Aung San Suu Kyi

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Aung San Suu Kyi Medalha Nobel
AungSanSuuKyi1.png
Aung San Suu Kyi em 2011
Conhecido(a) por Líder da democracia na Birmânia
Secretária geral da Liga Nacional pela Democracia (LND)
Nascimento 19 de junho de 1945 (69 anos)
Rangum
Nacionalidade Myanmar Birmanesa
Cônjuge Michael Aris (1946-1999)
Ocupação Política, ativista
Religião Teravada

Aung San Suu Kyi, em birmanês: AungSanSuuKyi1.png , AFI[àuɴ sʰáɴ sṵ tɕì] (Rangum, 19 de junho de 1945), é uma política de oposição birmanesa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991 e secretária-geral da Liga Nacional pela Democracia (LND).

Suu Kyi é a terceira dos filhos de Aung San, considerado o pai da Birmânia moderna (atual Mianmar).

Durante a eleição geral de 1990, a LND, partido liderado por Suu Kyi, obteve 59% dos votos em todo o país, conquistando 81% (392 de 485) dos assentos no parlamento - o que deveria fazer dela a primeira-ministra da Birmânia.[1] [2] [3] [4] [5] [6] [7] No entanto, pouco antes das eleições, ela foi detida e colocada em prisão domiciliar, condição em que viveu por quase 15 dos 21 anos que decorreram desde o seu regresso à Birmânia, em 20 de julho de 1989, até sua libertação, depois de forte pressão internacional, em 13 de novembro de 2010.[8] [9] .[10] Ao longo desses anos, Suu Kyi foi uma das mais notórias prisioneiras políticas do mundo.[11]

Em 1 de abril de 2012, foi eleita deputada pela Liga Nacional pela Democracia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Suu Kyi é filha de Aung San, o herói nacional da independência da Birmânia (também chamado Mianmar), ex-colônia britânica, que foi assassinado pouco antes da independência do país (proclamada em 4 de janeiro de 1948), quando ela tinha dois anos de idade.

Suu Kyi foi educada nas melhores escolas de Rangum - antiga capital e maior cidade do país. Também estudou na Índia, onde sua mãe, Khin Kyi, foi embaixadora, e na Universidade Oxford, onde conheceu Michael Aris, um especialista em civilização tibetana, com quem viria a se casar. [12] Após a graduação, entre 1969 e 1971, ela trabalha na ONU, em Nova York. Em janeiro de 1972, casa-se com Michael. O casal teve dois filhos, Alexander (Londres, 1973) e Kim (Oxford, 1977).[13] [14]

Em 1988, Suu Kyi regressa ao seu país, a princípio para cuidar de sua mãe, que se encontrava enferma. Porém, logo se envolve com o movimento pró-democracia. Por ser descendente de um prócer da independência, sua presença inflama o movimento. Seu retorno coincide com a eclosão de uma revolta popular contra os vinte e seis anos de governo do general Ne Win, que reultaram em alto grau de repressão política e colapso da economia do país. Em 23 de julho, o general Ne Wan renuncia, mas as manifestações populares de protesto continuam. O movimento é brutalmente reprimido. Mais de 5.000 manifestantes são mortos em 8 de agosto de 1988 - na chamada Revolta 8888. Em 18 de setembro instala-se uma junta militar no governo do país. Alguns dias depois, em 24 de setembro, um novo partido é formado - a Liga Nacional pela Democracia, LND -, tendo Suu Kyi como secretária-geral. Ela se torna a principal líder do movimento pró-democratização. Naquele mesmo ano, dez mil pessoas morreriam na luta contra o regime militar birmanês.[carece de fontes?] Entre outubro e dezembro, Suu Kyi percorre o país, pregando a não violência e a desobediência civil, em grandes comícios. Em dezembro, morre sua mãe, Daw Khin Kyi, aos setenta e seis anos. [12]

Em 1989, Suu Kyi é presa pela primeira vez, ficando impedida de apresentar sua candidatura às eleições gerais do ano seguinte - as primeiras no país desde 1962.[14] Mesmo assim, seu partido, a LND, obtém uma vitória esmagadora nas eleições de 1990, conquistando 81% das cadeiras em disputa. A junta militar se recusa a reconhecer o resultado das eleições.

Manifestação pela liberação de Aung San Suu Kyi, 2005.
Manifestação pela liberação de Aung San Suu Kyi, em Nova York, 2003

Ainda em 1990, o Parlamento Europeu concede a Suu Kyi o prémio Sakharov de liberdade de pensamento. Em 1991 foi galardoada com o Nobel da Paz. Em 10 de dezembro, seus filhos, Alexander e Kim, recebem o prêmio, em nome de sua mãe. Suu Kyi permanece presa e se recusa a deixar o país, conforme lhe propõe o governo birmanês. O movimento por sua libertação cresce em todo o mundo. [12]

Em 1995, o regime militar decide levantar a pena de prisão domiciliária imposta a ela, como sinal de abertura democrática dirigido à comunidade internacional. Mas sua liberdade dura pouco. Logo estará novamente em prisão domiciliar.[15]

No Natal de 1995, Michael consegue permissão para visitar a esposa. Será o último encontro do casal. Em 27 de março de 1999 morreu de câncer, em Londres, sem ter conseguido voltar a Mianmar para ver Suu Kyi. O governo sempre insistia que ela fosse encontrar sua família, na Inglaterra, mas ela sabia que, se concordasse em sair do país, as autoridades birmanesas não a deixariam retornar. Assim, ela assume essa separação como um sacrifício a ser feito por seu país.

Manifestações de apoio[editar | editar código-fonte]

Em 2000, o grupo U2 fez uma canção em sua homenagem chamada "Walk On". Em 2005, Damien Rice e Lisa Hannigan escreveram a canção "Unplayed Piano" em sua honra e tocaram-na ao vivo no Nobel Peace Prize Concert (Nobels fredspriskonsert)" em Oslo, Noruega.

Em 2008, Suu Kyi foi considerada como a 71ª mulher mais poderosa do mundo, pela revista Forbes. Em setembro do mesmo ano, seu estado de saúde suscitou preocupação. Ela estaria recusando a comida que lhe era fornecida pela junta militar.[16]

Nove ganhadores do Nobel manifestaram apoio a Aung San Suu Kyi, que estava sendo julgada.[17] Segundo a Secretária de Estado para os Direitos Humanos da França, Rama Yade, a detenção de Suu Kyi, a poucos dias de sua liberação, visava afastá-la do processo eleitoral. O objetivo do regime era chegar às eleições legislativas de 2010 sem entraves. "Trata-se de um estado que vive sob o terror há vinte anos," [18] . Suu Kyi, mantendo-se em seu país, marca resistência pacífica mas firme ao regime autoritário.[19]

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, qualificou de escandaloso o processo contra Aung San Suu Kyi. "É escandaloso que ela seja julgada e continue a ser detida em razão de sua popularidade", declarou Clinton em Washington.[20]

Em 30 de maio, os dois juízes militares responsáveis pelo julgamento da principal opositora birmanesa adiaram a data de apresentação das razões finais no processo contra ela, de 1 de junho para 5 de junho. "O tribunal pronunciará a sentença depois das razões finais" − disse Kyi Win, um dos três advogados que defendiam Aung San Suu Kyi.[21]

Em 19 de junho de 2010, Aung San Suu Kyi completou 65 anos ainda em prisão domiciliar. Na ocasião o presidente americano Barack Obama fez um apelo ao governo de Myanmar para que a liberte, assim como aos demais presos políticos.[22]

Libertação[editar | editar código-fonte]

Em 13 de novembro de 2010, Suu Kyi foi finalmente libertada da prisão domiciliar, ficando autorizada a se deslocar livremente. Ao discursar para cerca de 4.000 simpatizantes, ela defendeu a democracia e a "reconciliação nacional". "Estou preparada para conversar com qualquer um. Não guardo ressentimento de ninguém", disse ela. Em 15 de agosto de 2011, ela se encontrou com o presidente Thein Sein e manifesta apoio à abertura iniciada pelo governo, que inclui a libertação dos numerosos presos políticos do país.[23]

Em 1 de abril de 2012 seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, anunciou que ela havia sido eleita para o Pyithu Hluttaw, a câmara baixa do parlamento birmanês, representando o distrito eleitoral de Kawhmu, na região de Yangon.[24] Seu partido também conquistou 43 dos 45 assentos vacantes da câmara baixa.[25] No dia seguinte os resultados da eleição foram confirmados pela comissão eleitoral oficial.[26]

Prêmios e honrarias[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Aung San Suu Kyi should lead Burma, Pravda Online. 25 de setembro de 2007
  2. The Next United Nations Secretary-General: Time for a Woman. Equality Now.org. Novembro de 2005.
  3. MPs to Suu Kyi: You are the real PM of Burma. The Times of India. 13 de junho de 2007
  4. Resenha do livro Letters from Burma, de Aung San Suu Kyi (em inglês).
  5. Sentence for Burma's Aung San Suu Kyi sparks outrage and cautious hope. Deutsche Welle, 11.08.2009. Citação: "A LND conquistou uma convincente maioria nas eleições de 1990, as últimas votações com algum traço de justiça realizadas da Birmânia. Isso deveria fazer de Suu Kyi a primeira-ministra, mas os líderes militares imediatamente anularam o resultado. Agora seu partido deve decidir se vai participar de uma próxima eleição com poucas perspectivas de ser justa." No original: "The NLD won a convincing majority in elections in 1990, the last remotely fair vote in Burma. That would have made Suu Kyi the prime minister, but the military leadership immediately nullified the result. Now her party must decide whether to take part in a poll that shows little prospect of being just."
  6. The Hon. PENNY SHARPE. Discurso: "Em 1990, a Daw (Dama) Aung San Suu Kyi apresentou-se com candidata da Liga Nacional pela Democracia a primeira-ministra, nas eleições gerais birmanesas. A LND venceu por ampla maioria. No entanto, em vez de ela assumir seu lugar de direito, como nova primeira-ministra da Birmânia, a junta militar recusou-se a devolver o poder." No original: "In 1990 Daw Aung San Suu Kyi stood as the National League for Democracy's candidate for Prime Minister in the Burmese general election. The National League for Democracy won in a landslide. But instead of her taking her rightful place as Burma's new Prime Minister, the military junta refused to hand over power." Página 52
  7. A twist in Aung San Suu Kyi's fate. Patrick Winn — GlobalPost. Citação: "Desde 1990, quando a junta militar do país não aceitou a eleição de Suu Kyi para o cargo de primeiro-ministro, ela tem vivido a maior parte do tempo presa. Laureada com o Prêmio Nobel da Paz, Suu Kyi continua a ser apoiada por integrantes do movimento pró-democracia no exílio, muitos dos quais também votaram por um Parlamento que nunca houve em Myanmar." No original: "Suu Kyi has mostly lived under house arrest since 1990, when the country's military junta refused her election to the prime minister's seat. The Nobel Peace Laureate remains backed by a pro-democracy movement-in-exile, many of them also voted into a Myanmar parliament that never was." 21 de maio de 2009.
  8. Libertada a ícone da democracia birmanesa Aung San Suu Kyi IG:Último Segundo (13/11/2010). Página visitada em 18/11/2011.
  9. Nobel da Paz San Suu Kyi é libertada após período em prisão domiciliar
  10. Burma releases Aung San Suu Kyi. BBC News, 13 de novembro de 2010.
  11. Aye Aye Win, Myanmar's Suu Kyi Released From Hospital, Associated Press (via The Washington Post, 10 de junho de 2006.
  12. a b c The Nobel Peace Prize 1991. Aung San Suu Kyi
  13. A biography of Aung San Suu Kyi.
  14. a b Ativista é filha de líder da independência.Folha de São Paulo, 14 de novembro de 2010
  15. Presidente do Parlamento Europeu apela à libertação de Suu Kyi. 18 de junho de 2009.
  16. Le pouvoir birman a la responsabilité de la survie de Mme Suu Kyi
  17. EFE, 21 de maio de 2009 Termina 4ª audiência de Suu Kyi sem informações sobre julgamento
  18. http://www.france-info.com/spip.php?article294451&theme=81&sous_theme=188 Entrevista concedida por Rama Yade, em 20 maio de 2009(em francês)
  19. O Exemplo de Aung San Suu Kyi
  20. Reuters, 21 de maio de 2009 Hillary Clinton juge le procès d'Aung San Suu Kyi scandaleux.
  21. Rádio Vaticano, 30 de maio de 2009 Adiada apresentação de argumentação contra Aung San Suu Kyi
  22. Euronews, 19 de junho de 2010 Aung San Su Kyi faz 65 anos
  23. Dissidente pede diálogo com junta de Mianmar: Nobel da Paz Aung San Suu Kyi foi libertada anteontem por militares. Folha de São Paulo, 15 de novembro de 2010.
  24. Fuller, Thomas, Democracy Advocate Elected to Myanmar’s Parliament, Her Party Says, The New York Times, 1° de abril de 2012.
  25. Voz da Rússia (1° de abril 2012). Oposição de Myanmar festeja vitória.
  26. NLD Claims Suu Kyi Victory, The Irrawaddy, 4 de abril de 2012.
  27. "Canada makes Myanmar's Suu Kyi an honorary citizen", 17 October 2007.
  28. Update: Mawlana Hazar Imam is made an honorary citizen of Canada The Ismaili (19 de junho de 2009).
  29. Recipients of the Wallenberg Medal. Wallenberg.umich.edu.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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