Xanana Gusmão

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Xanana Gusmão
GColIH/GColSEGCL
1.º Presidente do Timor-Leste Timor-Leste
Mandato 20 de maio de 2002
a 20 de maio de 2007
Primeiro-ministro Mari Alkatiri
José Ramos-Horta
Estanislau da Silva
Sucessor(a) José Ramos-Horta
Primeiro Ministro do Timor-Leste Timor-Leste
Mandato 8 de agosto de 2007
a atualidade
Antecessor(a) Estanislau da Silva
Vida
Nome completo José Alexandre "Kay Rala Xanana" Gusmão
Nascimento 20 de Junho de 1946 (67 anos)
Manatuto, Portugal Timor Português
Dados pessoais
Primeira-dama Kirsty Sword Gusmão
Partido CNRT (2007-atualidade)
Profissão Jornalista, militar e político
Assinatura Assinatura de Xanana Gusmão
Serviço militar
Serviço/ramo Coat of arms of Portugal.svg Exército Português
Flag of FRETILIN (East Timor).svg FRETILIN
Anos de serviço 1968-1971 (Portugal)
1975-2002 (FRETILIN)
Batalhas/guerras Ocupação de Timor-Leste pela Indonésia

José Alexandre "Kay Rala Xanana" Gusmão (Manatuto, 20 de Junho de 1946) é um político timorense e um dos principais activistas pela independência de seu país, tendo sido durante largos anos chefe da resistência timorense, durante a ocupação indonésia, tendo sido primeiro presidente depois da libertação do jugo indonésio e ocupando actualmente o cargo de primeiro-ministro[1] .

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Alexandre Gusmão nasceu em Manatuto quando o país estava sob domínio português, filho de professores. Estudou num colégio jesuíta. Depois de deixar o colégio com dezasseis anos (por razões económicas), em 1965, com 19 anos, conheceu Emília Baptista, que mais tarde se tornaria sua esposa.

Em 1966 Gusmão passou a ter um emprego no estado, com um salário melhor pode voltar a estudar. Em 1968 Gusmão serviu exército português por três anos. Casou-se com Emília Baptista, de quem teve um filho e uma filha, chamados Eugénio e Zenilda. Divorciaram-se em 1999. Emília vive actualmente na Austrália.

Os anos antes da invasão indonésia[editar | editar código-fonte]

Em 1971 completou o serviço militar e em 1974 envolveu-se na organização nacionalista encabeçada por José Ramos-Horta.

Nesse ano, na sequência da Revolução dos Cravos em Portugal, o governador Mário Lemos Pires anunciou a intenção de dar autodeterminação a Timor Português. Os planos contemplavam a realização de eleições gerais para um Governo de transição e um referendo em 1978.

No ano de 1975 ocorreu conflitos entre duas facções rivais em Timor Português. Gusmão passou a ser membro da FRETILIN (Frente Revolependente) que era favorável à sua opinião sobre a Independência de Timor, ao contrario da facção rival, a UDT (União Democrática Timorense), pela qual foi preso.

Tirando partido da desordem interna, e desejosa por absorver a Província, a Indonésia começou uma campanha de desestabilização, fazendo incursões no território a partir da parte ocidental da ilha de Timor.

Em 1975, a FRETILIN, com o controle do Timor Português levou a libertação de Gusmão. Ocupando Gusmão a posição de secretário de imprensa da FRETILIN, esta declarou a independência de Timor Português como República Democrática de Timor-Leste.

Invasão indonésia, resistência e prisão[editar | editar código-fonte]

Nove dias depois a Indonésia invadiu Timor-Leste. Nesse momento, Gusmão estava a visitar uns amigos nos arredores de Díli e pôde observar a invasão das colinas. Nos dias seguintes buscou refúgio junto da família.

Depois da formação do "Governo Provisório de Timor-Leste", Gusmão envolveu-se totalmente nas actividades da resistência. Gusmão foi responsável pela organização da resistência, indo de aldeia em aldeia em busca de apoio popular e recrutas. Em meados da década de 1980 passa a ser o grande líder da resistência.

Durante o início da década de 1990, Gusmão envolveu-se na diplomacia e na utilização dos meios de comunicação, instrumento utilizado para alertar o mundo para o massacre ocorrido no cemitério de Santa Cruz em 12 de novembro de 1991. Gusmão foi entrevistado pelos media internacionais e chamou a atenção do mundo inteiro.

Com o seu alto perfil, Gusmão converte-se em objectivo principal do governo indonésio. Uma campanha para capturá-lo finalmente ocorre em novembro de 1992. Em novembro de 1992 foi preso, submetido à tortura do sono, julgado e condenado a prisão perpétua pelo governo indonésio. Foi-lhe negado o direito a se defender. Passou sete anos na prisão de Cipinang em Jacarta. A 9 de junho de 1993 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade. A sua libertação, no entanto, ocorreria em fins de 1999. Durante o cativeiro foi visitado por representantes das Nações Unidas e altos dignitários como Nelson Mandela.

Referendo e administração das Nações Unidas[editar | editar código-fonte]

Em 30 de agosto de 1999 é realizado um referendo em Timor-Leste, com a esmagadora maioria da população a votar pela independência do território. Perante isso, os militares indonésios e os grupos paramilitares por eles apoiados e armados começaram uma campanha de terror que trouxe consequências terríveis. Apesar do governo indonésio negar estar por detrás desta ofensiva, foi condenado internacionalmente por não evitar a acção. Como resultado da pressão diplomática internacional, uma força de pacificação da ONU, constituída maioritariamente por soldados australianos entrou em Timor-Leste e Gusmão foi libertado. Com o seu regresso a Díli começou uma campanha de reconciliação e de reconstrução.

Gusmão foi convidado para governar juntamente com a administração da ONU até 2002. Durante este tempo promoveu continuamente campanhas para a unidade e a paz dentro de Timor-Leste e assumiu-se como o líder de facto na nova nação.

Eleição como presidente (2002) até a actualidade[editar | editar código-fonte]

Carta do Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, felicitando o esportista Yohan Carlos Goutt Goncalves

As eleições presidenciais, em abril de 2002, deram-lhe a vitória de forma retumbante, convertendo-o no primeiro presidente de Timor-Leste quando o país se tornou formalmente independente, em 20 de maio de 2002[2] .

A 14 de fevereiro de 2006 foi agraciado com o Grande-Colar da Ordem do Infante D. Henrique.

No início de 2007 anuncia que não é candidato à reeleição. Funda, com o objectivo de concorrer às eleições legislativas de 30 de Junho, um novo partido político cuja sigla é CNRT, a mesma do antigo Conselho Nacional de Resistência Timorense, o que causa polémica. Do ato eleitoral sai indigitado como novo primeiro-ministro do país, fruto de coligações pós-eleitorais com outras forças políticas da oposição, embora o seu partido não fosse o mais votado.

Vida privada[editar | editar código-fonte]

Gusmão publicou uma autobiografia chamada Resistir é Vencer. Está casado actualmente com Kirsty Sword Gusmão, uma australiana que conheceu na prisão e de quem tem três filhos: Alexandre, Kay Olok e Daniel.

Prémios e homenagens[editar | editar código-fonte]

Em 1999, foi-lhe outorgado o Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento e, em 2000, o Prémio da Paz de Sydney, pela sua "Coragem e Liderança para a Independência do povo de Timor-Leste". Também em 2000 foi investido, juntamente com D. Ximenes Belo e José Ramos-Horta, como doutor honoris causa pela Universidade do Porto (por proposta da respectiva Faculdade de Letras)[3] .

Referências

  1. "Gusmao sworn in as East Timor PM", Al Jazeera, 8 August 2007.
  2. ABC News Online (2006). Alkatiri's resignation 'would paralyse Govt'. (em inglês) Página visitada em 20 de junho de 2012.
  3. Gwangju Prize for Human Rights (em inglês). May 18 Memorial Foundation. Página visitada em 20 de junho de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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