'Madiba', um título honorário adotado por membros do clã de Mandela.[3]
Índice |
Atividade
Mandela envolveu-se na oposição ao regime do apartheid, que negava aos negros (maioria da população) direitos políticos, sociais e econômicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano (conhecido no Brasil pela sigla portuguesa, CNA, e em Portugal pela sigla inglesa, ANC) em 1947, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo (entre outros) uma organização mais dinâmica, a Liga Jovem do NCA/ANC.[3]
Depois da eleição de 1948 dar a vitória ao Partido Nacional africânder- que seria o promotor da política de segregação racial -, Mandela aderiu ao Congresso do Povo (1975) (percursor do ANC) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid.[3]
Comprometido de início apenas com atos não violentos, na esteira de Gandhi, Mandela e seus colegas decidiram recorrer à luta armada após o massacre de Sharpeville (21 de Março de 1960), quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, desarmados, matando 69 pessoas e ferindo 180 - e a subsequente ilegalidade do ANC e outros grupos antiapartheid que aderiram a esse levantamento bélico.[3]
Em 1961 tornou-se comandante do braço armado do ANC, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo, fazendo também planos para uma possível guerrilha se a sabotagem falhasse em acabar com o apartheid; também viajou em coleta de fundos para o MK, e criou condições para um treinamento e atuação paramilitar do grupo.[3]
Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso e sentenciado a 5 anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 2 de junho de 1967 foi sentenciado novamente, dessa vez a prisão perpétua (apesar de ter escapado de uma pena de enforcamento), por planejar ações armadas, em particular sabotagem (o que Mandela admite) e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos vinte e seis anos seguintes, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos antiapartheid ao redor do mundo.[3]
Enquanto estava na prisão, Mandela enviou uma declaração para o NCA (e que viria a público em 20 de Junho de 1980) em que dizia: "Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!" [4]
Recusando trocar uma liberdade condicional pela recusa em cessar o incentivo a luta armada (Fevereiro de 1985), Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do ANC e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. O ANC também foi tirado da ilegalidade.[3]
Nelson Mandela recebeu em 1989 o Prêmio Internacional Al-Gaddafi de Direitos Humanos, e em 1993, com de Klerk, recebeu o Nobel da Paz, pelos esforços desenvolvidos no sentido de acabar com a segregação racial. Em Maio de 1994, tornou-se ele próprio o presidente da África do Sul, naquelas que foram as primeiras eleições multirraciais do país. Cercou-se, para governar, de personalidades do ANC, mas também de representantes de linhas políticas. [3]
Presidência do CNA e presidência da África do Sul
Mandela foi libertado pelo presidente Frederik de Klerk em 1990. Tornou-se então líder do Congresso Nacional Africano (CNA), do qual já de há muito se tornara referência. A sua experiência de luta contra o apartheid, a sua postura de moderado no período de transição para uma ordem democrática sem segregação, o claro objectivo de operar a reconciliação nacional que norteou as suas relações com o Presidente de Klerk, valeram-lhe um inesgotável prestígio no país e no estrangeiro. Mandela é provavelmente o político com maior autoridade moral no continente Africano, o que lhe tem permitido desempenhar o papel de apaziguador de tensões e conflitos.[5]
Como presidente do CNA (de julho de 1995 a dezembro de 1999) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1991 a junho de 2000), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa. Alguns radicais ficaram desapontados com os rumos de seu governo, entretanto; particularmente na ineficácia do governo em conter a crise de disseminação da SIDA/AIDS. [3]
Mandela também foi criticado por sua amizade próxima para com líderes como Fidel Castro (Cuba) e Muammar al-Gaddafi (Líbia), a quem chamou de "irmãos das armas". Sua decisão em invadir o Lesoto, para evitar um golpe de estado naquele país, também é motivo de controvérsia.[3]
Vida pessoal
Casou-se três vezes. Sua primeira esposa foi Evelyn Ntoko Mase, e se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Após isso se casou com Winnie Madikizela, e divorciou-se em 1997. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano e aliado do CNA.[5]
Afastamento da política
Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Isabel II, e a Medalha presidencial da Liberdade de George W. Bush. [3]
Ele é uma das duas únicas pessoas de origem não-indiana a receber o Bharat Ratna - distinção mais alta da Índia - em 1970. (A outra pessoa não-indiana é a Madre Teresa de Calcutá.) [3]
Em 2001 tornou-se cidadão honorário do Canadá e também um dos poucos líderes estrangeiros a receber a Ordem do Canadá.[3]
Mandela fez alguns pronunciamentos considerados controversos em 2003, quando atacou a política externa do presidente estadunidense Bush. No mesmo ano, ele disse seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a AIDS chamada 46664 - número que lembra a sua matrícula prisional.[3]
Aos 85 anos no ano de 2004, ele anunciou que se retiraria da vida pública, pois a sua saúde tinha sofrido abalos nos últimos anos e ele desejaria aproveitar o seu tempo que lhe resta com a família. Somente fez um compromisso em lutar contra a AIDS. Logo ele viajou para a Indonésia, a fim de discursar na XV Conferência Internacional sobre a AIDS.[5]
Em Novembro de 2006, foi premiado pela Anistia Internacional com o prêmio Embaixador de Consciência 2006 em reconhecimento à liderança na luta pela proteção e promoção dos direitos humanos.[3]
Em abril de 2007, Mandela apareceu no comício do Congresso Nacional Africano, do candidato a presidente Jacob Zuma, mostrando seu apoio.[3]
Em junho de 2008 foi realizado um grande show em Londres em homenagem aos seus 90 anos, onde participaram vários cantores mundialmente conhecidos.[6]
Na madrugada de 11 de Junho de 2010, um dia antes da abertura do Mundial da África do Sul e no dia do Concerto, a sua bisneta, Zenani Mandela de 13 anos morre num acidente de carro, que capotou. O autor deste acidente vinha embriagado. Devido a este acontecimento, Nelson não pôde estar presente no jogo de abertura do Mundial 2010.[7]
Referências
- ↑ Nobel Prize biography (em inglês)
- ↑ The Great Encyclopedic Dictionary (em Russian). Moscow: Sovetskaya Enciklopediya, 1991. vol. 1, p. 759 p.
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p UOL Educação. Nelson Mandela - Biografia. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ Declaração de Mandela com introdução de Oliver Tambo publicada pelo CNA (ANC (em inglês)
- ↑ a b c IBGE. Nelson Mandela. Portal São Francisco. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ Abril. Nelson Mandela comemora 90º aniversário com show em Londres. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ UOL Notícias. Após morte de bisneta, Nelson Mandela não participará da abertura da Copa. Página visitada em 11 de junho de 2010.
Ligações externas
- Perfil no sítio oficial do Nobel da Paz 1993 (em inglês)
- Internacional: O que se pode esperar de Mandela?
| Precedido por Rigoberta Menchú Tum |
Nobel da Paz 1993 com Frederik Willem de Klerk |
Sucedido por Yasser Arafat, Shimon Peres e Yitzhak Rabin |