Repórteres sem Fronteiras
Repórteres sem Fronteiras (RSF, em francês: Reporters sans frontières) é uma organização não-governamental internacional cujo objetivo declarado é defender a liberdade de imprensa no mundo. RSF foi criada na França por Robert Ménard, Rony Brauman e Jean-Claude Guillebaud, em 1985.1 Sua sede fica no 2° arrondissement de Paris.2 Em seus comunicados à imprensa e nas suas publicações, RSF declara:
"Repórteres sem Fronteiras defende os jornalistes aprisionados e a liberdade de imprensa no mundo, isto é o direito de informar e ser informado, de acordo com o artigo 19 da Declaração universal dos direitos do Homem."
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[editar] Linhas de ação
As linhas de ação de RSF, explicitadas no site da entidade, são:
- defender os jornalistas e colaboradores dos meios de comunicação aprisionados ou perseguidos por sua atividade profissional, e denunciar os maus-tratos e a tortura de que são vítimas em muitos países;
- lutar para fazer recuar a censura e combater as leis que visam restringir a liberdade de imprensa;
- conceder a cada ano quase trezentas bolsas de assistência, a fim de auxiliar jornalistas ou veículos de comunicação em dificuldade, bem como as famílias de repórteres presos.
- agir para melhorar a segurança dos jornalistes, notadamente em zonas de conflito.3
RSF é membro e fundadora da organização International Freedom of Expression Exchange (IFEX), uma rede mundial de mais de 70 organizações não-governamentais de defesa da liberdade de expressão, que monitora violações à liberdade de imprensa e de expressão, movendo campanhas de defesa de jornalistas, escritores, usuários de Internet e outros que possam ser vítimas de perseguição pelo exercício do direito à expressão.
Em 2005, a organização foi agraciada com o Prêmio Sakharov para a liberdade de espírito, conferido pelo Parlamento Europeu. Para o período de outubro de 2008 a janeiro de 2012, seu secretário-geral é Jean-François Julliard,4 5 sucedendo a Robert Ménard, que dirigia a organização desde a sua fundação.
A entidade foi objeto de críticas, tendo sido acusada pró-americanismo. Também foi criticada por suas campanhas contra Cuba e a Venezuela, por sua recusa em abordar as questões de liberdade de imprensa na França e por suas ações contra a realização dos Jogos Olímpicos de 2008 em Pequim. Além disso, é criticada por ser parcialmente financiada pela National Endowment for Democracy (NED),6 pela Open Society Institute de George Soros, pelo Center for Free Cuba, pela União Europeia e por grandes empresas transnacionais.
[editar] Relatório anual
RSF publica a cada ano um relatório sobre o estado da liberdade de imprensa no mundo. Este documento, bastante mediatizado a cada aparição, baseia-se em diversos critérios para avaliar a liberdade de imprensa real em cada país, considerando desde ataques a jornalistas até a existência de leis que possam dificultar ou limitar essa liberdade.
[editar] Críticas
A imparcialidade de RSF tem sido questionada por partidos, sindicatos, veículos de imprensa e associações profissionais de jornalistas de diferentes países - e mais recentemente, também pela família do jornalista espanhol José Couso, morto no Iraque por "fogo amigo" das tropas do Estados Unidos.
Há questionamentos quanto às fontes de financiamento da organização e críticas às posições assumidas por seu secretário geral, Robert Menard, sobre a prática de tortura 7 . A análise das contas da RSF, feita por repórteres independentes, e a alegada vinculação de Robert Ménard, à CIA8 , bem como suas declarações de que o uso de tortura seria justificável, em alguns casos,9 parecem contradizer os valores defendidos pela organização, suscitando reservas quanto à sua imparcialidade e seus reais propósitos .
Na matéria "O Caixa 2 das ONGs", a revista Carta Capital reporta o financiamento de Organizações Não-Governamentais como a RSF por poderosos "lobbies" norte-americanos. Elas estariam sendo financiadas para colaborar com campanhas dos EUA contra governos que lhe são contrários, como o de Hugo Chávez (Venezuela) e o de Fidel Castro (Cuba).
RSF tem sido acusada também de manter ligações com a oposição ao governo cubano baseada em Miami, e de mover campanha sistemática contra Cuba e contra a Venezuela, com objetivos mais político-ideológicos do que de defesa dos direitos humanos e da liberdade de imprensa.
[editar] Ligações externas
- Sítio oficial de Repórteres sem fronteiras
- Primeiro relatório anual (Outubro de 2002, inglês)
- Relatório anual (Outubro de 2003, inglês)
- Relatório anual (Outubro de 2004, inglês)
- O relatório anual 2004 de RSF (francês) por zonas
- RSF cita a Wikipédia (francês)
- Filmes Livres
Sobre os problemas de neutralidade:
- Venezuela : médias au-dessus de tout soupçon... de RSF (em francês)
- La liberté de la presse selon Robert Ménard (RSF) (em francês)
- Sem Fronteiras? - Denúncias envolvem ONG francesa à política imperialista dos EU. Adital, 25 de outubro de 2006.
- Repórteres sem Fronteiras — mas com partido. "Organização internacional já era vista com desconfiança, por omissão diante de golpes militares. Agora, seu fundador admite simpatia com candidata da extrema-direita francesa". Por Altamiro Borges. Outras Palavras, 4 de abril de 2011.
- Vídeo
- « Le journalisme en zone de conflit » Vídeo de uma conferência do secretário geral de Repórteres sem fronteiras, Robert Ménard, sobre jornalismo em zonas de conflito, em maio de 2005. (em francês)
Referências
- ↑ http://www.rfointernational.net/article245.html]
- ↑ Site de RSF.
- ↑ Présentation de Reporters sans frontières. Publicada em 24 de março de 2011.
- ↑ Robert Ménard est remplacé par Jean-François Julliard
- ↑ "Robert Ménard "se passera très bien des médias"", Le Figaro, 2008-09-26. Página visitada em 2008-12-24. (em French)
- ↑ Révélations sur le financement de RSF, por Marie-Christine Tabet. Le Figaro, 21 de abril de 2008.
- ↑ Jean-Noël Darde (2007) Quand Robert Ménard, de RSF, légitime la torture
- ↑ Jean Guy Allard (2005), Robert Ménard agente de la CIA según un periodista canadiense
- ↑ Gennaro Carotenuto (2007) Reporteros sin Fronteras: "Sí a la tortura"